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O ex-sargento da PM do Rio, Max Guilherme de Moura, lotado no Palácio do Planalto, termina o governo como um dos auxiliares mais próximos de Jair Bolsonaro. Desde a derrota no segundo turno, Moura é um dos raros integrantes do staff palaciano que foi recebido por Bolsonaro em seu gabinete quase todos os dias. O ex-PM é nome certo na equipe de assessores a que o presidente terá direito ao deixar o governo. Moura cumpre ainda um papel importante: segundo o RR apurou, é um dos principais interlocutores entre o clã Bolsonaro e praças da PM do Rio.
A visita do ministro das Relações Exteriores da Palestina, Ryad Al-Maliky, ao Brasil está causando preocupação nos meios diplomáticos. Segundo informação que circula no Itamaraty, após comparecer à posse de Lula, Al-Maliky fará uma visita ao sul do país, notadamente à Tríplice Fronteira com Argentina e Paraguai. Lá, terá reuniões com lideranças da comunidade árabe da região. Inevitavelmente, a viagem de Ryad Al-Maliky vai colocar foco sobre uma área que já está no radar de autoridades internacionais. Nos últimos anos, investigações conjuntas entre os governos dos três países e também dos Estados Unidos apontam para a existência de células ligadas a grupos terroristas árabes na Tríplice Fronteira.
O RR apurou que Marina Silva, futura ministra do Meio Ambiente, já manifestou ao presidente eleito Lula o interesse em levar para a Pasta a condução das políticas públicas para as chamadas florestas plantadas, ou seja, áreas ocupadas por atividade agrícola. Hoje, essa missão está a cargo do Ministério da Agricultura. Lula não tem muita margem de manobra nesse tabuleiro: ao mexer essa peça, vai agradar Marina e entidades da área ambiental, mas, por outro lado, acabará criando mais um foco de fricção com o agronegócio. Tudo o que os ruralistas menos querem é ter as florestas plantadas sob a jurisdição de Marina Silva.
O novo ministro dos Portos e Aeroportos, Marcio França, e sua equipe trabalham para desatar o nó do Complexo Portuário de Itajaí. O futuro governo já se decidiu por suspender o processo de privatização da autoridade portuária local, a exemplo do Porto de Santos. Em contrapartida, França pretende acelerar o lançamento do novo edital para o arrendamento da chamada Área A, onde estão os berços de atracação 1 e 2. Segundo o RR apurou, o ministro quer anunciar as regras até março. Há motivos de sobra para dar celeridade ao processo. Em primeiro lugar, a Área A é o filé do complexo, responsável pela movimentação de 100% dos contêineres que passam pelo Porto de Itajaí – que, por sua vez, responde por quase 4% da carga conteinerizada do país. Além disso, a operação está no meio de um imbróglio, o que exige uma rápida solução por parte da Antaq e do novo Ministério, que será criado a partir da cisão da atual Pasta da Infraestrutura.
Em agosto, a CTIL Logística venceu a licitação para o arrendamento dos berços 1 e 2. Ganhou, mas não levou. A autoridade portuária cancelou a concorrência. Para todos os efeitos, o argumento foi de que não haveria tempo hábil para a entrada de um novo operador até a privatização do Porto – conforme o script traçado pelo governo Bolsonaro. No entanto, segundo a fonte do RR, nos bastidores houve forte pressão de armadores contra a entrada da CTIL Logística no Porto de Itajaí, por dúvidas em relação a sua capacidade de administrar uma instalação desse porte. Com isso, a administração da Área 1 permaneceu nas mãos da APM Terminals, pertencente à dinamarquesa Maersk, um dos maiores grupos de navegação e gestão portuária do mundo. Foi uma solução-tampão, mas que também já não é mais solução por conta da troca de governo. A APM assinou um contrato de arrendamento transitório, com validade de seis meses. Ou seja: o tempo é exíguo – ainda que o acordo provisório possa ser estendido. Como não haverá mais privatização do Porto, o novo governo terá de lançar uma nova licitação para os berços 1 e 2 se quiser uma solução definitiva para o caso. No setor há informações de que assessores de França já teriam sondado a APM sobre o seu interesse em participar da concorrência e permanecer como arrendatária da Área A do Porto de Itajaí. Em conversa com o RR, a empresa apenas confirmou a assinatura do contrato temporário. Perguntada especificamente sobre conversas com membros do futuro governo, a APM não quis se manifestar.
O quanto a derrota na Copa do Mundo atingiu o ativo “seleção brasileira”? É o que a diretoria da CBF vai começar a descobrir logo no início de 2023 com a temporada de renovações dos seus milionários contratos de patrocínio. O primeiro caso da fila é o da Fiat Chrysler. A rigor, o acordo se encerra em março, mas, segundo o RR apurou, a Confederação já iniciou movimentos na tentativa de estender a parceria. Até o momento a montadora ainda não sinalizou à CBF se vai renovar ou não o contrato. A companhia tem dado prioridade a ações de marketing com prazos mais curtos – o atual acordo vigora desde 2019 – e com alcance junto a diferentes públicos.
Outro caso delicado para a CBF é a parceria com a Nike, que já dura 27 anos. O atual contrato vence apenas em 2026, mas o presidente da entidade, Ednaldo Rodrigues, sinalizou à empresa norte-americana que pretende renegociá-lo já neste ano – conforme o RR já informou.
Em 2022, a CBF atingiu o dobro de contratos de patrocínio (20) em comparação com a Copa do Mundo da Rússia, em 2018. Esses acordos respondem por mais da metade do faturamento da instituição – R$ 1,01 bilhão em 2021. No rol de patrocinadores da “amarelinha” figuram ainda marcas como Itaú, Vivo e Guaraná Antarctica.
A Iguá Saneamento estuda alguns cenários para a entrada de um novo sócio. Segundo o RR apurou, um dos cenários cogitados é a chegada de um investidor mediante um aporte de capital. Há conversas com dois fundos internacionais. Em tempo: o fundo de pensão canadense CPPIB, acionista da Iguá, já sinalizou estar disposto a acompanhar a chamada de capital para não ter sua participação diluída.
Corre no mercado a informação de que os acionistas da BrandLovrs cogitam um novo aporte de capital na startup. O time é da pesada: entre os investidores figuram Marc Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann, Matthew Debela, ex-Chief Commercial Officer do Twitter, e o Mercado Livre. A BrandLovrs é uma espécie de hub de microinfluenciadores dedicados à divulgação de marcas e produtos.
O TCU apura denúncias em relação ao acesso improvisado feito pela DNIT para a travessia sobre o rio Autaz Mirim, na BR-319, no Amazonas. Há relatos de que a construção está ameaçada de ruir. Entre outros problemas, as manilhas utilizadas pelo DNIT para o escoamento da água fluvial são muito pequenas e podem romper sob a estrutura. Ressalte-se que a ponte fixa, de concreto, desabou no início de outubro por falta de manutenção. A região é recheada de problemas de infraestrutura. O MPF já move uma ação contra o governo federal em razão da instalação de uma usina de asfalto na mesma BR-319. Segundo os procuradores, a unidade extrapola todos os limites na emissão de poluentes. A Justiça já concedeu uma liminar, suspendendo suas operações.
Lula ri quando alguém fala de golpe. Ainda mais antes da posse. O presidente eleito emparedou a hipótese de intervenção militar com a rápida nomeação dos três comandantes das Forças Armadas, seguindo todo o protocolo. Com a indicação em tempo rápido, o seu principal esteio são os próprios novos comandantes, que não têm nenhum desejo de serem caroneiros por um golpe. Quando se pensa que Lula envelheceu nas ideias e no domínio da articulação política, vem sempre uma demonstração que contraria a tese.
A recusa do quase ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, em assumir a secretaria da Fazenda do governo de São Paulo não é bem o que parece. Guedes foi sutilmente induzido pelo governador eleito, Tarcisio Freitas, a aceitar a função. Freitas nem sequer insistiu quando Guedes aventou com a possibilidade de ser conselheiro ao invés de secretário. Segundo uma fonte do RR, o novo governador conhece bem o ministro. Sabe como ele é espaçoso. Com Bolsonaro, em um mar de radicalismo, Guedes podia nadar de braçadas com discursos repletos de exageros, assumindo um protagonismo muitas vezes maior do que o do presidente. Esse comportamento não funcionaria com Freitas, que vai ter de negociar com o governo federal. Imagine o secretário de Fazenda produzindo quase que diariamente leads agressivos. Melhor foi nomear um dos colaboradores do ministro. De uma maneira salomônica, todos foram contemplados.
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