13.03.17
ED. 5576

Saúde do general Villas Bôas gera apreensão no governo

As condições de saúde do general Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército Brasileiro, preocupam o governo e, mais especificamente, o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA). Segundo informação do boletim Insight Prospectiva – que circulará nos próximos dias somente para seus assinantes –, confirmada ao RR por uma alta fonte da área de Defesa, o general está em tratamento de uma rara doença degenerativa. O comandante do Exército tem comparecido regularmente ao Hospital das Clínicas, em São Paulo, referência na especialidade.

As visitas ocorrem notadamente às sextas-feiras. A questão vem sendo acompanhada com apreensão pelo Palácio do Planalto, notadamente pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), comandado pelo general Sergio Etchegoyen. No Ministério da Defesa, já se discute a possibilidade de substituição do general Villas Bôas. O RR entrou em contato com a área de comunicação do Exército, que preferiu não se pronunciar sobre o assunto. Como não poderia deixar de ser, entre os companheiros de farda é grande a preocupação com as condições do general Villas Bôas.

O comandante é muito respeitado e admirado, tanto pelas tropas quanto pelo oficialato. Trata-se da maior liderança do Exército desde o general Leônidas Pires Gonçalves. No EMCFA, não faltam vozes defendendo que ele se afaste do cargo para cuidar da saúde. Um dos motivos de apreensão é o receio de que ele venha a ter dificuldades para cumprir algumas atribuições no dia a dia. Nas últimas semanas, o comandante do Exército teria ajustado sua agenda, reduzindo sua presença em solenidades e eventos. Há um cuidado maior também com viagens. O general Villas Bôas é, ao lado do próprio general Sergio Etchegoyen, uma peça chave nas relações entre o governo e as Forças Armadas.

Isso em um momento marcado por temas delicados: os seguidos cortes no orçamento da área de Defesa, com o adiamento ou suspensão de projetos relevantes, a insatisfação das Forças Armadas com a defasagem salarial, a inabilidade do governo, que chegou a cogitar a inclusão dos militares na Reforma da Previdência, e a presença do Exército na segurança pública. Neste contexto, o general Villas Bôas tem se notabilizado por atitudes fortes e emblemáticas, caso, notadamente, da recente entrevista ao jornal Valor Econômico. Na ocasião, valeu-se de termos extremamente duros ao se referir à crise institucional e política: “O país está à deriva” ou “vivemos um quadro de desordem absoluta”.

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