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planos
04.07.17
ED. 5653

Hermes Pardini é uma veia cortada ao meio

O IPO do Hermes Pardini, realizado em fevereiro, riscou mais um fósforo entre os acionistas da rede de laboratórios, sangue do mesmo sangue, mas que dificilmente se mistura. Agora, as divergências entre os irmãos Victor, Regina e Áurea Pardini dizem respeito à estratégia de expansão do negócio. Os dois primeiros estariam pressionando por uma guinada na operação, com a transformação da empresa em uma holding integrada da área de saúde, com um amplo naipe de participações – de medicina diagnóstica à montagem de uma rede própria de hospitais.

Segundo fonte próxima ao grupo, existiria, inclusive, uma tentativa de aproximação com a Alliar, rede de diagnóstico por imagem controlada por um grupo de médicos e pelo Pátria Investimentos. Do outro lado, há a voz dissonante de Áurea Pardini. O terceiro vértice do triângulo de herdeiros da companhia se opõe aos planos dos irmãos. Mesmo sendo um voto isolado, com 21% das ações – somadas, as participações de Victor e Regina dão exatamente o dobro –, Áurea carrega o acordo de acionistas debaixo do braço. Está disposta a usar o poder de veto a seu favor.

O “seu” Hermes Pardini vai se manter focado na área de medicina diagnóstica, seguindo apenas o trilho da aquisição de novas redes de laboratório. A resistência de Áurea, no entanto, não seria alimentada apenas por convicções estratégicas. Para os irmãos, a empresária recusa qualquer operação de M&A de maior porte que possa diluir sua participação no capital do Hermes Pardini. Consultada pelo RR sobre os atritos entre os acionistas e eventuais mudanças na estratégia de negócios, a empresa não quis se manifestar.

Com a ascensão dos três herdeiros ao comando da companhia, o Hermes Pardini tornou-se um território dividido. No ano passado, os conflitos consanguíneos atingiram temperaturas mais altas. Consta que Áurea Pardini brecou as negociações conduzidas pelos irmãos e pelo Gávea Investimentos, à época acionista minoritário da empresa, para a fusão do Hermes Pardini com o Fleury. Para não dizer que só se falou de espinhos, o Hermes Pardini parece ter o corpo fechado. Até o momento, as rixas entre os acionistas não tiveram impacto perceptível sobre a performance do negócio. Mesmo com a instabilidade societária e as idas e vindas, os investidores compraram o risco e encarteiraram R$ 870 milhões em ações da companhia no IPO de fevereiro. Para este ano, a expectativa é que a empresa entre no clube do bilhão de faturamento.

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31.05.17
ED. 5630

Sangue do seu sangue

No embalo do recente IPO, que lhe rendeu cerca de R$ 870 milhões em sangue novo, o Hermes Pardini tem planos de incorporar a Cemedi, rede de laboratórios de Campinas especializada em diagnóstico por imagem. De certa forma, as duas empresas já têm um sistema circulatório comum: são sócias em uma joint venture.

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23.12.16
ED. 5523

O sangue ferve no laboratório Hermes Pardini

A trégua societária por trás do IPO do Hermes Pardini é uma veia sensível, que pode se romper ao menor toque de uma seringa. Há pontos de divergência entre os irmãos Áurea, Victor e Regina Pardini quanto à diluição da participação dos acionistas controladores por conta da abertura de capital da rede de laboratórios diagnósticos. O trio detém 70% das ações. Áurea, dona de 23% do capital, é contrária à redução da fatia da família a menos de 51%. A operação prevê não só uma oferta primária, mas também uma secundária, com a venda de papéis em poder dos atuais sócios.

Victor e Regina não demonstram o mesmo apego ao controle majoritário. Foi assim há dois anos, quando a dupla tentou promover a fusão do Hermes Pardini com o Fleury. O sangue de Áurea Pardini ferveu e a empresária brecou a operação, que daria ao clã uma participação proporcionalmente menor na nova empresa. Quem tenta desobstruir as artérias societárias do Hermes Pardini é o Gávea Investimentos, dono de 30% do capital e um dos maiores interessados no IPO. A gestora costurou a oferta de ações, anunciada na semana passada, ziguezagueando cuidadosamente entre as disputas familiares. O clã tem suas arestas, mas não rasga dinheiro.

No Gávea, a aposta é que o IPO sai, do jeito que Áurea quer. Embora tenha uma fatia acionária inferior às participações somadas de seus irmãos, a empresária se vale dos estatutos do Hermes Pardini, que exigem o voto unânime dos controladores para mudanças no capital.  Procurada, a empresa afirma que “todas as questões de governança foram resolvidas”, mas que não pode entrar em detalhes por estar em período de silêncio. O Hermes Pardini, é bom que se diga, tem seus anticorpos às brigas societárias. Em 2016, deverá atingir, pela primeira vez, a marca de R$ 1 bilhão em faturamento. Sua receita cresce 20% ao ano.

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