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Calçados da Rothy’s apertam os pés da Alpargatas
Por quanto tempo mais a Alpargatas caminhará com os sapatos da Rothy’s? No mercado, a decisão do grupo de não exercer a opção de compra do controle da fabricante de calçados norte-americana vem sendo interpretada como o início do fim. A leitura é que a Alpargatas está preparando o terreno para se desfazer da sua participação de 49,9% na Rothy’s, adquirida em 2021. Há outros sinais nessa direção. Chama a atenção o fato de o conglomerado brasileiro não ter trazido a marca californiana para o Brasil, algo que originalmente estava no radar. Ao mesmo tempo, as atenções da Alpargatas neste momento estão voltadas para a sua reestruturação, no Brasil e no exterior, que combina um austero programa de cortes de custos e mudanças significativas no sistema logístico. Consultada sobre a possibilidade de venda da sua fatia na Rothy’s, a Alpargatas não quis comentar o assunto. Em resposta ao RR, limitou-se a dizer que “No momento, seguiremos apenas com os posicionamentos já divulgados no Fato Relevante e nos resultados do 3T25 sobre o tema”.
A Rothy’s sempre foi considerada pelo mercado uma espécie estranha dentro da Alpargatas. O grupo controlado pelos Setúbal e pelos Moreira Salles não conseguiu capturar, ao menos na escala esperada, sinergias entre a marca de calçados sustentáveis, feitos a partir de garrafas de água recicladas, e seus demais negócios. Na verdade, os questionamentos à compra da participação na Rothy’s começaram já na largada. À época, a percepção entre investidores e analistas é que o então CEO da Alpargatas, Roberto Furnari, pagou caro pelos 49,9% da companhia norte-americana – cerca de US$ 475 milhões.
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