Redação RR - Relatório Reservado

Artigos: Redação RR

Trump, Lula e minerais críticos: a combinação de poder dos irmãos Batista

22/12/2025
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Os irmãos Batista costumavam escrever por linhas retas. Foram décadas assim. Até que cresceram demais no seu core business, o mercado de proteína. O gigantismo fez com que o arranha-céu não coubesse mais na velha casa própria. E vieram a energia elétrica, com a Âmbar, a celulose, com a Eldorado, e o setor financeiro, com o Banco Original. Mas, até agora, o grupo seguia um mapa mais ou menos clássico de diversificação de empreendimentos. Pois eis que agora Joesley e Wesley Batista podem ir bem além, criando um mercado de negócios geopolíticos ou uma geopolítica dos negócios. Os dois irmãos vêm se articulando junto aos presidentes dos Estados Unidos e Brasil para ingressar no setor de minerais críticos, o ativo mais cobiçado do mundo na atual conjuntura. Os donos da JBS têm interlocução direta com Donald Trump. Em setembro, Joesley foi recebido por Trump em uma audiência na Casa Branca. O que se disse à época é que o tema do encontro foi a taxação da carne. Ora, sabe-se muito bem a dificuldade que é para se chegar ao presidente norte-americano. Não é um cartucho que deva ser queimado para se tratar da demanda e do preço de bovinos. Com Lula, por sua vez, nem é preciso dizer: é como se os Batista tivessem as chaves do Palácio do Planalto. O RR encaminhou uma série de perguntas para a J&F, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
Até aí esse duplo acesso não explicaria sequer metade do que se trata. A questão é que, em meio a taxas, sobretaxas, soberania do STF e outros quejandos, há um assunto que é considerado um raro insumo no acordo entre Brasil e Estados Unidos: um tratado envolvendo a garantia de fornecimento de terras raras, entre outros minerais estratégicos. Essa seria uma linha cirúrgica na (re)costura das relações entre Brasil e Estados Unidos. A montagem de uma tão delicada operação binacional teria de ser feita através do setor privado, para não caracterizar um acordo entre nações. É aí que entram os irmãos Batista. Bem antes dessa engenharia com estadistas em relação à defesa da matriz industrial dos seus países, não é de hoje, guardadas as devidas proporções, que a dupla de empresários quer replicar na transição energética a onipresença que já ostenta na segurança alimentar. Em outubro, a J&F Investimentos, holding do clã, comprou junto à Axia (ex-Eletrobras) o equivalente a 68% do capital total e 35,3% do capital da Eletronuclear. Com isso, tornou-se sócia do governo nas usinas Angra 1 e Angra 2. Mais ainda: os Batista passaram a ser uma peça fundamental para a possível conclusão das obras de Angra 3, que exige investimentos superiores a R$ 20 bilhões. Todos os fios se cruzam.
Ao entrar na produção de minérios nucleares, a J&F reforçaria sua posição em elos estratégicos da cadeia da transição energética: um pé na matéria-prima e outro na ponta final, na produção de energia nuclear. Nesse mosaico, além de produtor e comprador do insumo no front interno, o grupo poderia se consolidar também como um importante exportador de minérios críticos. Não se pode perder de vista outras movimentações simultâneas dos Batista que apontam nessa direção. Há informações de que a J&F busca um sócio minoritário para a LHG Mining, seu braço de mineração. A empresa já anunciou o plano de investir US$ 4 bilhões para aumentar a produção de minério de ferro e de manganês. No entanto, a entrada de um parceiro no capital dia parece dialogar não com o que a LHG já tem, mas, sim, com o que quer ter: a exploração de minerais críticos. Consta que no mesmo solo encontram-se reservas auspiciosas de terras raras. Toda a operação é tão ambiciosa que nem parece crível. Para os EUA, as terras raras que eles não têm, e a China tem em abundância; para a China, comida, porque por lá sobram terras raras, mas há quase 1,5 bilhão de bocas para alimentar. E o Brasil? Por enquanto, só tem o que aplaudir. Os Batista estão devolvendo com juros tudo aquilo que receberam do país e de seus governos.

#Donald Trump #Joesley Batista #Lula #Wesley Batista

Perfin escala o capital da Copasa em meio ao processo de privatização

22/12/2025
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Circula no mercado que, na semana passada, a Perfin Investimentos voltou a comprar volumes expressivos de papéis da Copasa na B3. Entre participação direta e ações por empréstimo na carteira de seus fundos, a gestora já tem algo próximo de 10% do capital votante da estatal mineira. A nova investida causou ainda mais estranheza entre os operadores do mercado porque uma semana antes a Perfin havia liquidado parte dos instrumentos derivativos de liquidação vinculados a papéis da Copasa. A intensa movimentação da gestora de Ralph Gustavo Rosenberg e José Roberto Ermírio de Moraes Filho em torno da estatal chama ainda mais atenção pelo timing. A instituição financeira monta uma posição no capital no momento em que a Copasa dá alguns passos para a sua privatização. Na semana passada, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovou o projeto que autoriza a desestatização da empresa, possivelmente mediante a sua transformação em public company. Mantida a atual participação, a Perfin já começaria esse jogo com um razoável quinhão societário da Copasa, ainda mais em um cenário de pulverização do seu capital. Procurada pelo RR, a Perfin não se manifestou.

#Copasa

Governo trabalha nos bastidores para travar repasse de outorgas a municípios

22/12/2025
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A proposta de repasse de parte das outorgas portuárias aos municípios tornou-se um cabo de guerra entre a gestão federal e prefeitos. O governo finge que não é com ele, mas, nos bastidores, costura para que a votação do projeto de lei seja empurrada para 2026. No fundo, tenta ganhar tempo para afundá-lo de vez. Aprovado pela Comissão de Viação e Transportes da Câmara no início deste mês, o PL 623/2021 prevê a transferência de 25% do valor arrecadado com a outorga para o município onde o porto está instalado. Hoje, essa cifra fica inteiramente com a União. Segundo informações filtradas pelo RR, a equipe econômica estima que a perda de arrecadação do governo central pode chegar a R$ 4 bilhões em uma década, com base nas novas concessões já no pipeline e das renovações de contrato previstas para o período. Mas a preocupação vai além dos portos. O receio no governo é que a aprovação da proposta crie um precedente perigoso, abrindo caminho, por exemplo, para que municípios reivindiquem também um pedaço do valor de outorga de rodovias e ferrovias.

#Portos

Bancada do PT cerca Banco do Nordeste por mais recursos para agricultura familiar

22/12/2025
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Há articulações da bancada petista, notadamente de parlamentares de Pernambuco e Ceará, para que o Banco do Nordeste (BNB) amplie o volume de crédito para a agricultura familiar. O volume de recursos já anunciado para a safra 2025/2026 é de R$ 10,2 bilhões, um avanço modesto em comparação à cifra do ciclo anterior (R$ 9,8 bilhões). Deputados e senadores da região tentam subir essa sarrafo para a casa dos R$ 12 bilhões. Há dois fatores que adubam o lobby dos parlamentares: a forte demanda por crédito agrícola e o calendário eleitoral. Aumentar o volume de financiamentos às vésperas do pleito de outubro seria um trunfo e tanto para a base aliada na região. Ressalte-se que o Nordeste reúne mais de 45% de todos os agricultores familiares do Brasil, algo como 15 milhões de produtores. É voto que não acaba mais…

#Banco do Nordeste #PT

JiveMauá encontra um terreno fértil em meio a créditos podres

19/12/2025
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A JiveMauá, gestora com cerca de R$ 21,3 bilhões sob gestão, está se consolidando como um dos principais vetores de capital no mercado de créditos estressados do agronegócio, uma frente marcada por risco elevado, mas com potencial de retorno acima da média. A casa de investimentos já alocou aproximadamente R$ 2 bilhões na aquisição de carteiras inadimplentes ligadas ao setor rural — montante que, segundo interlocutores do mercado, deve crescer de forma relevante ao longo de 2026, à medida que bancos aceleram a limpeza de balanços e novas recuperações judiciais ganham tração no campo.
O foco da JiveMauá tem sido a compra de créditos com lastro real robusto, sobretudo operações garantidas por terras agrícolas no Centro-Oeste e no Sul, regiões onde a liquidez fundiária e o valor dos ativos ainda funcionam como colchão de proteção contra perdas mais severas. A gestora evita operações pulverizadas e privilegia exposições concentradas, em produtores médios e grandes, com histórico operacional e ativos capazes de sustentar uma reestruturação mais profunda.
Nos bastidores, a leitura é que a gestora também passou a monitorar ativamente processos de RJ em estágio inicial, buscando entrar antes da deterioração total do crédito. Esse movimento permite negociar diretamente com bancos originadores e produtores, capturando descontos mais agressivos e evitando leilões concorridos de carteiras já amplamente conhecidas pelo mercado.

#JiveMauá

Tarcísio busca crédito internacional para megapacote de obras em SP

19/12/2025
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O governo de São Paulo abriu conversações com bancos de fomento internacionais no intuito de estruturar um pacote de financiamentos para grandes projetos de infraestrutura no estado. Segundo informações apuradas pelo RR, há tratativas em curso com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Mundial. Nos corredores do Palácio dos Bandeirantes, fala-se em até R$ 4 bilhões em crédito junto às duas instituições, com o objetivo de dar tração a um programa de investimentos estimado em R$ 32 bilhões apenas em 2026. Um dos projetos prioritários é a construção da Linha 6-Laranja do Metrô, para o qual a gestão Tarcísio de Freitas negocia uma linha de crédito internacional da ordem de R$ 2,3 bilhões. O empreendimento é uma espécie de menina dos olhos do governador de São Paulo, por combinar uma grande obra estruturante, alto impacto urbano e forte simbolismo político – após anos de atrasos e disputas contratuais, a obra deslanchou sob o seu governo. Por ora, Tarcísio ainda não sabe como aparecerá na urna eletrônica em 2026 – se como candidato à reeleição ou postulante ao Palácio do Planalto. Mas, desde já, é notório o seu esforço para consolidar a imagem de grande gestor de projetos de infraestrutura ou de “CEO”, como ele costuma se referir à função de um presidente da República.
Ainda na área de transportes metropolitanos, o governo de São Paulo está tocando simultaneamente a expansão da Linha 2-Verde, Linha 17-Ouro e Linha 4-Amarela. O estado conduz ainda 11 projetos de trens para conectar cidades do estado, embora esta não seja exatamente a área em que a gestão Tarcísio de Freitas tem tido maior sucesso. Apenas quatro deles, que passam pela capital, começaram a avançar e deste o único adiantado é a ligação São Paulo-Campinas.

#Tarcísio de Freitas

Assaí escreve as cenas dos próximos capítulos no contencioso com o GPA

19/12/2025
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O contencioso entre o Assaí e o Grupo Pão de Açúcar (GPA) está longe de um epílogo. A empresa atacadista estuda medidas judiciais mais contundentes, com efeito sobre os próprios acionistas da GPA. O Assaí passou a trabalhar com a hipótese de questionar operações societárias futuras do GPA. A medida tem um alvo cirúrgico: surge no momento em que o Casino se movimenta para vender suas ações no Pão de Açúcar – com 22%, o grupo francês segue como o segundo maior acionista da rede de supermercados, atrás apenas da família Coelho Diniz. O pano de fundo do imbróglio é a disputa judicial entre Pão de Açúcar e Assaí envolvendo os passivos tributárias desta última até dezembro de 2020, quando as duas empresas eram um só. O Assaí exige que o GPA apresente garantias financeiras capazes de cobrir as dívidas com o Fisco anteriores ao spin-off. Recentemente, no entanto, sofreu uma derrota nos tribunais: a 3ª Vara Empresarial do Estado de São Paulo entendeu que o Pão de Açúcar não tem qualquer obrigação em relação ao passivo em questão. Como contraofensiva uma das hipóteses cogitadas pelo Assaí é congelar mudanças na estrutura de capital do Pão do Açúcar, sob o argumento de que eventuais desinvestimentos podem eventualmente gerar patrimonial do GPA, fragilizando sua capacidade de ressarcimento dos valores cobrados. Procurado, o Assaí não se manifestou até o fechamento desta matéria.

#Assaí

Bets questionam Fazenda por bloqueio de beneficiários de programas sociais

19/12/2025
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No momento em que o Congresso aprovou o aumento da taxação das bets, surge um novo ponto de fricção entre as casas de apostas e o governo. As empresas do setor alegam que o Ministério da Fazenda tem bloqueado indevidamente o acesso de milhares de pessoas as suas plataformas. Segundo informações apuradas pelo RR, de 1º de dezembro até ontem mais de um milhão de beneficiários do Bolsa Família e do BPC (Benefício de Prestação Continuada) foram impedidos de acessar sites de apostas. As bets, no entanto, afirmam que a Fazenda tem se baseado em cadastros defasados para proceder os bloqueios. Nas contas das plataformas, já seriam quase cem mil ex-beneficiários do Bolsa Família e do BPC que estão sendo equivocadamente impedidos de fazer sua “fezinha”. Partindo da premissa de que cada brasileiro gasta, em média, R$ 160 por mês em apostas, esse contingente representa algo como R$ 16 milhões/mês em receita potencial para as plataformas. De grão em grão…

#Bets

Motiva acelera rumo ao leilão das Rotas Gerais

19/12/2025
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A Motiva, antiga CCR, é apontada dentro do próprio Ministério dos Transportes como principal candidata ao leilão das Rotas Gerais (BR-116/251/MG), marcado para 31 de março de 2026, na B3. A empresa arrematou recentemente a concessão da Fernão Dias (BR-381), também em Minas Gerais. Além da possível captura de sinergias entre dois importantes corredores logísticas mineiros, a escala das Rotas Gerais dialoga com a estratégia da Motiva de dar prioridade a ativos de grande porte. Some-se o fato de que a empresa está altamente capitalizada: acaba de vender um pacote de 20 concessões aeroportuárias para a mexicana ASUR por R$ 11,5 bilhões. A concessão das Rotas Gerais, de 735 km, prevê investimentos da ordem de R$ 12 bilhões.

#Motiva

Aegea e BRK Ambiental entram juntas na estreita curva dos IPOs

18/12/2025
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No mercado, a percepção é que Aegea e BRK Ambiental estão disputando uma corrida na qual apenas uma deverá cruzar a linha de chegada. Se muito. A maratona em questão se refere ao anúncio simultâneo do plano das duas empresas de abrir o capital na B3 no primeiro semestre de 2026. Entre os investidores prevalece a leitura de que não há demanda para dois IPOs concomitantes no setor de saneamento. Talvez não exista sequer para um, a julgar pelo carry over do mercado brasileiro de capitais: a última listagem na B3 ocorreu em 2021. As duas empresas terão de disputar o mesmo recorte de investidores em um ambiente no qual a renda fixa ainda oferece retornos mais elevados. Além disso, há o risco de uma operação canibalizar o valuation da outra, o que dá ainda mais um ar de duelo na possível abertura de capital da Aegea e da BRK. Se o primeiro IPO sair com desconto relevante para garantir demanda, tende a se tornar a nova referência de múltiplos do setor. Quem vier depois pode ser forçado a aceitar um preço ainda mais baixo. No caso da Aegea, leia-se EquipavItaúsa e GIC, fundo soberano de Cingapura, há ainda um fator adicional de pressão sobre a precificação do papel: o elevado nível de alavancagem da companhia. No balanço de setembro, a relação dívida líquida/Ebitda chegou a 3,7 vezes, contra 3,5 vezes no terceiro trimestre do ano passado.

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