Arquivo Notícias - Página 163 de 1965 - Relatório Reservado

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E-commerce da Petz e da Cobasi entra na mira do Cade

9/09/2025
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O sinal de alerta está aceso na Petz e na Cobasi. A decisão do Cade de solicitar um estudo econômico adicional sobre o mercado de petshops abre brecha para possíveis restrições capazes de alterar o desenho da fusão entre as duas companhias. O órgão antitruste pretende mapear eventual concentração tanto nas lojas físicas quanto no e-commerce, o que aumenta o risco de medidas que limitem a integração total entre estoques e preços das operações online e offline, criando uma espécie de firewall entre os dois segmentos. Outra possibilidade é a imposição de restrições geográficas ao varejo físico, em regiões onde a fusão resultaria em concentração elevada. Também não se descarta que a autoridade exija garantias para manutenção de canais digitais competitivos, evitando que a nova gigante do setor utilize sua capilaridade para sufocar rivais menores. O relator José Levi Mello do Amaral Júnior já solicitou ao Departamento de Estudos Econômicos que simule cenários alternativos para o impacto sobre os hábitos de compra.

#Cobasi #e-commerce #Petz

É arrecadação que o governo quer? As bets estão entregando

9/09/2025
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Segundo o primeiro relatório semestral do SIGAP (Ministério da Fazenda), divulgado em agosto,17,7 milhões de brasileiros realizaram apostas no 1º semestre de 2025. No perfil, 71% são homens, 28,9% mulheres e 27,8% têm entre 31 e 40 anos. O setor reportou R$ 17,4 bilhões em GGR (receita bruta do jogo: total apostado menos prêmios pagos), com gasto médio de R$ 983 por apostador ativo no semestre — cerca de R$ 164/mês.

Pelo lado fiscal, o governo informa que a arrecadação das empresas de apostas somou aproximadamente R$ 3,8 bilhões em tributos federais no semestre (IRPJ, CSLL, PIS/Cofins e contribuições previdenciárias). Além disso, as destinações sociais previstas em lei (12% do GGR) totalizaram R$ 2,14 bilhões. Houve ainda R$ 2,2 bilhões em outorgas de autorização e cerca de R$ 50 milhões em taxas de fiscalização. Esses números ajudam a dimensionar o impacto fiscal direto do mercado regulado.

É muito? É pouco? Depende do recorte. A média de R$ 164/mês por apostador não descreve toda a distribuição (há quem gaste bem menos e quem gaste mais). Também não se confunde GGR com “dinheiro perdido”: em mercados regulados, o RTP (Return to Player) costuma ficar acima de 90% nas apostas esportivas e entre 93% e 97% em slots, o que significa que parte substancial do valor apostado retorna como prêmio ao longo do tempo; o GGR é justamente a diferença — os R$ 17,4 bilhões no semestre. (RTP é expectativa de longo prazo, não garantia individual.)

Outro ponto estrutural é a regulação: com 2025 marcando a plena vigência das regras, o governo reporta fiscalização ativa (como o bloqueio de 15.463 páginas ilegais desde 2024) e diretrizes de jogo responsável (autolimites, educação em riscos, autoexclusão e cooperação com plataformas). Transparência e enforcement são partes do desenho regulatório — e devem seguir em aperfeiçoamento.

Em síntese: os dados indicam escala (17,7 milhões de apostadores), gasto médio relativamente baixo (cerca de R$ 5,50/dia) e relevância fiscal (bilhões em tributos, destinações sociais e outorgas). Isso não significa que “tudo bem” apostar indiscriminadamente; significa que o debate qualificado precisa considerar receitas públicas, retorno aos jogadores (RTP), medidas de proteção e a distribuição real de gastos, evitando tanto o alarmismo quanto a defesa automática do setor. Apostar não é investimento; é entretenimento — e políticas de jogo responsável devem ser tratadas como core de marca, não apenas obrigação legal.

 

Daniel Costa e Silva é jornalista e diretor de Relacionamento com o Ministério da Fazenda da Lindau Gaming Brasil, colaborador especial do Relatório Reservado.

#apostas #Bets

Suzano transforma associação com a Kimberly Clark em atalho para a China

9/09/2025
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A Suzano está decidida a usar a joint venture com a Kimberly Clark no segmento de papel tissue como trampolim para a consolidação de ativos internacionais e a ocupação de mercados estratégicos, a começar pela China. O que se diz em petit comité no setor é que a nova empresa, controlada pela família Feffer, com 51%, já mapeia possibilidades de aquisição no país asiático.

O alvo prioritário seria a Hengan International, um dos maiores fabricantes de tissue da China. A compra permitiria à dobradinha Suzano/Kimberly Clark saltar de US$ 3,4 bilhões para mais de US$ 5,2 bilhões em receita anual e praticamente duplicar seu Ebitda, de US$ 530 milhões para US$ 950 milhões, a números de 2024. Já a produção teria um salto de um milhão de toneladas para cerca de 2,6 milhões de toneladas/ano.

Consultada pelo RR, a Suzano não quis comentar o assunto, alegando que a operação com a Kimberly Clark “ainda está sujeita à aprovação das autoridades concorrenciais e governamentais competentes”.

Colocar os pés na China é um projeto antigo dos Feffer. Há cerca de dois anos, a Suzano chegou a negociar a compra da Vinda International, fabricante de tissue sediada em Hong Kong. Acabou perdendo a disputa para a RGE (Royal Golden Eagle), de Cingapura.

Agora, a dobradinha com a Kimberly Clark aumenta consideravelmente o poder de fogo da família Feffer para fincar sua bandeira na China. A associação com a companhia norte-americana amplia o acesso a linhas de financiamento internacionais em condições ainda mais vantajosas.

Ressalte-se que a joint venture entre Suzano e Kimberly Clark nasceu sem qualquer dívida – apenas os respectivos ativos de parte a parte foram aportados na nova empresa. Ou seja: a companhia tem folga de sobra para se alavancar com a emissão de debt sem comprometer seu balanço.

Essa estrutura de capital já foi pensada exatamente para suportar a compra de ativos internacionais.

#Suzano

Novos donos da Reag buscam um híbrido de investidor e cleaner

9/09/2025
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O acordo de management buyout da Reag Investimentos seria apenas um rito de transição. O grupo de executivos da gestora que fechou a compra do controle, no último fim de semana, já estariam em busca de um sócio externo para a operação. No limite, há, inclusive, a possibilidade de venda de uma participação majoritária. A disposição de trazer um “forasteiro” para o negócio tem diferentes motivações. A chegada de um novo investidor funcionaria como um cobertor financeiro. Por ora, ainda não está claro quais serão os impactos de médio prazo da Operação Carbono Oculto sobre a saúde financeira da Reag, notadamente no que diz respeito à perda de clientes. Ao mesmo tempo, a entrada de um novo acionista teria um valor simbólico. Ajudaria no processo de higienização da imagem da empresa de investimentos. Neste momento, é praticamente inevitável que o mercado olhe com desconfiança para uma “nova” gestão conduzida pelos antigos executivos da empresa, todos ligados ao ex-controlador, João Carlos Mansur. Se houve falhas no compliance da Reag, mais especificamente no processo de diligência da origem dos recursos de alguns de seus investidores, elas se deram sob a administração dos mesmos dirigentes que agora estão assumindo o controle. Consultada pelo RR, a Reag não se manifestou.

#Reag

Buzz Fly quer liderar consolidação na área de agrotecnologia

9/09/2025
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A Buzz Fly desponta como uma consolidadora no ainda incipiente setor de agrotecnologia à base de insetos no Brasil. A startup tem se movimentado no mercado com o objetivo de incorporar empresas ou projetos semelhantes ou sinérgicos. A especialidade da Buzz Fly é a transformação de resíduos orgânicos em proteína e adubo a partir do uso de larvas da mosca BSF (black soldier fly). O negócio chama a atenção pela tecnologia em questão e, sobretudo, pelo naipe de investidores. Entre os sócios estão André Lara Resende, Marcos Molina, dono do Marfrig, Olavo Setubal Jr., que aportaram cerca de R$ 6 milhões. Há outras iniciativas similares no Brasil, como a Bug Agentes Biológicos, pioneira no controle biológico de pragas com uso de vespas parasitoides para eliminar percevejos na soja, ou a Predativa, que utiliza predadores polifágicos (como “bicho-lixeiro”), como solução natural para controle de pragas em culturas como soja, café, hortaliças e algodão.

#Buzz Fly

Bancada ruralista prepara um arrastão para aprovar securitização de dívidas

9/09/2025
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A bancada ruralista articula uma operação trator no Congresso para acelerar a aprovação do projeto de lei do senador Luiz Carlos Heinze (PP-RS) que cria um programa de securitização de dívidas de produtores rurais gaúchos. Em jogo, a renegociação de aproximadamente R$ 60 bilhões. Há uma costura com os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, David Alcolumbre, para que o PL seja votado até outubro. A proposta prevê a repactuação de até R$ 5 milhões por CPF, com prazo de carência de três anos, e pagamento diferido ao longo de 20 anos. Tudo com taxas de juros subsidiadas: 1% para os produtores beneficiados pelo Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar); 2% para o Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural); e 3% para o restante dos agricultores. Nos bastidores, a narrativa é de terra-arrasada. Deputados e senadores ligados ao agronegócio afirmam que a securitização é “a única solução estrutural” para evitar a quebradeira em massa de produtores gaúchos e conter o risco de calote generalizado nos bancos públicos, em especial o Banco do Brasil, maior credor do setor.

#Bancada Ruralista

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