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planos
05.06.17
ED. 5633

Exército faz pente fino na fronteira com a Venezuela

As Forças Armadas estão reforçando o sistema de vigilância e patrulhamento do chamado Arco Norte, mais precisamente na divisa com a Venezuela. As medidas incluem o deslocamento de tropas e de oficiais mais experientes para a região. Há uma crescente preocupação da área de Defesa com o acirramento dos conflitos contra o governo de Nicolás Maduro e seus possíveis riscos para a segurança do lado de cá da fronteira, notadamente no que diz respeito a atividades do crime organizado.

As Forças Armadas intensificaram o monitoramento e o controle da região com o objetivo principal de evitar que facções criminosas se aproveitem do fluxo desordenado de refugiados para infiltrar drogas e armas pesadas no território brasileiro. Calcula-se que, de dezembro para cá, cerca de 30 mil venezuelanos tenham entrado no Brasil via Roraima. Existe uma apreensão, em especial, quanto à possibilidade de desvio e tráfico de armamentos do próprio Exército venezuelano para o Brasil.

Os quartéis do país vizinho guardam aproximadamente cinco mil mísseis IGLA, fabricados na Rússia. São lançadores portáteis – podem ser manuseados por única pessoa – com alcance de até cinco quilômetros. Trata-se de um equipamento bastante cobiçado por traficantes de drogas: o míssil é capaz de abater aeronaves de pequeno porte, como helicópteros.

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29.05.17
ED. 5628

A banalização da Lei e Ordem

A preocupação de pelo menos um oficial de alta patente do Exército é que o uso de forma controversa da ação de Garantia da Lei e Ordem (GLO), com sua suspensão menos de 24 horas depois, sabendo-se há problemas de manutenção da ordem provavelmente em um porvir bem próximo, transforme a medida em uma espécie de ato pingue-pongue. Dá uma confusão de novo ali, o governo decreta GLO. Dá outra acolá, e o governo decreta mais uma GLO.

Pelo menos em função do protocolo e para não parecer que o dispositivo é acionado por qualquer fogo de palha, o oficial defende que a GLO fosse mantida por mais três dias, até porque havia, na última sexta-feira, fortes expectativas de manifestações pelas Diretas Já em Brasília. A manutenção da GLO por um tempo maior evitaria também a impressão de que ela foi suspensa às pressas devido a uma suposta inconstitucionalidade da medida. Há juristas que consideram responsabilidade do governador do Distrito Federal e não do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o pedido para intervenção das Forças Armadas.

Maia, que teria sido o responsável pela solicitação ao presidente da República do uso do decreto, solicitou que fosse acionada a Força Nacional, o que é algo bem diferente. Mostrou-se, inclusive, publicamente amuado com sua responsabilização pelo fato. Segundo o oficial ouvido pelo RR, é preciso cuidado redobrado quando se trata de trazer os militares para operações com os civis, pois “as Forças Armadas são a instituição mais crível do país; fazê-las de joguete é uma fórmula infalível de desmoralização”.

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drone-rr-5602
19.04.17
ED. 5602

Forças Armadas cobram da Anac regulamentação de drones

O Alto-Comando das Forças Armadas e o general Sergio Etchegoyen, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), estão mobilizados em torno de uma questão aparentemente prosaica, mas que se tornou algo estratégico para a área de Defesa: a regulamentação do uso de drones no país. Há uma pressão do estamento militar para que a Agência Nacional de Aviação (Anac) acelere a criação do projeto de lei que normatiza a venda e utilização dos equipamentos. Até o momento, este é mais um caso em que a burocracia se sobrepõe ao interesse nacional. A minuta do PL já foi aprovada pelo Decea – Departamento de Controle do Espaço Aéreo.

No entanto, há mais de três anos o assunto ricocheteia entre os gabinetes da Anac como um objeto voador não tripulado. O Exército considera prioritário coibir a comercialização indiscriminada de drones no país. Hoje, a maior parte dos modelos é vendida praticamente como se fosse brinquedo. Menores de 18 anos têm livre acesso aos equipamentos, mesmo os de maior porte.

O que causa apreensão entre os militares é o crescente uso de drones pelo crime organizado. Os dispositivos têm sido cada vez mais adotados por traficantes de drogas e contrabandistas, especialmente em áreas de fronteira, para monitorar a movimentação da Polícia Federal e de tropas do próprio Exército. A preocupação das Forças Armadas vai além: já há registros de drones, sem procedência identificada, sobrevoando instalações militares.

Em fevereiro, o Comando Militar do Oeste interceptou aeronaves não tripuladas próximas ao quartel de Amambaí, em Campo Grande (MS). Desde então, o Exército intensificou os exercícios, sobretudo noturnos, para monitorar a circulação de drones. Não é uma tarefa das mais simples. Muitos destes equipamentos conseguem “furar” sofisticados sistemas de rastreamento. Um exemplo crasso: em 2015, um drone caiu nos jardins da Casa Branca antes que o Serviço Secreto norte-americano tivesse acusado sua presença nas proximidades.

A legislação que hiberna na Anac divide os dispositivos em três categorias. A classe 3, a mais comum, engloba os drones usados para recreação ou no agronegócio. A classe 2 abrange equipamentos mais modernos, de maior alcance. É a regulamentação da classe 1, no entanto, que mais mobiliza as Forças Armadas. São drones de mais de 150 quilos, com maior autonomia de voo e capacidade de carregar objetos de razoável peso. Podem perfeitamente funcionar como uma espécie de “correio particular” para traficantes de drogas e contrabandistas de armas.

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villasboas-rr-5576
13.03.17
ED. 5576

Saúde do general Villas Bôas gera apreensão no governo

As condições de saúde do general Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército Brasileiro, preocupam o governo e, mais especificamente, o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA). Segundo informação do boletim Insight Prospectiva – que circulará nos próximos dias somente para seus assinantes –, confirmada ao RR por uma alta fonte da área de Defesa, o general está em tratamento de uma rara doença degenerativa. O comandante do Exército tem comparecido regularmente ao Hospital das Clínicas, em São Paulo, referência na especialidade.

As visitas ocorrem notadamente às sextas-feiras. A questão vem sendo acompanhada com apreensão pelo Palácio do Planalto, notadamente pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), comandado pelo general Sergio Etchegoyen. No Ministério da Defesa, já se discute a possibilidade de substituição do general Villas Bôas. O RR entrou em contato com a área de comunicação do Exército, que preferiu não se pronunciar sobre o assunto. Como não poderia deixar de ser, entre os companheiros de farda é grande a preocupação com as condições do general Villas Bôas.

O comandante é muito respeitado e admirado, tanto pelas tropas quanto pelo oficialato. Trata-se da maior liderança do Exército desde o general Leônidas Pires Gonçalves. No EMCFA, não faltam vozes defendendo que ele se afaste do cargo para cuidar da saúde. Um dos motivos de apreensão é o receio de que ele venha a ter dificuldades para cumprir algumas atribuições no dia a dia. Nas últimas semanas, o comandante do Exército teria ajustado sua agenda, reduzindo sua presença em solenidades e eventos. Há um cuidado maior também com viagens. O general Villas Bôas é, ao lado do próprio general Sergio Etchegoyen, uma peça chave nas relações entre o governo e as Forças Armadas.

Isso em um momento marcado por temas delicados: os seguidos cortes no orçamento da área de Defesa, com o adiamento ou suspensão de projetos relevantes, a insatisfação das Forças Armadas com a defasagem salarial, a inabilidade do governo, que chegou a cogitar a inclusão dos militares na Reforma da Previdência, e a presença do Exército na segurança pública. Neste contexto, o general Villas Bôas tem se notabilizado por atitudes fortes e emblemáticas, caso, notadamente, da recente entrevista ao jornal Valor Econômico. Na ocasião, valeu-se de termos extremamente duros ao se referir à crise institucional e política: “O país está à deriva” ou “vivemos um quadro de desordem absoluta”.

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saab-gripen-rr-5546
25.01.17
ED. 5546

Saab transforma o Brasil em conexão para a América Latina

Apesar das restrições no orçamento das Forças Armadas, o mais badalado investimento da área de Defesa começa a decolar. A Saab vai anunciar nos próximos dias o projeto da fábrica que será instalada no ABC paulista para a montagem final dos 36 caças Gripen vendidos à FAB – um contrato em torno de US$ 5 bilhões. O aporte será da ordem de US$ 200 milhões. Tão ou mais importante do que esta cifra é o valor, por ora intangível, da chegada da Saab ao país: os suecos pretendem transformar o Brasil em cabeça de ponte para a América Latina, aproveitando sua base de produção para vender aeronaves e equipamentos a outros mercados da região.

Embora, de um modo geral, os investimentos militares na América Latina tenham caído, em média, 3% nos últimos dois anos, nações como Colômbia, Peru e Paraguai vêm ampliando consideravelmente seus orçamentos na área de defesa. Uma peça importante na estratégia geoconômica da Saab é a paulista Akaer. No último fim de semana, os suecos anunciaram o aumento da sua fatia na empresa de 15% para 25%.

É apenas a parte mais visível do seu plano de voo. A Saab fechou um acordo com os acionistas da Akaer para chegar gradativamente aos 40% do capital até o fim de 2018. Não é por falta de apetite que os nórdicos vão parar por aí. Este é o percentual limite para que a Akaer siga enquadrada no regime de Empresa Estratégia de Defesa (EED), o que lhe garante benefícios fiscais e algumas vantagens na disputa de licitações. Para todos os efeitos, a companhia permanecerá com a fuselagem pintada de verde e amarelo. No entanto, o manche estará cada vez mais na mão da Saab.

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ditadura-rr-21
21.11.16
ED. 5499

Militares rastreiam os pedintes da ditadura

A inteligência militar procura rastrear quem são, quais as motivações reais e a extensão da suspeita claque defensora de uma intervenção autoritária no país. O ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o general Sergio Etchegoyen, tem recebido relatórios assíduos produzidos a partir de dados do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin), que congrega 38 órgãos públicos – da Polícia Federal às PMs estaduais, passando pela área de telecomunicações. O trabalho tem se concentrado no mapeamento dos manifestantes, seja aqueles que defendem, com franqueza d´alma, a entrada em cena das Forças Armadas, seja os agitadores que se apoderam da causa da intervenção militar. Esses últimos estão diluídos em várias manifestações pró-Forças Armadas. A aparição mais retumbante foi a invasão do plenário da Câmara na semana passada por um grupo autodenominado de “Os patriotas”. São bolsões radicais, porém, tudo indica, não sinceros, percepção reforçada pela intensificação do trabalho de campo, notadamente a infiltração de agentes nos protestos.

 Os militares não confundem alhos com bugalhos. Sabem que têm uma representação democrática e transparente, encarnada no deputado Jair Bolsonaro. Mas o capitão-parlamentar e seus partidários e seguidores não vocalizam a intervenção militar como meta, mesmo porque estariam na contramão da vontade manifesta pela esmagadora maioria dos Altos Comandos, incluindo os oficiais mais duros. As investigações preliminares conduzem para a conclusão de que os grupos mais excitados pertencem a uma extrema direita diminuta, com alta capacidade de ressonância devido à circunstância psicossocial do país, de corte anárquico, mal organizada, ciosa dos seus símbolos de poder, saudosa do regime totalitário.

 Os militares estão vaidosíssimos pelas convocações para participarem de missões com forte empatia junto à população – a exemplo da Olimpíada e de campanhas de erradicação de epidemias; com as pesquisas que atestam maior credibilidade das Forças Armadas em relação aos demais estamentos da República; e com o sentimento de que sua presença nas ruas, quando chamados a garantir a segurança pública, é muito bem vista pela população. Mas daí a assumir o comando-em-chefe da Nação vai uma distância galáctica.

 A postura permanente é a de guardião de última instância. A ideia é manter uma certa tensão administrada em momentos de crise da ordem. É o “vou, não vou, vou, mas não vou”. Esse comportamento bem calibrado vem resultando em um upgrade da imagem institucional das três Forças, com reflexos positivos nos pleitos feitos junto ao aparelho de Estado. Os militares, apesar do discurso público em defesa da “Revolução de 64”, consideram que têm uma oportunidade única para mitigar o estrago que a ditadura dos porões fez na corporação. Não há mais guerra fria, não há mais inimigo ideológico da Nação. Os inimigos são inimigos das gentes, inimigos de classe, inimigos do povo.

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sisfron-rr11
11.10.16
ED. 5473

Sisfron são os novos olhos da Defesa na tríplice fronteira

  O ministro da Defesa, Raul Jungmann, o ministro-chefe do Gabinete de segurança Institucional, General Sergio Etchegoyen, e o Estado Maior das Forças Armadas estão debruçados sobre um novo plano de ações para intensificar a vigilância na tríplice fronteira – Brasil, Argentina e Paraguai. O tema, inclusive, chegou a ser discutido nos encontros que Michel Temer teve, na semana passada, com os presidentes Mauricio Macri e Horacio Cartes. A grande contribuição virá do lado brasileiro: até meados do ano que vem, as Forças Armadas deverão concluir a implantação do Sisfron, novo sistema de monitoramento de fronteiras. Trata-se de uma rede integrada que reúne satélites, radares, aeronaves e ainda postos de vigilância localizados em regiões-chave. A importância estratégica do novo sistema pode ser medida pela sua blindagem à crise nas contas públicas. Orçado em aproximadamente R$ 12 bilhões, foi um dos raros projetos das Forças Armadas que passaram razoavelmente incólumes à desidratação orçamentária. Existe, inclusive, um projeto para que a tecnologia do Sisfron seja vendida a outros países. Procurado, o Ministério da Defesa não quis se pronunciar.  Entre os equipamentos de última geração que serão utilizados, o destaque fica por conta do Vant – Veículo Aéreo Não Tripulado –, um avião-radar de patrulhamento aéreo que pode ser usado não apenas para serviços de vigilância, mas até mesmo em pequenos resgates. O Sisfron já está em fase de testes na divisa entre Mato Grosso do Sul e o Paraguai. Todo o sistema será integrado aos órgãos de Inteligência das Forças Armadas, das Polícias Federal e Rodoviária, das corporações estaduais e da Receita Federal. Sua operacionalização ficará concentrada na 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, conhecida como Brigada Guaicurus, localizada na cidade de Dourados (MS).  Quando estiver integralmente implantado, o Sisfron permitirá o monitoramento dos 17 mil quilômetros de fronteira seca do Brasil. No entanto, o maior foco de preocupação para a área de Defesa é a interseção com a Argentina e o Paraguai. Ali estão os maiores poros na segurança das fronteiras, uma região pródiga na entrada de armas, drogas e mercadorias contrabandeadas. Trata-se ainda de uma área que hoje merece atenção redobrada pela movimentação de células operacionais de grupos terroristas. Durante a Olimpíada, diversos agentes dos serviços de Inteligência do Brasil e de países como Estados Unidos e França permaneceram infiltrados em Foz do Iguaçu e cidades próximas.

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29.09.16
ED. 5465

Raul Jungmann marcha para uma nova missão

 O ministro da Defesa, Raul Jungmann, iniciará no mês de outubro uma série de viagens ao exterior. Entre outros países, há visitas programadas à França e à Rússia. A missão é negociar parcerias tecnológicas para a execução de projetos das Forças Armadas, muitos deles emperrados por restrições orçamentárias.

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lockeed-rr-5
05.09.16
ED. 5448

Lockheed muda o calibre da sua estratégia comercial

 A Lockheed Martin aprendeu direitinho a lição deixada pelo fracasso na disputa pelo fornecimento de 36 caças supersônicos à Força Aérea Brasileira, vencida pela sueca Saab . O grupo norte-americano resolveu aposentar a postura de intransigência e intolerância nas negociações, aliás, semelhante à da concorrente francesa Dassault. Está adotando uma política de “Lockheed paz e amor”, pautada pela associação com fornecedores locais e investimentos no mercado brasileiro, na expectativa de futuras licitações das Forças Armadas. O Brasil será uma base industrial do grupo na América do Sul e em boa parte da América Central, com a construção de um centro de manutenção de turbinas, em Recife. Essa é apenas a primeira fase do empreendimento. O projeto da Lockheed Martin é instalar em Pernambuco um complexo industrial que fará a montagem final de equipamentos aeronáuticos, como radares, sistemas de vigilância e asas.  Os produtos foram escolhidos de olho prioritariamente no mercado brasileiro, pois são usados pela FAB há mais de dez anos. No caso das asas, a Força Aérea deverá lançar até 2017 uma licitação para revitalização de nove aeronaves de patrulha marítima P-3 Orion, um negócio que deverá chegar a US$ 100 milhões. As negociações com os governos federal e estadual para investimento de US$ 1 bilhão começaram em 2015, mas o acordo foi fechado somente nesse ano. Por ora, não haverá transferência de tecnologia porque o projeto ficará restrito à manutenção de turbinas, mas, na fase de produção, prevista para ocorrer daqui a três anos, a companhia norte-americana prevê transferência parcial do modo de fabricação das peças.  Com essa aproximação, a Lockheed Martin pretende quebrar a espinha dorsal da parceria entre a FAB e a Saab. A ideia é incentivar o governo brasileiro a fazer nova licitação para a futura compra suplementar de aeronaves de combate. A Força Aérea estuda, depois da entrega dos 36 caças pela fabricante sueca, fazer novos pedidos – o que já foi anunciado pelo Alto Comando da Aeronáutica. Posicionada no Brasil, a Lockheed Martin pretende ser lembrada no processo e não apenas assistir à assinatura de um aditivo no contrato firmado pela FAB com a Saab. • As seguintes empresas não se pronunciaram ou não comentaram o assunto: Lockheed Martin.

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 Os ministros da Justiça, Alexandre de Moraes, e da Defesa, Raul Jungmann, chegaram a discutir com José Ivo Sartori a entrada emergencial das Forças Armadas na segurança pública do Rio Grande do Sul, onde há uma grave crise devido ao aumento dos latrocínios, o que tem gerado crescentes protestos da população. Por fim, chegou-se ao entendimento de que o deslocamento de agentes da Força Nacional seria menos “invasivo”.

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28.07.16
ED. 5421

Soldados em deficit

 O Exército mantém de prontidão um contingente extra de soldados para suprir os quase inevitáveis desfalques da Força Nacional de Segurança. A pouco mais de uma semana da Olimpíada, o efetivo da corporação que atuará no Rio ainda é uma incógnita. Dos dez mil homens previstos inicialmente, apenas três mil foram enviados pelos governos estaduais. No entanto, por restrições orçamentárias, a expectativa é que apenas dois mil soldados permaneçam na cidade ao longo de todo o evento.

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 O governo avança na definição do público alvo do seu ajuste fiscal. Depois das mulheres e velhos pobres, agora chegou a vez dos inválidos e doentes. Espera-se que não alcance a maternidade.   Aliás, segundo a Casa Civil as pessoas que sofrem de invalidez “não precisam correr ao posto do INSS para avaliar sua situação”. Como diria Dilma Rousseff, podem ir devagar, devagarinho.   Por outro lado, o próprio Michel Temer se articula com Renan Calheiros para acelerar a votação, no Senado, do aumento do soldo das Forças Armadas.  Por fim, o RR quer ver as tais medidas impopulares de ajuste cacarejadas pelo governo serem aplicadas aos nababos do país, que aqui gorjeiam cevados a subsídios pétreos.

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meio-tanque
01.07.16
ED. 5402

Venda da BR Distribuidora fica no meio tanque

 A opção pela coluna do meio – dividir o controle da BR Distribuidora irmãmente com um investidor – é a saída pela tangente hoje majoritária entre os membros do Conselho de Administração da Petrobras. Ela acomoda a disposição privatista do presidente da estatal, Pedro Parente, que sairia perdedor caso tentasse, a exemplo do antecessor Aldemir Bendine, vender a maior parte ou mesmo a totalidade do capital da companhia. E também vai ao encontro das ponderações do ex-presidente do Conselho da estatal e nº 1 da Vale , Murilo Ferreira, contrário à venda da empresa já, ou seja, antes de um choque de gestão capaz de valorizar o preço do ativo. No novo modelo de associação mano a mano, a gestão seria profissionalizada, o que permitiria em um valuation futuro vender parte do capital em mãos da Petrobras com um elevado prêmio pelo controle, lançando mão da golden share para algumas funções estratégicas da distribuidora.  Abrir mão de 50% das ações da BR é um caminho intermediário: a “mãe” será capitalizada sem perder a ingerência sobre uma companhia que tem, digamos assim, outros deveres relevantes além de gerar lucro na boca da mangueira de gasolina. A BR cumpre uma série de atribuições estratégicas, que vão além das suas fronteiras corporativas e muito provavelmente não seriam seguidas à risca por um investidor privado. A empresa garante o escoamento dos derivados produzidos pela Petrobras, evitando a asfixia das refinarias estatais. Abastece regiões ermas do país, das quais as concorrentes nem chegam perto devido à baixa escala. Garante o fornecimento aos governos federal, estaduais e municipais de asfalto e emulsões para rodovias de todo o país. A importância da BR chega ainda à área de defesa: a companhia integra o Sistema de Segurança Nacional, sendo responsável pelo abastecimento de combustível de todas as Forças Armadas. Antes de mexer nesse vespeiro, o presidente da Petrobras tem muita coisa para arrumar na frente. Quer trazer profissionais gabaritados do mercado para tocar a BR, mas o primeiro passo é iniciar já a mudança de todos os processos da companhia. Vai contratar o onipresente consultor Vicente Falconi, que dará o ar da sua graça em conferência na Petrobras neste fim de semana. O cartão de visita de Falconi não é uma navalha, mas uma nota fiscal.

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tríplice fronteira
28.06.16
ED. 5399

GSI volta as baterias para a tríplice fronteira

 A menos de dois meses da Olimpíada, as atenções do general Sergio Etchegoyen, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, se voltam para a chamada tríplice fronteira, entre o Brasil, a Argentina e o Paraguai. A GSI tem recebido relatórios semanais produzidos pela área de Inteligência do Exército. As Forças Armadas intensificaram o monitoramento de células terroristas que atuam na região, notadamente na cooptação de jovens de origem muçulmana. O rastreamento desses grupos vem sendo feito em parceria com órgãos de Inteligência dos Estados Unidos e da França.  Nos últimos 15 dias, o GSI e o Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, comandado pelo almirante de esquadra Ademir Sobrinho, realizaram duas grandes ações integradas na região no âmbito da Operação Ágata, um dos principais vértices do Plano Estratégico de Defesa. Segundo o RR apurou, forças militares seguirão infiltradas na região ao longo das próximas semanas. Outro alvo prioritário das Forças Armadas na região é o tráfico de armas para o aparelhamento do crime organizado. Os armamentos entram, sobretudo, pela fronteira entre o Paraguai e o Paraná, mais precisamente as cidades de Foz do Iguaçu e Guaíra, além do município de Mundo Novo, já no Mato Grosso do Sul.

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 A russa Rosoboronexport , que tinha ótimo trânsito no governo de Dilma Rousseff, está tentando reconstruir suas pontes em Brasília. Representantes da empresa vêm mantendo tratativas com o ministro da Defesa, Raul Jungmann, na tentativa de emplacar a venda de blindados para o Exército. Sobre a mesa, um pacote de financiamento de bancos russos. Para a Rosoboronexport, o que está em jogo é a sua própria operação na América Latina. A companhia acaba de levar um petardo na Venezuela, ao perder boa parte dos contratos de US$ 3 bilhões com as Forças Armadas locais

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forças-armadas
16.05.16
ED. 5369

Temer acende uma vela para as Forças Armadas

 Não se sabe ao certo onde termina o reconhecimento à importância das Forças Armadas para a nação e começam o pragmatismo e o senso de autopreservação de Michel Temer. O fato é que o novo presidente vai governar de mãos dadas com o oficialato. Como se não bastasse o tributo à bandeira no uso do slogan positivista “Ordem e Progresso”, a relevância que Temer dará a esta aliança pode ser medida pela antecedência com que ela foi costurada. Segundo o RR apurou, a estrutura de comando da área de defesa do governo Temer começou a ser alinhavada em setembro do ano passado, quando as discussões sobre o impeachment de Dilma Rousseff se intensificaram e as ruas começaram a efervescer. Esse cenário trouxe a reboque um natural frenesi quanto à hipótese de um quadro de absoluta desordem pública e institucional desembocar em uma intervenção militar, algo que perdurou até a consumação do afastamento de Dilma. Temer tratou de construir suas pontes com as Forças Armadas, contando sempre com a participação decisiva de Nelson Jobim.  Candidato de primeira hora de Temer para o Ministério da Defesa, o próprio Jobim recusou o cargo por atuar como advogado de empresas envolvidas na Lava Jato. Mesmo sem se sentar na cadeira de ministro, foi o grande articulador da montagem da equipe de governo para o setor. Curiosamente, os militares queriam a permanência de Aldo Rebello na Defesa, que não aceitou permanecer na gestão Temer. Foi, então, que Jobim sacou o nome de Raul Jungmann e trabalhou pela sua aprovação junto à área militar.  Nelson Jobim teve participação decisiva também na escolha de Sergio Etchegoyen para o Gabinete de Segurança Institucional (GSI). O ex-ministro do STF é muito amigo do general e de seu irmão Ciro Etchegoyen, relacionamento que vem desde a cidade de Cruz Alta (RS). Foi um momento de inspiração de Jobim. Etchegoyen é duro que nem um carvalho, mas tem um perfil democrata e detona qualquer um que venha pregar como vivandeira junto aos bivaques. O oficial terá sob seu comando uma espécie de “super” Gabinete. A intenção do governo Temer é fortalecer a área de informações de forma ampla, em um aspecto lato sensu. A medida vale não apenas para as Forças Armadas e as polícias civil e militar, mas também para o serviço de inteligência em diversas outras instâncias do Estado, desde o BC e o Coaf, leia-se o monitoramento de movimentações financeiras suspeitas de conexão com o crime organizado e terrorismo internacional, até o Ministério da Agricultura, responsável pelas “fronteiras fitossanitárias” do país.  Dentro dessa grande pactuação, é grande a expectativa entre o Alto-Comando Militar que já nos próximos dias Michel Temer anuncie a retomada de projetos estratégicos das Forças Armadas. Espera-se também que o governo apresente um plano para a quitação dos mais de R$ 10 bilhões em dívidas com grandes fornecedores das três Forças, como Embraer e Iveco – ver RR edição de 2 de maio. Outra questão extremamente nevrálgica – e haja ajuda da equipe econômica – é a pressão dos militares por uma melhor política salarial. Uma das reivindicações ao novo governo é trazer para o presente o aumento dos militares concedidos pela presidente afastada Dilma Rousseff. O reajuste, na média de 22%, foi escalonado até 2019. Um soldado, por exemplo, que recebia R$ 1.500, terá de esperar mais três anos para que o soldo chegue a R$ 1.800.

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ministerio-defesa
02.05.16
ED. 5359

Ministério da Defesa pedala mais de R$ 10 bilhões em dívidas

 O futuro ministro da Defesa de Michel Temer terá de desativar uma bomba-relógio no Orçamento das Forças Armadas, algo já chamado pelos próprios técnicos da Pasta de “pedaladas militares”. O Ministério vem empurrando mais de R$ 10 bilhões em dívidas e atrasos no pagamento de fornecedores. A situação é extremamente crítica e envolve alguns dos maiores e mais estratégicos contratos do Exército, Aeronáutica e Marinha. O governo deve cerca de R$ 1,7 bilhão à Helibras pela encomenda de 19 helicópteros H225M, do programa HX-BR. A Embraer, por sua vez, tem a receber aproximadamente R$ 1,4 bilhão. O Ministério da Defesa estaria atrasando também os pagamentos à Iveco, fornecedora do blindado Guarani, e à Odebrecht, à frente do projeto do submarino nuclear e da construção da base naval de Itaguaí. O tamanho do problema só não é maior porque o governo adiou ou suspendeu importantes projetos da área militar, notadamente da Força Aérea, entre eles a modernização dos caças F- 5E/F e das aeronaves E-99.  Durante sua gestão à frente do Ministério da Defesa, Jaques Wagner chegou a fazer uma série de reuniões com os grandes fornecedores das Forças Armadas com o objetivo de repactuar dívidas e alongar prazos de pagamento. Na era Aldo Rebelo, no entanto, a interlocução esfriou. As “pedaladas”, ressalte-se, não atingem apenas parceiros comerciais de alta patente. Uma parte razoável da dívida diz respeito à compra de peças de reposição e à contratação de serviços de manutenção para as Forças Armadas. Ainda que os valores absolutos sejam bem menores, trata-se de acordos tão ou, sob certo aspecto, até mais importantes para a operação militar do que os grandes projetos em atraso. Hoje, os quartéis funcionam com baixíssimo ou nenhum estoque de reposição.  A tendência é que o novo ministro da Defesa tenha de administrar um cenário ainda mais delicado a partir do segundo semestre, mesmo porque a Pasta terá gastos que não estavam previstos no orçamento. O Estado Maior das Forças Armadas já dá como líquida e certa a necessidade de um aumento do efetivo que atuará no esquema de segurança da Olimpíada. A expectativa inicial era de que 10 mil homens das Forças Nacionais de Segurança desembarcassem no Rio em julho. No entanto, com o agravamento da crise econômica, esse número não deverá passar de 3,5 mil. Muitos estados não vão bancar os custos de transporte dos agentes – em grande parte composta por policiais militares. Caberá ao Exército cobrir a diferença e arcar com os gastos para o deslocamento de tropas. A princípio, pode soar como um custo residual. Mas tudo pesa para um ministério que, no início do ano, já teve seu orçamento cortado em mais de 30%.

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15.04.16
ED. 5349

Novo sistema de vigilância das fronteiras some do radar

 Por inépcia do governo, um dos mais importantes projetos da área de defesa, fundamental para o complexo trabalho de vigilância das fronteiras, está sendo empurrado para um futuro incerto. Trata-se do programa de “Sensoriamento remoto, telecomunicações e tecnologia da informação para a defesa e proteção da Amazônia”, desenvolvido no âmbito do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam). Sua implantação parecia líquida e certa. No ano passado, o projeto, de aproximadamente US$ 1 bilhão, foi incluído na incensada lista de acordos multissetoriais de mais de US$ 50 bilhões firmados entre o Brasil e a China. Puro tiro de festim. A exemplo da maior parte dos investimentos alinhavados entre Dilma Rousseff e o primeiro-ministro Li Keqiang, virou um acordo para chinês ver e brasileiro desperdiçar. Um ano depois, o governo Dilma ainda não teria apresentado todas as contrapartidas necessárias para garantir o financiamento de agências de fomento chinesas e viabilizar o protocolo de cooperação e transferência de tecnologia.  Desde maio do ano passado, quando o ministro da Ciência, Tecnologia e Defesa da China, Xu Dhaze, visitou o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), em Brasília, e posou para as fotos de praxe com o então congênere Jaques Wagner, pouco ou nada andou nas discussões entre os dois países. Ao longo do segundo semestre, técnicos chineses estiveram no Brasil em reuniões preliminares no Ministério da Defesa e na Aeronáutica. Na ocasião, ficou acertada para os meses seguintes a viagem de engenheiros e oficiais da Força Aérea a Pequim. No entanto, nada ocorreu. Como se não bastassem os cortes no orçamento, que ceifaram quase 30% dos recursos do Ministério da Defesa, o projeto se perdeu na incapacidade e imperícia do governo.  O que está em jogo é um significativo salto tecnológico no monitoramento de quase sete mil quilômetros de área fronteiriça em uma região marcada por tráfico de drogas, atuação de guerrilhas – caso especificamente das Farc –, contrabando, comércio ilegal de animais, desmatamento, entre outros crimes. O novo sistema de “Sensoriamento remoto” é fundamental para aperfeiçoar e agilizar a coleta de imagens e identificar movimentações atípicas de pessoas e veículos em áreas de fronteira. Seu atraso compromete o desenvolvimento do Sipam, que congrega uma ampla base de dados, colhidos por meio de satélites, radares, estações meteorológicas, além de informações obtidas pelos serviços de inteligência das Forças Armadas.

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 Se o projeto chegará a ser disparado, são outros quinhentos, mas o governo planeja privatizar a Base de Alcântara, no Maranhão. O futuro parceiro teria 51% do capital. Para arrefecer eventuais resistências das Forças Armadas, o Ministério da Defesa permaneceria com a gestão da plataforma e teria preferência no lançamento de satélites. Procurado pelo RR, o Ministério da Defesa não comentou o assunto.

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24.03.16
ED. 5334

O pouso forçado da Rosoboronexport

  A asfixia do governo Dilma Rousseff praticamente decretou o “impeachment” da russa Rosoboronexport no Brasil. Um a um, os principais projetos da fabricante de equipamentos bélicos para o país estão caindo por terra, levando junto investimentos potenciais da ordem de US$ 2 bilhões. Tudo na Rosoboronexport é anticlímax. A abertura de um escritório de representação em São Paulo foi suspensa. A empresa reduziu a equipe que trabalha baseada na Embaixada da Rússia em Brasília – pelo menos dois executivos já voltaram para Moscou.  A companhia suspendeu as tratativas com o governo do Rio Grande do Sul para a construção de uma fábrica de blindados no estado. Interrompeu também as negociações com o Exército para a venda de sistemas de defesa aérea Pantsir-1. Simultaneamente, engavetou os planos de parceria com Empresas Estratégicas de Defesa (EED) brasileiras. Neste caso, o revés vai também para a conta da Avibrás. A Rosoboronexport chegou a abrir tratativas com a empresa paulista para acordos de transferência de tecnologia ou mesmo a criação de uma joint venture, mas as conversas ficaram pelo caminho.  O revés está diretamente ligado à crise econômica e política no Brasil: de um lado, os severos cortes no orçamento das Forças Armadas; do outro, a paralisia nas negociações dos tratados bilaterais entre o Brasil e a Rússia – nenhum dos acordos para a área de defesa discutidos entre Dilma e Vladimir Putin em julho do ano passado saiu do papel. As seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: Rosoboronexport e Ministério da Defesa.

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10.03.16
ED. 5324

Protestos terão esquema de segurança da Rio-2016

 Do ponto de vista do Alto-Comando militar, o 13 de março significará a antecipação do esquema de segurança previsto para os Jogos Olímpicos. Essa medida reflete o grau de preocupação das Forças Armadas com as manifestações convocadas para o próximo domingo. O planejamento, notadamente do Exército, prevê a utilização de estratégias, tecnologias e dispositivos que serão empregados na Rio-2016. Os protestos, muito a contragosto, servirão de “evento-teste”, sobretudo, para o trabalho de inteligência e monitoramento das redes digitais e das comunicações. Em janeiro, a Anatel autorizou as Forças Armadas a usar bloqueadores de sinais de radiocomunicações nos Jogos Olímpicos. O texto do decreto publicado pela agência reguladora contém uma sutileza que vem a calhar para este domingo: permite também a interferência em redes celulares durantes as chamadas Operações de Garantia de Lei e da Ordem (Op GLO). O Exército dispõe de aparelhos portáteis e de equipamentos instalados em viaturas capazes de bloquear comunicações telefônicas em situações que coloquem em risco a ordem pública.  Nos últimos dias, as Forças Armadas acentuaram o monitoramento de redes sociais e outros canais de comunicação, trabalho este que será intensificado durante o fim de semana. Esta missão está a cargo do Centro de Inteligência do Exército (CIE) e do Centro de Defesa Cibernética (CD Ciber), localizados em Brasília. Ambos vêm produzindo contínuos relatórios de acompanhamento remetidos imediatamente ao Comandante do Exército, General Eduardo Villas Boas, e ao chefe do Estado Maior do Exército, General Sergio Etchegoyen. A vigilância digital é considerada uma peça-chave no esquema de segurança dos Jogos Olímpicos. Os terroristas responsáveis pelos ataques a Paris em novembro do ano passado, por exemplo, utilizaram a rede de comunicação de jogos online de um PlayStation para organizar as ações. No dia 13, todo o cuidado é necessário.  Em relação aos protestos de domingo, o maior motivo de preocupação dos comandantes militares é Brasília, seja pelo seu valor simbólico, seja por questões cronológicas. As manifestações na capital federal estão marcadas para às nove da manhã, antes, portanto, das mobilizações nas grandes cidades, especialmente Rio e São Paulo. Nas Forças Armadas, a percepção é que Brasília funcionará como um termômetro para as demais praças do país no que diz respeito ao estado de espírito dos manifestantes e ao êxito no esquema de segurança.  Consultado, o Centro de Comunicação Social do Exército informou que “não há previsão do emprego de militares da Força Terrestre durante as manifestações de 13 de março”. Segundo o RR apurou, ao longo do domingo as Forças Armadas atuarão no sentido de dar respaldo às polícias militar e civil, ainda assim em circunstâncias pontuais. Um exemplo: tropas poderão ser deslocadas para o apoio na proteção de instalações vitais, como usinas geradoras, redes de energia elétrica, estações de tratamento de água, caso seja necessário liberar um número maior de PMs para o policiamento ostensivo nas cidades. Ou seja: a priori, militares nas ruas apenas em condições extremamente excepcionais, que escapem ao controle das forças de segurança estaduais.

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22.02.16
ED. 5311

Lockheed Martin invade o espaço aéreo da Helibras

  Dois gigantes da área de defesa, notadamente da indústria aeronáutica, estão prestes a travar uma dura batalha nos céus brasileiros. A Lockheed Martin prepara uma ofensiva com o objetivo de furar o bloqueio e minar a primazia da Helibras, leia-se Airbus, na venda de helicópteros não apenas no Brasil, mas em todo o mercado latino-americano. A ponta de lança desta operação é a Sikorsky Aircraft, que teve seu controle comprado pelos norte-americanos no ano passado, numa operação de US$ 9 bilhões. A Lockheed Martin decidiu instalar uma fábrica de helicópteros e um centro de manutenção em Taubaté (SP) – a cidade de São José dos Campos também estava no páreo, mas foi superada no quesito “afagos fiscais”. Esta será a primeira base industrial da Sikorsky em toda a América Latina. Os norte-americanos já iniciaram o processo de alistamento da sua tropa no Brasil: fecharam um convênio com o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) para a formação de engenheiros especializados na produção de helicópteros.  O desembarque da Sikorsky no Brasil se dá em um momento bastante delicado para a Helibras, de longe, o principal alvo a ser batido no setor – a empresa é responsável por mais de 50% das vendas de helicópteros na América Latina. No ano passado, a Airbus Helicopters se viu obrigada a aportar cerca de R$ 170 milhões na fabricante brasileira para compensar a redução das encomendas, sobretudo das Forças Armadas. Estima-se que a queda dos pedidos no segmento militar tenha passado dos 40% no comparativo com 2014. A fraca performance – associada a uma certa fadiga no relacionamento com os europeus – custou a cabeça de Eduardo Marson, que deixou a presidência da Helibras em dezembro, depois de seis anos no cargo. Ressalte-se que as turbulências do mercado também deixaram suas marcas na fuselagem da Sikorsky. Recentemente, a Líder Aviação cancelou a opção de compra de seis helicópteros da companhia norte-americana, um contrato da ordem de US$ 180 milhões. A suspensão do pedido, no entanto, não alterou o plano de voo da Lockheed Martin para a sua controlada, assim como a crise no setor de óleo e gás, um grande demandador de aeronaves. O grupo entende que a instalação de uma base de produção na América Latina, mais precisamente no Brasil, é condição sine qua non para a Sikorsky disputar o mercado na região. Mira na venda de helicópteros civis e no fornecimento às forças armadas dos países vizinhos. Dessa forma, os norte-americanos esperam, finalmente, deglutir a espinha que está atravessada em suas gargantas desde a derrota na licitação para o fornecimento dos novos caças da Força Aérea Brasileira. Na ocasião, a Lockheed Martin não chegou sequer à fase final da disputa. Procurada pelo RR, a Lockheed Martins/Sikorsky não comentou o assunto.

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20.11.15
ED. 5252

Ajuste fiscal torpedeia submarino nuclear da Marinha

  O comandante da Marinha, almirante Eduardo Bacellar Ferreira, tem se reunido regularmente com o ministro da Defesa, Aldo Rebelo, com o objetivo de discutir medidas capazes de destravar a construção do primeiro submarino nuclear brasileiro. Jaques Wagner, que até o mês passado comandava a Pasta da Defesa, acompanha de perto todas as gestões em torno do assunto. As Forças Armadas têm se mostrado flexíveis na busca de soluções para o financiamento do enriquecimento de yellow cake com gás – única das etapas de todo o processo de beneficiamento do urânio que o Brasil não domina. A ponto, inclusive, de renegar antigas convicções. Não há da parte da Marinha objeções à mudança na legislação de forma a permitir a participação minoritária de investidores privados em toda a cadeia de beneficiamento do urânio. A questão é que faltam dotações orçamentárias, a situação piorou bastante e o ministro Joaquim Levy não faz deferência entre setores estratégicos ou não.  Além do já anunciado corte de 41% no orçamento do Prosub (Programa de Desenvolvimento de Submarinos) para este ano, que tem gerado uma série de atrasos nas obras, há outro problema. Não existe qualquer definição de onde sairão os investimentos necessários para o enriquecimento do yellow cake com gás no país, uma etapa fundamental do projeto. Os recursos escassearam desde que o governo decidiu suspender a construção das quatro novas usinas nucleares que seriam incluídas no Plano Decenal de Expansão de Energia 2024. Os investimentos previstos para o enriquecimento de yellow cake – com tecnologia da Marinha desenvolvida no Centro Experimental Aramar, na região de Sorocaba (SP) – estavam atrelados à implantação das novas geradoras atômicas. Hoje, esta etapa é feita na França e no Canadá, o que encarece consideravelmente os custos do combustível nuclear. Para a Marinha, a vinculação de um projeto ao outro é um erro estratégico que não se justifica. Do ponto de vista das Forças Armadas, o yellow cake não é apenas um combustível para a gera- ção de energia, mas uma questão de segurança nacional. Portanto, o ritmo do Prosub não deveria ficar amarrado à política do governo para o setor elétrico. Isso para não falar, logicamente, do descontentamento já causado pelo ajuste fiscal: não consta que o altocomando da Marinha tenha estudado economia na Universidade de Chicago.

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18.11.15
ED. 5250

Atentados em Paris mudam plano de segurança da Rio-2016

 Os ataques terroristas em Paris tiveram o impacto de um choque elétrico sobre as autoridades brasileiras envolvidas no esquema de segurança dos Jogos Olímpicos. Desde o fim de semana, o Ministério da Justiça, mais precisamente a Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos, e a ABIN têm recebido informes regulares dos órgãos da inteligência francesa e da própria CIA. Nos próximos dias, um relatório será compartilhado com outras instâncias da área de defesa que integram a força-tarefa da Olimpíada, notadamente nas Forças Armadas – o Comando de Forças Especiais do Exército, sediado em Goiânia, o grupo de intervenções dos Fuzileiros Navais e o Parasar (Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento da Aeronáutica). A tentativa do Estado Islâmico de infiltrar um homem-bomba no Stade de France durante o jogo entre França e Alemanha alterou a equação do esquema de segurança para a Rio 2016. O episódio aguçou o sentido de realidade e ampliou o espectro de ações profiláticas que serão adotadas no Rio de Janeiro.  Nas Forças Armadas e no Ministério da Justiça, já se discute a intensificação dos acordos de cooperação internacionais com vistas ao esquema de segurança para os Jogos Olímpicos. O maior parceiro – e também maior interessado – são os Estados Unidos. No último fim de semana, durante a realização de um mero amistoso entre as seleções pré-olímpicas dos dois países em Belém, fuzileiros navais foram deslocados até a capital paraense. No entanto, a maior demonstração da presença dos Estados Unidos na estrutura de segurança para a Olimpíada poderá ser vista na próxima semana. No dia 25 de novembro, o porta-aviões George Washington, um dos maiores da Marinha norte-americana, aportará no Rio de Janeiro. Para todos os efeitos, estará apenas cumprindo manobras de rotina no Atlântico. Na verdade, sua presença na cidade se deverá a exercícios de treinamento para os Jogos Olímpicos. O George Washington voltará à costa brasileira em agosto de 2016, quando são esperados mais de 200 mil cidadãos americanos no Rio. Os eventos esportivos sempre foram considerados uma zona de menor risco para ações terroristas. Entre as grandes competições do calendário mundial, notadamente Copa do Mundo e Olimpíada, nunca houve um ataque direto a locais de competição – no trágico episódio dos Jogos de Munique, em 1972, o alvo foram os alojamentos da delegação israelense dentro da Vila Olímpica. A explosão de uma bomba na Maratona de Boston de 2013 também não serve de referência, pois se deu ao ar livre. O que está no radar das autoridades neste momento é o risco de um ataque dentro de uma arena esportiva

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22.10.15
ED. 5232

Ordem do dia

 O comandante do Exército, general Eduardo da Costa Villas Boas, não está sozinho no tom mais forte de suas declarações. O comandante militar do Sul, general Antônio Hamilton Martins Mourão, tem feito pronunciamentos tonitruantes. A título de informação pura: o Comando Militar do Sul (CMS) é onde se encontra o maior número de blindados das Forças Armadas.

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19.10.15
ED. 5229

Dassault aprende lição com a derrota para a Saab

  A Dassault Aviation aprendeu a lição. Depois da humilhante derrota para a sueca Saab na disputa pelo fornecimento de jatos para a Força Aérea Brasileira, o grupo francês está mudando completamente a estratégia de atuação no país. Sai de cena a postura imperial que fechou portas em Brasília e entra no circuito um jogo diplomático muito parecido com o adotado pela Saab. A companhia vai montar uma base no país da sua área de defesa e já negocia parcerias com a Embraer para desenvolvimento de tecnologia aeronáutica e até a produção conjunta de peças de jatos militares. Em todas as tratativas, estão previstas maciças doses de transferência de tecnologia. Precisou apanhar para entender. A postura é diametralmente oposta à adotada pela Dassault antes do anúncio do vencedor na licitação da FAB.   A companhia procurou o ministro da Defesa, Aldo Rebelo, com a promessa de construir uma fábrica no país, como está fazendo a Saab, caso saia vencedora em novas licitações das Forças Armadas. A Marinha têm interesse em renovar parte da frota aérea e as três Forças pretendem adquirir equipamentos de defesa, cujos contratos deverão chegar a R$ 3 bilhões. A Dassault pretende ainda montar um colar de empresas fornecedoras nacionais, inclusive com participação no capital de algumas.

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 No PSDB, notadamente no PSDB de Aécio Neves, há quem compare a trapalhada de Geraldo Alckmin com o sigilo de documentos do metrô à recente decisão de Dilma Rousseff de tirar poderes dos comandantes das Forças Armadas. Tanto um quanto outro tiveram de voltar atrás no dia seguinte, quando a lambança já estava consumada.

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Executivos da Rosoboronexport estiveram reunidos com o ministro da Defesa, Jaques Wagner. Apresentaram garantias firmes de financiamento de bancos russos para a venda de equipamentos às Forças Armadas brasileiras. Com orçamento militar à míngua, Wagner ouviu, ouviu e apenas ouviu.

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07.05.15
ED. 5115

Cunha e Renan decidem a sorte do programa nuclear

 O programa nuclear brasileiro está nas mãos do PMDB. Em breve, a dupla radioativa Eduardo Cunha e Renan Calheiros terá o poder de deslanchar ou sentar em cima dos planos do governo de retomar a construção de usinas atômicas no país. Em até 90 dias, a Presidência da República deverá encaminhar ao Congresso uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), com o objetivo de permitir a entrada de investidores privados, inclusive estrangeiros, nas novas geradoras. Cunha e Renan, uma mistura de césio 137 com urânio enriquecido, sabem muito bem a importância deste projeto para o Planalto, o que só aumenta o potencial explosivo da dupla na condução do assunto no Legislativo. Dilma Rousseff gostaria de incluir a licitação de pelo menos duas usinas nucleares no pacote de concessões que será anunciado em novembro. Mas já se dará por satisfeita se puder ofertá-las até 2016. Esta é uma missão para Michel Temer. Dilma Rousseff já convocou seu vice-presidente e articulador político para aparar as arestas e negociar com os presidentes da Câmara e do Senado uma rápida tramitação da PEC nas duas casas. Em outro front, também por dever de ofício, caberá a Jaques Wagner reduzir a sensibilidade das Forças Armadas a  entrada de forasteiros em um setor que caminha lado a lado a  área de segurança nacional. Perto da pedreira que Temer terá de dinamitar, a missão do ministro da Defesa promete ser mais simples. A intenção do governo é permitir que os grupos privados tenham uma participação de até 49% nos consórcios responsáveis pela instalação das futuras geradoras – a Eletronuclear será sempre majoritária. Originalmente, o programa nuclear já aprovado pelo Conselho Nacional de Política Energética prevê a construção de 12 usinas até 2050, sendo um terço delas nos próximos 15 anos. Para que estes prazos sejam cumpridos, ao menos quatro projetos terão de ser licitados em até dois anos. Nas atuais circunstâncias, no entanto, o próprio governo considera essa meta praticamente inexequível.

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29.04.15
ED. 5110

Pouso forçado

 A área de defesa e segurança virou o patinho feio da Embraer. Por conta da queda do número de encomendas e de atrasos de pagamento por parte das Forças Armadas, o faturamento da subsidiária poderá cair até 60% neste ano. Oficialmente, a Embraer confirma a queda, mas garante que suas projeções indicam um recuo da receita de US$ 1,4 bilhão para US$ 1,1 bilhão, ou seja, 20%.

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27.04.15
ED. 5108

O estaleiro sul-coreano DSME

 O estaleiro sul-coreano DSME candidatou-se ao fornecimento de 11 navios de superfície para a Marinha do Brasil, dentro do Programa de Obtenção de Meios de Superfície (Prosuper), um contrato que pode chegar a US$ 4,3 bilhões. O grupo pretende entrar no negócio de mãos dadas com a holandesa Damen. Os sul-coreanos acenam ainda com a garantia de financiamento de um pool de bancos asiáticos. Tudo muito bom, tudo muito bem, mas até agora não há qualquer previsão para a licitação. O próprio ministro da Defesa, Jaques Wagner, já anunciou que dificilmente o projeto vai zarpar ainda neste ano por conta do ajuste fiscal.

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19.01.15
ED. 5043

Dívida aérea

 Para a Helibras, a esperança tem um leve sotaque baiano e atende pelo nome e sobrenome de Jaques Wagner. A companhia busca uma solução para o impasse referente a  venda de um lote de helicópteros EC-725 a s Forças Armadas. A Aeronáutica levou, mas ainda não pagou integralmente pela compra. A pendência gira em torno dos R$ 300 milhões.

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