Arquivo Notícias - Página 61 de 1963 - Relatório Reservado

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Com Juan Valdez, Colômbia desafia o café brasileiro em sua própria casa

3/02/2026
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A chegada da rede de cafeterias colombiana Juan Valdez ao Brasil – informação antecipada pelo RR (https://relatorioreservado.com.br/noticias/sao-paulo-deve-receber-primeira-cafeteria-da-juan-valdez-no-brasil/) – não deve ser lida apenas como uma decisão empresarial. Nesse cafezal, há também um movimento geoeconômico eivado de simbolismo. Com o desembarque da companhia, a Colômbia passará a ter um cluster para a venda de seu café no território do maior produtor mundial do grão, responsável por atender mais de um terço do consumo global. É quase uma provocação. Não obstante os colombianos terem uma participação menor no comércio mundial de café, inferior a 10%, os dois países são rivais históricos no setor. Controlada pela Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia (Fedecafé), a Juan Valdez é mais do que uma rede de cafeterias: funciona como instrumento de captura de valor e construção de marca-país para o café colombiano, representando centenas de milhares de produtores. A companhia já opera mais de 650 lojas em cerca de 20 países. Ao buscar escala no Brasil, a marca passa a disputar diretamente o consumidor final. E, a julgar pelos números que fervem na xícara, a empresa chega com alto grau de intensidade. Em sociedade com a família Zaher, um dos maiores sobrenomes da educação privada no país, planeja abrir até 300 cafeterias.

#Café #Juan Valdez

Vale desponta como uma peça estratégica no liaison entre Brasil, Arábia e EUA

3/02/2026
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“O conflito global favorece o Brasil em minerais críticos”. A recente declaração do CEO da Vale, Gustavo Pimenta, parece ter sido cuidadosamente calculada, tanto em relação ao lócus, sob os holofotes de Davos, quanto ao timing. A companhia é vista dentro do próprio governo como peça fundamental para a materialização do acordo firmado, há cerca de duas semanas, entre Brasil e Arábia Saudita para projetos conjuntos em minérios estratégicos. Caberia à empresa encabeçar os investimentos na extração de minerais voltados à transição energética. Todos os caminhos levam à Vale. A começar pelo vínculo societário já existentes entre a mineradora e Riad. Os árabes são sócios da Vale Base Metals, o braço de não-ferrosos da companhia, com 13% do capital. Significa dizer que o PIF, o colossal fundo soberano com mais de US$ 1 trilhão em ativos, e a Ma’aden, mineradora pertencente à família real, já têm um pé não apenas na Vale, mas no subsolo brasileiro. Ou seja: o acordo bilateral assinado durante a visita do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, à Arábia em meados de janeiro não começaria do zero. Já teria como ponto de partida os ativos da mineradora brasileira em cobre (Salobo e Sossego) e níquel (Onça Puma). A partir daí, essa aliança tripartite poderia derivar para outros negócios, como terras raras, lítio e – por que não? – até mesmo minerais nucelares, como urânio e tório. Procurada pelo RR, a Vale não se pronunciou.

Não é de hoje, ressalte-se, que o próprio Palácio do Planalto enxerga na Vale o front para liderar projetos na produção de minérios estratégicos. Não só o Palácio do Planalto como investidores mais ariscos, que buscam frestas de entrada na companhia, como, por exemplo,  André Esteves – ver RR. Curiosamente, a Arábia Saudita surge como a alavanca capaz de empurrar a mineradora nessa direção. Mais do que isso: os sauditas entram em cena trazendo a reboque sua singular e valiosa posição no tabuleiro geopolítico. Onde está escrito Riad, leia-se também Washington. Onde está escrito Mohamed bin Salman, príncipe herdeiro e primeiro-ministro do país asiático, leia-se também Donald Trump. A Arábia Saudita é uma aliada histórico dos Estados Unidos, com relações estratégicas profundas, sobretudo, na área de Defesa. Nenhum movimento dos sauditas no âmbito internacional é feito de costas para os norte-americanos.

Ao entrar como investidor e parceiro em projetos de minerais críticos no Brasil, a Arábia ofereceria uma solução que tende a ser vista com bons olhos pela Casa Branca. É notório, sabido, declarado e propalado o interesse de Donald Trump por terras raras e pelos minerais nucleares do Brasil. O acesso preferencial dos norte-americanos a essas riquezas é um ponto central das tratativas bilaterais para o equacionamento definitivo do tarifaço imposto pelo governo Trump. Nesse cenário, a Arábia Saudita seria um elemento de equilíbrio, um vértice importante de um triângulo mineral. Washington tem acelerado iniciativas explícitas para ganhar terreno na sua disputa particular com a China por minerais críticos. Ontem, por sinal, Trump anunciou o “Project Vault”, um investimento de US$ 12 bilhões para montar uma reserva de minérios estratégicos. O plano norte-americano é financiar grandes estoques de minerais para montadoras, empresas de tecnologia e outros fabricantes.

Nesse ambiente, uma rota Brasil–Vale–Arábia pode soar palatável aos EUA: seria um antídoto a uma captura chinesa de suprimento. A própria associação já existente entre a Arábia e a mineradora brasileira seria um facilitador e um atalho para dar forma a esse arranjo mínero-geopolítico. A parceria soberana firmada entre os dois países poderia se dar, por exemplo, mediante um aumento de capital do FIP e da Ma’aden na Vale Base Metals.

#Vale do Rio Doce

Em meio à recuperação judicial, 2W entra no radar da Lumina

3/02/2026
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Corre à boca miúda no setor elétrico que a Lumina Capital Management mantém conversas com a 2W Ecobank. Em pauta um possível aporte de capital na empresa de energia. Trata-se de uma special situation bem ao gosto da gestora de Daniel Goldberg, Fernando Chica e cia. A 2W enfrenta uma recuperação judicial, com dúvidas superiores a R$ 2 bilhões. Entre os maiores credores estão Credit Suisse, BTG e Sumitomo. A empresa nasceu como uma comercializadora de energia e posteriormente montou um portfólio de projetos em geração eólica. A Lumina, ressalte-se, está capitalizadíssima para fazer o que faz de melhor: buscar ativos estressados. No fim do ano, a gestora conclui a captação de seu terceiro fundo, levantando US$ 1,5 bilhão. O setor de energia renovável é um prato cheio: está povoado de empresas que sofrem os efeitos perversos do curtailment, os cortes obrigatórios de geração de energia impostos pelo ONS.

#2W #Lumina

Fávaro mira Japão e Coreia com um olho na balança comercial e outro nas urnas

3/02/2026
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O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, tem mantido uma intensa rotina de conversas com autoridades diplomáticas do Japão e da Coreia do Sul em Brasília. O objetivo é fechar até o fim de fevereiro um acordo para a retomada dos embarques de carne bovina para os dois países. Trata-se de um tema que pesa em duas balanças: na comercial e na eleitoral. Para o agronegócio brasileiro, a abertura dos mercados japonês e sul-coreano é tida como fundamental para mitigar o impacto das restrições impostas por Pequim à carne bovina brasileira. Estima-se que a queda das exportações para a China em 2026 será da ordem de 600 mil toneladas, ou seja, o equivalente a mais de um terço dos embarques realizados no ano passado. É um osso duro de roer que precisará ser compensando mediante acordos comerciais em outras latitudes. Ao mesmo tempo, Fávaro trata o assunto como uma última grande missão à frente da Pasta e um ativo eleitoral – o ministro será candidato ao Senado pelo Mato Grosso.

No Japão, onde o Brasil busca autorização para exportar carne bovina há mais de duas décadas, o ministro tem articulado avanços técnicos e sanitários com autoridades japonesas e importadores, apoiado na certificação de que o país inteiro é livre de febre aftosa sem vacinação, condição essencial para a abertura definitiva do mercado. Paralelamente, interlocutores do governo apontam que a pauta com a Coreia do Sul também tem avançado em conversas técnicas, inclusive com foco não apenas em carne bovina, mas no fortalecimento de protocolos sanitários e cooperação técnica que podem abrir espaço para proteínas brasileiras em Seul.

#Carlos Fávaro

Saída de nº 2 do Ministério embaralha sucessão de Alexandre Silveira

3/02/2026
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O pedido de exoneração do cargo do secretário-executivo da Pasta de Minas e Energia, Arthur Valério, embaralhou a sucessão do próprio ministro Alexandre Silveira. Valério, que decidiu sair do governo para atuar na advocacia privada, era tido como pule de dez para assumir o lugar de Silveira. O ministro deverá deixar a função em abril para disputar a eleição ao Senado. Braço direito de Silveira, o então nº 2 do Ministério sempre se notabilizou-se pelo bom trânsito junto ao Congresso e às empresas de energia. Deixa uma lacuna que terá de ser preenchida, talvez com um forasteiro, ou seja, um nome de fora da Pasta. A avaliação no governo é que o secretário-executivo adjunto, Fernando Colli, substituto provisório de Silveira, não tem peso político para ser alçado à cadeira de ministro.

#Alexandre Silveira

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