Arquivo Notícias - Página 273 de 1966 - Relatório Reservado

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Eleitores de Trump merecem uma boa dose de schadenfreude?

7/04/2025
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Embora eu infelizmente não fale alemão, há uma palavra naquele idioma que sempre me encantou por expressar um sentimento humano que não encontra equivalente em nenhuma outra língua e ao qual talvez só sejam imunes os santos: schadenfreude. Literalmente, a alegria malévola sentida diante do infortúnio sofrido por outrem. Impossível desconhecer que tal sentimento transparece no noticiário sobre as perdas gigantescas sofridas pelas chamadas big techs devido ao derretimento das bolsas norte-americanas provocado pelo tarifaço de Trump.

Esse júbilo maldoso do qual – cumpre confessar – muitos de nós participamos se dirige em particular àqueles bilionários que acorreram sorridentes à posse de Donald Trump no Capitólio, tais como Elon Musk, Mark Zuckerberg e Jeff Bezos, que já viram evaporar algumas dezenas de bilhões de seus patrimônios.  Mas, segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg, o estrago tem grande amplitude: as perdas no mercado já excedem US$ 200 bilhões para os 500 indivíduos mais ricos do mundo.

No entanto, todos parecem esquecer que os mercados de ações norte-americanos são também um refúgio para investidores de todo o planeta e, em especial, o abrigo antes considerado inexpugnável para a poupança da classe média do país. É difícil encontrar dados sólidos sobre os valores envolvidos, mas basta assinalar que, no ano passado, mais da metade das famílias norte-americanas tinham seus recursos aplicados em fundos mútuos, no valor de US$ 71 bilhões. Não é difícil imaginar quão dolorosas serão para os cidadãos atingidos as perdas já ocorridas e aquelas que ainda podem vir por aí caso sejam mantidas as tarifas em vigor – como Trump acaba de confirmar. Se a isso se somar uma aceleração da inflação e uma recessão econômica, o padrão de vida presente e futuro de boa parte da população do país estará seriamente ameaçado.

E, então, vem a pergunta que não pode ser calada: quantos dos vitimados votaram em Trump sem acreditar que ele faria tudo que proclamava durante a campanha? Esses também merecerão uma boa dose de schadenfreude?

#Donad Trump #Economia #Estados Unidos

Banco do Nordeste aumenta financiamento para projetos no mercado livre

7/04/2025
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O Banco do Nordeste (BNB) vai aumentar o volume de recursos liberados para projetos no mercado de energia livre. O desembolso ao longo deste ano deverá beirar os R$ 6 bilhões, contra R$ 4,5 bilhões em 2024. Uma parcela expressiva dessa cifra será destinada a financiar iniciativas na área de geração fotovoltaica. Parte do funding virá de parcerias com organismos multilaterais. De acordo com informações filtradas pelo RR, há conversas com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Europeu de Investimento (BEI).

#Banco do Nordeste #investimentos

Efeito Trump pode jogar a Usiminas nas mãos da ArcelorMittal

7/04/2025
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O tarifaço de Donald Trump sobre o aço importado pode ser o gatilho que faltava para um movimento de consolidação da indústria siderúrgica brasileira, já há algum tempo em processo de latência. A draconiana tributação imposta pelos Estados Unidos e seu impacto global despontam como um fator suficientemente potente para separar vencedores e perdedores no setor. Desde já, há dois fortes candidatos a protagonizar o redesenho da indústria do aço no país: ArcelorMittal e Usiminas/Ternium.

E nem é preciso dizer quem vestiria o figurino de vencedor e o de perdedor. O grupo pertencente ao empresário indiano Lakshmi Mittal é um dos gigantes da siderurgia mundial, tem massa crítica de sobra, dispõe de acesso a crédito em condições favoráveis e liderou alguns dos maiores investimentos do setor no Brasil ao longo dos últimos anos, como a compra, em 2022, da Companhia Siderúrgica do Pecém por US$ 2,2 bilhões.

Por sua vez, entre o quarteto que domina a produção de aço no país, ninguém está em uma posição tão vulnerável quanto a Usiminas, por suas notórias fragilidades financeiras, pelo seu desgaste institucional e pelos crescentes sinais de incompatibilidade entre a ítalo-argentina Ternium, seu acionista controlador, e o Brasil.

Há um terceiro personagem, não menos importante, que tangencia uma eventual incorporação da Usiminas pela ArcelorMittal: Benjamin Steinbruch. Qualquer discussão sobre o futuro da siderúrgica mineira passa hoje pela CSN, sua acionista minoritária.

Como se sabe existe um antigo contencioso entre a Ternium e a empresa de Steinbruch. Publicamente e em tom de ameaça os acionistas da siderúrgica anunciaram que o grupo pode repensar todos os seus investimentos no Brasil se a Justiça não reconsiderar uma recente decisão favorável à CSN. Nos bastidores, a empresa insinua até sair do país, fazendo algum write off dos R$ 25 bilhões de aportes já realizados e por realizar em Minas Gerais.

A Ternium não digeriu a derrota sofrida no STJ: no fim do ano passado, a Corte determinou o pagamento de uma indenização de R$ 3,1 bilhões à CSN pelo fato de o grupo não ter lançado uma oferta pública para a aquisição de ações da Usiminas ao comprar as participações da Votorantim e da Camargo Corrêa na empresa, em 2012. No entendimento do STJ, a operação configurou mudança de controle, o que tornou obrigatória a realização da OPA.

No fim do ano passado, inclusive, surgiu não se sabe muito bem de onde – ou talvez até se saiba – um suposto manifesto contra o STJ e consequentemente a favor da Ternium, prontamente desmentido por alguns dos “signatários”, conforme noticiou o RR. O RR enviou uma série de perguntas à Usiminas/Ternium, mas a empresa não se pronunciou. Também consultada, a CSN afirma que “a solução para a crise enfrentada pela indústria do aço, reflexo do cenário internacional, exige estabilidade nos negócios no Brasil e, sobretudo, segurança jurídica.

Nesse contexto, as investidas da Ternium/Techint para subverter a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) são inaceitáveis. O tribunal já confirmou, em mais de uma ocasião, que o grupo ítalo-argentino assumiu o controle da Usiminas de forma fraudulenta, sem realizar a devida Oferta Pública de Aquisição (OPA) aos acionistas minoritários detentores de ações ordinárias. Essa conduta afronta a Lei das Sociedades Anônimas (SAs) e a jurisprudência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM)”.

Na paralela há ainda outra questão a ser resolvida.

Em 2014, o Cade determinou que a CSN deveria reduzir sua participação no capital da Usiminas, hoje de 12,9%, para menos de 5% em cinco anos. Após um longo impasse, em 2022 o próprio órgão antitruste reconsiderou parte da decisão, deixando de estabelecer um prazo para que a CSN diminua sua posição na empresa mineira. Uma eventual oferta da ArcelorMittal pelo controle da Usiminas, com a consequente saída de cena da Ternium, teria o condão de distensionar o ambiente corporativo e desatar um nó societário que hoje amarra a própria companhia.

A aquisição da siderúrgica mineira pelo grupo de Lakshmi Mittal poderia também abrir caminho para a saída da CSN do capital. Ou não. Em outros termos de relacionamento, talvez fosse a senha para Steinbruch manter uma participação na Usiminas. E ainda que venha a deixar o capital da companhia, cabe ressaltar que a CSN tem uma posição estratégica no tabuleiro da cadeia do aço, graças a sua operação integrada, leia-se o tripé mineração, logística e siderurgia.

A CSN Mineração soma mais de dois bilhões de toneladas de minério de ferro em reservas estimadas. Tem ainda como sócio minoritário um consórcio de importantes players asiáticos, como Itochu Corporation e Posco. E reúne plenas condições de tonificar essa operação com a compra de mineradoras de menor porte. Some-se a isso o terminal de granéis sólidos (Tecar) de Itaguaí.

Este poder de fogo na mineração funciona como um hedge para a CSN, sobretudo neste momento de pressão tarifária dos Estados Unidos sobre o aço. A empresa poderia se tornar uma “Valezinha”, capaz de incomodar em alguma instância a “Valezona”.

Voltando à ArcelorMittal, a Usiminas é um ativo barato para o conglomerado de Lakshmi Mittal.

Apenas como referência, o atual valor de mercado da empresa mineira gira em torno de R$ 6,7 bilhões, o pior patamar desde maio de 2020. Somente nos últimos 12 meses, a ação da companhia acumula uma queda de quase 50%. Não chega a surpreender.

Entre as quatro grandes siderúrgicas do Brasil, a Usiminas é, disparadamente, a que apresenta os piores resultados. E não é de hoje. Em um recorte entre 2013 e 2024, a empresa perde para seus concorrentes em todos os principais indicadores de performance. No caso da ArcelorMittal Brasil, ressalte-se, os números vão até 2023, uma vez que a empresa ainda não divulgou as demonstrações financeiras do ano passado.

Na receita líquida acumulada (R$ 207 bilhões), a Usiminas fica atrás de Gerdau (R$ 625 bilhões), Arcelor (R$ 401 bilhões) e CSN (R$ 343 bilhões). No lucro líquido somado (R$ 12,7 bilhões), é mais uma vez superada, pela ordem, por Gerdau (R$ 49,1 bilhões), Arcelor (R$ 35 bilhões) e CSN (R$ 28,4 bilhões).

Em termos de geração de caixa, só para não variar, a Usiminas também vai lá para o fim da fila. No período de 2013 a 2024 (exceção feita à Arcelor, conforme já explicado), registrou um Ebitda acumulado de R$ 32 bilhões, contra R$ 110,7 bilhões da Gerdau, R$ 104 bilhões da CSN e R$ 73,2 bilhões da Arcelor. Os números mostram a tibieza da Usiminas vis-à-vis suas maiores competidoras.

Nada que não pudesse ser gradativamente revertido nas mãos de um gigante global. Juntas, Arcelor e Usiminas teriam uma capacidade de produção superior a 24 milhões de toneladas de aço por ano, quase a metade de toda a indústria siderúrgica brasileira (aproximadamente 51 milhões de toneladas). Com o furacão Trump varrendo o setor, talvez a Usiminas não tenha mesmo para onde correr.

#ArcelorMittal #Donald Trump

Chinesa GAC quer assumir fábrica da Toyota em São Paulo

7/04/2025
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O RR apurou que a chinesa GAC abriu negociações com a Toyota para comprar a fábrica da montadora japonesa em Indaiatuba (SP), desativada no ano passado. O plano da companhia é iniciar sua produção no Brasil em 2026. Ressalte-se que a GAC é parceira da Toyota – fabrica veículos da marca nipônica na China -, o que pode facilitar as tratativas. A empresa vai dar a largada da sua operação no Brasil ainda neste semestre, com a venda de dois veículos importados da China. Será um test driver para os passos seguintes: a GAC pretende ter não apenas uma fábrica, mas também um centro de pesquisa e desenvolvimento no país. Quinta maior montadora da China, a companhia pertence ao Guangzhou Automobile Group, por sua vez controlado pelo governo da província de Guangzhou.

#GAC #Toyota

Grupo Faria avança para ser a grande multinacional do ovo

7/04/2025
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O apetite do Grupo Faria parece não ter limite. Maior fornecedora de ovos do Brasil, a empresa comandada por Ricardo Faria vem prospectando ativos no México. Portugal e Itália também estão no radar. São os próximos movimentos do Grupo Faria em seu firme propósito de se tornar uma multinacional da gema. Na semana passada, a companhia fechou a aquisição da Hillandale Farms, nos Estados Unidos, por US$ 1,1 bilhão. No fim de 2024, já havia comprado a espanhola Hevo, um investimento de 120 milhões de euros. Seu poder de fogo vai crescer ainda mais a partir da recente associação com o BTG. O banco está injetando cerca de US$ 300 milhões no grupo em troca de uma participação de 11%.

#Grupo Faria

Vai ter feijão preto barato no prato do brasileiro

7/04/2025
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Um report tranquilizador do Ministério da Agricultura chegou ao Palácio do Planalto na semana passada. A segunda safra de feijão preto, que se encerra em abril, deverá alcançar 450 mil toneladas. Ainda que represente uma queda em relação à estimativa anterior da Conab (480 mil toneladas), o número foi motivo de alívio na Pasta. Devido à estiagem na Região Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, havia o receio de uma queda ainda mais acentuada da colheita, descendo para a casa das 400 mil toneladas. No entendimento da área técnica do Ministério, a produção da segunda safra será suficiente para sustentar a tendência de queda nos preços do feijão preto. No mês de março, o valor ao consumidor caiu aproximadamente 8%. No acumulado de 12 meses, a redução dos preços beira os 40%. O bolso do brasileiro agradece. E o governo Lula, com sua popularidade cada vez mais pobre em ferro e fibras, também.

#Feijão

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