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22.05.19
ED. 6119

Palocci ataca novamente

O juiz Luiz Antonio Bonat, substituto de Sérgio Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba, estaria prestes a autorizar a publicação de mais trechos da delação do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci. O alvo prioritário seria o ex-governador de Minas Gerais Fernando Pimentel, com novas denúncias sobre o esquema de propinas para a compra de Medidas Provisórias no governo Lula.

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17.05.19
ED. 6116

Souza Cruz costura “PPP” com o governo para voltar à era dos grandes lucros

No biênio de 2016/2017 o lobby da indústria tabagista no Brasil chegou perto de R$ 150 milhões, segundo uma fonte do RR que pertenceu aos quadros da Souza Cruz, empresa responsável por 90% desses gastos. A companhia é uma máquina de lobby. Deixa a indústria armamentista, por exemplo, a ver navios. A decisão de partir para o jogo pesado foi tomada devido ao explosivo descontentamento da British American Tobacco (BAT) com o fechamento de capital da subsidiária brasileira, em 2015.

A direção da empresa no Brasil foi responsabilizada pelo equívoco. A Souza Cruz tinha lucros espetaculares. Em um ano, crescia 40%; no outro, 50%. Era a ação mais rentável do mercado brasileiro. Quase concomitantemente ao fechamento de capital, explodiu o contrabando de cigarros, combinado ao aumento da concorrência na praça de São Paulo e a mais e mais impostos – a recompra de ações se deu justamente em meio à escalada tributária, iniciada em 2013. Em 2017, a invasão do mercado brasileiro pelos cigarros paraguaios bateu recorde – pela primeira vez, o produto contrabandeado chegou a mais de 50% do mercado brasileiro. O fechamento de capital foi avalizado como injustificável pela matriz.

Para pagar o prejuízo somente por meio da parceria com o governo brasileiro. Um jogo ganhaganha. Na Souza Cruz montou-se uma operação internamente chamada “o cigarro é nosso”. O RR enviou uma série de perguntas à companhia, que não quis se pronunciar. Embaixadores dessa “cigarrolândia” foram despachados para convencimento das áreas fiscal, política, fazendária, policial etc. O então ministro da Agricultura, Blairo Maggi, foi atraído para o lobby, no segundo trimestre de 2016, tornando-se um dos principais interlocutores da empresa. Ações de divulgação e seminários foram realizados com o Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial, que tem a subsidiária da BAT como um dos principais financiadores.

O ministro do Desenvolvimento Social do governo Temer, Osmar Terra, foi atraído para palestra contra a legalização das drogas, patrocinada pela companhia. Um encontro liderado pela empresa com a senadora Ana Amelia e todas as entidades do setor – Ampro Tabaco, SindiTabaco, Abifumo, Afubras – reuniu diversos parlamentares para discutir o contrabando no mercado de cigarros. A Souza Cruz é apontada também como “campeã de contribuições ocultas” para o Instituto de Direito Público (IDP), que tem como sócio o ministro do STF Gilmar Mendes. O contrabando do cigarro tornouse um inimigo nacional.

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, que agora analisa a criação de um grupo de estudos sobre a vantagem da redução dos impostos da indústria tabagista, esteve entre as autoridades cortejadas pela Souza Cruz. Se os números especulados sobre a redução tributária estiverem na direção certa, o setor veria de volta perdas da ordem de R$ 7,5 bilhões. Tomando-se como base a sua participação no mercado, na faixa de 80%, a “restituição” à Souza Cruz seria de aproximadamente R$ 6 bilhões, equivalente ao lucro líquido da empresa no último quadriênio. Nesta “Parceria Público Privada” com o objetivo de resgatar os polpudos lucros que ficaram no passado, a BAT responderia generosamente à decisão do governo anunciando a disposição de investir em uma fábrica de cigarros eletrônicos no Brasil, uma das suas apostas no mundo. O pleito ainda está em estudos na Anvisa. Provavelmente a empresa vai usar sua máquina de lobby para que esse investimento, tão benéfico à saúde do brasileiro, mereça incentivos fiscais. O fato é que muita fumaça ainda vai rolar.

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14.05.19
ED. 6113

Pacto interministerial

Seja qual for o resultado da votação da Medida Provisória 870 em plenário, os ministros Sérgio Moro, Paulo Guedes e Damares Alves firmaram um pacto: não haverá alterações nos principais cargos de chefia da Funai e do Coaf, independentemente da Pasta que abrigará os dois órgãos. Pelo menos é o que foi combinado.

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10.05.19
ED. 6111

A quem interessa um Coaf sem poder de polícia?

Antes que se iniciem as torrenciais maledicências, não é uma demanda de Paulo Guedes o iminente retorno do Coaf para o Ministério da Economia. A medida só tem uma tradução: a redução dos dispositivos e da força-tarefa que vêm sendo montados por Sérgio Moro para intensificar o combate à corrupção e a crimes financeiros. A medida expõe Guedes e o atrapalha nas grandes batalhas pelas reformas estruturais.

À primeira vista, não há probabilidade da manutenção do projeto do ministro da Justiça na Pasta da Economia. Moro idealiza um Coaf conectado à Polícia Federal e ao Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional, subordinados à Justiça. Além da já anunciada duplicação do quadro de funcionários, composto por 37 servidores, também estão programados investimentos para a integração do Conselho com a área de Inteligência da PF. Os planos de Moro preveem ainda a nomeação de especialistas em lavagem de dinheiro para postos-chave no Coaf.

O cartão de visitas já foi apresentado: indicado por Moro, o presidente do Coaf, Roberto Leonel, foi chefe da Inteligência da Receita Federal em Curitiba e atuou no caso do Banestado e na Lava Jato. No momento, qualificar qualquer tipo de ação política por trás do movimento pendular do Coaf é quase um exercício epistemológico. As circunstâncias não suportam diagnósticos cartesianos. A quem interessa desmobilizar o aparelho de investigação de crimes financeiros formulado por Sérgio Moro a partir do Coaf? O Centrão?

Os investigados pela Lava Jato? Os condenados por Moro? Olavo de Carvalho? Antes que alguém faça qualquer ilação sobre o relacionamento atávico entre Paulo Guedes e o mercado financeiro, ressalte-se logo que essa associação é venal. A celeuma em torno da volta do Coaf à Economia pode não passar de mera fumaça. Ontem mesmo, em mais um movimento errático, Jair Bolsonaro fez um apelo, ainda que tímido, para que o plenário do Congresso devolva o Coaf a Moro. Por enquanto, o projeto do ministro da Justiça segue de pé. Mas tudo pode acontecer. Até mesmo não acontecer nada.

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10.05.19
ED. 6111

A solidão dos paladinos e a tradução do engodo

Se Rubem Braga fosse vivo, imbuído pelos eflúvios da solidão do militar e do sacerdote, mudaria o título do seu primeiro livro de crônicas. Ao invés de “O conde e o passarinho”, a obra de Braga se chamaria “O general e o ornitorrinco”. As alusões são e não são óbvias. O general é o ex-comandante do Exército Eduardo Villas Bôas, combatente do eu sozinho contra o desrespeito que grassa as instituições e assola o país.

O ornitorrinco é o abandonado e pseudo superministro Sérgio Moro, candidato a ex-candidato a uma vaga na Suprema Corte. Entenda-se a associação um tanto oblíqua entre Moro e o ovíparo. O ornitorrinco é o mais solitário dos animais. Vive a contradição do desejo de andar em pares e da repulsa dessa mesma companhia. Villas Bôas tem desempenhado batalhas homéricas nesses últimos três anos.

Talvez o resiliente general nunca tenha enfrentado um momento de solidão tamanha do que quando da sua ida ao Congresso, representando a si próprio, para prestar apoio ao ornitorrinco. Moro, que sempre esteve em larga companhia, estranha agora andar sozinho, vendo solapadas as bases de um poder prestes a virar vento. O general e o ornitorrinco falam o mesmo dialeto. Buscam o caminho do correto por linhas incorretas às vezes. O general, na sua homenagem a Moro, foi aplaudido de pé por motivo que não era o presente. O ministro foi vaiado em silêncio. Ambos escrevem a quatro mãos uma crônica sobre a asfixia nacional. O título já está pronto e eles nem sabem: “Jair Bolsonaro, nem capitão, nem presidente.”

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O ministro Sérgio Moro, ao que parece, quer distância de balbúrdia nas redes sociais. Cerca de um mês após entrar no Twitter, segue apenas 13 perfis, limitando-se à conta oficial de Jair Bolsonaro ou de Ministérios. Nada de Carlos ou Eduardo Bolsonaro, os agitadores-mor da República virtual.

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02.05.19
ED. 6105

Fronteiras fechadas

A defesa de Marcia Mileguir, investigada pela Lava Jato, vai recorrer ao STJ. Em março, o juiz Luiz Antonio Bonat, substituto de Sérgio Moro na 13ª Vara Federal, negou o pedido para que ela viajasse aos Estados Unidos para acompanhar um suposto tratamento médico de seu filho. O “novo Moro” não se convenceu com os laudos e atestados apresentados pela defesa. Desconhece-se a carta que os advogados de Marcia têm na manga para dobrar o STJ. Presa na 56ª fase da Lava Jato, Marcia é acusada de ter participado, ao lado do companheiro David Arazi, de um esquema de corrupção que teria desviado cerca de R$ 67 milhões na construção da nova sede da Petrobras em Salvador.

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30.04.19
ED. 6104

No radar de Moro

Sabe-se lá o que Sérgio Moro está buscando na Jordânia. Mas o fato é que, somente agora, dez anos após a sua assinatura, o Ministério da Justiça colocou em pleno vigor um acordo de cooperação firmado com o país asiático ainda no governo Lula. O convênio bilateral prevê a troca de informações e documentos no âmbito jurídico, rastreamento e bloqueio de bens e repatriação de ativos mantidos irregularmente.

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15.04.19
ED. 6094

República virtual 1

A Força Sindical prepara um “tuitaço da Previdência”. O Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar fez uma tour de force para levantar os perfis de deputados e senadores nas redes. A ideia é utilizar as mídias digitais para viralizar críticas e propostas para a PEC da Previdência, constrangendo publicamente os parlamentares.

República virtual 2

Na esteira da triunfal chegada de Sérgio Moro no Twitter (620 mil seguidores em uma semana), há uma campanha dos “bolsonaristas” nas redes sociais para que Paulo Guedes também crie o seu perfil.

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Depois do café da manhã com Jair Bolsonaro, Luciana Gimenez quer entrevistar Sérgio Moro no seu programa.

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11.04.19
ED. 6092

Há método nos assassinatos no campo

A Comissão Pastoral da Terra divulgará amanhã as macabras estatísticas do campo no Brasil. O  estudo será remetido ao ministro Sérgio Moro. O levantamento mostrará que, ao longo de 2018, o país registrou 28 mortes por conflitos de terras. O Pará foi o líder desse triste ranking, com 16 assassinatos. Em termos quantitativos, os números poderão soar como um alento: em 2017, foram 71 mortes. No entanto, o estudo confirma uma tendência preocupante: há pelo menos dois anos, os assassinatos têm se concentrado em líderes agrários, ou mesmo indígenas e quilombolas. Em 2017 e 2018, quase 60% das vítimas comandavam movimentos sociais nas suas respectivas regiões. Um dos casos mais notórios foi o assassinato, em dezembro do ano passado, de José Bernardo da Silva, chamado de “Orlando”. Ele era líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na Paraíba.

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11.04.19
ED. 6092

O petista pró-Moro

No rastro da grave crise na segurança pública do Ceará, o governador Camilo Santana tem mobilizado a bancada do estado no Congresso a favor da votação do pacote anticrime do ministro Sérgio Moro. O empenho do petista pró-Moro é tamanho que já começa a causar mal-estar dentro do partido.

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03.04.19
ED. 6086

É alta a percepção de que Jair Bolsonaro não concluirá o seu mandato

Sondagem RR

O presidente Jair Bolsonaro não vai chegar ao fim do seu mandato. Este é o veredito da maioria dos 230 assinantes do Relatório Reservado – dirigentes empresariais, banqueiros, juristas, parlamentares, cientistas políticos e analistas de mercado – consultados pela newsletter entre os dias 22 e 26 de março. Questionados sobre a hipótese de Bolsonaro não completar os quatro anos de governo, 69% dos entrevistados consideraram esta probabilidade alta (58%) ou média (11%). Apenas 31% classificaram como baixo o risco de o presidente da República não concluir seu mandato. Ressalte-se que esta foi a primeira pergunta feita aos entrevistados na enquete, justamente com o objetivo de evitar que a resposta eventualmente fosse influenciada pelo restante do questionário. Antes que o leitor tire conclusões precipitadas, informamos que a motivação desta sondagem são as recorrentes menções à hipótese do presidente não cumprir os quatro anos de mandato. Pode se afirmar que praticamente todos os colunistas da imprensa tangenciaram o assunto em determinado momento, mesmo que o objetivo, em alguns casos, fosse considerar a tese despropositada. De qualquer forma, a repetição do tema é um fato em si só. É importante enfatizar também que esta não é uma pesquisa quantitativa, mas uma sondagem de sentimento. As percepções em relação ao governo captadas nesta enquete podem ser explicadas pela incapacidade de fazer a economia reagir, falta de apoio dos empresários, perda de popularidade, incompetência na articulação política, suspeições sobre a própria família Bolsonaro, deterioração do relacionamento com a mídia profissional, problemas que se repetem nestes primeiros três meses de gestão.

O risco vem dos demais Poderes

De acordo com a sondagem, o Congresso Nacional é percebido como o front de maior ameaça à continuidade da gestão Bolsonaro. O RR perguntou aos seus assinantes “Caso você tenha considerado como alta ou média a probabilidade de um eventual afastamento do presidente Jair Bolsonaro, qual é o principal grupo de pressão que poderia precipitar a abreviação do seu  mandato?” O Legislativo recebeu 32% das respostas, certamente motivadas pelas repetidas crises no relacionamento entre o Palácio do Planalto e o Parlamento e incapacidade demonstrada pelo governo até o momento em conduzir a articulação política. Na sequência, o Judiciário foi apontado por 28% dos consultados. De alguma forma, a percepção de que o Legislativo e o Judiciário podem vir a ser os dois maiores responsáveis por um eventual impedimento do presidente reproduz o passado de uma maneira transversa. Bolsonaro foi um dos apoiadores das ações nos dois Poderes que culminaram com a queda da presidente Dilma Rousseff. As demais respostas mostram um elevado grau de pulverização. À exceção do Legislativo e do Judiciário, nenhum outro grupo de interesse atingiu mais de 10% na enquete. Os empresários receberam 8% dos votos. Trabalhadores e sociedade organizada, que, de alguma forma, podem ser vistos como blocos geminados, tiveram, respectivamente, 8% e 7%. A mídia foi apontada por 6% dos assinantes como o principal grupo capaz de levar ao impedimento de Bolsonaro. O dado mais representativo, no entanto, talvez seja o reduzido volume de respostas para os militares – também 6%. Ou seja: a sondagem desfaz a percepção, existente em alguns setores da sociedade, de que as Forças Armadas poderiam vir a ser um eventual agente de desestabilização do atual governo. Por último, apenas 5% dos consultados entendem que todos os grupos de interesse citados na sondagem seriam responsáveis, numa espécie de ação compartilhada, por um eventual afastamento de Bolsonaro.

 

O perigo mora no Congresso

O Congresso está no cerne de outra pergunta da sondagem. O RR indagou aos consultados “Caso você tenha considerado como alta ou média a probabilidade de um eventual afastamento do presidente Jair Bolsonaro, na sua avaliação qual o principal motivo que levaria à  eventual interrupção do mandato?” O esgarçamento das relações com o Legislativo liderou as respostas, com 26%. Na sequência, apareceu o quesito “Falta de decoro”, com 14%. Ou seja: entre aqueles que consideram expressiva as chances de um afastamento de Bolsonaro, as atitudes do presidente são vistas como um potencial detonador desse processo. A crescente impopularidade do Capitão ficou com 11%. Logo a seguir, veio a crise econômica, com 10%. Para 9% dos consultados, um impeachment poderia vir pela contaminação por atos familiares. Trata-se de um ponto curioso, no qual Bolsonaro não seria o agente, o protagonista da ação, mas, sim, refém de eventuais malfeitos de seus filhos, notadamente Flávio Bolsonaro, às voltas com o caso Queiroz. Empatado com o mesmo percentual (9%) surge uma possível acusação de gestão temerária.  Ainda neste quesito, outra resposta chama a atenção: na avaliação dos assinantes do RR, a saúde do presidente Jair Bolsonaro é vista como um fator maior de risco para a continuidade do governo (8%) do que uma eventual acusação de malversação de recursos (5%). Trata-se de um indício de que a facada ainda está no imaginário das pessoas. Por fim, apenas 3% disseram acreditar na hipótese de uma eventual renúncia do próprio Bolsonaro. Significa que, na avaliação dos entrevistados que tratam como expressiva a probabilidade de afastamento de Bolsonaro, ele se daria por externalidades e não por vontade própria.

Desgosto com a economia

A percepção de descontentamento com os primeiros meses de mandato é reforçada por outra questão da sondagem. Diante da pergunta “O governo está atendendo às suas expectativas na área econômica”, 82% disseram que “não”. Pelo já mencionado corte dos assinantes do RR, é um alerta de insatisfação que vem dos andares mais altos e mais influentes da pirâmide. Entre os assinantes do RR, 79% entendem ser alta (67%) ou média (12%) a probabilidade de o Capitão perder apoio entre o empresariado. Apenas 21%  vislumbram esta possibilidade como baixa. A expectativa é que a  rejeição ao governo se espraie de forma generalizada. Na opinião de 97% dos entrevistados, é alta (80%) ou média (17%) a probabilidade de que a perda de popularidade de Bolsonaro prossiga. Um universo residual, de apenas 3%, classifica esta hipótese como baixa.

A falta que faz a articulação política

O RR também pediu aos seus assinantes para analisar quais são os principais fatores de risco para o governo Bolsonaro, classificando o seu grau de problematização como alto, médio ou baixo. A excessiva interferência da prole de Jair Bolsonaro é vista como um importante motivo de desestabilização da gestão. Para 92% dos ouvidos, a constante intromissão dos filhos em assuntos do governo, notadamente no próprio Executivo, é um fator de risco alto (74%) ou médio (18%). Apenas 8% dos consultados enxergam o notório espaço de Eduardo, Carlos e Flávio Bolsonaro como um transtorno menor para o Capitão. Mais uma vez, fica evidente o quanto a incapacidade de articulação política tem deteriorado as avaliações da opinião pública em relação à gestão. Para 89% dos consultados, a dificuldade de entendimento com o Legislativo é um fator de risco elevado (68%) ou intermediário (21%) para o presidente Bolsonaro. Há outra questão delicada que também passa pelo ambiente familiar: as denúncias que pairam sobre o clã Bolsonaro. Para 77% dos entrevistados, o potencial de criminalização da família (leia-se o caso Queiroz e a proximidade com milícias no Rio de Janeiro) é um fator de risco alto (48%) ou médio (29%) para o governo.

Redes sociais

O RR também consultou seus assinantes sobre outra questão visceralmente ligada à excessiva participação dos herdeiros, notadamente de Carlos Bolsonaro, no governo. No total, 87% dos entrevistados consideram o uso indevido das redes sociais como um alto (71%) ou  médio (16%) fator de risco para o presidente. Apenas 13% entendem que a demasiada comunicação por meio do perfil pessoal do presidente da República não é um empecilho relevante. Vem dos Estados Unidos outra ameaça potencial à estabilidade política do governo Bolsonaro. Entre as classificações de alto (51%) e médio calibre (19%), 70% dos entrevistados entendem que a influência danosa de Olavo de Carvalho é uma dificuldade de relevo para o Palácio do Planalto. Os 30% restantes classificaram o “guru da Virginia” como um problema de baixa envergadura para Bolsonaro.

O Fator Mourão

Nem tudo são espinhos. Em contrapartida à crescente reprovação entre os empresários e à perda de popularidade, outro item da sondagem reforça haver a percepção de que o estamento militar se manterá como um dos principais grupos de sustentação do governo Bolsonaro. De acordo com a sondagem, a maioria (68%) considera baixa (52%) ou média (16%) a probabilidade de uma queda do apoio das Forças Armadas a Jair Bolsonaro. Somente 32% dos entrevistados entendem haver possibilidade de um gradativo distanciamento entre os militares e o atual governo. Outra resposta reforça o entendimento de que este amálgama será mantido. Para 91% dos assinantes ouvidos pelo RR, são as altas (64%) ou médias (27%) as chances de uma maior participação de egressos das Forças Armadas no Ministério. É ínfimo, portanto, o índice de entrevistados que considera baixa a probabilidade da entrada de novos militares no primeiro escalão (9%). Ressalte-se ainda que, entre os militares que compõem o governo, a mais representativa figura não é percebida, pela maioria, como um fator de risco para Jair Bolsonaro, não obstante sua crescente projeção. Para 46% dos entrevistados, a proeminência do vice-presidente da República, General Hamilton Mourão, é um problema de baixo impacto para a gestão Bolsonaro. Outros 28% classificaram esta questão com algo de peso médio sobre o governo. Apenas 26% entendem que o notório relevo do General Mourão pode vir a representar um risco à gestão Bolsonaro.

Ministros à beira do precipício

O RR perguntou a seus assinantes o quanto a performance negativa de parcela do Ministério (Educação, Relações Exteriores, Família e Turismo) é um fator de risco para o governo. Para 80%, trata-se de uma ameaça altamente relevante (49%) ou média (31%) para a gestão. Apenas 20% classificaram a performance destes ministros como um problema de baixo significado. Não por acaso, segundo a enquete, há uma grande possibilidade de que Bolsonaro substitua ministros da sua cota pessoal que não têm correspondido às expectativas: 94% consideram alta (82%) ou média (12%) a probabilidade de troca – apenas 6% entendem que tudo ficará como está na Esplanada dos Ministérios. Em contrapartida, a julgar pela sondagem, não há percepção de risco quanto aos superministérios de Bolsonaro. Do total de consultados, 88% consideram que são baixas (72%) ou médias (16%) as chances de Paulo Guedes e Sérgio Moro deixarem o governo. Apenas 12% trabalham com uma probabilidade alta de que isto venha a ocorrer.

Economia cresce

Ainda na pergunta sobre o que acontecerá com o governo Bolsonaro (classificando quanto à probabilidade – alta, média ou baixa), há uma divisão quanto às expectativas em relação à economia. Para 49% são altas (41%) ou médias (8%), as chances de retomada do crescimento econômico em 2019-2020. No entanto, 51% classificam como baixa esta possibilidade. Mesmo com as notórias dificuldades de articulação política, os assinantes do RR acreditam que a reforma da Previdência vai passar. Consultados sobre a ameaça de reprovação da PEC no Congresso, 88% classificaram esta hipótese como baixa (68%) ou média (20%). Somente 12% dos assinantes ouvidos pela newsletter trabalham com o cenário mais caótico e cravam que existe uma alta probabilidade de a grande agenda do governo Bolsonaro – no momento, a única – ser rechaçada pelo Congresso. A relação com a mídia profissional também está no pipeline com uma questão de relevância no mosaico político. Para 81% dos entrevistados, é alta (58%) ou média (23%) a probabilidade de que esta convivência piore ao longo do mandato. Somente 19% consideram baixa a hipótese de atritos ainda mais contundentes. •

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03/04/19 7:14h

dbmario@uol.com.br

disse:

É uma vergonha o RR aderir a esta campanha massiva da mídia nitidamente insatisfeita por motivos óbvios!!!!!!

01.04.19
ED. 6084

Sérgio Moro busca munição financeira para a Polícia Federal

Ao mesmo tempo em que tenta, a duras penas, avançar com seu pacote anticrime no Congresso, o ministro Sérgio Moro abriu outro front de combate dentro do governo. Moro tem pleiteado à área econômica a liberação de recursos adicionais para a Polícia Federal. O orçamento para 2019 é praticamente o mesmo do ano passado – em torno de R$ 7,5 bilhões. O aumento do efetivo da PF está condicionado à munição financeira extra.

Sem o reforço, a corporação não conseguirá colocar em marca o plano de contratar ainda neste ano de 500 a mil dos aprovados em concurso realizado em 2018. Não é só: a Justiça defende a realização de novo processo seletivo. Estima-se que hoje a PF tenha um déficit, por exemplo, de aproximadamente 400 delegados em seus quadros por conta de restrições orçamentárias, que se acentuaram nos últimos quatro anos.

Consultado pelo RR, o Ministério da Justiça confirmou que “há o pedido de aumento de despesa relativo às nomeações do concurso realizado em 2018, além do pedido de autorização de novo concurso.” A Pasta informou ainda que “o Ministério da Economia também deverá ser provocado para se manifestar acerca viabilidade do atendimento do pedido.” A escassez de pessoal tem se refletido diretamente no ritmo de trabalho da PF. É bem verdade que, nos últimos anos, o grau de complexidade e o volume de operação cresceram consideravelmente – a Lava Jato praticamente exigiu uma Polícia Federal só para ela. Ainda assim, a corporação tem levado, em média, um ano e nove meses para concluir uma investigação. Em 2017, esse índice era de um ano.

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26.03.19
ED. 6080

Moro desliza na direção do Senado

Em contraponto à conflituosa relação com Rodrigo Maia, Sérgio Moro vem buscando uma maior proximidade do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, correligionário de Alcolumbre, tem ajudado na construção da ponte. Moro tenta encontrar no Senado o apoio para o seu pacote anticrime que lhe falta na Câmara. Amanhã, por sinal, o ministro participará de audiência na CCJ da Casa para destrinchar as suas propostas.

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25.03.19
ED. 6079

Mão armada

O senador Major Olímpio e o deputado federal Capitão Augusto, próceres da “bancada da bala”, costuram uma operação-tartaruga para brecar projetos de interesse de Rodrigo Maia em retaliação à fritura do pacote anticrime de Sérgio Moro. A articulação política do governo Bolsonaro é um faroeste.

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22.03.19
ED. 6078

Sérgio Moro aperta o cerco a abusos sexuais por religiosos

Os escândalos protagonizados por João de Deus e Prem Baba, apenas para citar casos mais recentes e emblemáticos, viraram assunto de Estado. O ministro da Justiça, Sérgio Moro, trabalha para aumentar a punição contra crimes de abuso sexual praticados por religiosos. As discussões envolvem também o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. As duas Pastas pretendem encaminhar ao Congresso projeto de lei tornando as penas ainda mais rigorosas, notadamente a partir da tipificação de agravante – por definição, o autor de um crime desta natureza aproveita-se de uma condição de ascendência e de certo mando sobre a vítima. A Pasta da Justiça confirmou ao RR que Moro “conversou com a ministra Damares Alves sobre o projeto” e que ela “encaminhará o texto para avaliação do Ministério”. Segundo o RR apurou, na próxima semana Moro e Damares deverão ter uma nova reunião, desta vez com a presença de promotores do Ministério Público de Goiás que atuam nas investigações das denúncias contra o médium João de Deus. Como qualquer assunto que envolva religião e suas instituições, o tema é delicado. Para além dos casos que ganharam notoriedade mais recentemente, passa também pelas denúncias de abuso sexual que pairam sobre a Igreja Católica, Por sinal, a investida de Moro se dá no momento em que a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) anuncia que ampliará sua Comissão de Proteção a Menores, com o intuito de coibir e punir crimes de abusos contra crianças e adolescentes cometidos por clérigos.

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28.02.19
ED. 6065

Sérgio Moro defende uma Lei de Licitações mais punitiva

Uma das propostas que Sérgio Moro quer ver incluída na nova Lei de Licitações é o aumento da pena para fraudes e desvios em concorrências e contratos públicos. A sanção passaria a ser de oito a dez anos de prisão – a legislação atual estabelece de três a seis anos. Moro pretende ter um papel mais proeminente na elaboração da Lei. As contribuições do ministro da Justiça teriam como objetivo carregar nos aspectos punitivos do futuro marco regulatório – ainda que não seja este o propósito prioritário da Lei, que está na Câmara e ainda terá de passar pelo Senado. O Ministério da Justiça diz “que não confirma as informações” e que “não há nada relacionado à matéria no âmbito da Pasta”. Ressalte-se que o PL já contempla propostas do Ministério Público. Um dos artigos estabelece que, em caso de crimes envolvendo obras públicas, a comprovação de superfaturamento e sobrepreço seja considerada agravante para a elevação da pena.

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26.02.19
ED. 6063

Vai faltar prisão para os motoristas assassinos

O governo Bolsonaro vai apertar o cerco aos assassinos do volante. Há estudos para tornar ainda mais rigorosas as punições previstas no Código Penal e no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), com o intuito de aumentar o grau de criminalização dos motoristas que provocarem acidentes fatais sob efeito de álcool ou droga. As discussões passam pelos ministros da Justiça, Sérgio Moro, e da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, que responde também pela presidência do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). A ideia é equiparar os homicídios culposos no trânsito a sanções previstas no pacote anticrime da Justiça.

Um exemplo: o juiz poderá negar liberdade provisória se o criminoso for reincidente. Outra proposta é aumentar a pena para o motorista que causar morte após ingestão de entorpecentes. Hoje, a sanção é de até oito anos. As discussões no governo contemplam ampliar a punição para 12 ou até mesmo 18 anos. Uma primeira medida para endurecer os crimes no trânsito já está em curso no Ministério da Justiça. A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) vai publicar até junho o cronograma de implementação do “drogômetro” em todo o país.

A Polícia Rodoviária Federal e as Polícias Militares serão dotadas de aparelhos capazes de identificar o consumo de entorpecentes pela saliva. Consultado sobre o pacote de medidas para aumentar as sanções, o Ministério da Justiça disse não ter “nenhuma manifestação” sobre o assunto. Sobre o “drogômetro”, informou que a Senad “realizou um estudo com o objetivo de avaliar as principais tecnologias internacionais de detecção do uso de substâncias psicoativas por condutores e verificar a possível implantação delas no país.”

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21.02.19
ED. 6060

Moro não é Bebianno

O ministro Sérgio Moro vai responder às articulações para tirar o Coaf da sua alçada, acelerando as investigações das movimentações financeiras atípicas. Moro não é Bebianno.

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15.02.19
ED. 6056

Decálogo

Reforma da Previdência à parte, o presidente do Senado, David Alcolumbre, comprometeu-se com o Palácio do Planalto a apresentar na próxima semana uma relação de dez projetos que serão votados com prioridade no Senado. A lista deverá ser encabeçada pelo programa anticrime de Sérgio Moro.

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13.02.19
ED. 6054

Pena de morte é tema de Bolsonaro antes da cirurgia

O pacote anunciado por Sérgio Moro na semana passada é apenas o primeiro ato. Segundo fonte do Palácio do Planalto, a gestão Bolsonaro pretende trazer para o centro das discussões sobre segurança pública o mais polêmico e radical instrumento de dissuasão e punição de criminosos: a pena de morte. O próprio governo tem tratado de contribuir para a construção gradual de um discurso capaz de influenciar a opinião pública e justificar a instituição da pena capital. Autoridades centrais da gestão Bolsonaro vêm fazendo seguidas menções aos chamados crimes hediondos, justamente aqueles que provocam maior repulsa da sociedade.

Além do clã dos Bolsonaro, uma das vozes de maior peso no governo favoráveis à pena de morte é a do vice-presidente, Hamilton Mourão. Na campanha, Mourão disse ser “pessoalmente” um defensor da medida. As discussões gravitam em torno do Palácio do Planalto e do Ministério da Justiça, muito embora, segundo o RR apurou, a proposta não encontre eco junto a Sérgio Moro. O ministro defende o endurecimento do código penal, como ficou patente nas medidas anunciadas na semana passada, sem que se chegue à última milha das punições. Não custa lembrar, no entanto, que Moro também era contrário à flexibilização das regras para a posse de armas, ao menos nos termos propostos por Bolsonaro.

Acabou sendo dobrado. Consultada, a Pasta informou que “este assunto não está em discussão no âmbito do Ministério da Justiça”. Perguntado se era favorável ou não à medida, o ministro Moro não se pronunciou. Durante a campanha, assim como em toda a sua trajetória parlamentar, Jair Bolsonaro defendeu a pena de morte reiteradas vezes. Pouco antes de se internar para sua recente cirurgia, tratou do assunto com pelo menos um interlocutor, segundo a fonte do RR. Curiosamente, no fim do ano passado, Bolsonaro chegou a desautorizar publicamente Eduardo Bolsonaro, que havia declarado ao jornal O Globo que o debate da pena de morte seria levado adiante já no primeiro ano de gestão do pai.

A julgar pelo track record, o desmentido faz parte do show. O governo Bolsonaro já mostrou ser afeito do expediente de operar por meio de “referendos” informais, soltando balões de ensaio para testar a opinião pública. Muitos podem não atentar, mas a pena de morte está prevista na Constituição. Segundo o Artigo 5º, em seu inciso XLVII, pode ser aplicada, nos termos do Artigo 84, contra militares ou mesmo civis que cometam crimes de guerra, como traição, deserção, genocídio, terrorismo, entre outros. Caso queira estender a pena capital para crimes comuns, Bolsonaro terá de percorrer um caminho complexo. De acordo com juristas consultados pelo RR, a proposta não pode ser promulgada sequer por meio de PEC.

Em seu artigo 60, parágrafo 4º, inciso IV, a Constituição reza que “Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir os direitos e garantias individuais”. É o caso do Artigo 5º: “Todos são iguais perante a lei… garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida…”. Portanto, para instituir a pena de morte, o governo teria de formar uma Assembleia Constituinte e elaborar uma nova Carta Magna. No entanto, de acordo com a mesma fonte, o Planalto enxerga um atalho constitucional: o governo poderia consultar o eleitorado sobre a convocação de uma Constituinte para fins específicos e previamente estabelecidos, entre os quais a pena de morte.

Dessa forma, não seria necessária uma nova Constituição na íntegra. Recorde-se que, em 2013, a então presidente Dilma Rousseff chegou a flertar com a proposta de convocação de uma Constituinte especificamente para realizar uma reforma política. Na ocasião, o ministro Luiz Roberto Barroso manifestou-se favoravelmente à hipótese, desde que amparada por consulta popular. A notória sintonia entre o Planalto e o presidente do STF, Dias Toffoli, seria um trunfo a mais. Outra peça fundamental neste mosaico é o Legislativo. A maioria dos parlamentares que se posicionaram sobre o assunto deixou claro que a discussão terá de ser esgotada no Congresso. No entanto, a aposta do governo é que nada seria mais forte do que a voz das ruas. No último Datafolha sobre o assunto, em novembro de 2017, 57% se disseram a favor da pena de morte – dez pontos acima do levantamento anterior.

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12.02.19
ED. 6053

A gangorra de Sérgio Moro

Estão sobre a mesa de SéEstão sobre a mesa de Sergio Moro números frescos sobre o combate à corrupção no Brasil em 2018. A Polícia Federal apreendeu cerca de R$ 1,8 bilhão em operações desta natureza. A cifra engloba valores em espécie, além de bens bloqueados. Moro, no entanto,rgio Moro números frescos sobre o combate à corrupção no Brasil em 2018. A Polícia Federal apreendeu cerca de R$ 1,8 bilhão em operações desta natureza. A cifra engloba valores em espécie, além de bens bloqueados. Moro, no entanto, ainda avalia se apresentará ou não os indicadores na próxima semana, em Paris, onde participará de reunião do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI) – organização de investigação e repressão a lavagem de dinheiro e fi nanciamento ao terrorismo. Dependendo do ângulo que se olhe, os números podem ser positivos ou frustrantes. O valor amealhado corresponde praticamente a metade do total apreendido em 2017, cerca de R$ 3,7 bilhões. De alguma forma, ambos os resultados vão para a conta de Moro. A maior parte dessa derrama veio da Lava Jato, capitaneada por ele.

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11.02.19
ED. 6052

Os cabos eleitorais de Sérgio Moro

Depois dos governadores, Sérgio Moro vai buscar o apoio dos prefeitos ao seu pacote de medidas contra o crime. Hoje, o ministro da Justiça vai se reunir com representantes do Conselho de Secretários e Gestores Municipais de Segurança. Também está sendo costurado, ainda para esta semana, um encontro entre Moro e prefeitos das principais capitais brasileiras. Mais uma vez, o governo federal lançará mão da estratégia de usar os governadores e alcaides como um atalho para o Congresso Nacional, cabendo a eles a tarefa de pressionar suas respectivas bancadas pela aprovação das medidas.

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04.02.19
ED. 6047

Dia D

Sérgio Moro terá uma efeméride pela frente: em 17 de março, a Lava Jato completará cinco anos. Por si, os folguedos estão garantidos. Se um peixe graúdo cair na rede, aí a data ganha ares de feriado cívico.

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01.02.19
ED. 6046

Pelo jeito, ninguém se entende

A política pública de segurança pública começa a bater na porta do gabinete do ministro da Justiça, Sérgio Moro. Relatório da CGU apontou que “encontra-se desalinhada” com a Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social a estratégia de aquisição de equipamentos para os estados, via BNDES – que tem uma linha de crédito própria de cerca de R$ 22 bilhões. Para os técnicos da controladoria, portanto, “ainda não se pode dizer que há um denominador comum de governança nessa área”.

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29.01.19
ED. 6043

Greve geral

O ministro Sérgio Moro vai dividir com o GSI a missão de monitorar os preparativos da greve geral convocada pelas centrais sindicais para o dia 20 de fevereiro. Além da questão da ordem pública, o assunto também entra na jurisdição do superministério de Moro por outra via. Com o fim da Pasta do Trabalho, a Justiça assumiu a Coordenação-Geral de Registro Sindical, carregando para si parte da interlocução com as entidades da classe trabalhadora.

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23.01.19
ED. 6039

Moro defende criação da quarta força armada

Há um casamento de oportunidade para o ministro Sérgio Moro mostrar o seu poder no combate ao crime organizado. Moro estaria defendendo, em caráter de urgência, o fortalecimento e ampliação do efetivo da Força Nacional de Segurança (FNS), que funciona na alçada do Ministério da Justiça. O upgrade contemplaria não apenas a aquisição de novos equipamentos e armamentos, mas também a implementação de curso preparatório específico, com base em treinamento militar.

Moro seria favorável também à transformação da Força Nacional de Segurança em uma guarda nacional de caráter permanente. Hoje a instituição é composta por agentes de segurança de forças estaduais – como Polícia Militar, Polícia Judiciária e Corpo de Bombeiros – convocados de forma extraordinária pelo ministro da Justiça. Ao adotar estas medidas, Moro juntaria o útil ao agradável – se é que o termo se enquadra às circunstâncias. Com a explosão de violência em diversos estados, o ministro da Justiça atenderia um pleito antigo, notadamente de governadores, pela transformação da FNS em uma força permanente.

Essa proposta chegou a ser avaliada pelo presidente Temer no início do ano passado, pouco antes de decretar intervenção no Rio. Ao mesmo tempo, o aumento do efetivo e o uso da Força Nacional resolveriam um nó constitucional. A necessidade de intervenção federal em estados como Ceará, Roraima e Espírito Santo tem sido discutida no governo – ver RR edição de 11 de janeiro. No entanto, essa medida entraria em conflito com a agenda de interesse do Palácio do Planalto no Congresso, a começar pela reforma da Previdência, que só pode ser feita mediante emenda na Constituição. A Carta Magna veda a votação de PECs durante vigência de intervenção federal. Caso o governo assuma a gestão da segurança pública em algum estado neste momento, isso exigirá posteriormente um desgastante contorcionismo.

Seria necessária a suspensão temporária do regime especial para a aprovação da reforma da Previdência. O tema é controverso. No ano passado, não custa lembrar, quando o presidente Michel Temer interveio na segurança pública no estado do Rio de Janeiro, juristas discordaram quanto à possibilidade de suspensão ou revogação da intervenção. O ministro Dias Toffoli afirmou à época que a reforma da Previdência poderia tramitar. Por sua vez, o presidente do Senado, Eunício de Oliveira, chegou a dizer que o ato impedia o andamento da PEC no Congresso. Não que o Exército vá se furtar a cumprir seu papel constitucional. Mas o fortalecimento da FNS ajudaria a compor o mosaico da segurança pública, reduzindo a necessidade de participação direta dos militares nos estados. A guarda permanente cumpriria essa atribuição, tornando-se uma espécie de quarta força armada. Ressalte-se que esse ser híbrido não se trata de uma jabuticaba. Vários países, notadamente na Europa, mantêm a figura das Gendarmerias, uma instituição de caráter militar que exerce funções de polícia no âmbito da população civil.

 

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16.01.19
ED. 6034

Procura-se

Para o ministro Sérgio Moro, a extradição de Cesare Battisti para a Itália está longe de ser o epílogo deste folhetim. Um troféu ainda mais reluzente será a prisão dos eventuais colaboradores da fuga de Battisti para a Bolívia.

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15.01.19
ED. 6033

Do General ao superministro, com carinho

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, sempre contou com o estímulo do ex-comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas. Moro ouviu palavras de elogio ditas em encontros pessoais e sempre esteve na linha de alcance dos recados indiretos do general. Entre os dois há uma grande empatia e cordialidade. Antes de transmitir o cargo de comandante do Exército para o general Leal Pujol, o general Villas Bôas se encontrou com Moro, de quem ouviu sobre os planos para prosseguir no combate à corrupção sistêmica no país. O ministro da Justiça afirmou que essa é uma guerra permanente. Teria dito que a operação não é mais a Lava Jato, mas a “Lava para Sempre”. São palavras, aliás, que deverão ser ouvidas por muito tempo a partir dos próximos dias. O general assentiu. Villas Bôas sempre foi um entusiasta do homem e de suas ideias. Tornou clara sua admiração no discurso de transmissão de cargo, quando ombreou Moro com o presidente Jair Bolsonaro e o general Braga Netto, comandante da intervenção no Rio, como as referências republicanas do nosso tempo. Villas Bôas vai para a História. E Moro segue para cumprir o que antecipou ao general: organizar uma força-tarefa nacional, desconcentrando o antigo forte apache de Curitiba e ampliando as sinergias entre o Ministério Público e Polícia Federal. A geração de fatos na área criminal é um dos instrumentos de sustentação do governo Bolsonaro. É um bem em si e eficiente ferramenta política. Poder similar ao de Moro em outras democracias somente o exercido por John Edgar Hoover, diretor geral do FBI, considerado a maior organização policial do mundo, que permaneceu no cargo por 48 anos.

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11.01.19
ED. 6031

Vulpino

Há uma raposa do PSL que considera a onda de feminicídios e abusos de menores como o primeiro degrau para que se chegue à pena de morte. A visibilidade desse circo de horrores vai aumentar. Em tempo: o projeto do castigo letal, caso seja realmente levado às últimas consequências, deverá sair do gabinete de Sérgio Moro. E daí para um plebiscito.

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11.12.18
ED. 6012

Guarda suíça

O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, que deixou a força tarefa da Lava Jato em setembro, foi sondado por Sérgio Moro para integrar sua equipe no Ministério da Justiça. Lima era o segundo na hierarquia do “petrolão” no Ministério Público Federal, atrás apenas de Deltan Dallagnol, também cotado para fazer parte desta nova “força-tarefa”.

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10.12.18
ED. 6011

“Superagência” da Agricultura morre antes de brotar

“Super” no governo Bolsonaro, ao que parece, só Paulo Guedes e Sérgio Moro. A proposta de transformação da Secretária de Defesa Agropecuária (SDA) em uma “superagência” fiscalizadora do agronegócio, que conta com o aval da futura ministra, Tereza Cristina, deverá morrer ainda na raiz. O projeto não poderia ter maior adversário na “nova República”: o próprio Guedes. O ministro da Economia não quer concorrência para a Receita Federal. O projeto, concebido pelo atual ministro Blairo Maggi e levado para a mesa da equipe de transição por Tereza Cristina, prevê que a “superagência” seja responsável não apenas pela fiscalização, mas pela cobrança, arrecadação e gestão de metade das multas aplicadas ao setor agrícola – papel que compete ao Fisco. O “super” ministro da Economia não admite abrir mão dessa receita.

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07.12.18
ED. 6010

Nem a CVM escapa do apetite de Moro

Em meio às discussões sobre a transferência de funções e órgãos de governo para o Ministério da Justiça, o entorno de Sérgio Moro levantou outra bola. Por que não transferir a função de polícia da CVM para o novo superministério? A delegação para perseguir os detentores de informações privilegiadas é a licença que falta no estoque de instrumentos de Moro contra a corrupção. A CVM ficaria com a regulamentação e fiscalização das normas. Diga-se de passagem, a autarquia sempre foi um xerifetímido ou mesmo ausente. Moro está em pleno gozo do controle do Coaf. E já avisou aos banqueiros que pretende prestar especial atenção aos desvios das instituições financeiras. O policiamento dos crimes no mercado de capitais, pedaço mal tratado da CVM, cai como uma luva em suas mãos.

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04.12.18
ED. 6007

Bolsonaro ameaça o estado de direito com o risco de criminalização da repatriação

O governo Bolsonaro vai usar e abusar do medo como prática política. Arrefecerá o grau de fricção com o uso permanente do balão de ensaio como mediador das suas atitudes – dependendo da rejeição à medida, com recuos logo a seguir. É o stop and go aplicado à política. está operando com tensão permanente, usando para isso os filhos, suas manoplas ministeriais, Sergio Moro e Paulo Guedes, e o exército de contingência que ficará sediado no Planalto e demais pastas, leia-se os generais quatro estrelas. O Estado policial que vai ganhando contornos a partir de anúncios recentes se assentará sobre compensações junto aos mais carentes.

Nada mais clássico na história dos populismos de corte autoritário. Sem recursos para investir em políticas assistencialistas, o presidente eleito vai extrair essa poupança do empresariado afeito a práticas inconfessáveis. É o método Moro elevado à política de Estado. Esse é o desenho nítido do governo Bolsonaro que o próprio establishment procura tornar opaco. Faltando pouco menos de um mês para a sua posse, Bolsonaro dá dois exemplos de medidas agudas que passam a ideia de um estado policialesco. Uma delas traz a reboque a premissa da criminalização a priori e se constitui em uma ameaça ao próprio estado de direito, ao colocar sob risco contratos firmados. Trata-se da possibilidade de uma devassa dos contribuintes que aderiram aos programas de repatriação de recursos não declarados à Receita promovidos nos governos de Dilma Rousseff e Michel Temer.

O balão de ensaio subiu aos céus e não foi furado: a informação foi amplamente disseminada na mídia no fim de semana sem ser desmentida. Caberá a Sergio Moro investigar a origem dos quase R$ 175 bilhões regularizados nas duas edições. A rigor, de antemão, a medida já colocaria sob suspeição os quase 27 mil cidadãos e 123 empresas que internalizaram o dinheiro e pagaram suas respectivas multas sob a promessa de que o assunto estaria encerrado aos olhos da Receita Federal e demais autoridades da área financeira. Agora, no entanto, os beneficiários do programa se veem diante do risco de revogação deste indulto. A situação dos contribuintes que aderiram à repatriação, ressalte-se, é razoavelmente frágil do ponto de vista jurídico.

Todos os beneficiários do programa automaticamente assumiram a culpa por manter recursos não declarados ao Fisco no exterior. Portanto, são potencialmente réus confessos. À época, não faltaram juristas elevando a voz em relação a essa vulnerabilidade, que poderia ter sido evitada, por exemplo, com a aprovação de uma PEC. Novos governos geram dúvidas sobre o futuro. A gestão Bolsonaro já se notabiliza por lançar interrogações sobre o passado. Vai pelo mesmo caminho a voracidade com o que o futuro governo promete caçar novos acordos de leniência com empresas que admitiram irregularidades em contratos com a administração pública. Assessores de Bolsonaro já soltaram ao vento a meta de arrecadar cerca de R$ 25 bilhões com as multas.

Não se sabe os critérios utilizados para se chegar a tal cifra, o que, por ora, abre um vasto leque de especulações sobre a amplitude da medida. Todas as empresas que prestam serviços ao setor público são suspeitas até prova em contrário? Essas medidas seriam embaladas com um discurso em nome da transparência, da faxina na corrupção, da higienização da República, o que conferiria legitimidade e asseguraria o apoio popular às ações. Mas o grande apelo seria a indexação das propostas ao bem-estar social. Ao colocar direitos adquiridos no espremedor, Bolsonaro retiraria o sumo necessário para cobrir a isenção de imposto de renda para quem ganha até cinco salários mínimos, a instituição do 13º do Bolsa Família, a garantia de creche universal para as crianças em idade pré-escolar, renda mínima, entre outras agendas. Dinheiro do crime para o povo. Crime? Qualquer coisa que assim pareça.

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03.12.18
ED. 6006

A disputa por protagonismo na PF

Ainda que por vias indiretas, Sérgio Moro alimentou a disputa de poder dentro da Polícia Federal. As regionais de São Paulo e de Brasília reivindicam o direito de indicar nomes para cargos importantes, como a diretoria de inteligência e a nevrálgica diretoria deinvestigação e combate ao crime organizado. No caso desta última, há uma mobilização para que o atual diretor Elzio Vicente da Silva, ex-superintendente da PF-DF, permaneça no posto. Os delegados paulistas e de Brasília temem perder uma certa primazia na cadeia de comando da PF com a escolha de Maurício Valeixo para a diretoria-geral. O receio é que a “República de Curitiba”, de onde Valeixo é egresso, assuma as rédeas da instituição. Convenhamos, faz todo o sentido.

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20.11.18
ED. 5997

Sérgio Moro e montadoras em rota de colisão

Como se não bastassem os temas de alto quilate que aguardam por Sérgio Moro, caberá ao futuro superministro desvendar um “mistério” sobre quatro rodas: por que, há oito anos, sem cerimônia, o Denatran descumpre a determinação do Ministério da Justiça obrigando os documentos veiculares a registrarem que aquele automóvel não atendeu a um recall da montadora? O órgão garante que a medida será executada em 2019, promessa que já perdeu crédito, tamanho o número de adiamentos. Se Moro se debruçar sobre a questão com o ímpeto que o caracteriza, as montadoras provavelmente terão dias difíceis. Consta que o setor automotivo faz pressão contra a decisão, vista como um “carimbo” de que um determinado modelo saiu com problema de fábrica. Guardadas as devidas proporções, o alerta no documento do carro estaria para as montadoras como as terríveis imagens sobre enfermidades nos maços de cigarro estão para a indústria do tabaco.

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09.11.18
ED. 5991

BNDES vira o banco de fomento da segurança

Sérgio Moro contará com um importante reforço no superministério da Justiça. No governo Bolsonaro, o BNDES deverá ter um valioso papel no fomento do combate ao crime organizado. O banco já está ultimando os trâmites para a criação de seu primeiro fundo patrimonial, voltado exclusivamente para a segurança pública.

A expectativa é de que o montante chegue próximo dos R$ 5 bilhões. A carteira será criada no modelo de endowment, ou seja, com recursos captados junto ao setor privado por meio de doações. A proposta fica como um legado da gestão de Raul Jungmann na Pasta da Segurança Pública.

O projeto já está sobre a mesa do governo de transição e, segundo o RR apurou, foi, inclusive, objeto de discussão no encontro que Sergio Moro teve com o próprio Jungmann na última quarta-feira. A ideia é que os recursos sejam usados no fortalecimento dos serviços de Inteligência e na aquisição de armamentos pelas forças de segurança pública estaduais. Consultado pelo RR, o BNDES informou que “vai apoiar o Ministério da Segurança Pública na estruturação e execução de PPPs para a construção e operação de unidades prisionais federais ou estaduais.”

A operação será municiada com recursos do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen), que servirão como lastro para a remuneração dos parceiros privados. O banco não se manifestou especificamente sobre o fundo patrimonial. Mas, no próximo dia 13, realizará um seminário exatamente sobre “endowment”, um indicativo do que está por vir. Ressalte-se que, em maio, o banco já havia criado um programa específico para o financiamento das polícias militar e civil – o BNDES Pro-Segurança Pública.

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07.11.18
ED. 5989

O “super-delegado” do “super-ministro”

O delegado da Polícia Federal Marcio Anselmo está bem cotado para integrar o grupo de “intocáveis” que Sérgio Moro pretende levar para o Ministério da Justiça. Anselmo, por si só, é uma grife: responsável por iniciar as investigações da Lava Jato, em Curitiba, em 2014, inspirou um dos policias da série “O Mecanismo”, da Netflix. Hoje, está na chefia da Coordenação-Geral de Repressão à Corrupção (CGRC).

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05.11.18
ED. 5987

ESPECIAL – Christian Lynch, jurista e cientista político: Sérgio Moro é Sérgio Moro

Só digo uma coisa aos que acham que o juiz Sérgio Moro será garantia de estado de direito no governo Bolsonaro: Moro não é Luís Roberto Barroso. Sérgio Moro parece conservador de quatro costados, ao passo que Barroso é um “liberalão”. Isso significa que ele usará a sua criatividade doutrinária para chancelar medidas repressivas. Querendo entrar para o Supremo Tribunal Federal (STF), como quer, terá de amarrar sua sorte à do futuro presidente por mais de um ano e meio, até vagar o assento na Suprema Corte. A ver.

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01.11.18
ED. 5986

Sérgio Moro leva Bolsonaro a remontar o tabuleiro da Defesa e da Segurança Pública

O fator Sérgio Moro divide o mandato sobre a segurança pública na gestão de Jair Bolsonaro. O afã de conceder superpoderes ao juiz e, assim, atrai-lo para o governo pode acabar mudando os planos do presidente eleito de atribuir ao general Augusto Heleno o controle total sobre essa área. Segundo o RR apurou, o modelo originalmente concebido previa a fusão dos Ministérios da Defesa e da Segurança Pública, sob o comando do general Heleno.

No entanto, a ideia do convite a Moro surgiu transversalmente, exigindo novas adequações. Tirar a Polícia Federal da Segurança e passá-la para a Justiça faz sentido. Ainda que se possa ponderar sobre um possível efeito colateral: deixar a PF sob a batuta de Moro traria a reboque o risco de restringi-la às funções de braço policial de uma Lava Jato ampliada, agora não mais em Curitiba, mas em Brasília.

No entanto, deslocar o Susp (Sistema Único de Segurança Pública) para o Ministério da Justiça desmontaria toda a concepção que vinha sendo estudada, esvaziando, antes mesmo do seu nascedouro, uma Pasta da Defesa com um perímetro de atuação ainda mais amplo. Ressalte-se que os dados ainda estão rolando e, por ora, nenhum dos modelos cogitados pode ser dado como decidido. Até mesmo em função do iminente aceite de Sérgio Moro, a equipe de Bolsonaro trabalha para encontrar uma divisão diplomática e operacionalmente lógica para a montagem deste puzzle ministerial. Esta questão passa pelo coração da campanha de Bolsonaro.

O combate à violência sempre esteve no epicentro da candidatura e do discurso do Capitão, sendo um dos pontos-chave para a sua eleição. No que depender do desejo do grupo de quatro estrelas que acompanha Bolsonaro, o general Heleno teria o comando central de todo o aparelho de Defesa e Segurança na esfera federal, englobando sob o mesmo guarda-chuva as Forças Armadas, a Polícia Federal, a Força Nacional de Segurança, além dos respectivos serviços de Inteligência destas instituições e da própria Abin. A integração das Pastas da Defesa e da Segurança Pública é vista pelos próprios generais Hamilton Mourão e Augusto Heleno como um encaixe de maior nexo, seja pela afinidade das atribuições envolvidas, seja pela probabilidade de resultados mais eficazes.

A própria presença de Bolsonaro na Presidência da República reforça a ideia de aproximação entre as Forças Armadas e a segurança pública. Com a eleição do Capitão e de Wilson Witzel, que também fincou sua campanha no discurso do combate ao crime, a possibilidade de que a intervenção federal no Rio de Janeiro se estenda por 2019 já está dada. O próprio governador eleito anunciou que solicitará a manutenção do decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) por mais dez meses além do prazo original (dezembro), o que, no mínimo, representaria a permanência dos militares nas ruas do Rio até outubro do próximo ano.

Por esta linha de raciocínio, há ainda outro ponto importante: os elevados índices de criminalidade em grandes regiões metropolitanas do país aumentam as chances de que as Forças Armadas sejam convocadas para atuar na segurança em outras unidades da federação. Por outro lado, os cenários cruzados sobre os quais Bolsonaro e sua equipe trabalham também apontam para uma sinergia considerável caso a Segurança Pública fique na Pasta da Justiça. Moro passaria a comandar um sistema unificado de informações, contemplando também a Secretaria da Transparência e Combate à Corrupção, a CGU e o Coaf. Esta integração seria de grande serventia, por exemplo, para a asfixia do crime organizado. A solução para a equação sairá nos próximos dias. Sobre um ponto não há qualquer discussão no entorno de Bolsonaro: o general Heleno e Sérgio Moro são vistos como peças valiosas e imprescindíveis para o próximo governo.

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21.05.18
ED. 5871

Cochichos da Big Apple

João Doria e Benjamin Steinbruch tiveram uma longa conversa a sós na última semana, durante a passagem dos dois por Nova York para os rapapés do Grupo Lide ao juiz Sérgio Moro.

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16.05.18
ED. 5868

O onipresente Doria

João Doria não desencarnou do figurino de prefeito de São Paulo. Vai aproveitar sua passagem por Nova York, como anfitrião da palestra que Sérgio Moro fará hoje em evento do Grupo Lide, para se reunir com fundos norte-americanos. Na agenda, a privatização do Anhembi e do Autódromo de Interlagos. O atual prefeito, Bruno Covas, também estará presente nas conversas. Mas isso é apenas um detalhe.

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29.01.18
ED. 5796

O sétimo selo de Renato de Duque

O RR apurou que o juiz Sérgio Moro está prestes a finalizar mais uma sentença envolvendo o ex-Petrobras Renato Duque, com base na delação do ex-lobista da Toyo Setal, Julio Camargo. O executivo confessou ter pago R$ 12 milhões em propina a Duque. O ex-dirigente da Petrobras é figurinha carimbada da Lava Jato: já foi condenado por Moro em outros seis processos, cujas penas somam mais de 70 anos de prisão.

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16.10.17
ED. 5725

Pronunciamento simbólico

O juiz Sérgio Moro, e os procuradores Deltan Dallagnol e Carlos Fernando dos Santos Lima deveriam se pronunciar, como cidadãos, em defesa da solução para o imbróglio da leniência. O manifesto não teria como objeto as empresas ou os donos –estes já foram condenados, em sua maioria por decisão ou com o apoio das autoridades citadas; mas, sim, o enorme contingente de desempregados. Os acordos de leniência hoje não saem devido a uma surreal dança das cadeiras entre TCU, MPF, Ministério da Transparência, AGU, entre os mais votados. Com a essa falta de apego ao Brasil real, o desemprego na construção civil e pesada segue em alta – saldo negativo de 1.030 empregos em julho. O setor continua sendo responsável pela queda de 15% do emprego formal do país. Em três anos, a construção perdeu 173 mil postos de trabalho. Uma boa parcela do chamado desemprego estrutural do país deve-se à demolição do setor. Moro, Dallagnol e Lima, como bons brasileiros que são, deveriam se ater não somente à questão ética, mas à das necessidades básicas dessa população.

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05.10.17
ED. 5719

Primeira página

Sérgio Moro e Deltan Dallagnol têm um encontro público marcado no dia 24. Vão participar de evento no jornal Estado de S. Paulo sobre a Operação Mani Pulite, fonte de inspiração da força tarefa da Lava Jato.

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02.10.17
ED. 5716

Linhagem

Recém-condenado por Sérgio Moro a 15 anos de prisão, o ex-gerente da Petrobras Roberto Gonçalves negocia um acordo de delação com a força tarefa da Lava Jato. Gonçalves vem a ser o substituto do notório Pedro Barusco na estatal. Em todos os sentidos.

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28.09.17
ED. 5714

Força-tarefa contra o crime organizado é uma missão sob medida para Sérgio Moro

Se o diretor Brian de Palma filmasse uma versão brasílica de Os Intocáveis, o juiz Sérgio Moro seria um candidato imbatível para interpretar o papel do incorruptível policial Eliot Ness. Na vida real, Moro também cabe no figurino de paladino contra o crime. Só que dessa vez despido da toga de juiz. Como não poderia deixar de ser, o nome de Sérgio Moro foi citado repetidas vezes na reunião entre a Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, o ministro da Justiça, Torquato Jardim, e o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Sergio Etchegoyen.

O encontro teve por objetivo discutir a criação de uma força-tarefa, no modelo da Lava Jato, para o combate ao crime organizado e ao estado paralelo financiado por ele. Veja-se que o enunciado da missão é extenso. O futuro Eliot Ness, que ficará subordinado ao Ministério Público, vai centralizar ações dispersas junto a diversos órgãos do governo. Porém, mais importante é que abaterá dois coelhos com uma única cajadada: criará uma efetiva operação integrada de combate ao crime e livrará as Forças Armadas do inconveniente abacaxi de serem chamadas a toda hora para fazerem figuração no palco de uma guerra na qual sua presença é indesejada pelos próprios militares.

O Rio de Janeiro é o foco da força-tarefa. Não somente em função do crime e da violência registrados na cidade, mas devido a sua capilaridade com todo o Brasil e suas fronteiras. Haja poder para o delegado que colocar essa estrela no peito. O juiz Sérgio Moro está acostumado a deter o mando absoluto na sua esfera de atuação. Teria de acrescer ainda mais em força e autoridade. Algo como um presidente de um Banco Central formalmente independente, com poder sobre tropas, serviços de Inteligência e ingerência sobre as unidades federativas. Um justiceiro judicializado, votado no Congresso.

Moro realizou cursos na CIA – sabe-se lá do que, é bem verdade; tem sua própria patota no Ministério Público, que vibraria em entrar nesse campo; e é obsessivo no combate à criminalidade. Para o governo, deslocá-lo para o centro das ações de segurança do país seria uma demonstração de desprendimento e isenção muito acima das investigações e suspeitas que pairam sob a cabeça de ministros e do próprio presidente. Coisa de estadista, diria a base aliada. E a Lava Jato? Não seria uma sinalização do seu final? Nada!

O próprio Moro validaria sua saída e a ascensão de quem fosse para o seu cargo. Continuariam presentes Marcelo Bretas, Deltan Dallagnol e companhia. E mesmo Lula já estaria tão enforcado que não precisaria de Moro para o golpe final. O juiz já afirmou que não irá para a política. Para o STF dificilmente um novo presidente o indicará. Melhor um juiz mais amigável. E a aposentadoria vem aí. O papel de Eliot Ness lhe caberia como uma luva. Contudo, por enquanto o que existe é um nome ao vento, puro wishful thinking. Já, já a resposta será dada.

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O ex-presidente Lula tem sido ameaçado de morte. Pelo menos é o que diz um interlocutor íntimo. Segundo a fonte, Lula vai revelar as intimidações na audiência com o juiz Sérgio Moro, no próximo dia 13, em Curitiba. Daí para os comícios será um passo.


O testemunho de Antônio Palocci incriminando os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff é bombástico devido à proximidade intestina com ambos, mas não chega a ser revelador em relação aos depoimentos de Marcelo e Emilio Odebrecht. As “novidades” estão guardadas para a negociação da delação premiada. São mais de 50 empresas envolvidas com propinas.


A bomba H de Palocci sobre o setor privado vai surpreender pelo ineditismo dos nomes. O ex-ministro vai avançar em relação ao universo de 47 companhias que contrataram os préstimos de sua consultoria, a Projeto, entre 2007 e 20015.

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13.07.17
ED. 5660

O Dia D de Lula

Lula conversou por oito minutos com José Dirceu ontem no início da tarde, logo após o anúncio da sentença do juiz Sérgio Moro.


Por falar em Dirceu, o ex-ministro tem aproveitado a liberdade para engatar uma intensa agenda de reuniões políticas em seu apartamento. Já deu até para sentir o gostinho dos tempos em que recebia a República em seu quarto no hotel Naoum, em Brasília.


Ontem à tarde, a ordem no PT era acelerar a montagem de uma agenda de eventos públicos e viagens para Lula, que será deflagrada já na próxima semana. Dirigentes do partido, por sua vez, repetiam o mantra: “Lula vai se defender nas ruas”.

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04.07.17
ED. 5653

Chacoalhando as militâncias

Lula avalia participar de comícios nas principais capitais brasileiras ao longo das próximas semanas. Seria uma maneira de chacoalhar a militância às vésperas do veredito de Sérgio Moro.

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26.06.17
ED. 5647

De Lula para o mundo

Lula articula uma entrevista a jornal estrangeiro de grande expressão. Pretende dizer que seu maior propósito é unificar o país, criar um clima de concórdia e terminar com a raiva que hoje os brasileiros têm de brasileiros. Tudo bem que esse seja o discurso lá fora. Mas aqui dentro, depois da sentença de Moro, o pau vai comer firme.

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10.05.17
ED. 5615

Programação-tampão

Na impossibilidade da exibição ao vivo do depoimento de Lula ao juiz Sérgio Moro, o PT montou uma estrutura para transmitir em tempo real nas redes sociais as manifestações previstas para hoje em Curitiba.

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26.04.17
ED. 5606

Lula quer ser crucificado por Moro em cadeia nacional

O ex-presidente Lula vai exigir direitos iguais de transparência no seu depoimento ao juiz Sérgio Moro, conforme apurou o RR. Lula teme que Moro, sob o argumento de defesa da ordem pública frente ao risco de incitamento da população, suspenda a disponibilização das imagens. Segundo os advogados do ex-presidente, o juiz tem dado provas da sua radicalidade. Usam como exemplo a condução coercitiva, em março do ano passado, e a exigência presencial de Lula nos depoimentos das suas 87 testemunhas de defesa.

Sem rede social ou exposição televisiva, a estratégia do ex-presidente será seriamente mutilada. Segundo a fonte do RR, Lula pretende expor o seu flagelo com a Lava Jato no depoimento a Sérgio Moro. A estratégia de vitimização como defesa não provém dos advogados que o auxiliam, mas dele próprio. Lula pretende dar prioridade ao ato político em vez de usar a tribuna para uma defesa nos termos protocolares que vêm sendo ditados por Moro.

Segundo o RR apurou, Lula vai responder às perguntas de Sérgio Moro cobrando as provas e enfatizando sua martirização. Nesta estratégia de “Mandelização” da sua imagem, o ex-presidente quer sair do encontro como um perseguido político, e não como um político acusado de ter cometido crime de corrupção. A garantia da transmissão pública do seu testemunho é considerada mais importante do que a eventual mudança da data do depoimento, que poderá ser transferida do próximo dia 3 para o dia 10 de maio, ou algum outro dia na vizinhança.

Alguns companheiros de luta do ex-presidente consideram o adiamento prejudicial a Lula, pois distancia o evento da série de acontecimentos de forte impacto social que vem sendo chamada de “agenda do fim do mundo”: a greve geral convocada para o dia 28; a votação da reforma trabalhista, prevista para o dia 27, véspera da paralisação; e o envio do texto final da reforma da Previdência à Comissão Especial da Câmara, com objetivo de julgamento pelo plenário exatamente no dia 3 de maio. Lula não marchará o caminho do incitamento – e quem se lembra da sua performance frente ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo sabe que não lhe falta talento para convocação à luta, muito pelo contrário. Mas a hora é do calvário. Se Moro não impedir, vai protagonizar com ele, em transmissão televisiva, o duelo pela cruz da Lava Jato.

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26.04.17
ED. 5606

A vez da Mendes Junior?

A Mendes Junior iniciou tratativas com o Ministério Público Federal para um acordo de leniência. Na paralela, Sergio Cunha Mendes, sobrinho de Murillo Mendes, negocia sua delação com a força tarefa de Curitiba. Agora, pode ser tarde. Sérgio já foi condenado pelo juiz Sérgio Moro a 19 anos e quatro meses de prisão.

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06.04.17
ED. 5594

Forças Armadas são a instituição mais confiável do país; Congresso, a mais corruptível

Parece até que o Brasil voltou no tempo: as Forças Armadas são a instituição mais confiável do país, enquanto o Congresso Nacional é visto como a mais propensa de todas a corrupção. É o que revela sondagem realizada pelo Relatório Reservado junto a uma parcela da sua base de assinantes. A enquete, no modelo de respostas espontâneas, foi feita entre 27 e 31 de março.

Entre os 142 assinantes que participaram do levantamento, 67% apontaram a tríade Exército, Marinha e Aeronáutica como o estamento de maior credibilidade. A boa imagem das Forças Armadas não chega a ser uma novidade. O que chama a atenção é a diferença para os demais. A segunda instituição mais lembrada foi o MP, com distantes 10%. STF e Polícia Federal ficaram em terceiro e quarto, respectivamente com 7% e 5%. A seguir, a Igreja (4%), a imprensa (3%) e o TCU, com 2%. Por fim, apareceram o governo federal e o Congresso, cada um com apenas 1%. A reputação do Parlamento está mesma em baixa.

O Congresso foi citado por 36% dos entrevistados como a instituição mais propensa a atos de corrupção. O governo do Rio ficou em um nada honroso segundo lugar, com 13%. A Petrobras veio logo a seguir, com 10%, um indício de que a estatal ainda terá de trabalhar muito para recuperar sua imagem. Receita Federal e Polícia Militar empataram, cada uma com 6% dos votos. Ressalte-se a presença da própria Presidência da República na relação das instituições mais suscetíveis a corrupção, com 5%, mesmo percentual de citações ao Judiciário.

Na sequência, apareceram o Detran, a Polícia Civil e o governo de Minas Gerais, cada um com 4%. Com 3% surgiu o BNDES, possivelmente por conta das ilações que cercaram algumas operações do banco no governo do PT. Foram votados ainda a Fazenda, 2%, e o BB e a Polícia Federal, cada um com 1%. O RR também perguntou: “Qual é a autoridade que mais honra seu cargo?” Pule de dez: deu Sérgio Moro na cabeça, com 34%. Cármen Lucia ficou em segundo, com 17%. João Doria recebeu 15%; Jair Bolsonaro, 9%. Logo a seguir, Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Lava Jato (7%).

O top five é uma evidência de que o Brasil está cada vez menos “político” e mais “judicializado”. Se não vinculados ao Judiciário, Doria e Bolsonaro personificam em seus discursos o “político que não é político”. Os assinantes do RR mencionaram ainda o presidente da Petrobras, Pedro Parente, com 5%, e ACM Neto (4%). Apenas 2% citaram Henrique Meirelles como um personagem que honra seu cargo público, certamente um reflexo da crise econômica.

Os entrevistados mencionaram ainda Rodrigo Janot e Geraldo Alckmin, com 2% cada um, além da presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos, e de Gilmar Mendes, cada um com 1%. E Michel Temer? Ele aparece no rodapé da enquete, também com 1%. Michel Temer “brilhou” também na quarta e última pergunta: “Se possível, quem você tiraria de um cargo público?”. Entre os entrevistados, 38% cravaram o nome de Temer, mais do que o dobro do segundo colocado, Eliseu Padilha (15%).

Aliás, o Planalto pontificou nos três lugares mais altos do indesejável pódio: Moreira Franco chegou em terceiro, com 11%. Logo atrás, Luiz Fernando Pezão, com 10%. A relação dos “impeacháveis” seguiu com Romero Jucá e Aécio Neves, cada um com 5%. Henrique Meirelles recebeu 4% das respostas. Certamente por outros motivos, o presidente do Senado, Eunício de Oliveira, também foi citado por 4%. Entre os assinantes, 3% disseram que gostariam de ver Maria Silvia fora da presidência do BNDES. Rodrigo Maia foi outro lembrado por 3% dos consultados. Por fim, um fato curioso. Para 2% dos entrevistados, Sérgio Moro é que deveria ser afastado de suas funções. Devem ter lá seus motivos.

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13.03.17
ED. 5576

Problemas de caixa

Nestor Cerveró pretende vender seu apartamento de R$ 6 milhões em Ipanema recém-devolvido pelo juiz Sérgio Moro. Aos amigos, diz estar com “problemas de caixa”.

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06.02.17
ED. 5554

Tempos modernos

A Universidade de Columbia recebe hoje, em evento sobre corrupção no Brasil, o juiz Sérgio Moro, que vai proferir a principal palestra do dia. Amanhã, a estrela será a ministra Cármen Lucia. Não há participantes do Poder Executivo. Tudo bem que o painel será focado em compliance. Mas todos os outros palestrantes são ligados à área financeira. Qual o espanto? Talvez seja este o Brasil de hoje: judicialização e financeirização.

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09.01.17
ED. 5534

Sondagem RR: o futuro de Lula está entre a prisão e o Palácio do Planalto

Sérgio Moro será o grande árbitro das próximas eleições. É o que mostra uma sondagem realizada pelo Relatório Reservado nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador entre os dias 18 e 29 de dezembro. Para 71% dos 418 consultados, Lula será preso neste ano ou, no mais tardar, em 2018. Mas e se ele não for para a cadeia? Bem, neste caso, em vez de Curitiba, seu destino será Brasília: a maior parte acredita que Lula voltará à Presidência da República.

Entre os entrevistados, 58% afirmaram que o ex-presidente vencerá qualquer um dos seus potenciais adversários se puder disputar as eleições. Quem mais tem chance de derrotá-lo é Marina Silva, na opinião de 17%. Para 7%, Lula perderá o duelo para Aécio Neves, o mais bem colocado entre os pré-candidatos do PSDB. Geraldo Alckmin teve 5%, José Serra, 2%, e FHC foi o lanterninha entre os tucanos, com apenas 1% – resultado que tanto pode ser atribuído a uma baixa popularidade ou a uma convicção coletiva de que ele passará longe das urnas em 2018.

Acima de Alckmin, Serra e FHC, surge Jair Bolsonaro, que, na avaliação de 6% dos consultados, superaria Lula em uma hipotética corrida eleitoral. Para 3%, uma vez candidato, o ex-presidente será suplantado por Ciro Gomes. Por fim, apenas 1% crê que o atual presidente Michel Temer venceria o petista em uma eventual disputa eleitoral. Ainda assim, a percepção da maioria é de que o nome de Lula dificilmente aparecerá na urna eletrônica.

De acordo com 42% dos entrevistados, sua prisão se dará neste ano. Outros 29% acreditam que Sérgio Moro deixará a decisão para 2018. Para 5%, o pedido de detenção ficará para o ano seguinte, portanto após as eleições. No entanto, um contingente bastante expressivo (24%) respondeu que Lula não irá para a cadeia – um grupo que certamente mistura fiéis eleitores do ex-presidente com incrédulos oposicionistas.

A pergunta que não quer calar: “Lula é culpado pelos crimes que lhe são atribuídos?”. Para 51% das pessoas ouvidas pelo RR, não há dúvidas: “Sim, as provas disponíveis são definitivas”. Outros 12% comungam da tese do domínio do fato: dizem que “Sim, uma vez que o ex-presidente era responsável por tudo que se passava no governo”. Há ainda 5% dos entrevistados que consideram Lula culpado, mas aproveitam para dar um cascudo na mídia: para eles, a maior parte das acusações é amplificada pela imprensa.

No lado oposto, 21% dos consultados afirmam que o ex-presidente é inocente e vítima de um complô para evitar seu retorno ao Planalto. Outros 7% acreditam que Lula não é culpado porque, até o momento, não há provas de que ele tenha recebido propina. Por fim, 4% dos entrevistados dizem crer na inocência do petista por não haver comprovação de que ele seja o dono dos imóveis citados na Lava Jato.

O Relatório Reservado perguntou ainda como Lula será visto pela população no caso de uma prisão antes de 2018. De acordo com 43%, a detenção reforçará a imagem de “grande corrupto”. No entanto, 29% dos entrevistados acreditam que o cárcere provocará um efeito contrário e o ex-presidente passará a ser visto predominantemente como um herói.

Na avaliação de 6%, nem tanto ao céu, nem tanto ao mar: o ex-operário que chegou ao Planalto perderá importância no cenário político e será esquecido aos poucos. Trata-se do mesmo percentual de pessoas para as quais Lula será considerado um preso político. Para um grupo ligeiramente menor (5%), o papel que caberá a Lula após uma eventual detenção é o de “vilão do PT e dos demais partidos de esquerda”. Outros 11%, no entanto, afirmam que, mesmo preso, o petista será um importante cabo eleitoral em 2018.

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27.12.16
ED. 5525

Lava Jato 2

Com o recesso do Judiciário, boa parte da força tarefa da Lava Jato entrou de férias. Sérgio Moro, também. Nada impede, no entanto, que ele tenha deixado algum mandado de prisão assinado.

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07.12.16
ED. 5511

O fósforo e a pólvora

O Planalto busca desesperadamente uma fórmula de levar Sérgio Moro a reduzir a marcha na delação premiada de Marcelo Odebrecht. Segundo fonte do RR, o argumento, em linhas gerais, é o da boa e velha ética da responsabilidade. Em palavras simples: se Moro deixar a delação correr livre e solta no atual ambiente institucional, vai tocar fogo no país. O problema é como se fala e quem fala. Há o risco da má interpretação do pedido. Moro é afeito da ética da convicção e pode transformar a iniciativa do governo em uma bomba na direção reversa.

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 Eunício de Oliveira recebeu o beijo da morte do Planalto. Ele tinha a garantia de que seria o candidato do PMDB à presidência do Senado em 2017. No entanto, com a devida orientação de Michel Temer, todo o partido estaria deslizando para a candidatura de Romero Jucá. É bem verdade que todo esse barulho pode ser por nada. Quem vai mesmo decidir a parada é Sergio Moro.

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13.10.16
ED. 5474

Ilustre convidado

 João Doria pretende convidar pessoalmente o juiz Sergio Moro para sua cerimônia de posse, em janeiro. Moro, não custa lembrar, já marcou presença nos convescotes empresariais do Grupo Lide, de Doria.

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 Na esteira do seu enorme prestígio, o juiz Sérgio Moro colocou a Maçonaria na moda. Pelo menos na cidade de Curitiba. Moro é grão-mestre da mística fraternidade. •••   A primeira-dama Marcela Temer vai visitar alguns estados para lançar o “Criança Feliz”. Tudo de forma muito comedida. •••  Clarissa Garotinho, filha do ex-governador Anthony Garotinho, tem lugar assegurado em um eventual governo de Marcelo Crivella no Rio de Janeiro.

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 O futuro da democracia brasileira passa, nas próximas semanas, pela antecipação da eleição direta para a Presidência, um pacto entre as principais lideranças políticas e os Poderes da República e a definição sobre a negociação de uma “janela” na Lava Jato para que o pleito possa se dar de forma soberana. A ordem dos fatores altera o produto. O pacto social antecede os demais, pois lubrifica as mudanças constitucionais necessárias e o novo ambiente institucional. O acordão por meio do qual pretende se legitimar as “Diretas Já” é primo distante daquele conspirado por Romero Jucá e Sérgio Machado. É motivado por intenções distintas, pode ser articulado e anunciado à luz do dia e, em vez de ser uma costura entre Eduardo Cunha, Michel Temer, Renan Calheiros et caterva, seria alinhavado, por cima, por Fernando Henrique Cardoso, Lula, Ciro Gomes, Dilma Rousseff, Jaques Wagner, Tasso Jereissati e, acreditem, Aécio Neves, além de empresários de primeira grandeza que voltaram a pensar no Brasil.  Os articuladores não acreditam em uma reação de Temer e sua turma, denunciando o “golpe dentro do golpe”, apesar de estarem atentos aos afagos cada vez mais explícitos do presidente interino aos comandantes militares. O professor de Direito Constitucional e suas eminências pardas sabem que a governança do país é extremamente frágil. Um “frentão” juntaria as ruas com a Av. Paulista e mudaria de direção o leme da imprensa. O espinho é o que fazer com a Lava Jato, que, se por um lado, descortinou as tenebrosas transações com a pátria mãe tão distraída, por outro, gangrenou a democracia com a criminalização do futuro. A instituição de uma “janela” na nossa Operazione Mani Pulite seria uma concessão para que as eleições diretas já não se dessem no ambiente de investigações, delações e aceitação de provas forjadas que sancionam a culpa antes mesmo da denúncia. Pensa-se em algo derivado a partir do modelo de anistia com punições razoáveis criado para a repatriação do capital estrangeiro: quem confessa sua irregularidade não é criminalizado, mas paga multa pecuniária.  Todos os participantes desse programa de adesão espontânea não teriam seus direitos eleitorais subtraídos inteiramente, mas somente no próximo pleito. A condição para que o próprio infrator confessasse a “malfeitoria de fato” sem ser criminalizado esterilizaria os porões das investigações, nos quais a intimidade do cidadão é devassada e revelada no limite dos seus pensamentos inconfessáveis, que nada têm a ver com qualquer dos delitos aventados. É nesse ponto crucial que surge a importância simbólica de Sérgio Moro em toda essa arrumação. Caberia a ele validar a seguinte mensagem: a Lava Jato não morreu, a Lava Jato entrou em uma nova fase. E não vai ter “golpe” e crime estampado diariamente nas bancas de jornais. Vai ter eleição e vai ter governança.

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19.04.16
ED. 5351

Lula sopra para longe a campanha do “Diretas Já”

 Diretas já ou em 2018? Esse é o dilema que está dividindo o “Estado Maior” do PT, a começar por Dilma Rousseff e Lula. Apesar do fragoroso baque político, o governo acha que ainda tem fôlego para ressurgir por outro caminho. A presidente, com o apoio do “lulista” Jaques Wagner, defende que se inicie imediatamente a campanha pela antecipação das eleições. Dilma está destroçada e já tinha ensaiado publicamente a proposta antes da votação do impeachment. Nesse caso, o pleito se realizaria em outubro, junto com as eleições municipais. Por essa visão, o ambiente altamente politizado e a expressiva posição de Lula nas pesquisas de intenção de voto favoreceriam a candidatura. Existe também a leitura de que a precipitação da campanha o blindaria contra a Lava Jato. Seria como se a prisão de Lula fosse “um golpe elevado ao quadrado”.  O ex-presidente, contudo, parece preferir o conselho de Leonel Brizola: “Mingau quente se come pelas bordas”. Lula acredita que, depois da euforia promovida pelo mercado, pela mídia e pela parcela do Congresso que cobrará de Michel Temer sua prebenda, o preço de ser o salvador da pátria vai custar caro ao atual vice-presidente. O seu cobertor ficará curto: ou deixará os empresários insatisfeitos em suas elevadas expectativas ou os trabalhadores ao relento. Agasalhar a ambos é uma missão difícil, que não se coaduna com o perfil de Temer e de seus aliados e muito menos com o seu programa de governo. Lula também acredita que o discurso do “golpe” vai render mais no longo prazo. Ele pretende retomar as viagens ao exterior, buscando criar uma consciência nessa direção, de fora para dentro do país. Toda essa coreografia, é claro, dependerá do STF ou de Sergio Moro.  Temer também pretende fazer suas surpresas. Manterá o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), ainda que com nova composição, e criará um Conselho Superior da República para o qual espera contar com a participação de Fernando Henrique Cardoso. Os programas sociais de menor custo no orçamento e forte impacto inclusivo, a exemplo do Bolsa Família, Pronatec e Fies, não só serão mantidos como também reforçados. Serão a contrapartida da desindexação salarial, da reforma da Previdência e da flexibilização das relações trabalhistas. A novidade das novidades seria uma campanha de governo contra a corrupção, conclamando a todos a ficarem alertas. Com isso, a gestão Temer manteria aceso o espírito do impeachment. Seus compromissos em um futuro governo se entrelaçam desde já: fazer uma administração capaz de apagar o PT da memória e garantir que as eleições se realizem somente em 2018.

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31.03.16
ED. 5338

Boca de urna

 A campanha de João Doria nas redes sociais está centrando suas baterias na viralização de fotos do candidato ao lado de Sergio Moro. O juiz não chega a ser um arroz de festa, mas já esteve pelo menos em dois fóruns da Lide, uma espécie de ONG para ricos empreendida pelo tucano. Segundo fonte do RR, está previsto ainda para o primeiro semestre um retorno do magistrado da moda a um evento de Doria

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29.03.16
ED. 5336

Ministro Extraordinário do Impeachment

 A prerrogativa de arbitrar o timing dos acordos de delação transforma Sergio Moro em uma espécie de “ministro extraordinário do impeachment”. Agora é aguardar se na véspera da votação não vem a divulgação de um novo depoimento ou de algum grampo.

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22.03.16
ED. 5332

Vidas cruzadas

A título de curiosidade: Sergio Moro não só foi assessor de Rosa Weber em 2012 como, à época, chegou a entrar na Justiça contra a Universidade Federal do Paraná para ajustar sua carga horária de aulas e, assim, poder trabalhar com a ministra no STF. Quatro anos depois, Rosa é a relatora do pedido de habeas corpus do mais famoso dos investigados por Moro.

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21.03.16
ED. 5331

Oito cenários à procura da realidade

 As fichas estão sendo apostadas no impeachment de Dilma Rousseff e na prisão de Lula. Mas a ambiência institucional e a volatilidade dos fatos suportam as mais variadas hipóteses, algumas indesejáveis e outras até extravagantes. O RR desenhou seus cenários e deu suas respectivas notas. Escolha o seu. Mas não espere encontrar uma opção tranquilizadora.  CENÁRIO 1: São cumpridos os ritos do impeachment na Câmara e no Senado, e Dilma Rousseff já está pré-condenada por todos. É possível, bem razoável, que Sergio Moro tenha mais alguma gravação “fortuita” para dar o xeque-mate na presidente. Tudo muito rápido. A esquerda patrocina a ideia do exílio de Dilma. Ela vira uma versão grosseira e mal educada de Zélia Cardoso de Mello. Ficará eternamente lembrada como a pior presidente da República de todos os tempos. Nota AAA   CENÁRIO 2: Lula não assume a Casa Civil devido à interpretação condenatória do STF, é preso e, logo a seguir, é sentenciado – no melhor estilo Sergio Moro, a toque de caixa. Pega de 20 a 30 anos de prisão. Algo similar à condenação de Marcelo Odebrecht. A militância do PT desiste de reagir diante do massacre da mídia e da maioria crescente da população, que coloca em dúvida a lisura do ex-presidente. Lula fica engradado e solitário. Esse é o seu pior pesadelo, o do “Esqueceram de mim”. Nota AAa  CENÁRIO 3: Lula consegue assumir o ministério. Faz um discurso seminal em horário nobre. Chama todos à militância. Faz anúncios irresistíveis, a exemplo de um programa de recuperação social e econômica. Lula quebra a espinha dorsal da mídia ao usar à exaustão o horário pago de televisão. Falaria por volta de 10 minutos no horário do Jornal Nacional ou no intervalo da novela das 21 horas. O ex-presidente, com esse show off, reduz a animação dos “coxinhas”. Ainda nesse cenário, Dilma surfa no desarmamento dos espíritos patrocinado por Lula. O impeachment é postergado. Lula e Dilma determinam uma devassa fiscal seletiva e um levantamento de todos os passivos trabalhistas e previdenciários de veículos de comunicação escolhidos a dedo. Nota Bbb   CENÁRIO 4: Lula é preso. Dedica-se a escrever seus diários. Relata como foi perseguido por Sergio Moro, na lenta transformação do regime em um macarthismo verde e amarelo. Com dois ou três anos de cárcere, vai se tornando um ícone, um Nelson Mandela tupiniquim. Nota BBb  CENÁRIO 5: Dilma Rousseff não aguenta a onda e renuncia antes do término da abertura da sessão de impeachment. Lula vence a batalha das liminares no STF e permanece no Gabinete Civil da Presidência. Com um pedido público emocionado de Dilma, segue no cargo mesmo com a renúncia da presidente. Michel Temer assume. Vai governar com Lula. O ex-presidente fica mais à vontade, na medida em que Temer passa a ser investigado no esquema de arbitragem dos preços do etanol na BR Distribuidora e, em segundo plano, do feudo na Companhia Docas de Santos. Nota BBB  CENÁRIO 6: O TSE encontra provas do uso da grana do petrolão para o financiamento de campanha da chapa Dilma/Temer. Game over. Lula é preso. Dilma e Temer rolam o despenhadeiro. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, assume a presidência da República, com o compromisso de realizar eleições em 90 dias. Moro alveja Cunha frontalmente. Assume o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, que carrega um portfólio de denúncias de documento falso, peculato e falsidade ideológica. Renan também cai na rede de Moro. Ascende, então, um togado. O presidente do Supremo – Ricardo Lewandowsky ou, a partir de setembro, Carmem Lucia – cai de paraquedas na Presidência da República. A partir de 2017, portanto na segunda metade do mandato, a eleição do presidente se dará por voto indireto. Os atores que sobem no proscênio da envergonhada política nacional, concorrendo no voto direto ou indireto, são Aécio Neves e Nove cenários à procura da realidade Geraldo Alckmin, Eduardo Paes, José Serra, Ciro Gomes, todos sabidamente patos para Sergio Moro. Sim, restam Marina Silva e Jair Bolsonaro. A julgar pela ausência no momento mais crucial da República, Marina trocaria as eleições no Brasil pelas do Tibet. E Bolsonaro, mesmo que concorra conforme as mais rigorosas normas democráticas, será golpe de qualquer maneira. Nota aaa  CENÁRIO 7: A tensão cresce no país. A nação corre o risco de se transformar em uma praça de guerra. A primeira bala perdida, um número maior de feridos, um confronto corpo a corpo com as forças da ordem e pronto: terão extraído o magma fumegante que assopraram com convicção. Sangue e porrada na madrugada. Dilma, na condição de comandante em chefe, convoca o Conselho Nacional de Defesa, dentro dos estritos ditames constitucionais. Sentados no Conselho, o ministro da Defesa, os três comandantes militares e o chefe da Casa Civil – Lula or not Lula. Juntos, analisam a exigência de se lançar mão do estado de emergência, instituto cabível na situação citada. Golpe? Nenhum, pois a iniciativa está prevista na Constituição. Na excepcionalidade da circunstância, a ordem tem de ser mantida. As negociações com o Congresso e o Judiciário mudam muito! Nota BB+   CENÁRIO 8: O onipresente Sergio Moro avança no seu projeto de dizimar a classe política e refundar o Brasil. Todas as lideranças estão ameaçadas para valer: Lula e Dilma, é claro, mas também FHC, Aécio Neves, Geraldo Alckmin, Renan Calheiros, Eduardo Cunha, Michel Temer et caterva. Os políticos se reúnem para firmar um pacto, um governo de coalizão nacional, compartilhado entre os partidos. Todos acolhem que esta é a melhor solução não somente para a sobrevivência jurídica, mas para tirar o Brasil do atoleiro. Os líderes acordam que a fórmula para estabilizar a economia brasileira é promover um ajuste relâmpago no estilo Campos-Bulhões. Com o Congresso dominado, é pau na máquina. Nota CCC

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17.03.16
ED. 5329

Sergio Moro

 Em Brasília, ontem à noite, já se discutia a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal suspender de suas atividades o juiz Sergio Moro pelo vazamento de conversas telefônicas da Presidência da República. A gravação teria de ser enviada primeiramente para o STF, que, então, deliberaria sobre o seu pedido de divulgação.

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07.03.16
ED. 5321

Jararaca empurra a Lava Jato no rumo da isenção

 Pode ser que a jararaca não vire o jogo ainda, mas o humilhante episódio da condução coercitiva vai corrigir distorções escandalosas no processo de delação premiada. Até agora, Ministério Público e Polícia Federal bons eram aqueles que colhiam depoimento de indícios de ilícitos somente de um setor das arquibancadas, ideologicamente bem definido e representando o agrupamento político mais odiado pelas classes dominantes. Esse agrupamento era invariavelmente associado com o segmento empresarial detentor da pecha de mais corrupto da sociedade pelo fato de ter as incestuosas relações com o Estado desde sempre. Ministério Público e Polícia Federal ruins seriam os que se manifestassem pelo benefício da dúvida para o PT e as empreiteiras que sempre viveram nas franjas de qualquer governo. É possível que tenham surgido condutas condenáveis ou criminalizáveis dessa parceria? É mais do que provável; é certo. Mas é injusto, faccioso, tendencioso que as delações premiadas fiquem circunscritas a um lado só da história.  Pois bem, segundo uma fonte do RR, a reação popular à condução coercitiva de Lula tocou fundo nas sinapses do estrategista Sergio Moro. Até agora a batalha pela adesão popular tinha sido ganha. Mas só até agora, ressalte-se. Existem 11 delatores premiados na fila para a beatificada deduragem. A orientação agora é que a entrevista seja giratória, ou seja, o dedo duro terá de acrescentar denúncias novas em outras esferas de interesse, ou seja, fora do “crime em voga”. O delator vai precisar sair da casca e entregar infrações em áreas diversas, personagens diferentes, partidos e grupos ideológicos distintos. Em síntese, terá de fazer justiça, a concepção que Moro vendeu, mas não entregou. O impacto da entrada de Lula em cena, inflado pela humilhação, fragiliza a opção única pelo PT como monopolizador da criminalidade nacional. Avaliaram mal a força do seu carisma. A operação, que era para quebrar a espinha do ex-presidente, ressuscitou sua fibra e a militância do partido. Um desastre de imagem, para um nada de retorno.  O RR teve a garantia de que Lula vai bater na tecla dessa descarada predileção do Judiciário por ele e seus companheiros. Os procuradores, por sua vez, não passarão recibo. Para manter o projeto de poder da República de Curitiba, Moro vai trazer à baila a turma de FHC, Sarney e Collor. Aliás, o RR nunca acreditou que o PT fosse uma obsessão dos procuradores. A coroa de espinho da oposição estaria guardada. O foco original no PT era devido à sua condição de poder dominante. Agora, vai sobrar delação para todo mundo. Se não for assim, Moro, ao invés de virar o Zorro, o justiceiro, vira o Tonto, enviesado de corpo inteiro no jogo político.  NR: A questão Lula em nada altera a palermice do governo. Dilma Rousseff tem de acertar alguma coisa para pegar uma carona no episódio.

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24.02.16
ED. 5313

Fila para o “Lava Jato”

 O juiz Sergio Moro tem sido procurado por uma grande editora interessada em comprar os “direitos autorais” da Lava Jato. A concorrência vai fazer fila.

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29.01.16
ED. 5298

Quem disse que Lula silenciará com a prisão?

 Os corvos mais afamados grasnam estridentes: é uma questão de dias ou semanas a prisão preventiva do ex-presidente Lula. Um tempo longo quando se pensa que ela está decretada há mil anos com base em odiosa discordância ideológica de opositores. Portanto, parece não haver novidade se ele for encarcerado no âmbito da Operação Lava-Jato. Mas há o risco e tensão de que a liturgia da degradação não ocorra em praça pacificada. Existem sérias dúvidas sobre a forma de reação de Lula e a resposta dos movimentos sociais a uma eventual conclamação do ex-presidente. Analistas refinados do cenário político consideram que não haveria por que Lula “deixar barato” um episódio que vem sendo refogado em banho-maria desde o início da Lava-Jato. A única questão rebelde em meio ao oceano de previsibilidade era sobre o timing da prisão: mais próxima ou menos próxima da eleição presidencial. Tudo indica que venceram os moderados, aqueles que previam um risco de maior comoção caso a medida fosse tomada nas cercanias de 2018. Mesmo que o assunto esteja sendo tratado como “estritamente jurídico”, valem as advertências: Lula é um ícone, está em xeque toda a sua história, a prisão será associada a um projeto de assassinato do PT.  Pelo menos potencialmente existe uma “nação petista” aguardando ansiosamente a ordem de combate e a própria presidente Dilma se verá obrigada a entrar firme na contenda. A combinação de fatores coloca a “República de Curitiba”, como são chamados os procuradores que gravitam em torno do juiz Sérgio Moro, no cume da sua responsabilidade. A prisão de Lula e os prováveis episódios de aviltamento – vazamentos seletivos, pré-julgamentos na mídia, delações premiadas, encarceramento por tempo indeterminado etc. – atingem o cerne da sucessão política. O ex-presidente Lula tinha na última pesquisa de opinião cerca de 30% dos votos certos na eleição de 2018. Que perca metade, ainda não seria pouca coisa para início de campanha. Tem a memória coletiva a seu favor. Ou não foram tempos de bem-estar para a população a chamada “era Lula”? E ainda que por uma lógica tortuosa conta com a piora do ambiente socioeconômico a seu favor. A lembrança tende a ser: “Com Lula não era assim.”  As consequências da prisão seguem longe. Vão para o mesmo saco também o governo e o mercado, cujos interesses se entrelaçam. Dilma vai dispersar, fazer mais oposição do que governar. Ela não é bem o que pode se chamar de petista, mas com Lula engaiolado a Lava-Jato chega à sua sala de estar e reaquece o caldeirão do impeachment. Resumo da ópera: projetos de concessões parados, aumento da aversão ao risco e mais recessão. E o mercado? Bem, as bolsas vão primeiro subir e depois cair, com a antevisão de que o apetite pelo crédito e o consumo cairão, que o dólar dará um salto e que mesmo com os ativos baratos os investidores externos entrarão em sobressalto com a hostilidade política e psicossocial do país. A alternativa a esse estado dos fatos é Lula assumir o silêncio dos cordeiros, o povo ignorar solenemente sua prisão e Dilma dar as costas para o ex-padrinho, desmoralizado e pestilento. Convenhamos que é difícil.

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 Sergio Moro está convicto de que o delator Carlos Alexandre Rocha, ex-funcionário de Alberto Youssef, tem muito a dizer sobre as relações entre José Dirceu e o laboratório farmacêutico EMS, ao qual o ex-ministro prestou consultoria.

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22.10.15
ED. 5232

O réu perpétuo e o vampiro de Curitiba

Marcelo Odebrecht deve representar um perigo horrível: o risco de se escafeder para os confins do mundo, levando consigo a caixa de Pandora do Lava Jato. Se vacilar, Sérgio Moro vai evoluir dessa versão tupiniquim de Guantánamo para o panóptico, do filósofo Jeremy Benthan. Esta última geringonça era um idealizado cárcere, transparente e permanentemente vigiado de forma que o presidiário não tivesse privacidade sequer para piscar os olhos – ou fazer suas necessidades. A prisão preventiva do empresário, que não admite a presunção de inocência a despeito das provas incitarem mais dúvidas do que confirmações, é fundamentada nos cuidados para que Marcelo não “dê sinais capazes de colocar em risco a investigação”. Como os computadores, celulares e arquivos do empreiteiro já foram varridos, a preocupação deve ser com métodos incomuns, tipo batucar com o lápis em algum bloquinho, que pode muito bem ser interpretado como código morse. Por esses critérios, Marcelo pode ficar preso até ao fim da vida, basta não ter cometido ilicitude e, por uma questão de hombridade, recusar-se a confessar o crime que não cometeu. Bem, pelo menos Moro deu uma aliviada e, graças a uma determinação do STF, excluiu o “risco a ordem pública” como justificativa para a permanência do réu na prisão. Se Moro tirasse aquela camisa preta para higienizar o pensamento, talvez chegasse à conclusão de que deixar Marcelo Odebrecht obrar seria mais vantajoso para o país do que tratá- lo como Dillinger. Era capaz de ele já ter colocado mais de 1% do PIB nos canteiros de obras do Brasil.

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28.07.15
ED. 5172

Grão-meritíssimo

O juiz Sergio Moro tem recebido forte apoio da Maçonaria. Ele foi homenageado pelo Movimento Brasil Livre, da fraternidade. Entre os maçons, o Grão-Mestre Geral Adjunto do Grande Oriente do Brasil, Barbosa Nunes, é o seu grande entusiasta.

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20.04.15
ED. 5104

Fala, Cerveró!

 Nestor Cerveró deverá prestar novo depoimento a  Justiça na primeira quinzena de maio. O juiz Sergio Moro está convicto de que Cerveró pode e deve dizer bem mais do que já falou até agora.

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26.03.15
ED. 5088

Os dirigentes da Alstom rezam todas as noite

 Os dirigentes da Alstom rezam todas as noites para Sergio Moro. A Lava Jato transformou o escândalo dos trens em São Paulo em nota de rodapé no noticiário.

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