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Há um zunzunzum no mercado de que grupo Veepee vai retomar o projeto de venda da Privalia, maior outlet digital de moda do Brasil. Os franceses estariam trabalhando com duas hipóteses: a venda direta do controle ou um IPO em bolsa. No caso de uma emissão de ações, a Veepee ofertaria integralmente a sua participação no negócio. Ressalte-se que, em 2021, o grupo francês chegou a iniciar os trâmites para o IPO da Privalia, mas recuou. Estima-se que a empresa esteja avaliada em aproximadamente R$ 800 milhões. O faturamento da plataforma de e-commerce no país é superior a R$ 1,5 bilhão. Procurada, a Privalia diz “não confirmar a informação”.
Grandes frigoríficos brasileiros, como BRF e Minerva, acompanham com especial interesse o desenrolar da crise política no Peru. Essas empresas estão no meio de uma disputa geoeconômica com concorrentes, sobretudo, da Espanha, Estados Unidos e Canadá. Todos brigam por espaço nas exportações de carne suína para o Peru, tentando aproveitar o crescente vácuo deixado pelo Chile. A indústria chilena, historicamente maior exportadora de carne de porco para o Peru, tem reduzido os embarques para dar prioridade à China.
Nessa queda de braço, os frigoríficos brasileiros têm uma desvantagem. Já há alguns meses, pecuaristas locais vêm pressionando o governo peruano a reduzir as importações de carne suína brasileira. Alegam que frigoríficos do Brasil estariam praticando dumping, uma vez que contam com custos de produção mais baixos – a começar pelos insumos utilizados na alimentação animal como milho e soja. O ex-presidente do Peru, Pedro Castillo, vinha resistindo às pressões internas. A posição de sua sucessora, Dina Boluarte ainda é uma incógnita. O Peru tem cerca de 380 mil criadores de porcos, a maior parte de pequeno porte, com enormes dificuldades de atender a indústria e a demanda locais.
O governo do Espírito Santo e a Ecorodovias devem fechar até fevereiro um acordo para a transferência da concessão da Eco101 para o estado. No mês passado, as duas partes assinaram um acordo de confidencialidade e iniciaram formalmente as negociações. O que está à mesa é um modelo similar ao da Rota do Oeste: a Odebrecht Transport repassou a concessão para o governo do Mato Grosso por um valor simbólico – simbólico em termos, uma vez que o estado terá de arcar com o plano de investimentos da rodovia, de R$ 1,2 bilhão. No caso do Espírito Santo, a Eco101 administra um trecho de 480 km da BR-101 dentro do estado.
O TCU e a CGU estão investigando possíveis irregularidades na construção da Barragem de Oiticica, no Rio Grande do Norte. A obra se arrasta há nove anos, quase metade desse período durante o governo Bolsonaro. Nos bastidores, o Ministério do Desenvolvimento Regional e o governo do Rio Grande do Norte. Enquanto isso, a construtora EIT, responsável pelo projeto, cobra do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), vinculado à Pasta, mais um aditivo no contrato – seria o 13º. A previsão é que a barragem fosse entregue até o fim de 2022, mas informações já colhidas pelo TCU e pela CGU apontam que as obras devem durar pelo menos mais um ano. De 2019 até agora, ou seja, durante a gestão Bolsonaro, o governo federal repassou R$ 293 milhões para a construção da barragem.
O RR apurou que o governo de Minas Gerais pretende apresentar o modelo de venda da Copasa até março. O governador Romeu Zema quer aproveitar o início do novo mandato e a popularidade em alta – foi reeleito em primeiro turno com 56% dos votos – para deslanchar a venda da companhia de saneamento. O RR teve a informação de que a ideia é ofertar integralmente a participação do estado – 50,03% das ações ordinárias. Apenas a título de exercício: tomando-se como base somente o valor de mercado da Copasa, a fatia acionária em poder de Minas Gerais está precificada em aproximadamente R$ 2,9 bilhões.
Assessores de Lula pretendem se reunir nesta semana com o ministro da Justiça, Anderson Torres, para acertar detalhes do esquema de segurança para a posse do presidente eleito. O próprio Flavio Dino, sucessor de Torres, participará do encontro. Há uma preocupação específica em relação à Polícia Rodoviária Federal. Os auxiliares de Lula vão pedir formalmente a Torres que a corporação não faça operações que possam afetar a chegada de caravanas à Brasília na virada do ano. As ações da PRF no Nordeste no dia do segundo turno ainda estão frescas na memória petista.
Lula bateu o martelo da nomeação de Aloizio Mercadante para a presidência do BNDES na véspera da sua diplomação. A conversa já vinha rolando há um bom tempo, mas o presidente eleito empurrava a definição para frente. A alternativa ao BNDES seria a indicação de Mercadante para a Petrobras. Mas dentro do grupo mais próximo do presidente a nomeação para a petrolífera foi considerada como uma sinalização mais arriscada. O próprio Mercadante concordou. Afinal, o banco de fomento não tem ações em mercado nem o impacto que a estatal tem nas bolsas de valores. Fora o fato de que, pelos notórios eventos pretéritos, a escolha do presidente da Petrobras tem de ser feita com muito carinho.
Havia dúvida como se daria a relação de Mercadante com o futuro ministro da Indústria e Comércio – especula-se que o mais cotado é o atual presidente da Fiesp, Josué Gomes da Silva – tendo em vista o tamanho que o economista possui no PT e junto ao próprio Lula. A pergunta é se o titular do banco não ficaria maior do que o ministro, pilotando um verdadeiro enclave dentro da Pasta. No passado, o excessivo empoderamento do então presidente do BNDES, Guido Mantega, gerou atritos com os ministros Antônio Palocci e Luiz Furlan, além do presidente do BC, Henrique Meirelles. Deu no que deu.
Quanto aos dizeres de Lula de que não fará privatizações, a declaração está em linha com o discurso de campanha e é um recado sobre a linha de atuação que o banco terá sob a gestão de Mercadante. Com certeza, havia outros nomes de gabarito, próximos do vice Geraldo Alckmin e com uma aceitação muito maior pelo mercado. Mas está dado. O sinal não é bom.
Os membros do comitê de transição da área econômica estão irritadíssimos com a miríade de reuniões, webinares, eventos realizados para que financistas, asset managers e economistas vinculados a bancos deitando falação contra a política econômica que ainda não foi sequer explicitada. A PEC da Transição é tratada como a iniciativa terminal, com a previsão de que após ela nada seja possível. Um exemplo é a declaração do CEO do Verde Asset Management, Luís Stuhlberger, em evento do Itaú BBA, organizado para linchar a política econômica que ninguém viu, ninguém sabe qual é: “Com a PEC de R$ 200 bilhões não vejo chance zero de o país ter um downgrade por uma agência de classificação de risco”. Convenhamos, chance zero é no mínimo uma desonestidade intelectual. Não ver chance zero é sacramentar uma expectativa negativa. Stuhlberger influencia a movimentação de bilhões e bilhões, mexe com a curva de juros futuros e tem algum peso na formação de expectativas. Não é uma voz qualquer para ficar fazendo proselitismo contra uma política econômica cujos fundamentos não foram anunciados. Ele tem ressonância, mas está há quilômetros de estar sozinho.
Marcos Lisboa, que está deixando a presidência do Insper, é considerado outro papagaio de mercado pelo Comitê de Transição. Tem metralhado, junto com seu parceiro Samuel Pessôa, a PEC da Transição, fazendo dela a finitude de todas as possibilidades de melhoria da inflação, juros, endividamento e melhoria da renda dos trabalhadores. Quem quer assistir ao calor das divergências de Lisboa, Pessôa e André Lara Resende, um dos integrantes do Comitê de Transição, basta procurar os debates no YouTube. O economista Marcos Mendes, também do Insper, é um outro economista que identifica brechas fiscais em todos os corredores e esquinas, vai somando o números e os apresenta como favas contadas. Ou seja: é como se o futuro governo não pudesse corrigi-las em momento algum. São oráculos que se revezam com a mesma cantilena. O fato é que todo dia são promovidos eventos por instituições financeiras, invariavelmente cobertos pela mídia, para que os mesmos atores façam suas profecias lúgubres sobre o que será que não será, o que ainda não foi. É um excesso de convicção assustador. Pode ser que estejam certos. E até provável, que em parte, apenas em parte, estejam. Mas raras vezes se viu uma ação tão agressiva de captura da política econômica.
Uma guinada nas operações da Petrobras na Colômbia tem causado estranheza nos corredores da própria estatal. Subitamente, a direção da Petrobras passou a tratar como prioridade o projeto de exploração e produção de gás no poço Uchuva-1, no bloco Tayrona. Nos últimos dias, as reuniões entre executivos das duas empresas se intensificaram, envolvendo, inclusive, órgãos de governo e autoridades regulatórias da Colômbia. Na Petrobras, já se fala na criação de uma força tarefa para agilizar a contratação de serviços e equipamentos. O objetivo seria iniciar as atividades em Uchuva-1 no primeiro semestre de 2023, um ano antes do que prevê o cronograma original.
Em contato com o RR, a Petrobras informou que “o consórcio do bloco Tayrona está em fase de planejamento das atividades relativas ao Plano de Avaliação da descoberta do poço Uchuva-1, incluindo possibilidades de otimização do projeto.” Perguntada sobre o cronograma do projeto, a estatal saiu pela tangente: “A primeira etapa da campanha exploratória se deu com a perfuração do poço Uchuva-1 e a próxima etapa respeitará os prazos contratuais do bloco Tayrona, incluindo aqueles relativos ao Plano de Avaliação da Descoberta (PAD) do poço Uchuva, conforme compromissos firmados junto à ANH (Agência Nacional de Hidrocarburos). Consultada se já existem movimentações para a contratação de equipamentos e serviços, mais evasivas: “O consórcio do bloco Tayrona atua de forma diligente para o cumprimento contratual dos prazos junto à ANH (Agência Nacional de Hidrocarburos).”
O súbito interesse da direção da Petrobras em relação ao projeto tem incomodado a área técnica da estatal, por uma série de razões. De acordo com a mesma fonte, não há, até momento, qualquer cálculo financeiro aprovado ou estudo definitivo do corpo técnico que embase a antecipação dos investimentos em Uchuva-1. Ao RR, a Petrobras informou o projeto “está em processo de avaliação econômica, conforme compromissos firmados junto à ANH (Agência Nacional de Hidrocarburos) no Plano de Avaliação da Descoberta.” Além disso, dentro da Petrobras sempre vigorou o entendimento de que o projeto é relevante para a Colômbia, mas de menor importância para a estratégia de negócios da própria companhia. Os reservatórios de gás no país estão declinando. Estima-se que já a partir de 2025 a Colômbia terá de importar um volume expressivo do insumo, o que explica a pressa do governo do presidente Gustavo Petro em acelerar o início da campanha de exploração em Uchuva-1. Ou seja: o empreendimento é prioritário para a Colômbia, mas não exatamente para a Petrobras.
Desde 2020, a operação no bloco Tayrona já era tratada como carta fora do baralho da Petrobras. Tanto que, há mais dois anos, a empresa vem tentando vender sua participação no consórcio com a Ecopetrol. Dentro da própria estatal, há informações desencontradas sobre o processo de desmobilização do ativo. O RR perguntou à Petrobras se a companhia desistiu de se desfazer da sua participação no bloco Tayrona. A resposta? Nenhuma palavra sobre o assunto.
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