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Acervo RR
Uma das mais tradicionais marcas de jeans do Brasil, a Staroup vive momentos decisivos. Entre os próprios controladores ? a Atra Participações e a investidora de origem suíça Jacqueline Gordon, donas de 97% do capital ordinário ? a sensação é de que a companhia está dando suas últimas cartadas para sair da recuperação judicial e escapar de um futuro cada vez mais duvidoso. Os acionistas da empresa, desde 2007 rebatizada de Botucatu Têxtil, estariam dispostos a vendê-la na bacia das almas, por um valor simbólico. Desde o ano passado, há conversas com a InBrands, que administra uma série de grifes famosas. Os sócios da empresa também entabularam conversações com o BTG Pactual ? sempre ele ? e com a Laep Investimentos, de Marcos Elias, especializada na compra de junk companies. As tratativas, no entanto, esbarram no destino da dívida da Botucatu, que já estariam na casa dos R$ 50 milhões, para um patrimônio líquido negativo na ordem de R$ 30 milhões. Desde 2008, quando entrou em recuperação judicial, a Botucatu/Staroup vive uma via crúcis. O trabalho de reestruturação, que já passou pelas mãos de três presidentes, é conduzido pelo executivo Roberto Faconti. A empresa tem penado para equacionar suas dívidas com bancos e fornecedores ? alguns deles teriam, inclusive, ameaçado suspender a venda de matéria-prima. A estratégia de alienar imóveis, por exemplo, ainda não surtiu o efeito esperado. O plano elaborado pelos controladores é carregado de boas intenções, mas de difícil execução. Para começar, previa a saída da recuperação judicial até o fim de 2010, o que não ocorreu. A promessa de resgatar até 2018 o faturamento líquido de 2005 também parece difícil de ser concretizada. As vendas em 2009, em torno de R$ 25 milhões, não significam nem um terço do faturamento de 2005 e não há sinais de melhora desde então. Nos últimos meses, a companhia vem perdendo clientes tradicionais. Ao mesmo tempo, a Staroup se tornou uma calça apertada demais para seus minoritários. Os acionistas estão a s cegas. Desde 2009, a empresa não divulga balanço, o que impede uma avaliação precisa de sua real situação financeira. Em novembro do ano passado, a Bovespa chegou a suspender a negociação das ações da companhia por alguns dias por conta de um pedido de falência.
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