Arquivo Notícias - Página 112 de 1964 - Relatório Reservado

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A difícil reconstrução da PDG

14/11/2025
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A PDG está no meio do fogo cruzado. Nos últimos dias, ricocheteiam no mercado especulações sobre o futuro da incorporadora imobiliária. De um lado, surge a informação de que a empresa estaria prestes a ser alvo de uma aquisição hostil em bolsa – hoje, seu market cap não passa de R$ 6,6 milhões; do outro, há relatos de que o management da companhia estaria até mesmo trabalhando com a hipótese de encerramento gradual das atividades caso não haja um novo aporte de capital. Em contato com o RR, a PDG rechaça essa possibilidade. A empresa informou ter retomado suas operações com dois empreendimentos em obras: o ix. Tatuapé, com entrega prevista para os próximos meses e o ix. Santana. A companhia diz ainda que “há previsão de novos lançamentos em um futuro breve”.

O fato é que a crise financeira da PDG tem contribuído para alimentar dúvidas e questionamentos em relação aos próximos passos da empresa. A companhia atravessou uma conturbada recuperação judicial entre 2017 e 2021 para a repactuação de mais de R$ 8 bilhões. Mesmo com o fim da RJ, ainda não conseguiu dar ao mercado sinais claros de recuperação. No ano passado, teve um prejuízo de R$ 336 milhões, frente um lucro de R$ 1,74 bilhão em 2023. No primeiro semestre deste ano, acumulou perda de R$ 183 milhões, 35% superior à registrada no mesmo período em 2024. Em outubro, a PDG anunciou o segundo grupamento de ações no ano na tentativa de conter o desabamento dos papéis. Desde janeiro, a ação caiu 99,7%. Hoje, é negociada em torno de R$ 0,010.

Além das dificuldades de performance da PDG, o mercado se ressente também da falta de informações mais claras sobre o atual quadro societário da empresa. No mês passado, houve dois grandes movimentos de acionistas. O Itamaracá Fundo de Investimento em Direitos Creditórios vendeu integralmente a sua participação, equivalente a 35,1% do capital. Quase que simultaneamente, o VKR Fundo de Investimento em Direitos Creditórios se desfez de toda as ações da incorporadora em sua carteira, correspondente a 33,18%. Perguntada sobre a atual composição acionária, a PDG disse ao RR que “possui capital muito pulverizado e controle difuso, sem acionistas com posição acima de 5%”. A empresa afirmou ainda que “a saída do Itamaracá é reflexo da capitalização de créditos em ações com posterior monetização. Desta forma, a saída do Itamaracá, ou de qualquer outro acionista advindo do mecanismo de capitalização de créditos em ações, é prevista quando se trata de conversão de dívidas em equity, conforme Plano de Recuperação da Companhia”.

Ruralistas pressionam BB em meio à escalada de inadimplência no agro

14/11/2025
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O BB está mais uma vez diante do dilema de ser banco ou ser do Brasil. O trade off em questão vem no rastro do recorde de inadimplência no agronegócio – 8,1%, segundo o dado mais recente da Serasa Experian –, que tem feito disparar o confisco de maquinário e terras dados como garantia a financiamentos. O desafio do Banco do Brasil é se equilibrar entre as suas próprias regras de compliance e de gestão de risco e a crescente pressão política por um waiver aos produtores agrícolas. Segundo informações apuradas pelo RR, a bancada ruralista tem cobrado da diretoria do BB uma ampla renegociação dos empréstimos e a suspensão da execução de garantias previstas nos contratos em aberto. A Frente Parlamentar da Agricultura reivindica também a ampliação de linhas de crédito especiais, com custo subsidiado ou prazos mais longos para produtores atingidos por perdas climáticas. Outro pleito é o reconhecimento de garantias alternativas, como seguro agrícola ou contratos de compra futura, em substituição àquelas fixadas originalmente em contrato, envolvendo notadamente máquinas e a própria terra.
O cerco da bancada ruralista ao Banco do Brasil aumentou após as recentes declarações do vice-presidente de Controles Internos e Gestão de Riscos da instituição, Felipe Prince. O executivo afirmou que o BB pararia de conceder empréstimos aos agricultores que pedirem proteção judicial contra falência: “Eles não terão crédito hoje, amanhã nem nunca mais”. A fala caiu como uma bomba entre os ruralistas, inclusive com pressões sobre o governo para a saída de Prince do cargo. O fato é que o Banco do Brasil caminha sobre uma corda bamba: de um lado, o aumento da inadimplência, que reduz seus resultados; do outro, as pressões e o inexorável custo político e social da eventual suspensão de empréstimos a produtores rurais com dívidas em aberto. Ou, em um cenário ainda pior, o impacto de uma possível onda de execuções de garantias contratuais.
Em contato com o RR, o Banco do Brasil informa que lançou “novas linhas de crédito amparadas pela Medida Provisória nº 1.314/2025, utilizando recursos próprios e fundos supervisionados pelo Ministério da Fazenda. Essas iniciativas oferecem condições especiais para a liquidação ou amortização de dívidas de produtores rurais cujas atividades foram prejudicadas por eventos adversos, com prazos de até nove anos para quitação, incluindo um ano de carência”. Consultado especificamente sobre pressões políticas para evitar a execução de garantias e o confisco de bens de agricultores, o BB adota um tom protocolar e diz que “mantém permanentemente abertas as soluções para prorrogação de dívidas rurais, abrangendo todos os segmentos e atividades agropecuárias, conforme os preceitos do Manual do Crédito Rural, analisando cada caso individualmente e ajustando as parcelas de pagamento conforme o fluxo de caixa dos produtores”. O Banco do Brasil disse ainda ao RR que “o aumento da inadimplência no crédito agro não se deve a um único fator, mas a uma combinação de elementos econômicos, financeiros e climáticos, como a elevação do endividamento, redução das margens das principais culturas e eventos climáticos adversos”.
Como não poderia de ser, o Banco do Brasil, responsável por praticamente a metade do crédito rural do país, sente em seu balanço o impacto da crise no setor. Em setembro, o índice de inadimplência na carteira de empréstimos agrícolas chegou a 5,34%. No terceiro trimestre do ano passado, estava em 1,97%. Ou seja: em 12 meses, o volume de financiamentos não pagos quase triplicou. O cenário, notadamente para o pequeno e médio produtor rural, é sombrio. No Centro-Oeste e no Sul do país, notadamente no Rio Grande do Sul, já se verifica um aumento do arresto de bens por instituições financeiras. Sem recursos, muitos agricultores sequer conseguiram iniciar o plantio da safra 2025/26. De acordo com relatório da Conab, a área cultivada de arroz caiu 5,6% em relação ao ciclo anterior. No caso do trigo, a redução é ainda mais expressiva: 19,9%.

#Banco do Brasil

Corte de custos põe Correios em rota de colisão com fundos imobiliários

14/11/2025
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O plano de cortes de custos que está sendo elaborado pela direção dos Correios atira para os mais diversos lados. Segundo informações filtradas pelo RR, contempla o enxugamento de funcionários terceirizados e a redução da frota de veículos. O aperto mais contundente, contudo, está reservado para a estrutura imobiliária da estatal. Os Correios pretendem se desfazer de imóveis próprios e encerrar antecipadamente contratos de aluguel. A empresa tem cerca de R$ 4 bilhões entre prédios, estruturas de distribuição e outras propriedades. De acordo com o balanço dos próprios Correios, o equivalente a R$ 1,4 bilhão se refere a imóveis “cedidos” ou “desocupados” – a estatal não discrimina a quantidade de bens nas duas categorias. Em contato com o RR, os Correios informaram que “todos os contratos e estruturas serão revistos com foco em eficiência e transparência. As mudanças visam modernização e racionalização de gastos”. A companhia afirma ainda que “haverá readequações logísticas e tecnológicas, mas sem comprometer a presença nacional dos Correios”.
A devolução de imóveis locados traz a reboque o risco de contenciosos. Vide o litígio com a Rio Bravo, de Gustavo Franco, e a Tellus Investimentos, que administram o fundo imobiliário Rio Bravo Renda Logística (TRBL11). Os Correios rescindiram unilateralmente o contrato de aluguel de um centro de distribuição em Contagem (MG), pertencente ao TRBL11. O fundo acionou a estatal na Justiça, cobrando uma indenização de R$ 306 milhões.

#Correios

O país da COP30 não consegue dragar o rio Amazonas

14/11/2025
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Em meio à COP30, logo ali, “pertinho” de Belém, as empresas de navegação que operam no rio Amazonas cobram do ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, a dragagem urgente da via fluvial. Segundo dados encaminhados à Pasta, o nível da lâmina d’água em alguns trechos já está abaixo dos 14 metros, contra 17,7 metros há dois anos. O assoreamento tem obrigado as companhias a reduzir o volume de carga ou mesmo interromper a circulação em determinadas rotas. Há registros de encalhes de embarcações. Entre os trechos críticos estão Manaus-Itacoatiara, Coari-Codajás e São Paulo de Olivença-Benjamin Constant. Nas conversas com emissários das empresas de logística, Costa Filho tem acenado com a liberação de verbas adicionais para o DNIT acelerar obras de desobstrução do Amazonas e afluentes. Há cerca de dois anos, o Ministério liberou R$ 280 milhões para a dragagem de rios da região. O dinheiro não deu nem para a saída.

#COP30

Anatel prepara nova regulação para internet satelital

14/11/2025
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A Anatel discute a elaboração de um novo marco regulatório para a internet via satélite no país, diante do avanço acelerado de tecnologias como o Direct-to-Device (D2D), que conecta satélites diretamente a celulares. A avaliação interna é que a regulamentação atual, formulado para serviços de satélite tradicionais e para o modelo de Estações Terrenas de Pequeno Porte (VSAT), já não oferece segurança jurídica suficiente para a entrada de novas constelações de baixa órbita, como Starlink, Kuiper e Telesat. Há brechas que vão desde a ausência de regras específicas para mitigação de interferências em banda S e banda L até a falta de parâmetros claros sobre compartilhamento de espectro entre serviços móveis e satelitais.
Empresas do setor privado têm pressionado a agência por mais previsibilidade. Operadoras móveis defendem limites técnicos e obrigação de coordenação explícita para evitar congestionamento do espectro, enquanto empresas de satélite pedem simplificação do processo de licenciamento, considerado lento e fragmentado.

#Anatel

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