Buscar
Destaque
A Embraer começa a ganhar terreno na OTAN, na esteira do aumento dos gastos militares dos países membros da aliança. Segundo informações apuradas pelo RR, a companhia mantém tratativas com a Holanda para a venda do Super Tucano A-29N. De acordo com a mesma fonte, Espanha e Itália também sinalizaram a intenção de encomendar um lote de aeronaves.
O A-29N tem preço médio de 16 milhões de euros. Trata-se de um modelo desenvolvido para atender a especificações da OTAN. Entre outras adaptações, possui sistemas de comunicação criptografada compatíveis com a STANAG (Standardization Agreement), acordo de padronização firmado para aumentar a interoperabilidade entre equipamentos militares dos países do Tratado do Atlântico Norte. Consultada, a Embraer não se manifestou.
O aumento das tensões globais tem se refletido na carteira da Embraer. O backlog da divisão de Defesa & Segurança da companhia fechou o primeiro semestre em US$ 4,3 bilhões, o dobro do volume de pedidos firmes registrados em junho do ano passado.
A empresa tem feito um esforço comercial focado na OTAN, que começa a dar resultados. Em junho do ano passado, a Embraer fechou a venda conjunta de nove aeronaves KC-390, de transporte militar, para a própria Holanda e a Áustria. Poucos meses depois, em dezembro, assinou um contrato de 200 milhões de euros com a Força Aérea de Portugal envolvendo a negociação de 12 Super Tucanos A-29N – as três primeiras unidades foram entregues há duas semanas.
Disposta a consolidar uma posição estratégica dentro do espaço da OTAN, a empresa brasileira já anunciou estudos para instalar uma linha de produção na Polônia. Inicialmente, o objetivo seria a montagem do KC-390. Mas, segundo o RR apurou, o projeto deve se estender também à produção do A-29N. É uma forma da empresa aproximar a fabricação e manutenção de aeronaves militares das cadeias de suprimento financiadas pelos países da OTAN.
Ressalte-se que a Aliança do Tratado do Atlântico Norte firmou um compromisso de aumentar seus gastos na área de defesa para 5% do PIB até 2035 – quase dobrando essa proporção, hoje em torno de 2,7%.
Todos os direitos reservados 1966-2026.