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Acervo RR
A Andrade Gutierrez decidiu comprar as participações da portuguesa Brisa, da Camargo Corrêa e da Serveng-Civilsan na CCR. O que está em jogo é o poder na maior empresa de concessões rodoviárias do país, dona, entre outras, da Ponte S/A, que liga o Rio de Janeiro a Niterói, da Rodonorte, no Sul do país, e da Nova Dutra, via de acesso entre o Rio de Janeiro e São Paulo. Com a compra generalizada, a Andrade Gutierrez passará a ter 51% do capital, percentual suficiente para fazer valer a sua estratégia de internacionalização da companhia. Tem projetos também de investimentos pesados na compra de concessões controladas por concorrentes e de novos trechos que ainda vão ser leiloados. O assunto tem sido tratado com o sigilo que lhe é conveniente. As quatro empresas fizeram um pacto de silêncio para que o negócio não seja prejudicado por ingerências externas; sejam políticas, dos governos dos estados onde estão as concessões, ou mesmo da ANTT; sejam econômicas, advindas da concorrência, que certamente temerá a concentração de poderes nas mãos da Andrade Gutierrez. Por outro lado, a construtora não deu um único passo sem o consentimento do Palácio do Planalto e do Palácio dos Bandeirantes, aval necessário para que a operação não fosse questionada mais a frente. Tanto o governo federal quanto o paulista veem com bons olhos o fortalecimento de um grupo nacional em uma área cobiçada pelo capital estrangeiro. A espanhola OHL, por exemplo, começa a dar sinais de que vai aumentar o calibre da munição para dominar o mercado de concessões rodoviárias. Não deixa de ser uma medida preventiva a oferta da Andrade Gutierrez, já que a Brisa tentou mais de uma vez avançar sobre o capital da CCR com a intenção de ter o controle da companhia. Não foi bem-sucedida e agora recolhe as armas para futuras aquisições fora da CCR. Procurada pelo RR Negócios & Finanças, a FSB, agência de comunicação da Andrade Gutierrez, não retornou com as informações solicitadas sobre a operação.
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