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Agronegócio
A relação entre produtores de leite e o governo Lula vive um novo ponto de fervura, na esteira do acordo Mercosul-União Europeia. Vocalizando os pecuaristas, a Frente Parlamentar da Agricultura cobra do ministro Carlos Fávaro medidas para mitigar eventuais impactos negativos do tratado para o setor. Entre as propostas que têm sido levadas a Fávaro estão a criação de um fundo de equalização de renda para produtores afetados por surtos de importação; ampliação de linhas de crédito do Plano Safra com juros subsidiados para modernização de instalações, genética e ganho de produtividade; reforço à política de preços mínimos e à aquisição pública de leite e derivados via Conab e programas sociais; e gatilhos automáticos de salvaguarda caso volumes importados superem determinado patamar.
Entre outros efeitos, os pecuaristas temem que a ampliação de cotas para leite em pó e queijos europeus, combinada à redução tarifária gradual, acentue a concorrência sobre um segmento que já opera com margens comprimidas. Ressalte-se que o setor já tem um histórico recente de fricções com o governo. Desde 2023, produtores e entidades como a CNA e a Abraleite vêm pressionando o governo por medidas de contenção às importações, especialmente de leite em pó da Argentina e do Uruguai. Em 2024, foram protocolados pedidos de investigação antidumping. Em 2025, houve protestos regionais e audiências públicas cobrando salvaguardas. Estados como Paraná e Santa Catarina aprovaram normas para limitar a reconstituição de leite em pó importado.
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