fbpx

Atenção!

As notícias abaixo são de edições passadas.

Para ter acesso ao nosso conteúdo exclusivo, assine o RR.

planos
13.01.20

Inidônea

A Queiroz Galvão queima seus últimos cartuchos na tentativa de fechar um acordo de leniência com a CGU. Está difícil. Tudo indica que será a única grande empreiteira fisgada pela Lava Jato a ser declarada inidônea pela Controladoria-Geral.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

A nova Lei de Abuso de Autoridade vai alimentar importante discussão, amanhã, quando entrará em vigor. Por um lado, serão analisados em termos gerais os efeitos imediatos da legislação no que se refere às limitações – e punições – que poderão ser impostas a juízes e promotores. Como serão implementadas? Significarão maior controle ou atrapalharão investigações contra a corrupção?

Por outro, se aprofundará viés que já ganha corpo hoje: a relação com a Lava Jato. Diversas medidas previstas impediriam iniciativas emblemáticas da força-tarefa, como a condução coercitiva para depoimentos ou a liberação de parte dos áudios do ex-presidente Lula e sua mulher.

De toda forma, o assunto será abordado como derrota do ministro Moro, que deve ser questionado, assim como o presidente Bolsonaro, que teve parte de seus vetos ao projeto derrubados pelo Congresso. Ainda que o ministro venha atuando de maneira mais política, não se pode descartar algum atrito com parlamentares caso critique a nova lei.

Paralelamente, o tema vai favorecer o debate, já acirrado, sobre a criação do Juiz de Garantias.

Comércio exterior: os resultados e as previsões para 2020

O pior resultado na Balança Comercial desde 2015 levantará pautas sobre o comércio exterior no ano que se inicia. Atenção se voltará sobretudo para as exportações, que apresentaram queda significativa. Nesse âmbito, terão destaque:

1) A política externa, particularmente a concorrência por mercados com os EUA e a importância da China.

2) O ambiente mais positivo no comércio internacional, ao menos no momento, com anúncio de acordo entre o governo norte-americano e o chinês, a ser selado no dia 15 de janeiro;

3) A redução na exportação de manufaturados e as relações com a Argentina, importante comprador nesse campo, especialmente no setor automotivo.

Petrobras: investimentos e iniciativa privada

Plano de investimentos da Petrobras estará em foco amanhã, a partir de especulações sobre volumes que serão investidos pela empresa na revitalização da Bacia de Campos. Avaliações – e manifestações da estatal – podem transbordar, também, para o aumento de participação da iniciativa privada no processo.

A polêmica do Fundo Eleitoral

Tudo indica que vai se confirmar amanhã a sanção presidencial ao Fundo Eleitoral de R$ 2 bilhões para pleitos de 2020. Presidente já se protegeu de críticas alegando que poderia sofrer impeachment caso vetasse o Fundo e pode haver algum desgaste ao Congresso. Mas como o tema já teve muito destaque e chegaram a ser aventados valores bastante superiores ao aprovado, polêmica será limitada.

A inflação nas capitais brasileiras

Sai amanhã o IPC-S Capitais para a 4ª quadrissemana de dezembro, fechando o mês. O índice vem de desaceleração na terceira parcial (0,86% sobre 0,87% na segunda).

O desemprego e a indústria na Alemanha e nos EUA

No que tange os indicadores internacionais, destaque para:

1) A Taxa de Desemprego de dezembro na Alemanha. Apesar de leve aumento no número de desempregados, a taxa deve permanecer em patamares baixos, na casa de 5%;

2) O PMI Industrial dos EUA em dezembro. Número quase certamente se manterá abaixo dos 50 pontos, mas com tendência de alta (de 48,1 para 49,0).

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

26.12.19

Charada

Qual é a empresa que faz pesquisa de opinião, campanha política, assessoria de imprensa para os financiadores dos candidatos, presta serviços para o setor público sem licitação e está envolvida com diversos dos condenados da Lava Jato? Qual? Qual? Adivinhão!

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

18.12.19

Efeito Palocci

A Rádio Corredor da Lava Jato informa: a PF estaria preparando uma operação ainda para este ano com base na delação de Antonio Palocci. O sinal verde teria saído do gabinete de Edson Fachi.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

Será anunciado amanhã o resultado da reunião do Copom. A expectativa praticamente unânime do mercado é por nova redução de 50 pontos, o que levaria a taxa Selic a 4,5% ao ano. É provável que o BC deixe futuras diminuições em aberto, mas sem delineá-las (como fez nos dois anúncios precedentes), em função de flutuações cambiais.

 

Ainda que já seja esperada, a queda será  bem recebida e tende a alimentar, nesta quarta, balanço positivo da política econômica em 2019 – com destaque para o ministro Paulo Guedes.

 

Estima-se que o quadro positivo seja complementado por novo avanço na Pesquisa Mensal do Comércio de outubro (IBGE), para a qual se prevê crescimento moderado, na margem (0,2%). Aquém de resultados de setembro (0,7%), mas mantendo a tendência de alta no setor.

 

Também influenciará o quadro econômico, amanhã, o anúncio da taxa de juros do FED. Há possibilidades de nova redução de 0,25 ponto, mas a ampla maioria de analistas convergem para manutenção da faixa atual, em 1,75%. Ainda nos EUA, nesta quarta, sairá a inflação de novembro, que deve trazer recuo (de 0,4% para 0,2%).

 

A Lava Jato e Sérgio moro no Senado

 

Aprovação de projeto de lei que restabelece a prisão após condenação em segunda instância por 21 votos a 1, na CCJ do Senado, alimentará algumas vertentes do noticiário  amanhã:

 

1) A liderança  da senadora Simone Tebet e a força da ala lavajatista na Casa;

 

2) O avanço de Sérgio Moro como articulador político e a base que parece ter construído no Senado podem se tornar um contraponto à Câmara, que tem imposto sucessivas derrotas ao ministro?

 

3) As movimentações de Rodrigo Maia, da oposição e do Centrão. No que se refere ao projeto aprovado na CCJ em si, que Maia já taxou de inconstitucional, bem como a suas chances na Câmara;

 

4) Possível apoio mais enfático de parte da mídia ao projeto do Senado, em detrimento da emenda proposta pela Câmara. Trata-se de ponto muito importante porque, até agora, a questão não tem gerado intensas mobilizações. Se for criada onda favorável, pode ser difícil para Rodrigo Maia resistir à pressão.

 

O pacote anticrime

 

Paralelamente, terá espaço nova análise do pacote anticrime, também aprovado pelo Senado, sem modificações em relação ao texto da Câmara, e ilações sobre posicionamento do presidente Bolsonaro. Expectativa é de que sancione o projeto, mesmo com as supressões que desagradaram o ministro Moro. Nesse contexto, se não houver nenhuma sinalização de insistência no excludente de ilicitude, portas para aprovação da medida tendem a se fechar definitivamente.

 

Os bons ventos da Argentina

 

Ainda que declarações do presidente Bolsonaro permaneçam algo dúbias, posicionamento do vice-presidente Mourão e ênfase do novo presidente argentino na importância não somente do relacionamento com o Brasil como de mobilização em torno do Mercosul favorecerão análises otimistas amanhã.

 

Interpretação caminhará para linha de que, assim como fez no que se refere à China, o presidente Bolsonaro baixará o tom da retórica e apostará no pragmatismo.

 

No entanto, dadas as diferenças ideológicas entre os governantes – e especialmente à figura de Cristina Kirchner – equilíbrio estará longe de ser atingido, ainda.

 

Emprego Verde Amarelo patina

 

Importante acompanhar as movimentações e declarações do governo, amanhã, acerca do programa Emprego Verde Amarelo. Questionamentos à eficácia do projeto, que surgiram desde que foi apresentado, vêm num crescente nos últimos dias. Pode ser enterrado antes mesmo de entrar em discussão, o que vai gerar desgaste. Particularmente no sentido de que equipe econômica vai bem em ajustes e até em estímulo ao consumo e a investimentos, mas tem dificuldade para lidar com a questão do emprego.

 

Banco do Brasil em rota de colisão com o Banco Central

 

As declarações do presidente do Banco do Brasil hoje, criticando duramente limite de juros no cheque especial, determinado pelo Banco Central, podem abrir enfrentamento interno no governo. Desencontros do gênero já provocaram a fritura de diversas autoridades na atual gestão. A conferir.

 

Lava Jato, Oi e Lula

 

Investigações da PF acerca de supostos pagamentos da Oi ao filho do ex-presidente Lula (Lulinha) abrem novo campo de especulações e podem renovar apoio midiático à Força Tarefa, que havia perdido força desde revelações do The Intercept. Análise mais detida do inquérito, amanhã, será estratégica nesse sentido.

 

EUA: os efeitos do impeachment

 

Na política internacional, crescerão amanhã análises sobre efeitos de impeachment do presidente Trump na Câmara, que pode acontecer ainda essa semana. De toda forma, Trump permanecerá no cargo já que, nos EUA, o afastamento só se dá após votação no Senado, na qual os Republicanos tem maioria.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

Posse do novo presidente argentino, amanhã, será fundamental para sinalizar o futuro das relações entre Brasil e Argentina e, consequentemente, do Mercosul.

Ainda que, ao não comparecer pessoalmente, presidente Bolsonaro rompa tradição diplomática, decisão de mandar ao evento o vice-presidente Mourão, no cenário atual, aponta para visão pragmática.

Nesse contexto, estará em jogo, amanhã:

1) O posicionamento do novo presidente argentino. Fará um aceno para Bolsonaro, mesmo que mantenha alinhamentos (Cuba, Evo Morales) que desagradam o presidente brasileiro?

2) A mensagem que será transmitida pelo vice-presidente. E, tão importante quanto, se será corroborada ou contraposta pelo presidente Bolsonaro.

Moro e a pauta indígena

Estará em pauta, amanhã, planejamento e atuação da Força Nacional na Terra Indígena de Cana Brava, no Maranhão, determinada pelo ministro Moro após a morte, a tiros, de dois índios na região.

Além da situação no local, haverá foco no ministro Moro. Tem oportunidade de mostrar mobilização em área (proteção indígena) na qual a imagem do governo é muito ruim, nacional e internacionalmente. Ao mesmo tempo, qualquer indicação de planejamento falho ou de falta de atenção do ministro para o tema potencializará o desgaste.

O marco do saneamento e a segundo instância

Na última semana de trabalho do Congresso, há expectativas quanto a dois projetos em especial, amanhã:

1) O novo marco do saneamento. Rodrigo Maia havia anunciado votação na Câmara hoje, mas a iniciativa foi adiada. Tema estará novamente na agenda amanhã e tornou-se prioridade do governo, pela possibilidade de atrair investimentos em infraestrutura;

2) Votação, na CCJ do Senado, de Projeto de Lei que pode reestabelecer a prisão após condenação em segunda instância. Final de ano será decisivo para se avaliar a força de senadores lavajatistas, que tentam acelerar a condução do processo, em confronto com a Câmara.

A PGR e a Lava Jato

Possibilidade de que o novo procurador geral, Augusto Aras, implemente algum tipo de esvaziamento da força tarefa da Lava Jato tende a se desenvolver como pauta amanhã, particularmente nos veículos do Grupo Globo. Não serão suficientes as explicações de Aras, hoje, de que proposta de corte de 50 assessores de diversos órgãos de investigação, parte deles da Lava Jato, pode ser revertida e compõe um esforço de reestruturação interna.

A Popularidade dos ministros

Após o destaque para pesquisa Datafolha indicando interrupção em queda de popularidade do presidente Bolsonaro e mapeando popularidade de ministros, amanhã o tema se desdobrará em análises sobre implicações dos números para a imagem e o planejamento de cada Pasta.

Os prognósticos agrícolas, a indústria e o emprego

Começa amanhã reunião do Copom que, pela expectativa do mercado, deve levar ao anúncio, na quarta-feira, de nova redução na taxa de juros. Tema deve ganhar espaço no noticiário e em análises nesta terça. Já com relação aos indicadores econômicos, saem amanhã:

1) O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de novembro e o Prognóstico da Safra 2020 (IBGE). O interesse aqui é confirmar as projeções anteriores, que indicavam avanço de 6,3% na safra em 2019 e recuo de 1% em 2020.

2) A Produção Industrial regionalizada de outubro (IBGE). Em termos nacionais, houve crescimento acima do esperado no mês (0,8%). Foi o terceiro dado positivo seguido, mas têm aparecido diferenças regionais significativas. Vale atenção para tendências da indústria paulista e sinais de alguma recuperação no Rio de Janeiro.

3) O Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) e o Indicador  Coincidente de Desemprego de novembro (FGV). Ambos vêm de resultados negativos em outubro, com recuo de 1,3 ponto no IAEmp e avanço de 0,1 ponto no ICD. Dados indicaram as fortes dificuldades no crescimento consistente do emprego, em 2019 e projetando-se 2020. Dificilmente haverá salto positivo na última divulgação do ano, mas novo recuo apontaria para início de 2020 ruim, em relação ao emprego, apesar de sinais de recuperação econômica que parecem ganhar corpo.

Recuperação de expectativas na Alemanha?

Entre os indicadores internacionais, destaque amanhã para o Índice de Percepção Econômica ZEW da Alemanha, de dezembro. Expectativa é pelo primeiro número positivo desde abril, atingindo entre 0,3 e 1 ponto (frente a –2,1 em novembro).

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

25.11.19

“Nova fase” da Lava Jato pode cassar controle acionário; irmãos Batista devem puxar a fila

A Lava Jato pode renascer das cinzas com um vigor punitivo sem precedentes na história do país. O RR teve a informação de que o Congresso, mais especificamente a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, retomou, discretamente, as discussões em torno de um projeto de lei ou PEC propondo a transferência compulsória do controle de empresas cujos acionistas tenham sido condenados por crime de corrupção, lavagem de dinheiro e congêneres. Segundo o RR apurou, o Legislativo tem sido encorajado pelo Palácio do Planalto a levar a medida adiante. No círculo palaciano, a proposta é vista como passível de ser capitalizada pelo presidente Jair Bolsonaro, que tem sido acusado de agir para matar a Lava Jato e asfixiar ações de combate à corrupção por motivações óbvias e consanguíneas. A ressurreição da operação lhe traria dividendos políticos, ao vir acompanhada da mensagem de que o seu governo foi o mais rigoroso na punição dos criminosos de “colarinho branco”.

Todas as corporações investigadas ou mesmo condenadas na Lava Jato ou em operações afins – Zelotes, Greenfield, Carne Fraca etc – estariam potencialmente na linha de tiro da nova legislação. A título de exemplo do que vem sendo chamado no Congresso de “prêmio do crime”, não haveria caso mais emblemático, devido à relação valor da punição/lucro empresarial, do que a JBS, dos irmãos e corruptores confessos Joesley e Wesley Batista. Coincidência ou não, a proposta renasce no Congresso justamente no momento em que o procurador-geral da República, Augusto Aras, pede ao STF a anulação do acordo de delação dos Batista. A eventual suspensão do acordo representaria o fim da alforria que os irmãos Batista receberam pelos crimes flagrados na Lava Jato. A anulação retiraria toda a blindagem jurídica que hoje protege os dois empresários, abrindo caminho para a reabertura das ações criminais contra a dupla e, eventualmente, a sua condenação. Não por acaso, a JBS tem sido a referência nos debates do tema entre parlamentares.

O projeto em discussão é de que o dano causado à sociedade não pode ser transformado em prêmio à criminalidade deixando o acionista com o controle e os frutos da empresa mediante o pagamento de uma multa proporcionalmente inexpressiva. De fato, se há uma corporação no Brasil que faz parecer que o crime compensa é a companhia dos irmãos Batista, dada a dosimetria da punição que os empresários receberam. Diferentemente de outras empresas ou mesmo setores inteiros da economia devastados pela Lava Jato, como construção pesada e  indústria naval, os acionistas da JBS pagaram pouco, muito pouco pelos delitos que cometeram e os dividendos de prosperidade que auferiram. A multa imposta no acordo de leniência foi quase um presente vis-à-vis o faturamento e a lucratividade da companhia. Pelo acordo homologado com o MPF, Joesley e Wesley Batista comprometeram-se, em 2017, a pagar uma multa de R$ 10,3 bilhões ao longo de 25 anos. Corrigida, a cifra pode se aproximar dos R$ 20 bilhões, mas, para efeito de comparação, tomemos como base o valor de face da punição, assim como dos resultados da JBS.

A punição equivale a 6,4% do faturamento médio da companhia entre 2014 e 2018 (R$ 159,2 bilhões/ano), um pedaço do período mais recente em que os Batistas inflaram sua rentabilidade com o dinheiro do crime. Dividida em valores iguais pelo período de 25 anos, a multa equivale a aproximadamente R$ 412 milhões/ano. Não chega a um quarto do lucro médio auferido pela JBS nos últimos cinco anos (R$ 1,86 bilhão por ano). Representa ainda menos de um terço do lucro atribuído a sócios da empresa controladora no mesmo período, de acordo com o balanço da JBS – algo como R$ 1,4 bilhão, em média, por ano. Em um exercício meramente hipotético, se a lucratividade média da companhia nos últimos cinco anos se mantiver constante ao longo dos 25 anos de pagamento da multa, o grupo terá um resultado positivo de R$ 46,5 bilhões, quase cinco vezes o valor de face do acordo de leniência. Ressalte-se ainda que uma parte incalculável, mas certamente bastante expressiva, embutida nesses números, tanto a valor presente quanto futuro, decorre da “absolvição” dos Batista e da JBS em função do acordo de leniência.

Não por acaso, entre parlamentares, há quem diga que Joesley e Wesley cometeram o “crime perfeito”. Subornaram políticos e autoridades, trocaram favores com partidos políticos, se aproveitaram do desvio de recursos públicos, receberam empréstimos oriundos do erário e construíram um império erguido sobre a combinação dessas práticas, sem perder nem um hectare desse latifúndio empresarial com a descoberta de seus delitos. Ao contrário de outras corporações fisgadas pela Lava Jato, a JBS está onde sempre esteve e é muito maior. Diante da gravidade do assunto, o RR entrou em contato com a empresa, por intermédio do assessor de comunicação Guilherme Barros. Na última terça-feira, dia 19, encaminhou 10 perguntas elaboradas com o apoio de parlamentares. A JBS, no entanto, sequer retornou à newsletter no prazo dado para resposta das questões – última quinta-feira, dia 21, às 17 horas. A medida em discussão no Congresso é extremamente polêmica e exige um amplo e profundo debate entre os mais diversos setores da sociedade. Não obstante a gravidade dos crimes correlatos, a proposta de expatriação soa como algo pouco afeito a regimes democráticos. Mas não é estranha à Constituição.

Os artigos 182 e 184 da Constituição também estabelecem condições de tomada do controle privado pelo Estado, mas sempre com foco na propriedade imobiliária, seja ela urbana ou rural. Nos dois artigos, a expropriação é sempre vinculada a uma contrapartida, com o pagamento de indenização em dinheiro. A exceção está no Artigo 243, que versa sobre a hipótese de confisco – “expropriação imediata, sem direito à indenização”. O objeto são imóveis rurais, “glebas de qualquer região do País onde forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas”. Não, há, portanto, na Constituição menções específicas à possibilidade de expropriação de bens mobiliários, caso das ações de uma empresa. Por esta razão, no entendimento de juristas ouvidos pelo RR, a hipótese de punição de empresas criminalizadas mediante venda obrigatória do controle exigiria uma Proposta de Emenda Constitucional em nome da sua segurança jurídica. De toda a forma, a ideia não é nova.

Nos últimos anos, já espocou aqui e acolá, ainda que com nuances diferentes. Em 2016, no auge da Lava Jato, o então ministro da Transparência, Torquato Jardim, propôs ao Congresso mudanças na Lei Anticorrupção. À época, Jardim recomendou a venda compulsória do controle ou, em um movimento ainda mais radical, até mesmo a dissolução de empresas reincidentes em casos de pagamento de propina a autoridades e envolvimento em desvio de recursos públicos. O foco principal eram companhias que mantinham contrato com o governo. Mas as discussões não avançaram. No fim do ano passado, uma comissão de juristas – entre os quais os professores Carlos Ari Sundfeld (FGV-SP), Juarez Freitas (UFRGS) e Sérgio Guerra (FGV-Rio) – encaminhou a Rodrigo Maia um pacote de propostas para o combate à corrupção. Entre elas, uma emenda na Lei Anticorrupção (1.846/13), estabelecendo que os donos de empresas envolvidos em crimes desta natureza sejam obrigados a vender todas as suas ações em um prazo de dois anos.

Como forma de evitar casuísmos ou arbitrariedades, a premissa das discussões em curso no Congresso neste momento é que a expropriação somente se consumaria depois de o processo transitar em julgado, ou seja, esgotados todos os recursos jurídicos possíveis. Com o respaldo de juristas, membros da CCJ estudam se a medida poderia ser implantada apenas com a mudança na Lei Anticorrupção ou se trata de matéria constitucional, o que exigiria uma PEC. Em seu artigo 5º, a Carta Magna prevê a inviolabilidade do direito à propriedade. No entanto, como pontua o jurista Roger Stiefelmann Leal, doutor em Direto do Estado pela USP e professor de Direito Constitucional na Faculdade de Direito da USP, em seu trabalho “A propriedade como direito fundamental”, isso não significa que “a propriedade assume, em face da ordem constitucional, caráter absoluto, que inadmite restrições. A exemplo de diversos direitos fundamentais, o direito de propriedade comporta limitações e abrandamentos em sua aplicação em nome de outros valores também tutelados pelo texto constitucional.”. próprio artigo 5º, em seu parágrafo XXIV, diz que “a lei estabeleceráo procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição.”

A legislação penal até contempla hipóteses de confisco em situações que guardam mais proximidade com os crimes da Lava Jato e as discussões em andamento no Congresso. Mas o entendimento é que a medida se aplica ao “produto do crime”, ou seja ganhos pecuniários auferidos em razão de práticas ilícitas. O Artigo 91 do Código Penal determina a perda em favor da União – “com a ressalva dos legítimos direitos do lesado e do terceiro de boa-fé” – do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente com a prática de fato criminoso”. Dispositivo razoavelmente semelhante está previsto no Artigo 7º, I, da Lei no 9.613, de 1998, que dispõe sobre os crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores. Como ressalta Roger Stiefelmann Leal, “o confisco constitui, portanto, penalidade excepcional de privação da propriedade sem o pagamento de indenização, que somente cabe ser aplicada mediante expressa previsão em lei”.

A legislação que priva os controladores dos seus direitos pode ter uma amplitude e flexibilidade bastante variadas. Há dúvida se a expropriação atingiria os detentores de capital das empresas com prejuízos no período de prática corrupta, ou que estão em recuperação judicial. A premissa, um tanto o quanto tortuosa, é que, não havendo lucro, não haveria o “prêmio do crime”. Outra questão complexa diz respeito ao procedimento em relação aos acionistas com parentesco, tendo ou não havido transferência de ações dos controladores no período determinado. Não existiria o risco de favorecimento por aproximação familiar? Não estaria configurado um “laranjal de ordem natural”? Finalmente, não seriam os parentes acionistas sujeitos à mesma regra de expropriação? A proposta de cassação do controle, com venda posterior em leilão público, tem semelhanças com um ovo de serpente. Pode ser um destampatório de iniciativas contra a propriedade em um governo que, apesar da pegada liberal, tem um DNA autoritário e protofacista. O RR põe um pé atrás com esse tipo de medida. Mas não há como não concordar que os criminosos foram favorecidos, as multas foram baixas, eles poluem as empresas e estimulam outras contravenções. Roubar e acumular fortunas pagando um dízimo bem menor do que o retorno do capital pode ser considerado um bom negócio por muita gente.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

18.11.19

Condomínio da Lava Jato

O ministro Sergio Moro planeja concentrar todos os presos da Lava Jato em um única presídio federal. Os estudos estão a cargo do Departamento Penitenciário Nacional. O favorito a “hospedar” os condenados pelo próprio Moro e demais instâncias é o presídio de Brasília, que está tinindo de novo – foi inaugurado no ano passado. A turma da Lava Jato ficaria em uma ala própria, o que impediria que empresários e políticos dividam celas com criminosos de alta periculosidade, como ocorre atualmente.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

07.11.19

Sem-terra no encalço dos Bumlai

Depois da Lava Jato, o MST. Sem-Terra têm montado acampamentos em estradas em torno da Usina São Fernando, em Dourados (MS), pertencente à família Bumlai. Os herdeiros do empresário José Carlos Bumlai – o “amigo do Lula” condenado a nove anos de prisão por corrupção passiva – tentam brecar na Justiça os seguidos pedidos de posse de terras feitos por integrantes do MST. A usina sucroalcooleira entrou em falência em 2017, com dívidas de quase R$ 800 milhões. Já houve duas tentativas de venda judicial da empresa e das terras, canceladas por falta de compradores.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.

04.11.19

Debulhando páginas

Glenn Greenwald e equipe estão debulhando páginas e páginas dos vazamentos da turma da Lava Jato e não têm encontrado munição de maior calibre.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.