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No fim dos anos 90, o empresário Roni Argalji derrotou outros sete herdeiros da Duloren que disputavam o controle da companhia, superou um incêndio que destruiu o maquinário e todo o estoque, quitou uma dívida considerada por muitos impagável e salvou a fabricante de lingeries de uma falência que se anunciava como irreversível. Mais de uma década depois, Argalji se vê em meio a uma nova guerra, desta vez diante de um adversário bem mais íntimo do que as roupas que a companhia produz: ele próprio. O empresário é um homem em conflito: de um lado, o pensamento de levar adiante o negócio fundado por seu pai há mais de 50 anos; do outro, a tentação de vender a companhia ao seu maior oponente, a DeMillus, colocar uma pequena fortuna no bolso e saborear uma aposentadoria ainda mais folgada. Interlocutores próximos a Argalji apostam que os valores colocados sobre a mesa pela concorrente e as dificuldades de mercado enfrentadas pela DuLoren podem empurrar o empresário para a segunda opção. Procuradas, as duas empresas garantem que não há qualquer negociação. Está feito o registro. No entanto, segundo um ex-executivo da própria DeMillus, não é de hoje que a companhia assedia a DuLoren. A operação sempre foi um sonho de consumo do fundador da empresa, Nahum Manela, morto em 2012. Nos últimos meses, as investidas teriam se intensificado. Como bom predador, a DeMillus fareja algumas fragilidades na empresa de Roni Argalji. Não obstante o crescimento das vendas da ordem de 15% ao ano, a DuLoren tem se deparado com crescentes dificuldades para manter sua posição no setor. Além da dura concorrência com os fabricantes nacionais – o setor é infestado de empresas de fundo de quintal que operam a margem da lei e do fisco -, a companhia enfrenta um número cada vez maior de competidores internacionais. A DuLoren não tem o mesmo estofo financeiro de uma Victoria’s Secret ou mesmo da DeMillus para suportar uma longa temporada de redução das margens. A aquisição daria a DeMillus uma posição ainda mais confortável no setor. Com quase 40% de market share, passaria a ter mais de metade das vendas de roupas íntimas do país. Somaria ainda cerca de R$ 200 milhões em receita anual – seu faturamento gira em torno dos R$ 600 milhões.
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