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A manifestação do PGR Augusto Aras atestando a inconstitucionalidade do empréstimo consignado aos beneficiários do Auxílio Brasil foi interpretada como um gesto oportunista não somente no Palácio do Planalto, mas também na Advocacia Geral da União. O AGU Bruno Bianco, outro servil colaborador de Jair Bolsonaro, foi o principal avalista da legalidade da medida, lançada às vésperas da eleição. Na equipe de Bianco, o entendimento é que Aras se aproveitou do tema para fazer um sinal de trégua e aproximação com o futuro governo. Ao contrário do AGU, que deixa o cargo automaticamente em janeiro, Aras ainda terá nove meses de coabitação com o futuro presidente – seu mandato vai até setembro do ano que vem.
No mercado de venture capital corre a informação de que a Prosus, braço de investimentos da sul-africana Naspers, prepara um novo aporte de capital no iFood. O grupo, que já era dono de 67% do aplicativo de entregas por intermédio da Movile, assumiu o controle integral em agosto ao comprar a participação da Just Eat Holding Limited. O iFood é um dos unicórnios mais bem sucedidos do mercado brasileiro, ainda que às custas de pesados aportes. O mais recente, ainda que de forma indireta, se deu em agosto do ano passado, quando a Prosus injetou R$ 1 bilhão na Movile.
O novo diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Cedae, Antônio Carlos dos Santos, iniciou suas atividades com o plano de fazer da empresa uma referência em governança ESG no espaço de um ano. É uma revolução tendo em vista as práticas das empresas congêneres. A ver. Com os recentes leilões de saneamento do Rio, a estatal passou a concentrar sua atividade na operação dos grandes sistemas produtores da Região Metropolitana (Guandu, Imunana-Laranjal, Ribeirão das Lajes e Acari), com a captação e tratamento da água distribuída pelas concessionárias do estado.
Segundo o RR apurou, a agenda do encontro entre Lula e o primeiro-ministro de Portugal, António Costa, previsto para hoje, vai passar muito pelo Mercosul. De acordo com um dos principais assessores do petista na área internacional, o governo português vai solicitar o apoio do presidente eleito para incrementar negócios com o bloco econômico. No ano passado, o Mercosul representou apenas 1,2% de todas as exportações portugueses. Isso por causa do Brasil. Tirando-se a antiga “Terra de Vera Cruz”, as vendas para a região praticamente inexistem.
Ontem, no fim da tarde, circulava entre assessores de Lula a informação de que o músico Emicida e os influencers Igor Cavalari e Thiago Marques deverão ser convidados para a equipe de transição na área de cultura. O trio teria um papel na formulação de políticas culturais, notadamente, para jovens de baixa renda. Ainda no primeiro turno, Emicida declarou seu voto no petista, a quem chamou de “maior líder político da história do Brasil” em suas redes sociais. Já Cavalari e Marques são os criadores do podcast Podpah, um fenômeno do YouTube, com mais de seis milhões de seguidores. A entrevista do próprio Lula, em dezembro do ano passado, é um dos campeões de audiência do canal. Em 11 meses, soma 9,8 milhões de visualizações.
O RR traz mais informações sobre as operações de busca e apreensão contra os financiadores de atos antidemocráticos. Segundo novas apurações, a expectativa na PF é que, no total, as diligências atinjam mais de 200 endereços, entre domicílios e sedes de empresa. É possível que uma parcela das operações não necessariamente ocorra amanhã, mas a praxe da PF é normalmente de um trator. A noite de quinta para sexta vai ser de insônia.
Informação que corre desde o início da tarde nos gabinetes do STF: o ministro Alexandre de Moraes já teria autorizado a Polícia Federal a realizar operações de busca e apreensão contra alguns dos 43 empresários e companhias investigados por supostamente financiar as manifestações antidemocráticas no país. A determinação é que as diligências sejam feitas com urgência. Ressalte-se que, na manhã de hoje, Moraes já ordenou o bloqueio das contas de todos os suspeitos. Segundo uma fonte do RR dentro da própria PF, dois dos empresários são facilmente associáveis ao presidente Jair Bolsonaro.
Hoje, às 7h, o RR informou que a proposta do Mubadala por 20% da Libra, a nova liga de clubes do Brasil, esbarra na dificuldade nas dificuldades para a fusão desta última com a LFF (Liga Forte Futebol). A publicação apurou novas informações. Do lado da LFF, a principal resistência à unificação das duas ligas tem nome e sobrenome: Mario Celso Petraglia, presidente do Athletico-PR e um dos mais influentes – e polêmicos – dirigentes do país. Maior liderança política da LFF, Petraglia enxerga o negócio, costurado pelo BTG e pela Codajas Sports Kapital (CSK), como feito sob medida para beneficiar os grandes clubes que coabitam a Libra, sobretudo o Flamengo. O dirigente mira não apenas no possível acordo com o Mubadala, mas também na divisão de futuras receitas, da venda de direitos de transmissão de TV a inúmeras outras parcerias comerciais – produção de conteúdos exclusivos, transações com NFTs (Non Fugible Tokens) etc. Além da própria possibilidade de negociação de outro take do capital da liga.
Para o Mubadala – ou qualquer outro investidor -, o negócio só é economicamente viável com a existência de uma única “holding”, que congregue os 40 maiores clubes do Brasil – o Bahia ainda não aderiu a nenhuma das duas ligas. Não faz sentido dividir o bolo da receita entre duas ligas. Até porque essa polarização levará a conflitos comerciais inevitáveis, a começar pelos contratos de transmissão. Com a chamada Lei do Mandante, sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro em setembro do ano passado, todos os clubes ganharam o direito de vender as partidas das quais são anfitriões, mesmo que eventualmente seu adversário tenha acordo com outra emissora de TV ou plataforma de streaming. A coexistência de duas ligas inviabilizará a negociação dos direitos em um único bloco, reduzindo o retorno dos clubes e consequentemente do acionista investidor. Essa variável ganha ainda mais importância pelo fato de que o atual contrato de transmissão do Brasileiro vence logo ali na frente, em 2024.
Além de um duelo entre clubes, a fissura entre as ligas pode ser interpretada também como uma disputa particular de poder entre dois dos mais prestigiosos “cartolas” do Brasil: de um lado, o já citado Mario Celso Petraglia, pela LFF, e, do outro, Rodolfo Landim, presidente do Flamengo e homem forte da Libra. Trata-se, ressalte-se, de uma “guerra fria”, uma disputa não declarada, travada nos bastidores. Uma batalha por espaço e prominência que vai além das fronteiras do futebol e do business em si. Tanto Petraglia, ex-acionista da Inepar, quanto Landim, ex-BR Distribuidora, e ex-EBX, se notabilizaram nos últimos anos como os dois dirigentes mais próximos e influentes junto ao presidente Jair Bolsonaro. Landim chegou a recusar convite para ser presidente do Conselho da Petrobras. Petraglia, por sua vez, declarou publicamente voto em Bolsonaro, quase obrigando os próprios perfis institucionais do Athletico-PR nas redes sociais a fazer o mesmo. Em 2018, às vésperas do segundo turno, mandou que a Arena da Baixada, estádio do clube, fosse iluminado de amarelo, publicando nas redes sociais uma mensagem com o slogan “Brasil acima de todos”. Nesse cenário, o Mubadala não quer nem terceira, nem segunda via. O cheque de R$ 4,7 bilhões está condicionado à aliança entre os dois dirigentes e suas respectivas ligas.
O futuro governo Lula pretende atacar, logo na partida, uma questão delicada, dramaticamente agravada pela pandemia. Segundo o RR apurou, a equipe de transição discute medidas para conter as remoções e despejos de pessoas em situação de vulnerabilidade, especialmente em cidades maiores do país. Uma das ideias em estudo é a criação de um órgão específico para a área, uma espécie de “Incra urbano”. Caberia a esta nova instância a resolução de conflitos fundiários em região urbana, inclusive com a eventual regularização de imóveis ocupados e a concessão de títulos de propriedade – a exemplo do papel desempenhado pelo Incra em relação a terras. Outra iniciativa em estudo seria o uso de imóveis da própria União com menor valor de mercado para a construção de habitações populares destinadas exclusivamente a receber famílias em situação vulnerável. De acordo com a mesma fonte, governadores e prefeitos também deverão ser estimulados a criar programas estaduais e municipais para acolher pessoas ameaçadas de despejo.
Parte desses estudos está sob o guarda-chuva da ex-presidente da Caixa Maria Fernanda Ramos Coelho, que integra a equipe de transição no Comitê de Cidades. Entre os assessores de Lula, essas medidas são tratadas como soluções de caráter transitório. Há um entendimento de que a mitigação do problema passa por um amplo programa habitacional, na linha da já anunciada recriação do “Minha Casa, Minha Vida” e da retomada da faixa 1 dos financiamentos, voltada à população de baixa renda. O fato é que algo precisa ser feito no curto prazo. A ocupação de imóveis – a maioria deles propriedades abandonadas ou com débitos impagáveis – cresceu mais de 30% desde o início da pandemia. Hoje, segundo números que circulam entre a equipe de auxiliares do presidente eleito, há mais de 135 mil famílias ou cerca de 500 mil pessoas nessa situação.
Com a pandemia, o assunto tornou-se uma questão de calamidade pública, a ponto de envolver o STF e o Congresso. Desde 2020, a Suprema Corte, notadamente o ministro Luis Roberto Barroso, tem proferido seguidas decisões para suspender despejos e remoções de famílias vulneráveis. Barroso é o relator de uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental – ADPF no 828 – que trata sobre o tema. Com base nas decisões do STF, outras instâncias do Judiciário têm seguido pelo mesmo caminho. Em novembro do ano passado, por exemplo, o TJ-SP determinou a suspensão de algumas modalidades de “despejo, desocupações, remoções forçadas e reintegração de posse” no caso de “ocupações anteriores à pandemia, com início fixado em 20/03/2020”.
Algumas das propostas em estudo na equipe de transição bebem na fonte do projeto de lei 1501/22, de autoria da deputada federal Natália Bonavides (PT-RN), em tramitação na Câmara. A proposta estabelece uma série de regras e procedimentos para a regularização de títulos de propriedade em imóveis abandonados.
A intenção da Iguá Saneamento de captar até R$ 3 bilhões com a venda de uma participação no seu capital esconde um segundo movimento, tão ou mais impactante. O objetivo da IG4 e da canadense CPP Investments, os dois principais acionistas da empresa, é amealhar recursos para bancar a aquisição da BRK Ambiental. Ressalte-se que o controlador desta última, a Brookfield, já saiu no mercado em busca de um comprador – conforme o RR antecipou . Um eventual M&A entre a Iguá e a BRK daria origem a uma empresa com faturamento anual na casa dos R$ 5 bilhões. Consultadas, as duas empresas não quiseram se manifestar.
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