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Política
Poderia ser um conto de Charles Dickens, mas o melancólico Natal dos funcionários dos Correios está longe de ser ficção. O anúncio de que a direção da estatal suspendeu o benefício de fim de ano a seus trabalhadores acendeu um alerta no Palácio do Planalto. Há a realidade financeira e caótica da empresa, que justifica a decisão. Mas há também a realidade política. E é esta que preocupa e mobiliza assessores de Lula. O corte do “Vale Natal” aos mais de 83 mil funcionários dos Correios às vésperas de um ano eleitoral é visto como um ponto de tensão. Para uma parcela expressiva da força de trabalho da estatal, notadamente carteiros em níveis iniciais, o valor médio da bonificação, R$ 2,5 mil, equivale a mais um mês de salário. No Planalto, a percepção é que o episódio, se não bem administrado, pode virar um gatilho de insatisfação, com potencial de ressonância no funcionalismo público como um todo. A situação pode ser contornada caso o Tesouro efetive o aporte emergencial de R$ 6 bilhões ainda neste ano, solicitado pela diretoria dos Correios. Uma parcela dos recursos, algo em torno de R$ 200 milhões, poderia ser usada para bancar o benefício natalino. Outra hipótese aventada no governo seria a adoção, a partir de 2026, de benefícios não-recorrentes, gratificações condicionadas ao desempenho ou metas de produtividade. Seria uma tentativa de empurrar o problema para a frente e aplacar o mal-estar com a suspensão do “Vale Natal”.
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