Redação RR - Relatório Reservado

Artigos: Redação RR

JBS desponta como favorita ao leilão do Tecon 10 após decisão do TCU

18/12/2025
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A súbita mudança do posicionamento do TCU em relação ao modelo de concessão do Tecon 10 chacoalhou o setor portuário. Entre os candidatos à licitação do novo terminal de contêineres do Porto de Santos, a guinada da Corte tem sido interpretada como mais uma demonstração do poder de influência e da capacidade dos irmãos Batista de emplacar seus interesses em Brasília. A própria forma como se deu a mudança de postura do TCU tem gerado burburinho no setor portuário. Inicialmente, o ministro Antonio Anastasia, relator do processo, havia votado contra o modelo apresentado pela Antaq para a concessão do Tecon 10. Porém, em uma reviravolta até certo ponto surpreendente, a maioria dos integrantes da Corte não seguiu Anastasia e optou por acompanhar o voto do ministro Bruno Dantas, revisor da matéria, mantendo o formato proposto pela agência reguladora.
O fato é que, aos olhos dos concorrentes, a JBS Terminais foi a principal beneficiada com a decisão, despontando desde já como favorita ao certame. O motivo são as restrições impostas à participação das empresas que já operam terminais de contêineres em Santos. Com a decisão do TCU, MSC, Maersk e CMA CGM estão proibidas de disputar a primeira fase do leilão. Só poderão entrar em uma eventual segunda rodada, caso não haja propostas no certame inicial. A julgar pelo apetite da JBS Terminais, é pouco provável que isso ocorra. O RR encaminhou uma série de perguntas à empresa, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. Também consultado, o TCU limitou-se a dizer que “se manifesta por meio de seus acórdãos”.
Quem consegue parar os irmãos Batista? Joesley e Wesley confabulam com Donald Trump, costuram com Lula e até articulam renúncia de presidente da República, no caso Nicolás Maduro. E assim vão esticando seus tentáculos por múltiplos setores. Após investir R$ 220 milhões no Porto de Itajaí, a JBS vislumbra a oportunidade de fincar bandeira no maior complexo portuário da América Latina. O que está em disputa é talvez a última grande oportunidade de se ocupar uma área no Porto de Santos. No local não há espaço para qualquer outra concessão desta envergadura. Com mais de R$ 6,5 bilhões de investimentos previstos, o Tecon 10 movimentará cerca de 3,5 milhões de TEUs por ano. Significa dizer que a nova estrutura representará sozinha, cerca de 60% da capacidade somada dos outros três terminais de contêineres de Santos (5,3 milhões).
Trata-se também de um movimento estratégico no tabuleiro do setor portuário. Ao avançar sobre o Tecon 10, o grupo dos irmãos Batista poderá deslocar a posição e enfraquecer os chamados operadores verticais, ou seja, os armadores, donos de navio, que também movimentam cargas em um terminal próprio, caso exatamente de MSC, Maersk e CMA CGM.
Em tempo: a decisão do TCU aumenta o risco de judicialização do leilão do Tecon 10. MSC, CMA CGM e Maersk já se movimentam para recorrer aos tribunais na tentativa de participar da licitação em pé de igualdade com os demais concorrentes. Em julho, a própria Maersk tentou suspender judicialmente o processo de concessão, mas teve seu pedido negado. A relação entre as empresas e o TCU também azedou. Na semana passada, Patricio Junior, diretor de investimentos da TiL (Terminal Investment Limited), braço de armazenamento de contêineres da MSC, disse que os votos dos ministros da Corte foram “políticos” e levantou a hipótese da decisão do Tribunal de Contas direcionar o resultado do leilão para “alguém”. Não deu nome aos bois, mas no setor sabe-se a quem ele estava querendo se referir…

#JBS

Após reestruturação, Natulab mira agora em M&As

18/12/2025
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A Natulab está garimpando ativos no setor farmacêutico. Na mira, marcas de medicamentos isentos de prescrição, fitoterápicos e suplementos — com um recorte mais cirúrgico: segundo informações filtradas pelo RR, o laboratório quer reforçar presença em categorias de alto giro e forte tração no balcão, especialmente dor e febre, gripe e resfriado. Trata-se de um segmento com elevada escala, recorrência de consumo e efeito chamariz nas gôndolas, capaz de impulsionar o sell-out de todo o portfólio junto às grandes redes.
Nos últimos anos, a companhia passou por uma reestruturação profunda, primeiro sob o Pátria Investimentos e, desde abril do ano passado, sob a batuta do fundo Pettra, de Ronnie Motta, que assumiu o controle ao encampar uma dívida de R$ 240 milhões. Desde então, Motta e investidores parceiros já aportaram R$ 180 milhões, direcionados à reorganização financeira, alongamento de passivos e recomposição de capital de giro — movimentos que devolveram previsibilidade ao caixa e fôlego operacional à empresa.
Com a casa arrumada, a Natulab passou a operar com alavancagem mais controlada, retomou geração de caixa e voltou a discutir crescimento orgânico e inorgânico de forma estruturada. A companhia conta hoje com plataforma industrial própria, capacidade de integração de marcas e uma malha de distribuição que alcança o varejo farmacêutico nacional — atributos que reduzem o risco de aquisições e aceleram captura de sinergias. Os resultados começam a aparecer. Neste ano, a Natulab deverá faturar cerca de R$ 800 milhões, crescimento de aproximadamente 20% em relação a 2024. O avanço reforça a leitura de que o turnaround entrou em fase madura e abre espaço para um novo ciclo estratégico.

#Natulab

Ruralistas usam agrotóxico para “matar” Anvisa e Ibama

18/12/2025
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O agronegócio trabalha para enfraquecer ainda mais o já esmaecido poder de Marina Silva à frente do Ministério do Meio Ambiente. A bancada ruralista pressiona o governo com o objetivo de esvaziar a influência do Ibama e também da Anvisa no processo de registro de defensivos agrícolas. O objetivo é concentrar o poder decisório no Ministério da Agricultura, onde os interesses do agro costumam ter eco. Os ruralistas já conquistaram hectares de terreno nessa matéria. Com a regulamentação do “PL dos Agrotóxicos”, aprovada em junho deste ano, todos os pedidos de registro devem ser feitos exclusivamente no sistema eletrônico da Pasta da Agricultura. Até então o requerimento tinha de ser submetido também ao Ibama e à Anvisa. Ainda assim, a análise técnica dos pedidos continua sob responsabilidade tripartite, a cargo do instituto ambiental, da agência reguladora da área de saúde e do próprio Ministério da Agricultura. O objetivo do agronegócio é que o peso do Ibama e da Anvisa nesse processo seja ainda menor e que a Pasta da Agricultura tenha sempre a palavra final para a aprovação das solicitações. Ou seja: o intuito dos ruralistas é neutralizar o poder veto que ainda resta nas mãos dos “inimigos” do agro.
A reação do agronegócio se intensificou nos últimos meses com a publicação de normas e critérios mais rigorosos por parte da Anvisa, sobretudo em avaliações de risco ocupacional e de exposição, e com exigências ambientais que, na prática, alongam prazos e elevam custos regulatórios. O resultado tem sido uma fila de processos mais lenta e imprevisível, justamente em um momento em que a indústria de defensivos busca renovar portfólio e substituir moléculas antigas.

#Anvisa #Ibama

Greve fragiliza recém-chegado presidente dos Correios

18/12/2025
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Há apenas dois meses no cargo, o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, está em baixa no Palácio do Planalto. No entorno do presidente Lula, o entendimento é que Rondon, servidor de carreira do Banco do Brasil, demonstrou fragilidade ao não conseguir conter o movimento grevista na estatal. Os funcionários dos Correios aprovaram na última terça-feira paralisação em sete estados por tempo indeterminado. A decisão dos trabalhadores representa um fator adicional de desgaste para o governo em meio à grave crise financeira da estatal. Durante o processo de sucessão no comando dos Correios, o PT trabalhou por uma indicação interna, apresentando nomes de lideranças sindicalistas. Agora, com a greve, é mais do que provável de que o partido recoloque a questão sobre a mesa.

#Correios

Brazil Potash garimpa investidores para o Projeto Autazes

17/12/2025
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A Brazil Potash mantém conversas com fundos internacionais em busca de um sócio para o Projeto Autazes. Em jogo, a exploração de uma grande jazida de potássio na Amazonas, investimento orçado em mais de US$ 2,5 bilhões. Segundo informações que circulam no mercado, um dos potenciais candidatos ao negócio é a Resource Capital Funds (RCF), fundo americano focado exclusivamente em mineração e metais. Uma das hipóteses cogitadas pela Brazil Potash é montar um consórcio de investidores, no qual poderiam entrar não apenas private equities como também fundos soberanos. A companhia, per si, já é uma torre de babel. Com sede em Toronto, a Brazil Potash é controlada pelo empresário indiano-canadense Stan Bharti, que tem negócios em mineração e fertilizantes não apenas no Canadá, mas também na Mongólia e em países africanos. No final do ano passado, a empresa realizou seu IPO Brazil Potash na Bolsa de Nova York. Os números não foram exatamente superlativos: a empresa levantou US$ 30 milhões. Ainda assim, o Projeto Autazes é um dos maiores investimentos na área de fertilizantes em curso no Brasil e uma das grandes apostas para a redução da dependência de adubo importado. O plano prevê, para a primeira fase, a produção de 2,4 milhões de toneladas de potássio, o que atenderia a 20% da demanda do país pelo produto.

#Brazil Potash

“Carros voadores”: Embraer disputa cada dólar com concorrentes internacionais

17/12/2025
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O RR apurou que a Eve, a fabricante de aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical (eVTOL) da Embraer, avalia uma nova emissão de ações em mercado, com o objetivo de aumentar sua base de investidores internacionais e reduzir a dependência de financiamentos diretos. Segundo informações apuradas pelo RR, a empresa tem feito sondagens junto a grandes private equities e também a fundos soberanos. No total, a Eve já levantou cerca de US$ 1 bilhão, entre empréstimos e aporte de capital. A captação via equity mais recente se deu em agosto, quando a companhia amealhou US$ 230 milhões – desse total, US$ 75 milhões vieram do BNDES. Por sinal, até o momento, o banco é o grande financiador do projeto da Embraer de fabricar seu próprio “carro voador”, como é chamado o eVTOL: entre participação societária e financiamento, o BNDES já desembolsou mais de R$ 1,2 bilhão. Procurada pelo RR, a Embraer não se manifestou.

Em entrevista ao Valor Econômico, na semana passada, o CEO da Eve, Eduardo Couto, fez questão de enfatizar que empresa tem US$ 550 milhões em caixa. Entende-se a sua preocupação. A controlada da Embraer tem sido regularmente questionada pelo mercado em relação ao cronograma de desenvolvimento do eVTOL e à capacidade financeira de tocar um projeto que exige um longo ciclo de investimentos e envolve um dispêndio tão elevado. Um dos principais fatores de  custo é a certificação da aeronave elétrica nos mais diversos países. A pressão sobre a Eve é alimentada também pelo significativo nível de capitalização e competividade alcançado por suas principais concorrentes internacionais. A norte-americana Joby Aviation já levantou cerca de US$ 1,5 bilhão, somando venture capital pré-listagem, ofertas públicas e investimentos estratégicos recentes. Desse total, cerca de US$ 900 milhões foram aportados pela Toyota. A Archer Aviation, também dos Estados Unidos, captou mais de US$ 2 bilhões junto a gigantes como Stellantis, Boeing e United Airlines. Até a alemã Lilium, que esteve perto de quebrar, voltou ao game após receber uma injeção de US$ 210 milhões de um consórcio de investidores.

Segundo a Eve, os pedidos firmes e as cartas de intenção para a compra do eVTOL somam 2,8 mil aeronaves. É mais do que qualquer uma de suas grandes concorrentes internacionais. Ainda assim, o mercado parece estar em compasso de espera em relação à empresa. No ano, a ação acumula uma queda próxima a 10% na Nyse – seu atual market cap é de US$ 1,6 bilhão. Para efeito de comparação, no mesmo período o valor de mercado da Joby Aviation praticamente duplicou, saindo de US$ 7,5 bilhões para US$ 14 bilhões.

#Embraer

BB desponta como uma alavanca do governo para financiar minerais estratégicos

17/12/2025
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O Banco do Brasil, ao que tudo indica, será um importante instrumento do governo para alavancar a produção e, principalmente, o beneficiamento de minérios estratégicos. Vide o primeiro movimento do BB nessa direção. Segundo o RR apurou, antes mesmo do prazo previsto (19 de dezembro), a instituição já bateu a meta de levantar R$ 400 milhões para o BB Ore Régia Minerais Críticos FIC. Trata-se do primeiro FIP (Fundo de Investimento em Participações) lançado pelo banco com o objetivo de financiar empresas e projetos ligados à cadeia de metais estratégicos no Brasil. De acordo com informações filtradas pelo RR, diante da demanda o BB já avalia a possibilidade da montagem de um segundo fundo similar no primeiro semestre de 2026. A gestão do FIP é dividida entre a Régia Capital, plataforma formada por BB Asset e JGP para investimentos sustentáveis, e a Ore Investments, primeira gestora independente do Brasil focada exclusivamente em mineração.

#Banco do Brasil

Mercado publicitário disputa o passe de Carlo Ancelotti

17/12/2025
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O técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti, tem tudo para ser um dos principais garotos-propaganda de 2026. Com a proximidade da Copa do Mundo, o treinador italiano já foi sondado por pelo menos quatro grandes empresas, entre elas duas patrocinadoras da própria CBF, para estrelar campanhas publicitárias no próximo ano. Os contatos são conduzidos por sua esposa, a canadense Mariann Barrena, especialistas em finanças – o que se diz nos bastidores é que Mariann administra a carreira de Ancelotti com mãos de ferro. O técnico já deu uma amostra do que está por vir em 2026 ao protagonizar um anúncio da Amazon Prime Vídeo para a transmissão das finais da Copa do Brasil. Estimativas no mercado indicam que, na Europa, o treinador já chegou a embolsar até cinco milhões de euros em um único ano com contratos de publicidade. Mas Ancelotti tem suas restrições. Nega-se a vincular seu nome a sites de aposta, hoje os maiores anunciantes do marketing esportivo do Planeta, a bebidas alcoólicas e a tabaco, curiosamente sendo ele um inveterado fumante.

#Carlo Ancelotti

Tremor em Minas Gerais vira munição para oposição junto ao TCU

17/12/2025
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No fim do dia de ontem corria nos gabinetes da Câmara a informação de que a bancada mineira da oposição, à frente o sísmico Nikolas Ferreira (PL-MG), pretende acionar o TCU pedindo uma investigação sobre a gestão orçamentária da ANM (Agência Nacional de Mineração). O pano de fundo é o recente tremor de 4.4 na Escala Richter detectado na região de Araxá no último dia 12. A própria agência admitiu que a escassez de verbas compromete o envio de equipes técnicas para avaliar o possível impacto dos abalos sobre estruturas de minas e barragens na região: “É importante destacar que estamos enfrentando um cenário orçamentário desafiador. Essa limitação afeta nossa capacidade de realizar fiscalizações presenciais imediatas”, informou a instituição em nota, dando um prato cheio para Ferreira e aliados. A oposição quer atacar por todos os flancos: mira tanto no governo, pelo contingenciamento de verbas das agências reguladoras, quanto na direção da ANM. O discurso de que o atual comando da entidade falha na gestão dos poucos recursos orçamentários que recebe está na ponta da língua dos parlamentares mineiros.

#Agência Nacional de Mineração

Atlas Lithium e AMG Brasil podem puxar a fila das debêntures incentivadas

16/12/2025
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Corre em petit comitê no setor de mineração que a Atlas Lithium e a AMG Brasil estão entre as empresas que já avaliam a colocação de debêntures incentivadas. As emissões se dariam no âmbito da recém-criada Política de Debêntures para Projetos de Transformação de Minerais Estratégicos para a Transição Energética, que estipulou benefícios fiscais para o lançamento desses papéis. As duas empresas têm investimentos em lítio em Minas Gerais.  No caso da AMG Brasil, a captação teria como foco a construção da planta de conversão para carbonato de lítio. O projeto prevê capacidade de beneficiamento de 15 mil toneladas por ano e com investimento estimado em US$ 250 milhões. Já a Atlas Lithium analisa o uso do instrumento para financiar a etapa que leva do concentrado ao carbonato de lítio no Vale do Jequitinhonha. No total, a empresa já anunciou investimentos de R$ 1 bilhão em Minas Gerais. A Política de Debêntures para Projetos de Transformação de Minerais Estratégicos, anunciada em novembro, prevê que até 49% dos recursos captados podem ser canalizados para as etapas de lavra e desenvolvimento de mina, desde que vinculadas a projetos de transformação mineral. O governo estima que as debêntures incentivadas possam estimular até R$ 5 bilhões por ano em investimentos na exploração e processamento de minérios críticos.

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