Arquivo Notícias - Página 111 de 1964 - Relatório Reservado

Últimas Notícias

Motiva enfrenta dilema com a venda de seus aeroportos

17/11/2025
  • Share
Mudar o modelo de venda de seus aeroportos, com a negociação fatiada dos ativos, ou aceitar uma oferta que representa apenas a metade da pedida inicial? Esse é o dilema enfrentando pela Motiva, ex-CCR. Os dirigentes da empresa ainda discutem o destino dos 20 terminais portuários colocados sobre o balcão – 17 no Brasil, além de Equador, Costa Rica e Curação – após a proposta formalizada da mexicana Grupo Aeroportuario del Sureste (Asur). A Asur ofereceu pouco mais de R$ 5 bilhões, a léguas de distância dos R$ 10 bilhões fixados pela Motiva. A empresa brasileira vem tentando trazer outros competidores para o páreo, com o objetivo de elevar esse valor. A venda em separado dos aeroportos é o Plano B, mas tem seus riscos. O combo reúne concessões cobiçadas, como os aeroportos da Pampulha e de Confins, em Belo Horizonte, e Afonso Pena, em Curitiba, e terminais de menor movimento, no interior do Brasil. O tempo não está a favor da Motiva. O plano original da Motiva previa a conclusão da negociação até dezembro, mas a diferença entre expectativa e oferta mudou a direção dos ventos.

Porque a China é assim

17/11/2025
  • Share

A China oferece para o mundo hoje o que os Estados Unidos ofereceram há mais de um século?

Há mais de cem anos, os Estados Unidos receberam grande contingente de cientistas, especialmente europeus, das mais variadas áreas. Até meados do século passado, Ciência, Tecnologia e Inovação (CTI) era predominantemente liderada pelos europeus. Esta migração para a América resultou em mudanças significativas. Estes cientistas auxiliaram a alavancar as universidades e centros de pesquisas norte-americanos para os patamares hegemônicos atuais.

Hoje, a China oferece muitas oportunidades para profissionais de CTI, como infraestrutura sólida, salários competitivos (acima de US$ 300 mil/ano) e ótimas condições de trabalho, com a montagem, por exemplo, de laboratórios milionários. Embora o país asiático seja produtor de óleo & gás, inclusive aqui no Brasil, não podemos o considerá-lo uma “Petronação” ou um exportador de comodities. Pelo contrário. A China investe pesadamente em soberania alimentar e energética, com crescimento da energia renovável (solar, biomassa). Desenvolvimento de novos medicamentos, 5G, inteligência artificial, aquicultura, biotecnologia, bioeconomia, ciências de foguetes, satélites, trem-bala, carros elétricos são alguns exemplos relevantes do protagonismo chinês na ciência e na inovação.

E o Brasil nesse tabuleiro? Alguns estados vêm tentando recrutar cientistas internacionais, mas ainda de forma tímida e em uma escala pequena. O país tem pelo menos cinco mil pós-docs sem bolsa (sem trabalho?). Neste contexto, existem evidentes oportunidades para brasileiros, centradas especialmente nos recém-doutores que buscam se estabelecer no mercado de trabalho. Recente edital do CNPQ absorveu apenas 10% dos candidatos com PhD. A China tem mais de 2.500 universidades. É, portanto, um destino natural para cientistas. Temos um contingente enorme de doutores formados no Brasil que não estão vinculados formalmente e poderiam aproveitar esta oportunidade do gigante chinês. Se cada universidade chinesa absorvesse dois pós-docs brasileiros, o problema estaria resolvido, ao menos temporariamente. Há diversas oportunidades para CTI, incluindo a recuperação de sistemas marinhos destruídos, por exemplo, por sistemas coralíneos.

A China usa basicamente o mandarim. Mesmo em megacidades, como Shanghai, o inglês não é muito utilizado. A cultura chinesa é outro aspecto que merece destaque. Bastante hierárquica e formal, especialmente na região norte do país, remontando aos preceitos do Confucionismo, ainda há uma estrutura bem tradicional nas universidades e centros de pesquisa. Líderes de grupo estrangeiros são raros. Por outro lado, muitas instituições ainda requerem uma modernização para padrões de internacional. A força de trabalho na China é impressionante. Assim como o é a longa jornada de trabalho, podendo exceder 50 horas semanais mesmo dentro das universidades.

Fabiano Thompson é professor da UFRJ, onde coordena o Laboratório de pesquisa (https://www.thompsonlab.com.br/). É membro da Academia Brasileira de Ciências.

Kepler Weber e GSI: quem vai mandar na maior empresa de silos das Américas?

17/11/2025
  • Share
Há um ponto nevrálgico ainda em aberto nas tratativas para a fusão entre a Kepler Weber e a norte-americana GSI. O impasse envolve a participação que os dois principais acionistas da companhia brasileira, a Trígono Capital, e a família Heller, terão – ou não terão – no capital e na gestão do novo grupo. Ambos parecem chegar à mesa de negociações dispostos a seguir caminhos diferentes. No mercado, há informações de que a Trígono enxerga no M&A uma janela para reduzir ou mesmo alienar integralmente a sua posição acionária – a gestora detém 15,3% da Kepler Weber. Por sua vez, os Heller, donos de 11,5% das ações, pretendem não apenas se manter no negócio como ter uma presença acionária relevante e uma atuação proeminente no management da nova empresa. Têm como trunfo o próprio tamanho das duas companhias no mercado brasileiro: a Kepler Weber é cinco maior do que a GSI no país.
A posição da Trígono adiciona uma camada de tensão às negociações. Se a gestora aproveitar o M&A como rampa de saída – seja por um cash-out total, seja por uma redução relevante da participação –, isso altera o equilíbrio interno entre os sócios brasileiros remanescentes e a GSI. A depender de como a operação for estruturada, a família Heller pode sair da fusão com menos poder relativo. Não por acaso, o que se diz no mercado é que as tratativas com os norte-americanos têm passado não apenas pelo preço – a oferta não vinculante da GSI prevê o pagamento de R$ 11 por ação da Kepler Weber -, mas por um debate intenso sobre estrutura de governança. Nos últimos dias, surgiram, inclusive, informações no mercado de que a GSI estaria disposta a fechar o capital da nova empresa.
Consultada, a Trígono não quis comentar o assunto. Por sua vez, em contato com o RR, a Kepler Weber informou que “Não há qualquer decisão ou deliberação relacionada à venda de participações acionárias por parte de acionistas relevantes”. A empresa afirma que até o momento “firmou apenas um acordo de exclusividade não vinculante, conforme divulgado nos Fatos Relevantes de 4 e 10 de novembro de 2025. Todas as informações disponíveis sobre esse movimento estratégico estão integralmente refletidas nesses comunicados, e qualquer evolução sobre o tema será prontamente informada ao mercado e aos investidores, em linha com as práticas usuais de governança e com a Resolução CVM nº 44/21”. Perguntada sobre a possibilidade de fechamento de capital da nova companhia, a Kepler Weber disse ao RR que “não há definição quanto à estrutura da Potencial Transação, motivo pelo qual não é possível especular sobre eventuais ofertas públicas (OPA) ou mudanças no status de companhia aberta”.
O que está em jogo nas negociações entre os acionistas da Kepler Weber e da GSI – a norte-americana Grain & Protein Technologies (GPT), por sua vez controlada pelo fundo American Industrial Partners (AIP) – é o quadro de forças do que pode vir a ser um dos maiores conglomerados de armazenamento agrícola das Américas. Juntas, as duas empresas passariam a ter 42% da estrutura logística privada para a estocagem de grãos no Brasil, um grupo com faturamento superior a R$ 2 bilhões.

#GSI #Kepler Weber

Keeta entra na mira do Cade após condenação em Hong Kong

17/11/2025
  • Share
O início da operação da Keeta – leia-se a chinesa Meituan – no Brasil tem sido acompanhado com lupa pelo Cade. A chegada da empresa se dá no momento em que o órgão antitruste tem apertado o cerco a práticas anticoncorrenciais no setor de delivery de alimentos. O histórico recente da Keeta na Ásia coloca uma pimenta ainda mais forte nesse caldeirão. Segundo informações apuradas pelo RR, concorrentes da plataforma de delivery notificaram ao Conselho a decisão proferida pela Comissão de Concorrência de Hong Kong contra o grupo chinês na última quarta-feira, dia 12. O órgão obrigou a Meituan a revisar práticas consideradas anticompetitivas em seus contratos com parceiros comerciais. A empresa terá de remover cláusulas de exclusividade, penalidades aplicadas a restaurantes que passassem a atuar em apps concorrentes e restrições para que estabelecimentos oferecessem preços menores em outros canais. Essas práticas, segundo a autoridade local, tinham o potencial de elevar barreiras à entrada, reduzir rivalidade e manter preços artificialmente altos — afetando diretamente restaurantes e consumidores. A decisão coincide com a partida da atuação da Keeta no Brasil, a partir de Santos.
A Meituan, ressalte-se, já havia sido alvo de uma sanção bilionária em 2021, quando foi multada em R$ 2,6 bilhões pelo órgão antitruste da China (SAMR) por práticas semelhantes. Agora, com a expansão internacional da marca e sua estreia no Brasil, o histórico regulatório começa a ser incorporado às análises locais.Em contato com o RR, a Keeta informou que “mantém comunicação estreita com a comissão de Hong Kong e chegou a um acordo mútuo para promover o desenvolvimento saudável e de longo prazo do mercado de entregas de comida e bebida. A autoridade em Hong Kong afirmou que a Keeta foi cooperativa ao abordar suas preocupações e agiu de boa fé, e irá voluntariamente modificar disposições, com alterações que se tornarão legalmente vinculativas posteriormente. A Keeta acredita firmemente que a competição saudável contribui para o crescimento sustentável do setor e continuará a colaborar com a indústria de comida e bebida para o sucesso mútuo, cultivando conjuntamente um ecossistema de mercado diversificado que beneficie todos os consumidores”.

#Cade

MSC, CMA CGM e Maersk atracam no TCU na véspera de decisão sobre o Tecon 10

17/11/2025
  • Share

Amanhã o TCU deverá bater o martelo sobre o modelo de licitação do Tecon 10, o novo terminal de contêineres do Porto de Santos. No fim da tarde de sexta-feira, corria em Brasília a informação de que a Corte está inclinada a derrubar o formato determinado pela Antaq. A conferir. A agência estabeleceu à participação no leilão de investidores que já operam terminais de contêineres em Santos, caso de MSC, CMA CGM e Maersk. Nos últimos dias, o trio intensificou o lobby junto ao TCU para barrar as regras da Antaq, com o argumento de que elas ferem os princípios de isonomia, prejudicam a competição pelo ativo e podem reduzir o valor da outorga. A área técnica do Tribunal e o Ministério Público junto ao TCU, vale lembrar, já se posicionaram pela derrubada da regra. Do lado oposto, o Ministério de Portos e Aeroportos e a própria Antaq têm atuado para manter o modelo em duas fases – MSC, CMA CGM e Maersk entrariam apenas em uma segunda etapa, caso não haja propostas na primeira rodada. No limite, o resultado de amanhã no TCU definirá não apenas quem poderá participar da licitação, mas também o desenho concorrencial do maior porto da América Latina. O projeto do Tecon 10 prevê investimentos de R$ 5,6 bilhões ao longo dos próximos 25 anos.

#Maersk

Pão de Açúcar busca fôlego e tenta alongar dívida de R$ 2,7 bilhões

17/11/2025
  • Share

A família Coelho Diniz, principal acionista do Pão de Açúcar, está buscando junto aos bancos credores um alongamento da dívida da rede varejista, em torno de R$ 2,7 bilhões. Depois de cortar mais de 700 funcionários e reduzir seu capex, o clã elegeu como prioridade repactuar o passivo e vender ativos não estratégicos. A alavancagem do Pão de Açúcar está acima da média do setor – a relação dívida líquida/Ebitda é superior a três vezes. A rodada de conversas com os bancos é apenas parte do complexo processo de renegociação das dívidas da companhia. O movimento mais intrincado é a repactuação de um passivo tributário da ordem de R$ 15 bilhões – 70% desse valor equivalem a multas e juros acumulados da Receita Federal.

#Pão de Açúcar

Todos os direitos reservados 1966-2026.

Rolar para cima