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Com os Feffer no capital, Tilt garimpa aquisições no Brasil
9/06/2026Corre no mercado que a Tilt Technologies está em busca de aquisições no Brasil. A startup de computação, fundada nos Estados Unidos pelos brasileiros Heli Diogo Dourado e Júlio Max, estaria mapeando ativos em setores como infraestrutura digital, cloud, inteligência artificial e analytics. O objetivo é comprar carteira de clientes e capacidade técnica que permitam disputar espaço com as plataformas de nuvem. A Tilt ganhou musculatura após atrair investidores de peso. A companhia levantou cerca de US$ 4 milhões em rodada pré-seed, com a entrada da família Feffer, da família Vantini e de investidores como Daniel McQoid e Marcelo Helou da Fonseca. A chegada dos Feffer, controladores da Suzano, acrescentou capital, sobrenome e um selo empresarial à tese da chamada “nuvem sustentável”. A proposta da Tilt é aproveitar capacidade ociosa de servidores e dispositivos conectados para processar dados de forma distribuída, reduzindo a dependência de data centers tradicionais e prometendo cortar em até 30% os gastos das empresas com cloud.
LONGi entra na corrida por armazenamento de energia no Brasil
9/06/2026A ofensiva chinesa no mercado brasileiro de energia vai ganhar uma nova frente. O RR apurou que a LONGi, uma das maiores fabricantes mundiais de equipamentos fotovoltaicos, decidiu trazer para o Brasil a sua operação de storage, entrando no que tende a se tornar um dos negócios mais disputados e cobiçados na próxima etapa da transição energética. O objetivo da companhia é consolidar no país o tripé geração solar-armazenamento-hidrogênio. O que está por trás é uma estratégia global que teve seu movimento mais contundente até o momento no fim do ano passado, com a aquisição da PotisEdge, desenvolvedora de sistemas de armazenamento de energia com operações industriais concentradas em Suzhou, na China. Essa iniciativa deu origem a uma nova vertical de negócios, a LONGi Energy Storage, que já acumula mais de 13 GWh instalados em todo o mundo. A empresa conta com capacidade anual de 31 GWh, com plano de expansão para mais de 100 GWh até 2028, o que a colocará no pelotão de elite dos grandes conglomerados de armazenamento de energia do mundo, como BYD e Tesla.
A decisão da LONGi de investir em armazenamento energético no Brasil beira um exercício de fé. O país ainda está longe de ter um arcabouço regulatório para o armazenamento de energia. No último dia 2, a Aneel, enfim, aprovou as primeiras regras específicas para o segmento, um passo inicial. Mas ainda há muito a percorrer: entre outras lacunas, falta definir de forma mais clara como as baterias serão remuneradas, quais receitas poderão ser acumuladas, em que condições o armazenamento poderá prestar serviços ao sistema, como será o despacho pelo ONS, qual será o tratamento tributário e como os projetos serão financiados. Um teste relevante está previsto ainda para este ano: o governo marcou para os dias 2 e 4 de dezembro os dois primeiros leilões de contratação de baterias.
Não obstante as incertezas regulatórias, sobretudo para projetos utility-scale, a percepção na LONGi é que este é um estágio natural já observado em outros mercados que passaram por processos semelhantes de transição energética. O cálculo é que a janela de entrada é agora, justamente antes de o mercado estar plenamente formado. Quando a regulação estiver madura, os modelos de remuneração definidos e os primeiros leilões consolidados, o espaço já terá sido ocupado pelos fornecedores que chegaram antes, educaram clientes, firmaram parcerias e ajustaram tecnologia às particularidades do sistema elétrico brasileiro. Para a LONGi, o risco de eventualmente entrar cedo demais parece menor do que o risco de chegar tarde. Há também uma leitura estratégica. O armazenamento tende a se tornar a peça que faltava para destravar a próxima onda da energia solar no Brasil. Sem baterias, o avanço da geração fotovoltaica esbarra em curtailment, excesso de oferta em determinados horários, pressão sobre a rede e dificuldade de entregar energia nos picos de consumo. Com storage, a solar deixa de ser apenas geração intermitente e passa a disputar espaço como solução de suprimento mais firme.
Fundada em 2000, na cidade de Xi’an, pelo investidor Li Zhenguo, a LONGi atua em mais de 150 países. Com faturamento global na casa dos US$ 11 bilhões, tem fábricas não apenas na China, mas também na Malásia e no Vietnã. A aposta no Brasil não se limita aos grandes leilões. A LONGi também mira aplicações comerciais e industriais, segmento em que baterias podem ganhar tração antes mesmo de uma regulação mais sofisticada para projetos de grande porte. Indústrias, data centers, agronegócio e grandes consumidores já têm incentivo econômico para usar storage como ferramenta de gestão de ponta, redução de custos e segurança no suprimento.
Outro ponto pesa a favor das baterias: velocidade. Enquanto uma térmica pode levar de três a seis anos entre licenciamento, contratação e construção, sistemas de armazenamento costumam ser implantados em 12 a 24 meses. Além disso, respondem em milissegundos a oscilações do sistema, característica que os torna especialmente úteis para serviços ancilares, contingências e atendimento a picos instantâneos de demanda. A LONGi também quer evitar a armadilha de ser apenas mais uma fornecedora de equipamentos chineses em um mercado pressionado por preço. A empresa pretende vender uma solução integrada, com engenharia, software e sistemas de gestão das baterias. Seu pacote inclui PCS, BMS, EMS, controle térmico e monitoramento em nível de célula, tecnologia que a companhia apresenta como diferencial para reduzir riscos operacionais, sobretudo eventos de fuga térmica.
Novo fundo do Banco do Brasil já tem oito startups no radar
9/06/2026O Banco do Brasil prepara a primeira rodada de investimentos do BB Ventures II, seu novo fundo de venture capital. Segundo informações que circulam no mercado, há oito startups sob análise, e os primeiros aportes devem sair em até dois meses. A tendência é que os cheques fiquem entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões. O novo fundo, lançado há pouco mais de um mês, recebeu R$ 300 milhões em capital, 50% a mais do que o BB Ventures I. Ou seja: o Banco do Brasil decidiu ampliar a exposição ao setor no momento em que o mercado de venture capital perde fôlego e há uma queda generalizada no valuation das startups. O BB não quer apenas testar startups na borda da operação. A ideia agora é usar o fundo como uma engrenagem de negócio, capaz de aproximar o banco de tecnologias que possam ser incorporadas à sua rede, vendidas a clientes ou usadas para ganhar eficiência em áreas nas quais o banco estatal já tem escala. Vox Capital e MSW Capital vão dividir a gestão da maior parte dos recursos do BB Ventures II: a primeira terá R$ 140 milhões; a segunda, R$ 115 milhões.
Jogo de empurra trava reestruturação da enferma Oncoclínicas
9/06/2026A Oncoclínicas está presa em um looping. Segundo o RR apurou, os investidores com os quais a empresa tem conversado exigem que a rede de clínicas avance com a sua recuperação extrajudicial para só então aportar recursos no negócio. Há três fundos do outro lado da mesa e todos querem garantias mínimas de equacionamento do passivo de R$ 3,2 bilhões. Ocorre que, na mão contrária, os principais credores da Oncoclínicas já sinalizaram que só darão sinal verde para a REJ após a companhia receber uma capitalização. Ou seja, investidores e bancos lançam a bola um na direção do outro. A tomografia financeira da Oncoclínicas ajuda a explicar o temor a cautela de ambos os lados. No primeiro trimestre, a companhia reportou prejuízo líquido de R$ 438,7 milhões, mais de três vezes a perda registrada um ano antes. O Ebitda ajustado ficou negativo em R$ 49,2 milhões, com margem negativa de 4,2%.
A alavancagem chegou a 5,2 vezes o Ebitda ajustado, ante 3,5 vezes no trimestre anterior.
No meio desse jogo de empurra, a Oncoclínicas agoniza. A companhia precisa de uma capitalização da ordem de R$ 500 milhões para manter sua operação. No momento, sobrevive graças a um empréstimo de R$ 150 milhões da Lumina, que possibilitou a retomada da compra de medicamentos e a recomposição de estoques. A empresa de medicina trabalha a toque de caixa na elaboração do seu pedido de recuperação extrajudicial, que deve ser protocolado ainda neste mês.
Zema hasteia uma bandeira branca para Flavio Bolsonaro
9/06/2026Romeu Zema recolheu os flaps em relação à Flavio Bolsonaro. Sua declaração à Rádio CBN ontem, dizendo que apoiará qualquer candidato que estiver no segundo turno contra Lula (só pode ser um), é o aceno mais visível. Mas há outros ainda não trazidos à luz do dia. Nos últimos dias, interlocutores de Zema, entre os quais o deputado federal Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente no governo Bolsonaro, têm mantido conversas com o Flavio com o objetivo de reduzir a fricção entre ambos. O recuo se dá por um cálculo político de quem não tem muito o que calcular. Pesquisas recebidas pela campanha de Zema apontam que ele perdeu votos por ser considerado um “traidor da direita”. Por “traidor” entenda-se os ataques desferidos recentemente contra Flavio, notadamente em relação ao caso Master. Após a revelação das mensagens e conversas entre o senador e Daniel Vorcaro, Zema disse que ouvir Flavio cobrando dinheiro do banqueiro era “imperdoável” e “um tapa na cara do Brasil”. Pouco depois classificou como “infeliz” a hipótese levantada pelo “01” de indicar o mano Eduardo Bolsonaro para o Itamaraty. Como franco atirador na disputa eleitoral, o ex-governador de Minas pagou para ver e comprou o risco emitir de alguns sinais de descolamento do bolsonarismo, na expectativa de que isso pudesse alavancar sua posição das pesquisas. O resultado do teste, no entanto, não foi dos mais animadores. Zema não tem muito por onde escapar: se correr, não vai para o segundo turno; se ficar, tampouco.