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Mais uma obra inacabada do governo Bolsonaro vai cair no colo da gestão Lula. A equipe de transição da área de infraestrutura já calcula que Itaipu Binacional terá de arcar com um custo adicional da ordem de R$ 100 milhões para concluir a construção da ponte de integração Brasil-Paraguai, projeto conduzido pela estatal. O novo cronograma prevê o fim das obras apenas para 2025. O aumento dos custos e o atraso na construção fizeram com que a atual direção de Itaipu desistisse de inaugurar a ponte ainda neste ano, conforme estava previsto. “Inaugurar”, ressalte-se, é mera força de expressão. A rigor, seria uma cerimônia cenográfica para Jair Bolsonaro posar como responsável pelo empreendimento.
O RR apurou que, por determinação direta do governador Ibaneis Rocha, todo o efetivo da área de Inteligência da Polícia Militar do Distrito Federal foi destacado e estará de serviço durante o fim de semana. Vai reforçar o esquema de segurança montado para a posse de Lula.
Eduardo Bolsonaro quer aproveitar a viagem de Jair Bolsonaro aos Estados Unidos para articular um encontro do pai com Steve Bannon nos próximos dias. Nada muito diferente do script seguido pelo clã Bolsonaro ao longo dos últimos quatro anos. Na cenografia bolsonarista, a visita de Bannon serviria para alimentar fantasias golpistas dos apoiadores mais radicais do futuro ex-presidente. Há cerca de duas semanas, o estrategista do ex-presidente Donald Trump deu declarações incentivando Bolsonaro a decretar intervenção militar e impedir a posse de Lula.
A reconstrução do Minha Casa, Minha Vida será uma obra lenta, feita tijolo por tijolo. Diante das restrições orçamentárias, o futuro governo já identificou que dificilmente conseguirá implantar todas as diretrizes formuladas para o programa de uma só vez. Haverá um escalonamento de prioridades. Além da já anunciada recriação da Faixa 1, para famílias com renda inferior a dois salários-mínimos, o foco principal neste primeiro ano de mandato será retomar e concluir as obras paradas do atual Casa Verde Amarela, deixadas como herança pelo governo Bolsonaro. Ao todo, são quase cem mil casas em atraso, mais do que o dobro do número registrado em janeiro de 2019, quando da posse de Jair Bolsonaro (aproximadamente 40 mil imóveis). Segundo o RR apurou, cálculos feitos pela equipe de transição apontam que, se as obras forem retomadas até o fim de janeiro, é possível entregar mais de 60% dessas habitações ainda neste ano e o restante até meados de 2024. Para isso, será necessário desembolsar aproximadamente R$ 1,8 bilhão. Ou seja: somente com o passivo deixado pelo governo Bolsonaro no Casa Verde e Amarela, o governo Lula vai queimar quase 20% dos recursos liberados pela PEC da Transição para o Minha Casa, Minha Vida – cerca de R$ 10 bilhões no total.
De acordo com levantamento feito pela equipe de transição, aproximadamente 70% dos imóveis em atraso estão localizados na Região Norte e Nordeste. E cerca da metade corresponde a empréstimos feitos a famílias com renda até dois salários-mínimos. São contratos pendentes da antiga Faixa 1, extinta pelo governo Bolsonaro no fim de 2019. É a tempestade perfeita. A maior parte do déficit habitacional no Brasil se concentra justamente no Norte e Nordeste e atinge a população com até dois salários.
O Mubadala avança a passos largos na área de educação no Brasil. O fundo árabe está em busca de faculdades de medicina em São Paulo e Minas Gerais, dois dos mais cobiçados mercados do setor no país. O Mubadala entrou no segmento em junho deste ano, com a aquisição de duas universidades da área biomédica na Bahia, a UniFTC Salvador e a Unesulbahia, em Eunápolis (BA). Ambas podem oferecer atualmente cerca de 400 vagas, com mensalidade média na casa dos R$ 11 mil.
A fabricante de relógios Technos tem sido procurada por fundos de investimento interessados em entrar no seu capital. O assédio reflete a guinada da companhia nos últimos dois anos. Após enfrentar uma delicada situação financeira durante a pandemia, quando demitiu 40% do seu quadro de colaboradores, a Technos passou por uma profunda reestruturação até acertar os ponteiros. Entre janeiro e setembro deste ano, a receita subiu 22,5% em relação ao mesmo período em 2021. O lucro líquido, por sua vez, cresceu 82% em igual intervalo. Não por acaso, nos últimos dois anos, o papel da companhia acumula uma alta de 72%. Hoje, entre os principais acionistas figuram Renato Goettems e Aymeric Chaumet, ambos no Conselho, e Joaquim Pedro Ribeiro, CEO da companhia.
Não será surpresa, em Brasília, se Lula reconduzir Augusto Aras à Procuradoria Geral da República. O presidente eleito precisa “segurar” o Ministério Público. Aras está mais do que testado nessa missão. Dos 90 pedidos de investigação contra Bolsonaro engavetou 76. Há quem diga que conversas já foram iniciadas.
Nos estertores do governo Bolsonaro, o Ministério do Desenvolvimento Regional encaminhou ao Ministério da Economia um pedido de verba suplementar da ordem de R$ 70 milhões, para fazer custear a Operação Carro-Pipa em oito estados do Nordeste. Segundo o RR apurou, parte do dinheiro foi liberada em conta-gotas nos últimos cinco dias. Desde outubro, o abastecimento de água na região tem sido feito de forma irregular por falta de recursos. E a aridez financeira será empurrada para o governo Lula. Segundo uma fonte da Pasta ouvida pelo RR, até o momento não há verbas disponíveis para honrar os pagamentos da Operação Caro Pipa previstos para janeiro.
A bancada do PT no Centro-Oeste tem feito pressão para que a deputada federal Rosa Neide (MT-PT) assuma um cargo no Ministério da Educação. A professora chegou a estar cotada para comandar a gestão do cobiçado Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que tem um orçamento superior a R$ 60 bilhões. No entanto, a indicação teria sido rechaçada pelo próprio ministro Camilo Santana, que designou para o posto a atual secretária de Fazenda do Ceará, Fernanda Pacobahyba.
A queda de braço entre Simone Tebet e Rui Costa, que precedeu a indicação da senadora para o Ministério do Planejamento, envolveu não apenas a gestão do PPI como um importante colaborador do governador baiano. Além da intenção de levar o Programa de Parcerias de Investimentos para a sua Pasta, Tebet queria indicar um nome de sua confiança para a Secretaria Especial do PPI. Na prática, significaria jogar para escanteio Marcus Cavalcanti, atual Secretário de Infraestrutura da Bahia e braço direito de Costa, que já havia sido anunciado para o cargo. No fim das contas, o petista ganhou tudo: o PPI ficará sob o guarda-chuva da Casa Civil – ainda que com a tal “gestão compartilhada” com o Planejamento – e Cavalcanti assumirá a Secretaria Especial.
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