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Política
Eduardo Bolsonaro está longe, mas perto, bem perto da Câmara. Dos Estados Unidos, onde cumpre seu autoexílio, o “03” tem conduzido as articulações com parlamentares da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para aprovar o recurso favorável ao deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ). O PL pede a suspensão do processo em andamento no STF contra Ramagem, sob a acusação de tentativa de golpe de Estado, dano qualificado e deterioração do patrimônio tombado. No entendimento do partido, a Constituição dá ao Congresso poderes para “trancar” ações judiciais contra parlamentares por crimes supostamente cometidos depois da sua diplomação. Nesse caso, o processo seria congelado até o fim do mandato de Ramagem. Como sempre, a família Bolsonaro parece estar protegendo aliados, mas quer mesmo é salvar a própria pele. Nas conversas com deputados do PL, Eduardo Bolsonaro tem batido na tecla de que, uma vez aprovada pela Câmara, a suspensão do processo se estenderia aos demais denunciados pela PGR na mesma ação, ou seja, entre eles o próprio Jair Bolsonaro. Soa como mais uma das tortuosas e convenientes reinterpretações da lei patrocinadas pelo clã Bolsonaro, a exemplo do entendimento de que o Artigo 142 da Constituição concedia às Forças Armadas o papel de Poder Moderador. A Primeira Turma do STF, presidida pelo ministro Cristiano Zanin, já notificou a Câmara, ressaltando que a suspensão do processo contra Ramagem valeria apenas para dois dos crimes imputados: dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Ele seguiria respondendo às acusações de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
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