15.01.19

Do General ao superministro, com carinho

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, sempre contou com o estímulo do ex-comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas. Moro ouviu palavras de elogio ditas em encontros pessoais e sempre esteve na linha de alcance dos recados indiretos do general. Entre os dois há uma grande empatia e cordialidade. Antes de transmitir o cargo de comandante do Exército para o general Leal Pujol, o general Villas Bôas se encontrou com Moro, de quem ouviu sobre os planos para prosseguir no combate à corrupção sistêmica no país. O ministro da Justiça afirmou que essa é uma guerra permanente. Teria dito que a operação não é mais a Lava Jato, mas a “Lava para Sempre”. São palavras, aliás, que deverão ser ouvidas por muito tempo a partir dos próximos dias. O general assentiu. Villas Bôas sempre foi um entusiasta do homem e de suas ideias. Tornou clara sua admiração no discurso de transmissão de cargo, quando ombreou Moro com o presidente Jair Bolsonaro e o general Braga Netto, comandante da intervenção no Rio, como as referências republicanas do nosso tempo. Villas Bôas vai para a História. E Moro segue para cumprir o que antecipou ao general: organizar uma força-tarefa nacional, desconcentrando o antigo forte apache de Curitiba e ampliando as sinergias entre o Ministério Público e Polícia Federal. A geração de fatos na área criminal é um dos instrumentos de sustentação do governo Bolsonaro. É um bem em si e eficiente ferramenta política. Poder similar ao de Moro em outras democracias somente o exercido por John Edgar Hoover, diretor geral do FBI, considerado a maior organização policial do mundo, que permaneceu no cargo por 48 anos.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.