Redação RR - Relatório Reservado

Artigos: Redação RR

O que há de tão grave assim nos balanços da Ambipar?

20/05/2026
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A Ambipar está no centro de um tiroteio de especulações no mercado. O novo adiamento da divulgação dos balanços – a empresa não apresenta suas demonstrações desde junho do ano passado – aumentou a desconfiança dos investidores sobre o real estado financeiro da companhia. Entre investidores, circulam rumores de que a causa da nova postergação seriam graves inconsistências contábeis e falhas de compliance que teriam sido flagradas pela auditoria. Dessa forma, os auditores independentes estariam enfrentando dificuldades para validar informações essenciais, como caixa, dívida, covenants financeiros e contingências. No mercado, correm ainda informações de que a Ambipar teria sido obrigada a fazer reclassificações contábeis relevantes e revisar passivos. São especulações que só amplificam a desconfiança dos agentes financeiros em relação à gestão da empresa de Tercio Borlenghi. Procurada pelo RR, a Ambipar não quis comentar o assunto.

Tudo parece depor contra a Ambipar. A demissão de 35 executivos de áreas sensíveis, como financeiro, jurídico, tributário, RI, RH e controladoria, no fim do ano passado, adicionou novas camadas de descrédito e suspeições no mercado. À época, a própria empresa atribuiu as dispensas a “falhas graves na execução das melhores práticas de governança e gestão de riscos”. Que falhas graves foram essas? Tudo é difuso, não dito, o que aumenta a percepção de risco entre os investidores e faz com que as ilações mais corrosivas ganhem eco no mercado.

#Ambipar

Convocação deve engordar conta de Neymar em mais de R$ 150 milhões

20/05/2026
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Enquanto Neymar Jr. festeja a ida à Copa do Mundo, Neymar Pai esfrega as mãos e já faz cálculos da prosperidade que virá a reboque da convocação. Na última segunda-feira, logo após a mise en scène promovida pela CBF no Museu do Amanhã, o que se ouvia à boca miúda de dirigentes da própria entidade é que o jogador já tem dois grandes contratos de publicidade engatilhados, um deles com uma plataforma de bets. Faltava apenas a confirmação da sua presença no Mundial para a assinatura. Agora, não falta mais. Segundo um importante executivo da área de marketing esportivo ouvido pelo RR, a convocação poderá render a Neymar receitas adicionais com publicidade superiores a R$ 150 milhões. Além de novos contratos, a ida à Copa do Mundo deve destravar bonificações de acordos já em vigor, a começar pelo patrocínio da Puma, que rende ao atleta ganhos fixos anuais da ordem de 25 milhões de euros. Há ainda a possibilidade dos “penduricalhos” nas redes sociais. Estima-se que um único post patrocinado endossado pelo camisa 10 custe algo entre US$ 900 mil e US$ 1,2 milhão.

#Neymar

TCU ameaça travar projeto da Transnordestina em Pernambuco

20/05/2026
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Mais um solavanco à vista no caminho da Transnordestina, um dos mais encruados projetos de infraestrutura do Brasil. O TCU ameaça paralisar o processo de construção da ferrovia entre Salgueiro e Suape, em Pernambuco, a cargo do governo federal. O tiro de advertência veio na semana passada, quando o Tribunal de Contas determinou que o Ministério dos Transportes e a Infra S.A. não podem assumir novos compromissos financeiros relacionados às obras enquanto não for sanada uma falha de origem: a ausência de estudos atualizados de viabilidade técnica, econômica e ambiental. Em outras palavras, o governo quer avançar com contratações antes de demonstrar, com base robusta, que o empreendimento faz sentido como obra pública e futura concessão.

  • O trecho Salgueiro-Suape soma 544 km. O investimento previsto gira em torno de R$ 4 bilhões, mas, dentro do próprio Ministério dos Transportes, já se cogita que a conta deve passar dos R$ 5 bilhões – há defasagem dos estudos e da necessidade de atualização de projetos, custos, lotes, cronograma e modelagem. Do traçado previsto, cerca de 179 km — aproximadamente 38% — já teriam sido executados. Esse trecho, não custa lembrar, estava originalmente sob responsabilidade da CSN, mas foi devolvido à União. O ponto central da polêmica no TCU é o EVTEA, o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental. O Tribunal entende que o estudo disponível está defasado — a referência é de 2017 — e não basta para justificar novos desembolsos em um projeto que mudou de natureza, de premissas e de modelagem ao longo dos anos. A Infra S.A. terá de apresentar um plano de ação para concluir um EVTEA atualizado. Até lá, a ordem é evitar que a União avance em novos gastos sem comprovar a pertinência, a vantajosidade socioeconômica e a aderência do projeto ao interesse público.

#Transnordestina

Tratamento de saúde não alterará rotina de campanha de José Dirceu

19/05/2026
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José Dirceu deixou há pouco o Hospital Sírio Libanês. Dirceu fará sessões de quimioterapia de quatro em quatros dias. Ou seja: a princípio, a rotina de tratamento do linfoma diagnosticado na semana passada pouco afetará sua campanha a deputado federal. Pelo relato da equipe médica, composta por Raul Cutait, Roberto Kalil e Celso Arrais., o quadro clínico é animador. Hoje mesmo, ainda no hospital, Dirceu disparou uma série de telefonemas e articulou uma agenda de encontros com lideranças petistas de São Paulo para os próximos dias. Além da sua própria candidatura à Câmara, a todos com quem conversou fez questão de repetir que mergulhará de cabeça nas campanhas de Lula a presidente de Fernando Haddad ao governo de São Paulo. No PT, há, inclusive, a expectativa de uma visita de Lula a Dirceu nos próximos dias – desde a revelação da doença do ex-ministro, o contato entre ambos se limitou a uma conversa telefônica na noite de ontem. Seria, no mínimo, um gesto generoso do presidente, sobretudo depois de Dirceu ter gravado um vídeo no hospital dizendo que uma de suas missões é trabalhar pela reeleição de Lula.

Governo vai buscar na Petrobras combustível eleitoral para a classe média

19/05/2026
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Vai ter dinheiro para a classe média. Ponto. O lançamento da linha de crédito de R$ 30 bilhões para taxistas e motoristas de aplicativo, programado para hoje, abre uma carreata de medidas que serão anunciadas nas próximas semanas com foco nesse estrato intermediário da população, um miolo no qual as taxas de aprovação de Lula patinam. Para isso, além do já asfixiado orçamento, a equipe econômica quebra a cabeça em busca de recursos para fundear as novas iniciativas. Entre as hipóteses discutidas na Fazenda, uma das ideias que já teria sinal verde do Palácio do Planalto é usar o que exceder o dividendos das estatais previstos no orçamento da União, que podemos considerar como guidance, carimbando esse dinheiro para custear novas “bondades” voltadas às Classes B e C. A proposta ganhou corpo, sobretudo, pela expectativa de um salto nos resultados da Petrobras por conta da disparada dos preços do petróleo. No primeiro trimestre deste ano, a estatal teve um lucro de R$ 32,7 bilhões, uma queda de 7,2% em relação a igual período em 2025. No entanto, cabe dizer que o balanço de janeiro e março ainda não capturou os efeitos da guerra no Irã sobre as cotações do petróleo e, consequentemente, sobre as exportações da companhia. Esse efeito dominó positivo é aguardado para as demonstrações financeiras do segundo trimestre. Com isso, cresce a possibilidade de a empresa pagar a seus acionistas um volume razoavelmente superior à cifra referente ao primeiro trimestre, de R$ 9 bilhões.

O Orçamento federal elaborado para este ano prevê um repasse ao Tesouro de R$ 54 bilhões em dividendos de estatais. Nos primeiros meses do ano, no entanto, a equipe econômica passou a trabalhar com um guidance mais modesto, na casa dos R$ 30 bilhões. A alta do petróleo e seu impacto sobre as contas da Petrobras aumentam a expectativa de aumento dessa cifra – no primeiro trimestre, ressalte-se, a companhia registrou o maior lucro entre todas as petroleiras do mundo, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta. Ressalte-se que a estatal responde, historicamente, por algo entre 55% e 70% da transferência de recursos de empresas públicas para o Tesouro.

Dentro do governo, o cenário atual reforça a percepção de que a Petrobras pode funcionar como combustível para aditivar as medidas para a classe média. A estatal carrega ainda um tanque reserva. A direção da companhia já sinalizou ao mercado que não deverá distribuir dividendos extraordinários no curto prazo, em linha com a estratégia de preservar caixa e sustentar o plano de investimentos. Mas, dependendo das necessidades eleitorais de seu acionista controlador, quem sabe? Isso para não falar da possibilidade de um ganho adicional expressivo de arrecadação. Segundo estimativas do Ibre/FGV, publicadas na edição de ontem do Valor Econômico, com o Brent médio a US$ 90 e dólar a R$ 5,20, a arrecadação bruta adicional da União associada ao setor extrativo mineral poderia chegar a R$ 71 bilhões em 2026. Com o barril a US$ 100, o bônus subiria para R$ 104 bilhões.

Cabe enfatizar que a proposta de uso dos dividendos das estatais leva em consideração o cumprimento do arcabouço fiscal. A equipe econômica está convicta de que conseguirá entregar a meta deste ano, por conta do aumento na arrecadação. Da mesma forma, a ideia é não colocar mais nada no parafiscal, além dos quase R$ 150 bilhões que deverão entrar nesse balaio em 2026, segundo levantamento da Instituição Fiscal Independente (IFI), do Senado. A Fazenda não quer passar a ideia de que os benefícios à classe média serão mais uma artimanha fiscal em nome da reeleição.

Até o momento, o governo Lula fez poucos afagos à classe média. A rigor, a medida de maior impacto foi o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda. No entanto, pesquisas internas que circulam no Palácio do Planalto indicam que a iniciativa não produziu efeito expressivo nos índices de aprovação do governo junto às Classes B e C. A leitura é que uma medida isolada não basta para alterar a percepção desse eleitorado. No entorno de Lula existe a convicção de que é necessário montar um feixe de iniciativas, uma massa crítica de benefícios capaz de ser percebida no dia a dia por essa parcela da população. E elas virão em maior escala. Uma das propostas em estudo envolve o Reforma Casa Brasil, linha operada pela Caixa para financiar reformas, ampliações e adequações em imóveis urbanos. No início do mês, o programa foi ampliado: o limite para a renda familiar dos beneficiados passou de R$ 9,6 mil para R$ 13 mil, e o teto para os empréstimos subiu de R$ 30 mil para R$ 50 mil. Agora, a equipe econômica pretende ampliar o funding. Outra “bondade” em pauta é a ampliação da Bolsa Integral no Programa Universidade para Todos (ProUni). Hoje, apenas estudantes de famílias com renda de até 1,5 salário-mínimo têm direito a financiar 100% do valor de mensalidade. A ideia é elevar esse sarrafo para 3,5 salários-mínimos.

Consequentemente, a faixa dos beneficiários com crédito de 50% (hoje exatamente de 3,5 salários) também deverá subir alguns degraus. Ainda não se tem ideia do impacto da revelação das conversas entre Flavio Bolsonaro e Daniel Vorcaro sobre o candidato do PL. Talvez seja o início de um processo de erosão da candidatura de Flavio; talvez não provoque sequer uma ranhura na sua popularidade. O fato é que o cenário atual é preocupante para Lula. As pesquisas mostram que a eleição será decidida no photochart. Assim como foi em 2022, quando Lula bateu Jair Bolsonaro por apenas 1,8 ponto percentual. Assim como foi em 2014, quando Dilma Rousseff derrotou Aécio Neves por três pontos percentuais. Se os Estados Unidos têm os chamados “estados-pêndulo”, o Brasil tem eleitores pendulares. Trata-se de um grupamento não ideológico, sem carteirinha no fã clube da polarização, que se mexe levemente do centro para a direita ou para a esquerda em razão das circunstâncias de momento. Proporcionalmente, são poucos, mas capazes de decidir a eleição. Esse contingente está majoritariamente concentrado na classe média. É sobre esses eleitores que tanto Lula quanto Flavio terão de avançar para atrair o pêndulo para o seu lado. Qual é esse intervalo de oscilação? Na mais recente pesquisa Meio/Ideia, 27,2% dos que declararam voto em Lula disseram que ainda podem mudar de candidato. No caso de Flavio, o risco de volatilidade é maior – 43,1% de seus eleitores afirmaram que podem virar casaca. É sobre esses que o governo Lula vai despejar seus “Vale IR”, “Vale Casa”, “Vale Gás”, “Vale Obra” etc.

#Petrobras

Novo fundo da DNA Capital vai além das healthtechs de vitrine

19/05/2026
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A DNA Capital, da família Bueno, pretende usar seu novo fundo de saúde para avançar sobre uma fronteira ainda pouco explorada no Brasil: empresas com soluções para atacar ineficiências operacionais do setor, e não apenas healthtechs de vitrine. A gestora, que captou R$ 300 milhões, olha com especial atenção para negócios capazes de reduzir desperdícios em hospitais, operadoras, clínicas e laboratórios. Segundo informações que circulam no mercado, entram nesse radar plataformas de inteligência artificial para autorização de procedimentos, auditoria de contas médicas, faturamento, regulação, agendamento, gestão de filas, prontuário, prescrição digital e redução de glosas. Também há apetite por modelos ligados a cuidado domiciliar, atenção primária, saúde corporativa e monitoramento de pacientes crônicos.

A leitura da DNA é que o próximo ciclo de valor na saúde não virá apenas da digitalização da relação médico-paciente, mas da reorganização dos bastidores do sistema — justamente onde se concentram custos, retrabalho e perda de margem. O fundo do family office dos Bueno deve mirar companhias em estágio Série A e B, com cheques entre R$ 30 milhões e R$ 80 milhões. Em um setor pressionado por sinistralidade, judicialização, envelhecimento da população e crise de grupos listados, a gestora vê uma janela para comprar crescimento com desconto e ajudar a construir plataformas mais eficientes.

#DNA Capital

Enel lança estratégia para garantir sobrevida em SP até as eleições

19/05/2026
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Todos os esforços da Enel estão voltados a atravessar o “Rubicão eleitoral”. Segundo informações filtradas pelo RR, a ordem no grupo italiano é usar de todos os expedientes possíveis no âmbito administrativo e, se necessário, judicial para garantir a sobrevida da concessão da distribuidora em São Paulo até o pleito de outubro. O primeiro movimento nessa direção foi o pedido à Aneel de contratação de uma perícia independente no processo que pode levar à revogação da concessão. O objetivo é esvaziar a base construída pela agência reguladora para sustentar a eventual perda da licença, alegando que o órgão usou critérios sem previsão regulatória clara. É só o começo. O que se diz nos bastidores é que os próximos passos já estão traçados: os italianos vão pedir produção de novas provas, questionar a metodologia da Aneel, contestar indicadores de continuidade e atendimento, atribuir parte das falhas a eventos climáticos extremos, alegar ausência de isonomia em relação a outras distribuidoras, entre outros expedientes para ganhar tempo. Isso apenas no âmbito administrativo. A possibilidade de judicialização é amplamente discutida na empresa.

A Enel joga suas últimas fichas na hipótese de que, passado o calor das urnas, a pressão política pela caducidade da licença da distribuidora paulista possa arrefecer. Hoje, a distribuidora paulista não enfrenta apenas um processo técnico na Aneel; enfrenta uma guerra política em pleno ano eleitoral. O governador Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes transformaram a qualidade do serviço da companhia em vitrine de cobrança pública. Depois da decisão da Aneel de abrir o processo que pode levar à caducidade da concessão, ambos comemoraram o avanço do caso. O governador chegou a afirmar que a renovação do contrato da Enel seria uma “agressão” à população paulista; o prefeito, por sua vez, tem reiterado que os consumidores estão exaustos com a incapacidade da empresa de prestar um serviço digno. São frases boas de serem ditas em ano de eleição, sem entrar no mérito da qualidade – ou falta dela – dos serviços prestados pela empresa de energia. A distribuidora virou, na prática, o ponto de convergência entre três agendas: a pressão dos usuários depois dos apagões, a disputa institucional sobre a responsabilidade pela concessão e o cálculo eleitoral de quem não quer chegar às urnas associado à leniência com a empresa. É nesse tabuleiro que a Enel tenta ganhar tempo. 

 

#Enel

Governo Lula abre a porteira e deixa a boiada do “Dia do Agro” passar

19/05/2026
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O Palácio do Planalto baixou as lanças da articulação política — já bastante enferrujadas — e decidiu não comprar uma guerra aberta com a bancada ruralista na votação do pacotão do agro prevista para hoje no Congresso. Segundo informações que circularam no início da noite em Brasília, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, passou o dia de ontem em contatos com líderes da base aliada para evitar uma ofensiva governista contra as propostas que serão apreciadas hoje. Ainda ontem, havia focos de resistência no próprio PT e no PSOL. No Palácio do Planalto, o entendimento é que qualquer enfrentamento apenas servirá para colar no governo Lula mais uma derrota no parlamento. O caso mais sensível é o PL 5122/2023, em tramitação no Senado, sob relatoria de Renan Calheiros.

O texto autoriza o uso de até R$ 30 bilhões do Fundo Social do Pré-Sal para criar uma linha especial de financiamento a produtores rurais atingidos por eventos climáticos. O dinheiro poderá ser usado para quitar dívidas de crédito rural, empréstimos e Cédulas de Produto Rural contratados até 30 de junho de 2025, com prazos de até dez anos — ou até 15 anos em casos especiais. O projeto também suspende cobranças e execuções das dívidas enquadradas durante o período de contratação. A equipe econômica chegou a trabalhar no Congresso na tentativa de brecar a aprovação. Provavelmente gastou cordas vocais à toa. O cálculo do Planalto é pragmático. Em ano eleitoral, Lula não quer oferecer à oposição a imagem de um governo votando contra produtores endividados. O resultado é que, no “Dia do Agro”, como a sessão de hoje no Congresso é chamada pela bancada ruralista, a Frente Parlamentar da Agricultura vai ditar a música.

Na Câmara, a ofensiva ruralista inclui o PL 2951/2024, que moderniza o seguro rural e amplia a cobertura para prejuízos causados por fenômenos naturais, pragas, doenças, danos a máquinas, galpões e animais. Também estão na pauta de hoje o PL 5900/2025, que amplia o peso do Ministério da Agricultura na análise econômica de normas que afetem o setor; o PL 2827/2025, sobre Imposto de Renda em arrendamento rural; o PLP 34/2026, de ajustes em incentivos ao agro; e o PL 3123/2025, que cria o Sistema Nacional de Gestão de Risco de Crédito Rural.

#Agronegócio

Planos de M&A voltam à cartilha da Vitru

18/05/2026
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Corre no mercado que a Vitru retomou conversas com outros grupos do setor de educação para uma para uma possível fusão. Do outro lado da mesa, estariam nomes como Cruzeiro do Sul e Yduqs. Há cerca de dois anos, a empresa iniciou um movimento na mesma direção, mas as conversas não prosperaram. A tese do M&A voltou a ganhar tração à luz de fatores conjunturais. A empresa opera em um ambiente mais duro: juros altos, competição intensa no EAD, maior exigência regulatória e necessidade de capital para expansão presencial. Recentemente a companhia fez um follow-on de aproximadamente R$ 177 milhões, operação que reforçou o caixa, mas, aos olhos do mercado, não eliminou a pressão por escala e desalavancagem. Uma associação com Cruzeiro do Sul ou Yduqs poderia trazer escala e maior fôlego para enfrentar a transição regulatória do EAD.

Dona da Uniasselvi e da UniCesumar, a Vitru é um dos players mais cobiçados do setor. Tem ativos relevantes em ensino digital e presença crescente no segmento de medicina. Com quase um milhão de alunos, é uma empresa conhecida no mercado por ter uma gestão bem azeitada. No primeiro trimestre de 2026, registrou receita líquida de R$ 579,2 milhões, alta de 6,1% sobre o mesmo período do ano anterior. O Ebitda ajustado somou R$ 235,1 milhões, avanço de 16%, com margem de 40,6%. O lucro líquido ajustado chegou a R$ 91,8 milhões, crescimento de 24%.

Flavio e Vorcaro: se Brasil e EUA quiserem, dá para prender muito mais gente

18/05/2026
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A descoberta das relações “fraternais” entre Flavio Bolsonaro e Daniel Vorcaro caiu dos céus para Lula. Além do potencial impacto eleitoral, o caso dá ao governo brasileiro um fato político, institucional e policial para acelerar as negociações com os Estados Unidos em torno de um acordo de cooperação envolvendo paraísos fiscais. Conforme o RR informou (Leia aqui), a proposta em discussão com autoridades norte-americanas prevê que jurisdições de baixa transparência e suas respectivas instituições financeiras passem a disponibilizar “…prevê que jurisdições de baixa transparência e suas respectivas instituições financeiras passem a disponibilizar, em regime de intercâmbio de informações, dados sobre contas numeradas, beneficiários finais, offshores e estruturas societárias. A questão foi tratada no recente encontro entre Lula e Donald Trump na Casa Branca. O objetivo é cavoucar as trincheiras do crime organizado e trazer à luz a imensa rede de túneis subterrâneos por onde o dinheiro ilícito circula mundo afora. Ou seja: o imenso ervanário oriundo do tráfico internacional de drogas e de armas, milícias, jogo ilegal, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro por fintechs e congêneres etc.

Seja pelos personagens envolvidos, seja pelo que ainda pode vir à tona, o repasse de recursos de Daniel Vorcaro para o clã Bolsonaro dá materialidade policial às negociações diplomáticas com os Estados Unidos para essa ofensiva contra o dinheiro do crime organizado. O governo brasileiro passou a ter nas mãos um caso concreto, rumoroso e de notório impacto, que envolve um pré-candidato à Presidência da República e filho de um ex-presidente e o banqueiro responsável pelo que já pode ser considerado a maior fraude financeira da história do Brasil. Mais do que isso: o episódio em questão envolve diretamente os Estados Unidos. O dinheiro suplicado por Flavio e repassado por Vorcaro – até onde se sabe R$ 61 milhões para supostamente financiar o filme-exaltação “Dark Horse” – deixou um rastro que sai do Brasil e risca o solo norte-americano. Segundo as investigações da Polícia Federal, o pagamento foi efetuado pela Entre Investimentos, ligada ao ex-controlador do finado Master. Parte dos recursos foi repassada ao Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas. De acordo com a PF, o gestor legal do fundo é Paulo Calixto, advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro.

Calixto assessora Eduardo em articulações políticas e jurídicas nos Estados Unidos, além de atuar como representante do Instituto Liberdade, registrada no mesmo endereço onde estão a sede do Havengate e do seu escritório de advocacia. É tudo tão óbvio e escancarado que das duas uma: ou denota um certo amadorismo ou uma convicção de impunidade.
Ao que tudo indica, há outros “cavalos pretos” cavalgando nesse pasto, que não apenas a película em tributo a Jair Bolsonaro. A PF suspeita que uma parcela do ervanário repassado por Daniel Vorcaro a título de financiamento do filme tenha sido usada para custear as despesas de Eduardo e de sua família, que vivem um confortável autoexílio nos Estados Unidos. Ou seja: é dinheiro desviado em cima de dinheiro desviado, crime em cima de crime. O fato é que todo esse road map automaticamente transforma a investigação em uma questão bilateral. É o clássico “follow the money”, que investigações conjuntas entre autoridades do Brasil e dos Estados Unidos. É um bom ponto de partida para os dois países puxarem o fio da meada da lavagem de dinheiro internacional em paraísos fiscais. Caso as investigações da PF estejam no caminho certo, o episódio Flavio/Vorcaro mostra que o problema não está apenas em offshores clássicas no Caribe, mas também em fundos, bancos, contratos, sociedades de investimento e escritórios localizados sob jurisdição norte-americana. (Ver listas de paraísos fiscais ao fim desta matéria).

Esse é um ponto sensível, que favorece o Brasil. As investigações sobre Flavio Bolsonaro e Daniel Vorcaro abrem um espaço delicado para Washigton, ao expor que os Estados Unidos também têm sua culpa no cartório da lavagem de dinheiro. Ao mesmo tempo de que dispõe de instrumentos poderosos de rastreamento financeiro e influência sobre o sistema bancário global, o país abriga suas zonas de opacidade, como Delaware, Dakota do Sul e Nevada. Os três estados são apontados como jurisdições com características típicas de paraísos fiscais. Delaware por exemplo, estado facilita a criação de LLCs e empresas com baixa exigência de identificação pública dos beneficiários finais. Por isso, é amplamente usado para holdings, trusts e estruturas patrimoniais. Embora não seja um paraíso fiscal clássico de baixa tributação, como Cayman ou Bahamas, funciona como uma praça de anonimato corporativo.

Há um agravante doméstico que aproxima o caso Master do submundo que o governo Lula pretende jogar na mesa com Washington. Segundo a Polícia Federal, as investigações sobre Daniel Vorcaro e seu entorno identificaram suspeitas de vínculos com operadores do jogo do bicho e milicianos no Rio de Janeiro. O nome de Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-controlador do Master, aparece nesse contexto como peça relevante das apurações. A PF já havia apontado que Daniel teria usado uma conta ligada ao pai para ocultar cerca de R$ 2,2 bilhões de credores e vítimas do banco. Agora, as suspeições sobre conexões com contraventores e grupos milicianos reforçam a leitura de que o caso extrapola a fraude bancária e encosta no circuito mais amplo de lavagem, coerção privada, fundos de investimento, operadores financeiros e crime organizado. É exatamente esse ecossistema — meio banco, meio fundo, meio política, meio contravenção — que o Planalto quer transformar em argumento para uma ofensiva bilateral contra fluxos financeiros subterrâneos.

Para o governo Lula, o caso Flavio/Vorcaro tem um efeito Bombril, com suas mil e uma utilidades. Flávio Bolsonaro é a ponta solta que apareceu em ótima hora. O descortinamento da relação com o “irmãozinho” Vorcaro é a primeira grande crise da campanha de Flavio à Presidência da República. Mas não é apenas o clã Bolsonaro que está sob risco. A avaliação em Brasília é que o caso pode ajudar a iluminar um circuito muito mais amplo: fundos estrangeiros, empresas intermediárias, escritórios de advocacia, estruturas opacas, bancos com baixa transparência e veículos usados para deslocar recursos entre Brasil e Estados Unidos. Essa é a parte que amedronta a classe política. O Centrão que se segure.

Uma cooperação mais profunda entre os governos brasileiro e norte-americano pode abrir gavetas há muito tempo trancadas. Além de Jair, Flavio, Eduardo e Carlos, a ofensiva pode desbaratar outros “Bolsonaro” que se aninham no Congresso e se valem de arranjos heterodoxos para receber e circular dinheiro, pagar serviços, contratar advogados, financiar campanhas paralelas ou proteger ativos de investigações.

O governo Lula pode ainda auferir outros dividendos políticos desse episódio. Se a investigação avançar, como tudo indica, o caso tem tudo para marcar a ruptura definitiva de Donald Trump com o clã Bolsonaro. A família sempre capitalizou politicamente sua proximidade com o trumpismo. Eduardo Bolsonaro, em especial, fez dessa ponte com Washington um ativo de poder, inclusive na ofensiva contra o STF. Foi nesse contexto que o governo Trump impôs punições a autoridades brasileiras, como a revogação de vistos de Alexandre de Moraes, de aliados no Supremo e de familiares, além das sanções posteriores pela Lei Magnitsky contra Moraes — medidas apresentadas nos EUA como reação à suposta perseguição judicial a Jair Bolsonaro. Mas o cálculo muda de figura se o caso Vorcaro/Flávio deixar de ser uma narrativa de “perseguição política” e passar a ser tratado como fluxo financeiro suspeito dentro do território norte-americano, envolvendo fundo no Texas, advogado ligado ao entorno de Eduardo e eventual uso de estruturas privadas para movimentar dinheiro de origem brasileira. Nesse cenário, o clã Bolsonaro deixaria de ser apenas aliado ideológico incômodo e passaria a representar um problema jurídico e reputacional para Washington.

 

PARAÍSOS FISCAIS
Lista da Receita Federal do Brasil (Instrução Normativa nº 1.037)

O Brasil utiliza o termo “países ou dependências com tributação favorecida” em referência a que tributam a renda a uma alíquota inferior a 17% ou que não permitem acesso a informações sobre a composição societária de empresas.

  • Caribe

Ilhas Cayman, Ilhas Virgens Britânicas (BVI), Bahamas, Barbados, Aruba, Curaçao, Anguilla, Bermudas, Granada, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Turks e Caicos.

  • Europa

Andorra, Gibraltar, Ilha de Man, Ilhas do Canal (Jersey e Guernsey), Liechtenstein, Mônaco, San Marino e Irlanda (que entrou na lista brasileira recentemente).

  • Ásia e Oceania

Hong Kong, Macau, Singapura, Maldivas, Seychelles, Vanuatu, Samoa e Líbano.

  • Américas

Panamá, Belize e Costa Rica.

 

 

O ÍNDEX DA UNIÃO EUROPEIA
A UE foca na cooperação fiscal e transparência. A lista atual de jurisdições não cooperativas inclui 10 nomes:

  • Panamá
  • Rússia
  • Vanuatu
  • Vietnã (Adicionado em 2026)
  • Ilhas Turks e Caicos (Adicionado em 2026)
  • Samoa Americana
  • Guam
  • Palau
  • Anguilla
  • Ilhas Virgens Americanas

 

INDICE DE SIGILO FINANCEIRO (TAX JUSTICE NETWORK)
Diferente das listas oficiais, a ONG Tax Justice Network aponta países que, embora não sejam “paraísos” no sentido clássico de imposto zero, oferecem leis de sigilo que facilitam a evasão fiscal global. Os principais nomes em 2025/2026 são:

  • Estados Unidos (especialmente estados como Delaware, Dakota do Sul e Nevada)
  • Suíça
  • Singapura
  • Hong Kong
  • Luxemburgo

 

#Flavio Bolsonaro

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