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28.05.20

Crônica de um Brasil com sombrero

O Brasil, que já vislumbra o risco de um isolamento comercial devido à disparada dos casos de coronavírus e a ameaça de ser o propagador de uma segunda onda da doença no mundo, está ameaçado de sofrer também um lockout moral. O estouro de novas denúncias de relações promíscuas entre o Poder Público e o setor privado tende a aumentar a aversão internacional ao país. De certa forma, o Brasil parece marchar na direção de um processo de “mexicanização”, leia-se o acúmulo por anos e mais anos de casos de corrupção institucionalizada.

Os quatro últimos presidentes mexicanos foram ou são alvo de investigação por irregularidades. No caso do Brasil, é preciso fazer uma ressalva. O presidente Jair Bolsonaro tem mil e um problemas ao seu redor, mas não pesam sobre seus ombros denúncias de corrupção, ao contrário do que ocorreu nos governos petistas e na gestão de Michel Temer. Ainda assim, a comparação entre Brasil e México se aplica pelo “conjunto da obra”. O Índice de Percepção de Corrupção (IPC) da Transparência Internacional corrobora essa proximidade.

O Brasil ocupa o 106o lugar em um ranking de 180 nações – quanto mais baixa a posição maior a percepção de corrupção. Está a apenas 24 degraus do México, que ocupa o 130o posto na medição da Transparência Internacional. No “ranking” do Google, a distância entre os dos países é proporcionalmente ainda menor. No final da tarde de ontem, uma busca por “Corruption AND Brazil” exibia cerca de 73,7 milhões de resultados – contra 77,6 milhões para uma pesquisa por “Corruption AND Mexico”.

O Brasil é um país em permanente estado de busca e apreensão. Não obstante sua amplitude e impacto, a Lava Jato não foi um programa de Estado para o combate à corrupção, mas uma Operação, que teve suas virtudes e seus pecados. Os casos destampados nos últimos dias pelo Supremo Tribunal Federal e pela Polícia Federal mostram que o Brasil está se revelando um benchmarking de uma nova corrupção ou uma corrupção 3.0. Sob certo aspecto, saem os canteiros de obra e as malas de dinheiro e entram algoritmos e régias contribuições financeiras para impulsionamentos nas redes sociais.

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13.05.20

Governadores atiram para todos os lados

A Operação Lava Jato está virando a “cloroquina” para o tratamento dos efeitos fiscais da pandemia. Sem dinheiro em caixa, Romeu Zema deverá ser o próximo governador a requisitar ao STF recursos recuperados pela Lava Jato para custear ações de combate ao coronavírus. Seguirá os passos do governador do Mato Grosso, Mauro Mendes, que entrou com pedido junto ao ministro Alexandre de Moraes para a liberação de R$ 79 milhões.

O governador do Amazonas, Wilson Lima, formalizou junto ao governo da Noruega, na semana passada, um pedido de recursos para a compra de equipamentos médicos. O dinheiro viria do Fundo Amazonas, que está congelado desde o ano passado, no auge do imbróglio com o governo Bolsonaro por conta das queimadas na região. São aproximadamente R$ 133 milhões/ano que se encontram represados.

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08.05.20

Terra de Sergio Andrade

Estão em curso estranhas manobras na Câmara dos Vereadores de Belo Horizonte para murchar a CPI da Andrade Gutierrez, que investiga irregularidades em obras da empreiteira para a Prefeitura local. Em menos de três meses, houve duas abruptas trocas na relatoria da Comissão. A princípio, não há Lava Jato no Legislativo de BH.

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17.04.20

Canteiros I

A criação de um sindicato bancário coordenado pelo BNDES para recuperar grandes empresas pode ser um achado para resgatar a indústria da construção pesada. Como se sabe, as empreiteiras constituíam um dos setores mais robustos da economia. Foram varridas do mapa pela Lava Jato. Como o país vai precisar, e muito, da construção pesada logo mais à frente, está descortinada a oportunidade para se corrigir um grande equívoco.

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09.04.20

Asfalto quente

Nos estertores da Lava Jato, está em curso uma tentativa do Ministério Público de São Paulo de triscar nos governos tucanos no estado. O acordo de colaboração firmado com a Ecovias tem um alvo em específico: o Dersa, o departamento de rodovias do estado. Os procuradores estão convictos de que a empresa dos herdeiros de Cecilio do Rego Almeida é um arquivo-vivo de malfeitos cometidos no Dersa durante os governos de José Serra e Geraldo Alckmin. Além de colaborar com as investigações, o acordo com o Ministério Público custará à Ecovias R$ 638 milhões.

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27.03.20

Talvez falte um Proer para as empreiteiras

Observatório

Isaak Kaleh, macroeconomista.

Um dos grandes estragos realizados na economia do país foi a demolição da indústria pesada. A Operação Lava Jato fez o que Roberto Campos chamava de jogar o bebê fora junto com a água suja. A Lava Jato enquadrou os corruptos, mas destruiu também as empresas, que tiveram canceladas sua carteira de obras no setor público, além de suspensas as linhas de crédito com os bancos do governo. Mais de 37 mil pessoas foram demitidas e empreendimentos, paralisados. E o Brasil perdeu soberania, ficando refém do capital estrangeiro para tocar suas grandes obras de infraestrutura. Na atual circunstância, por exemplo, temos quase 1.000 obras paradas e um oceano de projetos greenfield de saneamento para serem construídos. Recursos existem.

Se deixarem, o BNDES tem R$ 100 bilhões em caixa para investimentos em capital fixo. Mas quem vai meter a mão na massa? Os chineses? Os russos? Podem esquecer. Somente se a outorga for a preço de banana e a regulamentação for um presente de pai para filho. O pior é que tínhamos algumas das empreiteiras internacionalmente mais competitivas. Curioso como os pesos e medidas foram diferentes com o setor bancário. Na quebradeira de grandes instituições financeiras no século passado, o governo fez o correto. Separou a borra do vinho. Retirou os acionistas do controle, salvou os bancos e os transferiu para outros donos.

Esse programa de recuperação foi batizado de Proer. Passados mais de 40 anos, vivemos uma crise setorial semelhante. Mas com uma diferença radical: houve uma dizimação integral da construção pesada, justo no momento em que mais precisávamos desse setor, para gerar empregos, reduzir o gap da infraestrutura e dar condições de dignidade à vida das pessoas. Talvez fosse o caso de um Proer para as empreiteiras. Muitos desempregados agradeceriam…

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Deltan-Dallagnol
18.03.20

Da Lava Jato para as urnas?

A desolação de Deltan Dallagnol com o fade out da Lava Jato, expressa em recentes entrevistas, encheu Alvaro Dias de esperança. Dias está convicto de que agora consegue fisgar o procurador e convencê-lo a disputar a Prefeitura de Curitiba pelo Podemos.

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O folhetim da Lava Jato no Rio pode ter em breve um de seus capítulos de maior audiência: o juiz Marcelo Bretas cogita uma acareação entre Sergio Cabral e a ex-primeira dama Adriana Ancelmo. As denúncias de um contra o outro não batem.

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18.02.20

Lava Jato peruana avança sobre OAS, Andrade e Queiroz Galvão

A “Lava Jato” do Peru volta a assombrar as empreiteiras brasileiras. Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e OAS receberam, na semana passada, uma notificação do Instituto Nacional da Defesa da Concorrência peruano. As três são acusadas de participar de um esquema de cartel para fraudar e vencer licitações de obras públicas no país. O espectro das investigações é amplo: envolve 35 corporações peruanas e estrangeiras que teriam manipulado concorrências de infraestrutura no país de 2002 a 2016.

Nesse período, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e OAS ampliaram consideravelmente sua presença local. Atuaram em importantes obras públicas do Peru, a exemplo do Corredor Viário Interoceânico Sul – a megaconexão rodoviária entre o Norte do Brasil e portos no Pacífico, lançada nos governos de Lula e de Alejandro Toledo –, o Parque Rímac, via expressa de 25 quilômetros em Lima, e a hidrelétrica de Inambari, na Amazônia peruana. Somados, esses projetos passaram de US$ 5,5 bilhões. Segundo o RR apurou, as três empreiteiras teriam até o fim de março para apresentar sua defesa ao órgão antitruste do Peru. Procuradas, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez e OAS não se pronunciaram.

De acordo com as investigações das autoridades peruanas, o esquema de cartel se enraizou dentro do Ministério do Transporte e Comunicação local. Uma das mais importantes conexões entre as empreiteiras e o órgão era o advogado Rodolfo Prialé, principal representante do que ficou conhecido como “Club de la Construcción”, uma espécie de “Country Club da propina”. Em depoimento à Justiça peruana, três ex-dirigentes da OAS admitiram o pagamento de 25 milhões de sóis peruanos, algo equivalente a US$ 7,3 milhões, a Prialé. Além das investigações no âmbito administrativo, Andrade Gutierrez, OAS e Queiroz Galvão, assim como outras empreiteiras brasileiras, são citadas em ações judiciais da Lava Jato peruana.

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18.02.20

Sucessão forçada na Cervejaria Petrópolis

Giulia Faria, herdeira da Cervejaria Petrópolis, assumiu de vez a gestão executiva da companhia. Ou quase: sempre que precisa, tem no diretor-geral Marcelo de Sá uma espécie de tutor. Já o patriarca Walter Faria está mais preocupado com a sua própria defesa. Solto, em dezembro, após pagar uma fiança de R$ 40 milhões, Faria é investigado pela Lava Jato por lavagem de dinheiro. Entre outros malfeitos, é acusado de ter remetido ilegalmente para o exterior mais de R$ 1,4 bilhão.

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