O avanço nada silencioso da Inpasa sobre a Vibra

Mercado

O avanço nada silencioso da Inpasa sobre a Vibra

  • 2/03/2026
    • Share

Corre no mercado que o empresário José Odvar Lopes, dono da Inpasa, voltou a comprar volumes significativos de ações da Vibra em Bolsa. Por meio de diferentes veículos de investimento, Lopes já teria mais de 12% do capital, consolidando-se como o maior acionista individual da antiga BR Distribuidora. O que antes surgia sob forma de mera suposição agora já ganha contornos de algo inexorável: tudo leva a crer que o empresário planeja indicar integrantes para o Conselho e conquistar influência direta na gestão da Vibra.

Há, inclusive, relatos ouvidos pelo RR de que Lopes tem mantido tratativas com outros acionistas minoritários da Vibra na tentativa de articular um bloco de votos coordenado para assembleias gerais e disputas futuras de assentos no conselho de administração. Procurada pelo RR, a Inpasa não se manifestou.

José Odvar Lopes encontrou caminho aberto para avançar no capital da Vibra. Essa estrada foi pavimentada, sobretudo, pelo Cade. Em meados de fevereiro, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica aprovou sem restrições o investimento de Lopes na companhia. A área técnica do órgão antitruste entendeu que, não obstante a integração vertical entre produção de etanol e distribuição, não haveria capacidade nem incentivo econômico para fechamento de mercado ou discriminação de concorrentes. A linha é tênue. A Vibra é a maior distribuidora de etano do país; a Inpasa, por sua vez, é uma das maiores produtoras. Minoritários da Vibra já manifestaram preocupação à Comissão de Valores Mobiliários sobre possíveis conflitos de interesse e implicações de governança decorrentes da interseção societária entre as duas empresas.

Com a crescente escalada no capital da Vibra, José Odvar Lopes poderá costurar por dentro uma aproximação da companhia com a Inpasa, fazendo com que ambas avancem em sinergias comerciais e estratégicas no mercado de etanol e combustíveis renováveis. Se essa convergência se consolidar, o empresário poderá, na prática, dissolver o muro informal que hoje mantém as companhias em campos distintos, alinhando produção e distribuição sob uma lógica de coordenação estratégica cada vez mais estreita. Seria quase uma fusão. Aonde Lopes pretende chegar ao investir na Vibra? A resposta parece cada vez mais clara.

#Inpasa

Leia Também

Todos os direitos reservados 1966-2026.

Rolar para cima