Redação RR - Relatório Reservado

Artigos: Redação RR

O intrincado xadrez da sucessão no Ministério da Previdência

23/03/2026
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A sucessão de Wolney Queiroz na Pasta da Previdência tornou-se um movimento sensível para o governo no tabuleiro da reforma ministerial. A iminente saída de Queiroz, que deverá disputar a eleição para a Câmara dos Deputados, se dá no meio da CPI do INSS, que gradativamente está se transmutando na CPI do Master. Some-se o fato de que a Comissão é o isqueiro que a oposição está acendendo nas vestes de Lulinha. Nesse contexto, ao contrário da solução encontrada para a maioria das Pastas, há resistências dentro do Palácio do Planalto em efetivar na cadeira de ministro o atual secretário-executivo, Felipe Cavalcanti e Silva. A avaliação é que ele não tem peso político para suportar o que pode vir pela frente a partir da CPI.

O Palácio do Planalto roda feito biruta, matutando sobre hipóteses aparentemente conflitantes entre si. Há quem entenda que Lula deve convencer Wolney Queiroz (PDT-PE) a seguir no cargo. É o caso do ministro da Casa Civil, Rui Costa. Por outro lado, existem vozes que defendem até mesmo que o governo entregue outro Ministério ao PDT e o retire da Previdência. O argumento é que a presença do partido remete a suspeições que pairam sobre o INSS, sobretudo na gestão de Carlos Lupi.

#Ministério da Previdência

Brasil é pole position no projeto da BYD para a Fórmula-1

20/03/2026
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Os planos da BYD de entrar no automobilismo, notadamente na Fórmula 1 – revelados pela Bloomberg no último dia 11 –, passam obrigatoriamente pelo Brasil. Segundo o RR apurou, o projeto envolve a contratação de um piloto brasileiro. O alvo principal seria o próprio Gabriel Bortoleto, que está em seu segundo ano na categoria e tem contrato com a Audi apenas até o fim desta temporada. Outro nome no radar seria o de Rafael Câmara, piloto da Fórmula 2, que deverá fazer alguns treinos livres pela Ferrari ao longo deste ano. A BYD matura a ideia de ter sua própria equipe de F-1, seja com a aquisição de uma escuderia, seja com a criação de um time do zero. A “BYD Racing” desponta como um projeto de afirmação soberana, como quase tudo que diz respeito a investimentos chineses no mundo. Mais do que uma mera iniciativa esportiva ou empresarial, seria mais uma conquista geoeconômica de Pequim, com a entrada de sua montadora mais conhecida em um seleto clube historicamente dominado pela indústria automobilística europeia, com algumas incursões pontuais de marcas norte-americanas. Procurada pelo RR, a BYD não se manifestou até o fechamento desta matéria.
O Brasil tornou-se peça central na engrenagem de negócios da BYD. O país é o pilar da estratégia global da montadora. Trata-se do segundo maior mercado da companhia, atrás apenas da própria China. No ano passado, a companhia comercializou cerca de 113 mil veículos no Brasil. Seu market share no segmento de automóveis elétricos é de 70%. Esse peso não é apenas comercial. A companhia fez no Brasil uma de suas principais apostas industriais fora da China no país, com a fábrica de Camaçari (BA), projetada para produzir inicialmente 150 mil veículos por ano, com planos de expansão significativa e geração de milhares de empregos.  A operação brasileira também é estratégica como plataforma de exportação para a América Latina, consolidando o país como hub regional da marca.
É nesse contexto que um eventual projeto na Fórmula 1 ganha contornos brasileiros. A lógica é direta: a principal vitrine esportiva da empresa tende a refletir seus mercados prioritários. E, hoje, nenhum país fora da China reúne tanto peso estratégico quanto o Brasil. A presença de um piloto brasileiro — seja Gabriel Bortoleto ou outro nome — funcionaria como extensão natural dessa estratégia, aproximando a marca de seu público mais relevante fora do eixo asiático. Some-se ainda o retorno dos direitos da F-1 ao maior conglomerado de mídia da América Latina, com transmissões tanto na Globo quanto no Sportv.

Durigan inicia “estágio” para ser o possível ministro da Fazenda do Lula IV

20/03/2026
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Dario Durigan, confirmado ontem pelo presidente Lula como o substituto de Fernando Haddad, assume o Ministério da Fazenda como um “interino” de si próprio. No Palácio do Planalto, já se aventa a possibilidade de Durigan seguir no cargo a partir de 2027, na hipótese de Lula ser reeleito para a Presidência da República. Nesse caso, significa dizer que o seu mandato-tampão até dezembro seria uma espécie de estágio, um teste para medir a sua capacidade de eventualmente comandar a economia no quarto mandato de Lula, desta vez não como “ministro provisório”, mas, sim, em uma posição definitiva no cargo. A (re)nomeação em 2027 seria também um agrado a Haddad, que tem sido um cordeiro sacrificado pelo PT e pelo próprio presidente da República, sem o reconhecimento de que defende como um lobo o partido no qual milita. Desde já, o Planalto vislumbra que Lula terá de fazer uma reorganização de cargos na Fazenda caso venha a ser reeleito. Ou seja: em maior ou menor medida, haverá uma cota de novatos na Pasta. A presença de um ministro já conhecedor da máquina e da política econômica no atual mandato seria fundamental para fazer a roda girar logo no início do Lula IV. Esse é um dos argumentos fortes de Haddad, até porque nos planos que vazam da Fazenda o script seria o seguinte: o petista perde a eleição para o governo de São Paulo, e Lula ganha o certame para a Presidência da República; Haddad, então, vai para a Casa Civil em 2027 e, com isso, favorece tremendamente o trabalho de Duringan; os dois juntos fortalecem a musculatura para manter o mais intacta possível a atual equipe econômica.

Nos últimos meses, já antevendo que teria de ir para o sacrifício com a disputa à revelia em uma eleição em São Paulo na qual já ingressa tosquiado, Fernando Haddad passou a delegar ao seu braço direito um número cada vez maior de responsabilidades, seja em questões internas dentro da Fazenda, seja na articulação com o Congresso para a aprovação de pautas do interesse do governo. Do ponto de vista do perfil, Dario Duringan é eminentemente técnico, praticamente o “Posto Ipiranga” de Haddad. O respeito que angariou junto a parlamentares é considerado o seu principal handicap para eventualmente seguir à frente da Fazenda em 2027.

Considerado um fiscalista convicto, quase solitário dentro do governo, mas não um ortodoxo, Dario Durigan tem participação direta na formulação das estratégias de ajuste das contas públicas e na implementação do arcabouço fiscal, que substituiu o antigo teto de gastos. Seu perfil técnico e sua familiaridade com os números do Tesouro são frequentemente citados por integrantes da equipe econômica como ativos relevantes. O “estágio” ministerial até o fim deste ano permitirá ao governo observar o quanto realmente pesam na balança fatores que, a valor presente, são vistos como empecilhos à permanência de Durigan como ministro da Fazenda. O principal deles é a falta de estatura política para o cargo. Essa é a visão compartilhada no entorno de Lula, notadamente entre os ministros Rui Costa e Gleisi Hoffmann. De fato, o atual secretário-executivo da Fazenda está alguns degraus abaixo do seu chefe imediato. Goste-se ou não, Haddad carrega uma sólida trajetória política. Até prova em contrário, é o primeiro na linha sucessória petista para disputar a eleição presidencial em 2030. Mesmo a boa aceitação de Durigan entre parlamentares, pode ser passageira. Uma coisa é ser o secretário-executivo da Fazenda; a outra é ser o ministro da Fazenda. Durigan, nesse caso, deixaria para trás as vestes de emissário e passaria a ser o alvo do Congresso. Para não falar do fogo amigo dentro do próprio governo. Vai que Rui Costa segue à frente da Casa Civil…

O desenho do projeto reflete a tentativa de viabilizar economicamente ativos de menor atratividade. Os contratos devem ter prazos superiores a 30 anos e combinar receitas tarifárias com contraprestações públicas, em um modelo híbrido de concessão e PPP. Na prática, o Estado terá de entrar com subsídios relevantes para garantir a sustentabilidade financeira dos empreendimentos, especialmente em municípios com baixa densidade populacional e menor capacidade de pagamento. Outra frente em discussão é a inclusão de serviços de drenagem e manejo de águas pluviais, o que amplia o escopo dos contratos e, consequentemente, o volume total de investimentos. Ao mesmo tempo, aumenta a complexidade operacional e o risco de execução dos projetos.

 

#Ministério da Fazenda

Porto eleva exigências à Oncoclínicas para mitigar “Risco Master“

20/03/2026
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A negociação entre a Porto e a Oncoclínicas é revestida de camadas adicionais de salvaguardas e cláusulas de proteção. Segundo uma fonte a par das tratativas, a seguradora está impondo um rigoroso conjunto condicionalidades para fechar o aporte de R$ 1 bilhão na empresa de medicina. No centro das exigências está o reforço das chamadas cláusulas de Material Adverse Change (MAC). Na prática, a Porto busca garantir o direito de desistir da transação caso haja deterioração relevante nas condições financeiras, operacionais ou reputacionais da Oncoclínicas até o fechamento do negócio. O escopo dessas cláusulas inclui, segundo apurou o RR, eventuais desdobramentos de investigações que possam atingir a companhia, direta ou indiretamente. Há ainda a previsão de mecanismos de indenização e retenção de recursos. Parte do valor a ser aportado pela Porto poderá ficar vinculada a contas de garantia (escrow), funcionando como colchão para eventuais perdas futuras decorrentes de passivos não mapeados. É o que, à mesa de negociações, é chamado informalmente de mitigação do “Risco Master”. Até o ano passado, o banqueiro Daniel Vorcaro era um dos principais acionistas da Oncoclínicas, com quase 15% do capital. Consultada pelo RR, a Porto limitou-se a reencaminhar o fato relevante já divulgado ao mercado, com os detalhes financeiros da operação. Perguntada especificamente sobre as condicionalidades impostas para fechar o negócio, a empresa não se manifestou. Também procurada pelo RR, a Oncoclínicas não se pronunciou até o fechamento desta matéria.

#Porto

Governo Tarcísio quer Sabesp como âncora de PPPs no interior

20/03/2026
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Depois de negociar o filé, a Sabesp, a gestão Tarcísio de Freitas trabalha agora para vender o osso, leia-se as concessões de saneamento em áreas não atendidas pela ex-estatal, notadamente no interior do estado. De acordo com informações filtradas do Palácio Bandeirantes o governo paulista pretende lançar o primeiro lote de PPPs ainda neste semestre. Há gestões junto à própria Sabesp para que a companhia entre na disputa. No entendimento dos assessores de Tarcísio, a empresa funcionaria como uma espécie de investidor-âncora, estimulando a entrada de outros players do setor nas licitações. Mais do que isso: para o governo de São Paulo, é como se a Sabesp tenha certas “obrigações” de ordem moral e geográfica dentro do estado. Ao todo, o estado pretende licitar mais de 120 blocos de concessão, com investimentos somados da ordem de R$ 40 bilhões.
O desenho do projeto reflete a tentativa de viabilizar economicamente ativos de menor atratividade. Os contratos devem ter prazos superiores a 30 anos e combinar receitas tarifárias com contraprestações públicas, em um modelo híbrido de concessão e PPP. Na prática, o Estado terá de entrar com subsídios relevantes para garantir a sustentabilidade financeira dos empreendimentos, especialmente em municípios com baixa densidade populacional e menor capacidade de pagamento. Outra frente em discussão é a inclusão de serviços de drenagem e manejo de águas pluviais, o que amplia o escopo dos contratos e, consequentemente, o volume total de investimentos. Ao mesmo tempo, aumenta a complexidade operacional e o risco de execução dos projetos.

#Sabesp

Prefeitos preparam inventário para cobrar União por omissão em desastres

20/03/2026
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Prefeitos de todo o Brasil, reunidos sob a égide da Confederação Nacional de Municípios (CNM), estão juntando munição para elaborar uma espécie de inventário sobre a responsabilidade do governo federal em desastres. A ideia é reunir dados fiscais e operacionais para comparar os gastos assumidos pelos municípios com os recursos destinados pela União a políticas de prevenção e mitigação de riscos climáticos e de tragédias públicas, como enchentes, desabamentos etc. A iniciativa surge como uma resposta ao ministro das Cidades, Jader Filho, que, recentemente, cobrou de estados e municípios maiores investimentos em ações preventivas contra catástrofes. Na avaliação dos alcaides, Jader tentou empurrar a culpa por tragédias para a conta de entes subnacionais. A indignação maior vem de prefeitos de Minas Gerais. A declaração do ministro se deu em meio às enchentes registradas no fim de fevereiro, que resultaram em dezenas de mortes.

O ponto de partida do levantamento deverá ser a dimensão econômica dos desastres no país. Estudo recente do própria CNM indica que os eventos climáticos extremos provocaram prejuízos de aproximadamente R$ 732 bilhões aos municípios brasileiros entre 2013 e 2024, incluindo danos à infraestrutura urbana, perdas econômicas e custos emergenciais de reconstrução. O levantamento também aponta que mais de 94% dos municípios brasileiros já foram afetados por algum tipo de desastre natural na última década, o que reforça o caráter estrutural do problema.

Em 2024, por exemplo, os gastos da União com gestão de riscos e desastres chegaram a cerca de R$ 7 bilhões, impulsionados principalmente por despesas emergenciais de resposta a tragédias climáticas. Já para 2025, estimativas apontam aproximadamente R$ 2,7 bilhões em créditos extraordinários voltados à área, novamente concentrados em ações emergenciais. A leitura dentro da CNM é que o modelo atual privilegia a reação a catástrofes, em vez de fortalecer investimentos estruturais de prevenção.

#Confederação Nacional de Municípios

Bancos pressionam acionistas do Pão de Açúcar por aporte de capital

19/03/2026
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Ainda vai correr muita água até que o Grupo Pão de Açúcar consiga costurar uma solução de consenso com seus principais credores. Segundo o RR apurou, os bancos – à frente Itaú Unibanco, Rabobank e BTG – pressionam os acionistas da rede varejista a realizar um aporte de capital. Do outro lado da mesa, estão a família Coelho Diniz, o investidor ativista Silvio Tini, que se tornou o segundo maior sócio da empresa, e o Casino. Mas este último não conta muito: os franceses, como se sabe, não veem a hora de deixar o Brasil. Na avaliação das instituições financeiras, dificilmente haverá saída para o Pão de Açúcar sem uma injeção de capital. Essa é uma condicionante fundamental para destravar a negociação: até porque os bancos só aceitam falar na hipótese de conversão de dívida em participação acionária depois que os sócios do Pão do Açúcar colocarem as mãos no próprio bolso. Em recuperação extrajudicial, a rede varejista precisa equacionar uma dívida da ordem de R$ 4,5 bilhões.

Com “dívidas” a pagar, governo Lula turbina o Desenrola Brasil

19/03/2026
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A disparada da inadimplência das famílias está no centro do debate econômico – e eleitoral – no governo. O Palácio do Planalto discute a reedição do Desenrola Brasil, o programa de renegociação de dívidas encerrado em maio de 2024. No núcleo político de colaboradores do presidente Lula, a medida é considerada de caráter urgente. O endividamento já atinge 80,2% dos lares brasileiros, o maior patamar histórico. No Palácio já se fala, inclusive, da necessidade de um dispêndio financeiro maior do que o feito para viabilizar o Desenrola Brasil entre 2023 e 2024. Por dispêndio, entenda-se o lastro do Fundo Garantidor de Operações (FGO), instrumento criado para oferecer garantias a operações de crédito, reduzindo o risco de inadimplência para bancos e credores. Na prática, o FGO funciona como um seguro estatal que cobre parte das perdas caso o devedor não pague o empréstimo ou a dívida renegociada. Na primeira edição, o fundo recebeu R$ 8 bilhões em recursos públicos. Agora, a partir de simulações feitas pela Fazenda, já há quem fale no governo até mesmo em dobrar a dose, chegando a R$ 16 bilhões. De onde sairia esse dinheiro? A equipe econômica aventa a possibilidade de lançar essa nova despesa no balaio do parafiscal. A gestão Lula tem usado e abusado desse expediente – desde o início do mandato, os gastos extraorçamentários, portanto não contabilizados para efeito de cumprimento da meta fiscal, já ultrapassam os R$ 350 bilhões. A essa altura, na lógica do governo, R$ 16 bilhões a mais ou a menos não fariam diferença. Ainda mais em ano eleitoral.
A deterioração das famílias brasileiras avança a passos largos. Dados da Serasa Experian indicam que cerca de 73 milhões de brasileiros estão inadimplentes, o equivalente a aproximadamente quatro em cada dez adultos no país. Do enorme contingente de famílias endividadas, aproximadamente 29,6% têm débitos negociados já em atraso, segundo Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Na escala de gravidade do problema, há um estágio ainda pior: 12,6% dessas famílias afirmam que não vão pagar suas dívidas por falta de dinheiro. O comprometimento da renda doméstica com o serviço da dívida também atingiu patamares elevados. Estimativas da CNC indicam que cerca de um terço da renda mensal das famílias é destinado ao pagamento de dívidas, comprimindo o consumo e limitando a capacidade de recuperação da economia.
No mundo real, esses números se traduzem em situações cada vez mais corriqueiras nos lares brasileiros. São pais que trocam filhos de escola por não conseguir pagar; filhos que vêm pais aflitos sem meios de saldar suas dívidas; jovens que adiam o início da vida independente ou voltam a morar com os pais por falta de condições financeiras; aposentados que comprometem parte crescente da renda com empréstimos consignados; casais que vendem bens – um carro, uma moto ou mesmo um imóvel – para quitar dívidas mais urgentes etc. Enfim, são famílias brasileiras amarguradas. Um fel que muito provavelmente será levado para as urnas em outubro. O aumento da inadimplência é um excelente cabo eleitoral para Flavio Bolsonaro.
A situação é ainda mais delicada para o governo porque Lula enfrenta hoje uma escassez de narrativas econômicas capazes de mobilizar o eleitorado. Nem mesmo medidas voltadas à classe média, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, produziram o efeito político esperado, enquanto entre os estratos de renda mais baixa cresce a percepção de aperto no orçamento doméstico. Ou seja: o próprio Lula precisa de um “Desenrola eleitoral”. Aos olhos da população, o governo tem muitas dívidas a pagar…
Um Desenrola Brasil ainda mais vitaminado é a única resposta que o presidente Lula tem à mão para esses brasileiros. Até porque o governo está diante de uma bola de neve. Os cidadãos que se desenrolaram na primeira versão do programa, entre 2023 e 2024, já se reenrolaram. E nem poderia ser diferente. Em maio de 2024, quando o Desenrola Brasil entrou em hibernação, a Selic estava em 10,5%. De lá para cá, a taxa básica de juros bateu em 15%. O juro real na casa dos 9,3% – o segundo maior do mundo, atrás apenas da Rússia – esfola o brasileiro no consignado, no cartão de crédito, no cheque especial, na prestação da geladeira. Não bastassem os fatos, a guerra no Oriente Médio e a perspectiva de que ela não tenha um fim tão próximo mexeram na arquitetura da inflação esperada – que vinha em um ritmo cadente -, na expectativa de redução da Selic, que pode ser postergada pelo menos em parte, e no ritmo do consumo, até então quem vinha carregando um PIB esquálido.
A equipe de Lula tem claro a existência de um trade off: ou o presidente deixa o mercado se ajustar pelas vias normais e perde fôlego eleitoral ou subsidia a renegociação das dívidas de uma população quebrada e torna-se mais competitivo no pleito de outubro. O orçamento parafiscal, que já está mesmo comprometido, é de onde deve ser subtraído o programa de redução do calote popular. Ou alguém ainda tem dúvida?

Um projeto de R$ 27 bilhões sob risco de curto-circuito

19/03/2026
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Um dos maiores investimentos em transição energética já anunciados no Brasil caminha sobre a corda bamba. No mercado, crescem as incertezas em relação ao projeto da Solatio de instalar um complexo de hidrogênio verde no Piauí, estimado em R$ 27 bilhões. As dúvidas não se devem à disposição da empresa em seguir adiante, mas, sim, ao crescente acúmulo de entraves para a execução do empreendimento. O primeiro deles é a fragilidade da infraestrutura de transmissão no Brasil. A planta está ancorada em parques solares no interior do estado, capazes de gerar vários gigawatts para alimentar os eletrolisadores responsáveis pela produção de hidrogênio. Ocorre que a conexão ao Sistema Interligado Nacional vem esbarrando em estudos técnicos que apontam risco de sobrecarga e instabilidade na rede regional. Outro empecilho é de natureza jurídica-ambiental. Em decisão liminar, a 1ª Vara Federal da Seção Judiciária do Piauí determinou a suspensão da licença de instalação do empreendimento, interrompendo o avanço das obras e dos preparativos industriais até que sejam esclarecidos os pontos levantados na ação, movida pelo Ministério Público Federal. Os procuradores sustentam que o licenciamento teria avançado sem estudos ambientais suficientemente detalhados e sem a devida análise sobre o uso de recursos hídricos necessários ao processo de eletrólise.
Em contato exclusivo com o RR, a Solatio admite que “está avaliando alternativas para o projeto, incluindo a redução de escala e a reconfiguração como um complexo de Data Centers Hyperscale”, por conta “de atrasos e restrições técnicas identificadas quanto à conexão à rede do Sistema Interligado Nacional (SIN) na escala originalmente planejada para 2028”. Em relação à questão judicial, a empresa adota um discurso diplomático e diz que “suspendeu imediatamente todas as atividades relacionadas ao projeto de hidrogênio verde e amônia em Parnaíba (PI) assim que tomou conhecimento da manifestação do Ministério Público Federal na primeira metade de 2025”. A Solatio afirma respeitar “integralmente a recente decisão judicial que revogou a licença ambiental do projeto”. Segundo a companhia, “os estudos de licenciamento ambiental para revisão serão conduzidos em estrita conformidade com a legislação aplicável vigente”.

#Solatio

Sabesp reúne artilharia pesada para disputar a privatização da Copasa

19/03/2026
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A Sabesp promete entrar na disputa pela Copasa com munição pesada. A empresa está montando um project finance de alto calibre para a privatização da empresa mineira, prevista para ser concluída até maio. Entre os cenários em análise está a estruturação de operações de capital mais sofisticadas, incluindo novas emissões de dívida ESG e instrumentos híbridos, como bonds subordinados. Esse tipo de captação permitiria à companhia reforçar seu caixa e ampliar seu capex sem pressionar de forma significativa os indicadores de alavancagem — um ponto particularmente sensível diante do plano de investimentos de aproximadamente R$ 70 bilhões até 2029. Outra hipótese sobre a mesa é buscar um novo financiamento junto a agências multilaterais. Em janeiro, a Sabesp fechou uma operação com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Na ocasião, a empresa captou US$ 1,35 bilhão por meio de blue bonds dentro de um modelo conhecido como “A/B loan”. O próprio BID entrou com credor âncora, aportando US$ 150 milhões.

#Copasa #Sabesp

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