Buscar
Política
Talvez seja o caso de se acionar o Ecad diante de “Estrada para o futuro”, o documento que Michel Temer elaborou para os candidatos à Presidência da República. Integrantes do QG de campanha dos principais postulantes ao Palácio do Planalto que já mergulharam no estudo têm tido dificuldades de separar o novo do velho e peneiras consensos que possam ser aproveitados nos respectivos programas de governo. O paper soa como um plágio de outras iniciativas similares, como “Agenda Perdida”, organizado em 2002 pelos economistas Marcos Lisboa e José Alexandre Scheinkman para a campanha de Ciro Gomes, ou mesmo um autoplágio, neste caso ao “Uma ponte para o futuro”, lançado pelo próprio Temer em 2015. Não há demérito algum para os colaboradores dos respectivos trabalhos. Muito pelo contrário. Pensar o Brasil do amanhã é absolutamente essencial, ainda mais tratando-se de um país que abriu mão do planejamento como categoria de Estado. Mas, ao seu cruzar os três documentos, fica patente a superposição de proposições. Ou foi o Brasil que não mudou nada em duas décadas ou documentos como esses tendem a se banalizar pela geleia de sugestões, passando a sensação de peças emboloradas. Do jeito que vai, depois da ponte e da estrada, só falta Temer lançar o “Aeroporto para o futuro”.
Todos os direitos reservados 1966-2026.