Política externa
O “downgrade” calculado de Celso Amorim nas conversas com os EUA
Ao pé do ouvido, Celso Amorim segue como o principal conselheiro de Lula na área de política externa. No entanto, o presidente da República decidiu promover uma espécie de downgrade circunstancial do fiel colaborador, tirando Amorim da linha de frente das tratativas com a Casa Branca. Esse papel caberá à troika Geraldo Alckmin, Fernando Haddad e Mauro Vieira. O entendimento é que Alckmin, Haddad e Vieira conferem um grau de institucionalidade e impessoalidade maior às conversas com os Estados Unidos.
De todas as autoridades que participaram da conversa telefônica com Donald Trump, na manhã de ontem, Amorim teve a presença mais contida, segundo fonte do Palácio do Planalto. O embaixador, contudo, permanece como observador e conselheiro onipresente. Até porque Lula gosta, confia e se acostumou com participação do assessor ao seu lado em reuniões e teleconferências. Figura marcante de todos os mandatos de Lula, seja como chanceler, seja como assessor direto do presidente, Amorim tem revelado sinais de fadiga. O desgaste físico em sua idade com a carga de stress inevitável de sua função tem mudado a realidade das suas condições de trabalho. Amorim está resguardado para missões e encontros bilaterais nos quais poderá tatear sensibilidades de outros países em relação às negociações com os Estados Unidos. Agora, o projeto está entregue ao “Departamento de Estado” do governo, em uma tour de force que parece ser a mais importante da história das conversações bilaterais do Brasil. Amorim seguirá a fila, mas com trunfos junto ao presidente que permanecem intactos e garantidos.
#Celso Amorim