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O réquiem para a Enel São Paulo está encomendado. Ao menos pela concorrência. A Iberdrola fez chegar ao Palácio do Planalto e ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, um plano de investimentos da ordem de US$ 2 bilhões na distribuição de energia de São Paulo, segundo informações obtidas pelo RR. A cifra surge como a principal peça na operação de lobby do grupo espanhol para assumir a operação da Enel São Paulo, no centro de uma disputa regulatória e política, no rastro das seguidas falhas no fornecimento de energia. A Iberdrola tem procurado construir, em Brasília e em São Paulo, a narrativa de que é capaz de entregar aquilo que a atual concessionária não consegue: investimento intensivo e melhora dos serviços prestados. O valor colocado sobre a mesa supera, com alguma folga, o desembolso anunciado pela própria Enel em São Paulo, de R$ 6,2 bilhões. A troca da concessionária e a apresentação de um vultoso programa de investimentos na distribuição de energia na maior cidade do país seriam um valioso ativo eleitoral. Tanto Lula quanto Tarcísio de Freitas tirariam sua casquinha. As tratativas para a substituição da Enel passam diretamente pelo Ministério de Minas e Energia, além da Aneel. Tarcísio, por sua vez, tem feito uma feroz campanha contra o grupo italiano, com uma desabrida defesa da caducidade do contrato. O RR entrou em contato com a Iberdrola, por meio da assessoria da Neoenergia, sua controlada no Brasil, mas a empresa disse que “não comenta rumores de mercado”. Também consultada, a Enel não se manifestou até o fechamento desta matéria.
A Iberdrola, ressalte-se, não está sozinha no páreo. A Equatorial Energia também tem interesse em ficar com a concessão da distribuição de energia em São Paulo. Representantes das duas empresas estiveram recentemente em Roma para negociar com a direção da Enel, conforme informou o Pipeline, do Valor Econômico, no último dia 6. Nessa disputa, é possível dizer que a Iberdrola abriu um corpo de vantagem ao levar ao governo um plano de investimentos concreto. Adicione-se o fato de que no próprio mercado há dúvidas quanto à real disposição da Equatorial de dar um passo desse tamanho neste momento. Não se questiona a capacidade financeira da companhia e de seus acionistas, mas ela vem de dois investimentos vultosos na área de saneamento – Sabesp e, mais recentemente, Copasa. Independentemente de quem venha a assumir o fio desencapado da Enel São Paulo, a solução passa pelo Ministério de Minas e Energia e pela Aneel. Para o governo, o desenho ideal envolveria a renovação da concessão, hoje empacada na agência reguladora, vinculada a uma posterior transferência do controle da distribuidora. Ou seja: uma extensão contratual praticamente on demand. Esse modelo preservaria a continuidade jurídica do acordo e reduziria o risco de judicialização.
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