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O PT foi rápido no gatilho. Os articuladores políticos de Lula foram ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, para barrar a nova leva de indicações do presidente Jair Bolsonaro para agências reguladoras. Na semana passada, o Palácio do Planalto apresentou o nome do jurista Alexandre Freire para o Conselho Diretor da Anatel, assim como formalizou o pedido de recondução de Miriam Wimmer para o Conselho da cada vez mais estratégica Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
No total, há mais de uma dezena de indicações de Bolsonaro para órgãos reguladores em tramitação no Senado que PT quer brecar. Um dos exemplos mais relevantes é o pedido de nomeação do contra-almirante da Marinha Wilson Pereira de Lima Filho para a diretoria da Antaq. No que depender do futuro governo, nesse caso a já anunciada “desmilitarização” de órgãos federais vai começar antes mesmo do oficial da Marinha assumir o cargo. Na mesma linha, parlamentares do PT se articulam para derrubar também a indicação de Caio Cesar Farias Leôncio para a Antaq. Neste caso específico, o tiro ricocheteia no ministro Ciro Nogueira, padrinho político de Leôncio.
O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), tem feito gestões junto à equipe de transição de Lula em relação à BR-101. Casagrande tenta garantir, desde já, que o futuro governo vai acelerar o processo de relicitação do trecho de 480 km da rodovia no estado devolvido à União pela concessionária Eco 101. Desde então, as obras de duplicação da via entre a divisa com o Rio de Janeiro e a cidade de Mucuri (BA) estão paralisadas. Ou seja: um dos maiores investimentos de infraestrutura do Espírito Santo, da ordem de R$ 1,8 bilhão, depende do novo leilão da concessão.
O deputado Neri Geller (PP-MT), integrante do Comitê de Transição, é tido entre assessores de Lula como nome certo no próximo governo. Mas não necessariamente como ministro da Agricultura. Nos últimos dias, seu nome tem sido citado para a presidência do Incra. Caberia a Geller conduzir um grande programa de regularização fundiária. Durante a campanha, Lula bateu pesado no assunto, inclusive acusando o governo Bolsonaro de maquiar os números de concessão de títulos de propriedade rural em seu governo. Nos cálculos da equipe de transição, dos 400 mil registros firmados pelo Incra durante a gestão Bolsonaro, mais de 80% teriam sido apenas em caráter provisório.
Informação que circula desde o início da manhã no TCU: assessores de Lula teriam sondado o presidente da Corte, Bruno Dantas, sobre a possibilidade da Corte suspender os leilões de privatização da Ceasa-MG e da CBTU, marcados para amanhã. Com o adiamento, o futuro governo ganharia tempo para estudar um novo modelo de venda das duas estatais. Dantas tem demonstrado enorme sintonia com o comitê de transição. Mas, dessa vez, é provável que passe longe desse vespeiro.
A interrupção por uma hora e meia nas negociações do Tesouro Direto, devido à forte oscilação de preços e taxas dos títulos, associada à nota publicada pelo colunista Lauro Jardim, de que Fernando Haddad será o ministro da Fazenda, inundou o mercado de especulações. Uma delas, fresquinha, parece uma tentativa dos agentes financeiros de capturar a política fiscal. A bola que rola seria a autorização para que Haddad baixasse o valor da “PEC da Transição” para R$ 70 bilhões frente aos R$ 200 bilhões cogitados. Os R$ 70 bilhões, que são a conta do Bolsa Família mais uns penduricalhos, poderiam ficar fora do teto durante quatro anos. Os R$ 200 bilhões seriam um waiver somente para 2023.
A lógica dos agentes financeiros é que só dessa forma o ex-ministro da Educação conseguiria um voto de confiança do mercado. Parece mais vontade do que realidade, até porque o boato não acalmou a montanha russa das cotações e preços. Outro rumor foi que, não bastasse Haddad, sua equipe econômica, com algumas ilhas de exceção, seria constituída por economistas do PT. Essa versão de fato explicaria o nervosismo dos diversos ativos financeiros. O que soma alguns pontos na direção de que Haddad venha a ser o ministro é o seu silêncio sobre assuntos econômicos. Enquanto outros próceres do PT, tais como Gleisi Hoffmann e Aloizio Mercadante, deitam falação sobre o mercado, mais confundindo do que explicando, o ex-prefeito de São Paulo permanece quietinho. Aliás como deve ser. De qualquer forma, conforme publicou o RR, é difícil entender tanta aversão a Haddad, um dos petistas mais razoáveis.
Marina Silva poderá comandar mais do que um “simples” Ministério. O RR apurou que a equipe de transição de Lula discute a formação de um Conselho vinculado à Pasta do Meio Ambiente, que seria integrado, entre outros, por técnicos e empresários. Alguns dos nomes ventilados são de antigos apoiadores de Marina, tais como os do empresário Guilherme Leal, sócio da Natura, do economista Eduardo Gianetti e da empresária Neca Setubal, esta última já fazendo parte do grupo de transição da área da educação. Todos são bastante prestigiados em suas áreas de conhecimento. Em tempo: parece que a tendência do governo Lula vai ser mesmo o compartilhamento de decisões e o aconselhamento múltiplo.
O RR apurou que assessores de Lula articulam um encontro do petista com a presidente da Comissão Europeia, a alemã Ursula von der Leyen. A visita à mais alta autoridade da União Europeia, em Bruxelas, abriria uma sequência de reuniões estratégicas com o que os auxiliares do presidente eleito – à frente o ex-chanceler Celso Amorim – classificam como a “santíssima trindade” da política externa. Os dois outros vértices desse triângulo são o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o presidente da China, Xi Jinping, com quem Lula também, pretende se encontrar antes da sua posse – conforme o RR antecipou.
Corre no mercado que um grande banco de investimento brasileiro entrou pesado na ponta compradora de ações da Embraer na quinta e sexta-feira da semana passada. Nesses dois dias, a média de negócios com o papel foi de R$ 184 milhões. Esse valor foi 74% superior à média do volume movimentado nos dez pregões anteriores (R$ 105,6 milhões). A forte investida da instituição financeira chamou ainda mais a atenção do mercado pelo seu, digamos assim, poder preditivo: na segunda-feira seguinte, dia 14, o BNDES anunciaria um empréstimo de R$ 2,2 bilhões à Embraer. Desde a quinta passada, dia 10, quando o premonitório banco iniciou a pescaria de ações, o papel acumula uma alta de 12%.
A J&F mantém conversações para se associar à operação de metais básicos da Vale. Segundo o RR apurou, as tratativas envolvem alguns ativos específicos – ainda que, a princípio, a intenção da mineradora seja buscar um sócio minoritário para toda a divisão. De acordo com a mesma fonte, a holding dos irmãos Batista teria especial interesse no projeto de cobre de Salobo, no Pará. A unidade tem uma produção anual em torno de 190 mil toneladas, sendo responsável por metade das vendas do metal feitas pela Vale. Procuradas, as duas empresas não se pronunciaram.
A associação seria um passo a mais para a construção da “JBS da mineração”, com os próprios executivos da J&F se referem à investida do no setor. Investida esta que tem passado prioritariamente pela Vale. Em abril, os irmãos Joesley e Wesley Batista compraram as minas de minério de ferro e manganês da companhia em Mato Grosso por R$ 1 bilhão. No caso de Salobo, a associação colocaria a J&F em um negócio com notório potencial de crescimento. A Vale investiu de US$ 1,1 bilhão na unidade.
O vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, pediu com muito cuidado que a presidente do PT, Gleisi Hoffman, tenha um pouco mais de jeito em suas declarações referentes à área financeira. Gleisi tende a seguir o líder Lula e afrontar o mercado mediante qualquer pergunta sobra a volatilidade dos ativos. Só que Lula é Lula. Somente a ele é concedido o benefício de ter suas declarações relativizadas e contextualizados. Gleisi olha para o mercado como as ele fosse uma entidade ou um ente. Ontem mesmo declarou espevitada que o mercado não tem fome. Ora o “mercado” somos todos nós mediados por instituições autorizadas por nós, que queremos ganhar vantagem uns sobre os outros. Gleisi, advogada firmada, e Guido Mantega, um inacreditável professor de economia, precisam ser convencidos seriamente de que não poder dar declarações sobre economia. Menos mal que Mantega, após uma série de lambanças, deixou o comitê de transição.
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