Redação RR - Relatório Reservado

Artigos: Redação RR

Cosan não consegue zarpar do Porto São Luís

5/01/2026
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A Cosan tem encontrado dificuldades para se desfazer do projeto do Porto São Luís, no Maranhão. As negociações esbarram no principal: o fator preço. Segundo o RR apurou, as ofertas apresentadas até o momento estão abaixo, inclusive, do valor que o grupo desembolsou para comprar o ativo em 2021 – R$ 720 milhões. O principal candidato é a trading chinesa Cofco, que enxerga no empreendimento uma saída logística para o escoamento de grãos, notadamente da região do Matopiba (Maranhão, Tocantins Piauí e Bahia). No entanto, os asiáticos têm sido um osso duro de roer à mesa de negociações, aproveitando-se da complexa situação financeira da Cosan para achatar os valores da operação. A venda do projeto é mais um capítulo do plano de alienação de ativos do grupo de Rubens Ometto para o abatimento do seu passivo – a dívida líquida é de R$ 18 bilhões. Além de utilizar os recursos para o pagamento de obrigações financeiras, a Cosan se livraria da necessidade de construção do porto, orçada em aproximadamente R$ 1 bilhão. Procurada pelo RR, a empresa não quis se pronunciar.

#Cosan

Crise da Cotribá acende alerta de risco sistêmico no agro gaúcho

5/01/2026
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A crise da Cotribá deixou de ser apenas um problema empresarial e entrou no radar político do Rio Grande do Sul. Segundo informações apuradas pelo RR, o próprio governador Eduardo Leite passou a atuar nos bastidores em busca de uma saída negociada para a cooperativa, diante do risco sistêmico que o colapso da empresa pode representar para o agronegócio gaúcho. A articulação envolve conversas com o Judiciário, instituições financeiras e lideranças do setor produtivo para tentar construir uma solução que preserve ativos, contratos e a capacidade operacional mínima da cooperativa.
Leite tem sido alertado de que um colapso desordenado da Cotribá pode gerar um efeito dominó sobre o crédito rural, cooperativas menores, revendas agrícolas e a renda de milhares de produtores no interior do Estado — especialmente às vésperas de um novo ciclo de safra. A preocupação do Palácio Piratini se explica pelos números envolvidos. A Cotribá é uma das maiores cooperativas agroindustriais do Estado, com mais de 10 mil produtores associados, atuação em cerca de 40 municípios, capacidade de armazenagem superior a 1,5 milhão de toneladas de grãos e papel central no escoamento da safra de soja, milho e trigo. Em anos recentes, seu faturamento anual girou na casa de R$ 6 bilhões a R$ 7 bilhões.
Com dívidas superiores a R$ 1 bilhão, a Cotribá vem tentando entrar em recuperação judicial. No entanto, a desembargadora Eliziana da Silveira Perez, da 6ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, suspendeu o processo. Com base na Lei 11.101/2005 e no código Civil, a magistrada alega ilegitimidade jurídica das cooperativas para requerer recuperação judicial. Trata-se de uma discussão antiga no Judiciário.
A questão é que a Cotribá não tem tempo a perder até que um dia os tribunais brasileiros cheguem a um consenso sobre a matéria. Em sua apelação, a companhia classifica a recuperação judicial como uma questão de “vida ou morte”. Com a decisão da desembargadora, mais de 30 bancos podem retomar bloqueios, penhoras e execuções contra a empresa.

#Eduardo Leite

PT coloca sobre a mesa um nome para o Ministério da Segurança Pública

5/01/2026
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O PT tem um nome no gatilho para assumir o Ministério da Segurança Pública, caso Lula cumpra a promessa de recriar a Pasta. Trata-se da deputada federal Érika Kokay (PT-DF). Em seu quarto mandato, a parlamentar integrou a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. No entanto, o que para o PT soa como o principal atributo de Érika é justamente o que reduz suas chances de ascender ao cargo: sua trajetória de engajamento à agenda da cidadania e dos direitos humanos. No entorno de Lula, a leitura é que o presidente precisa indicar alguém de perfil mais linha dura para o Ministério, caso não queira dar ainda mais munição para a oposição, que detém a primazia da agenda da segurança pública. Nesse caso, o nome cogitado é o do atual diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

#Ministério da Segurança Pública #PT

Banco Central independente? Independente de quem?

29/12/2025
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Nos idos dos anos 90, o falecido senador Roberto Saturnino Braga convocou três sumidades econômicas – Octávio Gouvêa de Bulhões, ex-ministro da Fazenda e ex-presidente da Superintendência da Moeda e Crédito (Sumoc), que exercia as funções do BC antes da sua criação, José Luiz Bulhões Pedreira, jurista autor da Lei das SA e verdadeiro responsável pela arquitetura legislativa do BC, e a professora Maria da Conceição Tavares, ícone dos economistas de esquerda e crítica explosiva do overnight, operações de um dia para o outro, lastreadas em títulos públicos ou privados. A discussão sobre a independência do BC ainda engatinhava, com uma batalha eufemística sobre se seria autônomo ou soberano. Na verdade, ela sempre esteve presente, desde que Bulhões Pedreira extraiu do mármore a criatura, em 31 de dezembro de 1964, pela Lei nº 4.595. Ou seja: na prática, portanto, o BC era um apêndice do Ministério da Fazenda, que, por sua vez, respondia ao presidente da República. Àquela altura, o Federal Reserve já era uma realidade, com seu sistema incontinentemente apoiado pelo FMI – a título de registro, a independência do FED é uma decisão do presidente Woodrow Wilson e data de 1913.

Pois bem, a íntegra do debate entre Gouvêa de Bulhões, Bulhões Pedreira e Maria da Conceição Tavares pode ser encontrada em uma das edições amareladas do jornal do Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro. Apresentados os devidos contendores, o palco do debate e o assunto que já parecia sacramentado, cabe repetir a pergunta que, à época, deixou os congressistas em alvoroço, à beira da perplexidade. Questionada sobre os benefícios que a independência do BC poderia trazer para reparação dos equívocos que ela própria estava apresentando, Conceição gritou: “O Banco Central independente? Independente de quem? Do Brasil?”.

Passadas mais de três décadas, com o episódio do Banco Master, a pergunta permanece como um grito parado no ar. O pedido de acareação urgente feito pelo ministro do STF Dias Toffoli, para colocar frente a frente o diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino, o dono da instituição financeira, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, não deixa dúvida sobre a gravidade da operação. Acareação é quase um sinônimo de dúvida sobre a razão de um ou de outro. Ou seja, as vésperas da celebração do Ano Novo estão na ceia os pratos cheios de possibilidade das discussões sobre a fiscalização dos bancos, a ausência de recursos da autoridade monetária para cumprir essa missão, o prazo para a definição da liquidação extrajudicial dos bancos, a responsabilidade sobre a destruição patrimonial de uma instituição em caso de erros nos processos de liquidação, o limite de garantia do Fundo Garantidor de Crédito e a omissão sobre medidas macroprudenciais. O assunto se tornou ainda mais confuso na medida em que ontem circularam informações de que a Polícia Federal colheria o depoimento individual de Aquino, Vorcaro e Costa antes de decidir sobre a necessidade de uma acareação no STF. É difícil considerar essa versão crível. O que teria a ver a PF com uma arguição junto a um diretor do BC? Incriminá-lo, ainda que tacitamente? Adiar a acareação depois de anunciá-la sob a luz dos holofotes somente tornaria o caso ainda mais sensível, colocando ainda mais dúvidas sobre a conduta do STF.

Mas há uma pergunta que assumiu proporções maiores do que todas as demais. A independência do BC e seus processos estariam acima de um dos Poderes da República? Esse, sem dúvida, é um assunto para o Congresso também meter sua colher. Já há quem defenda uma CPI de todo o caso, com ênfase na crítica a um sistema regulatório criado para blindar o investidor de qualquer tremelique. Mas são tantos os zangões envolvidos que, em um ano eleitoral, duvida-se da disposição de mexer nessa colmeia. Até porque há virtuais aferições que podem levar à necessidade de se repensar todo o sistema de compliance do BC. Foi o Congresso que aprovou a emenda constitucional que garante a independência da autarquia. Quem pariu Mateus que o embale.

Curioso. O Congresso Nacional exige explicações do Banco Central independente em circunstâncias de fracasso na performance em casos como a Regra de Ouro ou a Lei da Responsabilidade Fiscal. Mas o STF não pode pedir uma explicação mais acurada por um episódio que, devido à ausência de um comunicado da autoridade monetária em tempo hábil, chegou a ser considerado como uma possibilidade de risco sistêmico do setor bancário brasileiro. Ou mesmo a suspeição de que as razões técnicas “irrefutáveis” do BC são, sim, refutáveis e não levaram em consideração o fato que o banco poderia ser vendido ou consolidado – esqueça-se o BRB.

A fiscalização do BC é um dos setores mais sofridos da casa, mesmo não estando no top 20, vide a pesquisa de clima do banco, levantamento bienal feito pela autarquia. Para se ter uma ideia do ambiente, em sua edição mais recente (2024), o próprio BC inicia a introdução do relatório dizendo que “nem tudo são flores nesta aldeia”. A pior nota dos 60 itens avaliados pelos servidores ativos se deu diante da afirmação “confio nas mudanças estabelecidas pela Diretoria Colegiada do Banco Central”. O BC opera com um déficit de mais de 2.000 funcionários em relação a 2006. Uma condição de trabalho inviável já anunciada publicamente pelo ex-presidente da instituição Roberto Campos Neto.

Onde entra a Justiça nessa história? O BC e principalmente sua equipe de fiscalização não são infalíveis. Nem vale a pena lembrar do estrago do sistema bancário provocado pela perda do floating bancário, com o Plano Real, quando nem a supervisão de bancos como o Econômico, Nacional e Bamerindus nem a adoção de medidas macroprudenciais foram tomadas, o que evitaria custos gigantes ao Erário. Em tempo: um dos bancos mais encalacrado em sua liquidez e beneficiado pelo Proer, o Bamerindus, pertencia ao empresário José Eduardo Andrade Vieira, maior financiador da campanha eleitoral de Fernando Henrique Cardoso. Mas essa avalanche, corrigida com dinheiro das reservas bancárias e emissão de títulos públicos, já foi para a cesta de muitos anos velhos.

Voltando ao presente e ao caso do Master, talvez um desacerto maior tenha sido o ingresso do Ministério Público nesse processo como um agente inquisidor. O assunto vinha sendo tratado como uma investigação do BC, ainda que controversa. O MP cravou uma série de perguntas de quem tem dúvidas quase generalizadas. Tudo que é vinculado ao Ministério Público é associado de alguma maneira à criminalização. Possivelmente pela sua atuação indissociável com a Polícia Federal. As questões enviadas para a diretoria de fiscalização pelo MP parecem indicar que houve açodamento na liquidação do Master. Há muito fermento para fazer crescer esse bolo. Ele enseja a discussão sobre um código de conduta dos togados. Ou pode atingir um dos heróis da resistência ao golpe, o juiz Alexandre de Moraes, devido às relações comerciais do escritório de advocaria da sua esposa com o Banco Master. Mas urge arrumar a fiscalização do BC. A autoridade monetária foi acusada de ser responsável pelas falências, em casos anteriores, da BRK Financeira e da PortoCred, em 2023. Ambas foram citadas como exemplos que “revelam falha no sistema”, sugerindo que a supervisão não foi capaz de impedir o colapso dessas instituições a tempo de evitar prejuízos a credores e investidores. Talvez um dos principais pontos que mereçam a acareação entre Vorcaro e o diretor do BC seja qual o prazo no qual a autarquia pode manter sob sigilo a conclusão de um processo de risco de liquidez que é público. Até que ponto essa lentidão não configura depreciação de patrimônio, permitindo o ajuizamento da destruição patrimonial pela parte prejudicada? Ninguém diz nada sobre isso em lugar nenhum.

O RR tratou do caso no dia 28 de agosto. Vale relembrar: “147 dias já se passaram desde que o BRB anunciou a compra de 49% das ações ordinárias e de 100% das ações preferenciais do Master sem que o BC tenha dado seu veredito. E sem qualquer horizonte de quando o fará – o Cade, por exemplo, chancelou o acordo em 81 dias; a Assembleia Legislativa do Distrito Federal, por sua vez, também já deu seu aval no último dia 19 de agosto. A demora do BC ultrapassou o tempo gasto pela autoridade monetária para apreciar outras negociações no setor bancário. Apenas a título de comparação, vamos a alguns exemplos. A aprovação da venda do Conglomerado Alfa para o Banco Safra demorou 139 dias. A autorização para a compra da Avenue Holding pelo Itaú Unibanco saiu em 82 dias. A transferência dos ativos do Credit Suisse no Brasil para o UBS, no âmbito de uma operação de abrangência global, recebeu o nihil obstat do BC em apenas 60 dias. Proporcionalmente, no entanto, talvez nada supere a venda em pele de fusão do Unibanco para o Itaú. O BC aprovou o negócio em 107 dias, praticamente em regime de fast track se levarmos em consideração as delicadas circunstâncias que cercavam a operação. O próprio Master já conheceu esse lado mais resoluto e menos procrastinador do Banco Central. No ano passado, o BC autorizou a aquisição do Banco Voiter em apenas 49 dias.”

Nenhuma dessas informações faz qualquer juízo de valor sobre os procedimentos de Daniel Vorcaro e do Banco Master. O ponto central das observações é que a Justiça está preocupada, o Ministério Público está preocupado, o Executivo está preocupado, o PT está preocupado – então candidato à Presidência, Fernando Haddad defendeu a independência do BC nas eleições de 2018 – e o Congresso já emite sinais de que a regulamentação precisa ser afinada. O Master pode ser apenas o buraco da agulha. É melhor abrir logo a cortina.

#Banco Central #Banco Master

Alto-Comando da Enel deverá desembarcar no Brasil em meio ao risco de cassação

23/12/2025
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Corre no setor elétrico que a direção global da Enel, à frente o CEO, Flavio Cattaneo, virá em peso ao Brasil nos primeiros dias de 2026. O objetivo seria cumprir uma intensa agenda de reuniões com autoridades em Brasília e em São Paulo, a começar pelo próprio presidente Lula e pelo governador Tarcísio de Freitas. Na bagagem, Cattaneo traria o anúncio de um novo e alentado plano de investimentos no Brasil, literalmente uma moeda de troca na tentativa de evitar a caducidade da concessão da Enel São Paulo. Trata-se de um script com ar de déjà vu. Nos últimos dois anos, o executivo tornou-se figurinha fácil no país, sempre com a promessa de mais aportes nas operações do grupo. Em junho do ano passado, esteve com o próprio Lula, quando colocou sobre a mesa a garantia de que os investimentos da Enel no Brasil seriam duplicados.

Não adiantou muito. A reputação do grupo junto ao governo federal e, sobretudo, à dupla Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo, está eletrocutada devido às seguidas crises no fornecimento de energia em São Paulo. Consultada pelo RR, a Enel limitou-se a reproduzir comunicado divulgado à imprensa na semana passada. Entre outros pontos, a empresa afirma que, “desde que assumiu a concessão, em 2018, até 2024, investiu mais de R$ 10 bilhões em São Paulo. Para o período de 2025 a 2027, a distribuidora aprovou um plano de investimentos recorde, atualmente em execução, no valor de R$ 10,4 bilhões”. Perguntada especificamente sobre a vinda de Cattaneo ao Brasil e a possibilidade de um novo programa de investimentos no país, a Enel não se manifestou.

Censo Agropecuário vira um campo minado para o governo

23/12/2025
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O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, tem feito articulações dentro do governo na tentativa de assegurar a realização do Censo Agropecuário previsto para 2026. Fávaro está pleiteando à equipe econômica uma suplementação orçamentária para o IBGE, responsável pelo trabalho. A situação é preocupante. A autarquia já sinalizou que é grande a probabilidade de o levantamento ser postergado para 2027 por falta de verbas. O cobertor do instituto é curtíssimo. Com base no orçamento da União para 2026, o IBGE não dispõe de recursos sequer para a fase preparatória do Censo, estimada em torno de R$ 400 milhões. O que dizer, então, da verba necessária para a consumação de toda a pesquisa, orçada em aproximadamente R$ 3,5 bilhões. O calo financeiro da instituição dói em Fávaro. O IBGE é vinculado ao Ministério do Planejamento, de Simone Tebet, mas é o ministro da Agricultura que terá de arcar com as implicações técnicas e políticas do adiamento do Censo Agropecuário.
O Censo Agropecuário é principal mapeamento da atividade agrícola no Brasil do ponto de vista econômico, político e social. O levantamento reúne dados essenciais, como área plantada, uso da terra, produção, perfil do produtor, tecnologias utilizadas, questões relacionadas à estrutura fundiária (posse, arrendamento, titulação), receita, custos, acesso a crédito etc. Trata-se de um subsídio essencial para a definição de políticas públicas e para o próprio mercado. Bancos e fundos usam bases censitárias para calibrar riscos, definir limites de financiamento e precificar juros no crédito rural. Ocorre que há coisas que só acontecem no Brasil. Uma das maiores potências agrícolas do Planeta, o país enfrenta uma estiagem na coleta de dados estratégicos da atividade rural, que pode se agravar caso o Censo seja empurrado para 2027. O último mapeamento do agronegócio realizado pelo IBGE data de 2017. Ou seja: as informações coletadas já estão razoavelmente desatualizadas. Apenas a título de exemplo: de lá para cá, a área plantada no Brasil já saltou de 76 milhões para mais de 84 milhões de hectares.
Caso se confirme, o adiamento do Censo aumentará essa defasagem estatística, ampliando os pontos cegos em relação ao agronegócio. Na melhor das hipóteses, se a pesquisa for iniciada em 2027, os primeiros dados só estarão disponíveis no fim de 2028 ou no início de 2029, ou seja, mais de uma década após o último levantamento. Para efeito de comparação, os Estados Unidos realizam seu Censo de cinco em cinco anos. A China, por sua vez, trabalha com um espaçamento maior para o seu, digamos, macromapeamento, feito de dez anos em dez anos. No entanto, o país realiza levantamentos anuais e, em alguns casos, trimestrais, coordenados diretamente por Pequim e executados com o auxílio de bases administrativas em múltiplas esferas – províncias, condados e vilas. Esse sistema permite uma pesquisa de dados pormenorizada, graças a uma extensa rede de coleta de informações. E o Brasil? Ao longo da história, a periodicidade tem variado entre quinquenal e decenal, quase sempre ditada por questões de ordem orçamentária.

#Censo Agropecuário

Bendine surge como o nome certo no lugar certo para o Digimais

23/12/2025
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A contratação de Aldemir Bendine como novo CEO do Banco Digimais tem gerado fortes especulações no mercado. O que se diz em petit comité é que Bendini foi contratado para pilotar a transferência de parte do capital ou mesmo do controle integral da instituição financeira pertencente a Edir Macedo. Caberia a Bendine a missão de liderar as negociações com possíveis interessados, mas, sobretudo, de conduzir a diplomacia da venda junto às autoridades em Brasília, especialmente o Banco Central. Nesse caso, o novo CEO do Digimais assume o cargo ancorado em suas notórias relações com o PT. Funcionário de carreira do Banco do Brasil, Bendine assumiu a presidência da instituição no segundo mandato de Lula, mantendo-se na função nos quatro primeiros anos da gestão Dilma. No Dilma II, comandou a Petrobras. Bendine é visto, portanto, como uma gazua, que permitiria ao Digimais abrir portas no governo. O RR enviou uma série de perguntas ao Digimais, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
A venda do banco de Edir Macedo não é exatamente um processo dos mais simples. Consta que já há algum tempo o Digimais está no radar do Banco Central. Nos últimos anos, a autoridade monetária teria solicitado ajustes na operação, como revisão da marcação de ativos em balanço, incluindo precatórios, e um novo cálculo da carteira de crédito de financiamento de veículos. Há notícias de que bancos e investidores chegaram a abrir conversas para a compra do Digimais. Entre eles, estariam o Nubank, que tem como vice-chairman o ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto, e o empresário Tércio Borlenghi Jr., controlador da agora encalacrada Ambipar. As tratativas, no entanto, não avançaram.

#Digimais

Agrolend ignora crise no agro e expande oferta de crédito

23/12/2025
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A Agrolend caminha na contramão da crise que atinge parte da cadeia do agronegócio, com o aumento da inadimplência e a disparada do número de recuperações judiciais. A fintech entra em 2026 com uma carteira de crédito em torno de R$ 700 milhões, contra algo próximo dos R$ 500 milhões há 12 meses. Internamente, já se fala em bater a barreira de R$ 1 bilhão ao fim de 2026 Um dos caminhos em estudo é a expansão do perfil de clientes, com foco em operações estruturadas junto a cooperativas, revendas de insumos e empresas da cadeia agrícola. No mercado, corre, inclusive, que os controladores da Agrolend, os irmãos André e Alan Glezer, discutem a possibilidade de uma nova captação. A capitalização mais recente se deu em outubro de 2024, um rodada Série C, na qual a fintech levantou US$ 53 milhões.

#Agrolend

Um suplente sob medida para Eduardo Bolsonaro

23/12/2025
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Eduardo Bolsonaro foi cassado, mas provavelmente seguirá exercendo o seu “mandato”. Na Câmara, o seu suplente e sucessor, o missionário José Olímpio (PL-SP), é visto como um mero títere do “03”. A ponto da ala menos extremista do PL – sim, ela existe – sequer o enxergar propriamente como um parlamentar do partido. A aposta é que ele será um obediente representante dos interesses do clã no Congresso, apenas dublando as ordens do “03”. Línguas mais ferinas chegam a dizer que Eduardo poderá manter não apenas o poder de “voto”, mas, digamos assim, os direitos econômicos sobre o mandato cassado.
Nascido em Itu (SP), formado em Direito e ligado à Igreja Mundial do Poder de Deus (do apóstolo Valdemiro Santiago), José Olímpio construiu carreira no varejo político municipal antes de ganhar escala nacional: foi vereador por vários mandatos em sua cidade natal e depois na capital – chegou a presidir a Câmara Municipal de São Paulo. Foi deputado federal em legislaturas anteriores por diferentes siglas (PP, DEM, União, entre outras) até se aninhar no PL – e no bolsonarismo. O parlamentar tem os atributos necessários para ser temente à família Bolsonaro: é conservador ao extremo e vale-se da sua representatividade junto à população evangélica. José Olimpo é notório na Câmara por propostas sem pé nem cabeça. Em 2014, por exemplo, apresentou um projeto de lei para proibir o implante de chips e outros dispositivos eletrônicos em seres humanos, com o objetivo de impedir o avanço de uma “satânica nova ordem mundial”.

#Eduardo Bolsonaro

O (muito) que ainda falta para a fusão entre Kepler Weber e GSI

22/12/2025
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Há uma série de arestas que ainda precisam ser aparadas para a eventual fusão entre a Kepler Weber e a norte-americana GSI. Além de divergências em relação à estrutura de capital da nova empresa – conforme já informou o RR, um ponto de impasse é a possibilidade de saída do Novo Mercado. Há informações de que a dona da GSI, a Grain & Protein Technologies (GPT), por sua vez controlada pelo fundo AIP, defende até mesmo o fechamento de capital da companhia. A proposta não teria a simpatia da família Heller, segunda principal acionista da Kepler Weber, com 11,5% – atrás apenas da Trígono Capital (15,3%). Os dois lados precisam ainda acertar os ponteiros sobre a engenharia para uma eventual saída do capital. A proposta em discussão passaria por dois caminhos distintos para os acionistas da Kepler Weber: uma alternativa integralmente em caixa, com preço fechado no signing, e outra combinando caixa com participação na companhia resultante da fusão. O problema é que esse segundo cenário embute riscos que parte relevante dos investidores não está disposta a assumir: exposição a um controlador estrangeiro, horizonte de liquidez indefinido e dependência de uma futura janela de mercado para monetização do equity. Diante de tanta ponta solta, não é de se admirar que os acionistas da Kepler Weber e GSI tenham decidido dar mais tempo ao tempo, estendendo o prazo final para negociação do M&A de 15 de janeiro para 15 de fevereiro.

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