R$ 1 bilhão para editoras estrangeiras. Pode? - Relatório Reservado

O que precisa ser dito

R$ 1 bilhão para editoras estrangeiras. Pode?

  • 1/07/2026
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Enquanto a China se prepara, a passos largos, para assumir a hegemonia científica deste século, ainda estamos gastando nossos parcos recursos financeiros (e humanos) com a indústria do conhecimento no estrangeiro. Somando apenas os contratos unificados da Elsevier e Springer Nature, o compromisso financeiro do governo federal (CAPES) é de mais de R$ 1 bilhão por triênio.

Ciclos de hegemonia tecnológica e cultural global mostram que a Europa dominou no século XIX, EUA dominou no século XX, e a China domina no século XXI (carro elétrico, biologia sintética, biotecnologia, DNA, terras raras, energia solar, satélites). De acordo com o Instituto Australiano de Política Estratégica (ASPI), hoje a China responde por 90% das tecnologias mais relevantes (Clique aqui). O país produz mais de 500 mil artigos científicos por ano. O Brasil? Menos de 40 mil (Clique aqui).

O Xinrui Scholar (ou Xinrui Journal Ranking – XJR) é um novo sistema privado independente de avaliação e ranqueamento de periódicos científicos lançado na China em março de 2026 (Clique aqui). Este sistema surgiu como uma evolução ou alternativa ao ranking da Academia Chinesa de Ciências (CAS), sendo desenvolvido por membros da equipe que anteriormente geria o índice da CAS. Atualmente, o acesso para consultas pode ser feito pela plataforma xr-scholar.com. Esse sistema é especialmente relevante para pesquisadores que publicam ou colaboram com instituições na China, pois ele influencia diretamente a avaliação de produtividade e financiamento naquele ecossistema. Este novo sistema chinês deve suplantar o JCR? Ele deve servir como base para promoções e níveis de salário nas instituições de ciência, tecnologia e inovação na China.

Muitos periódicos chineses já são referência mundial (a exemplo dos periódicos da CAS), uma inspiração para os Anais da Academia Brasileira de Ciências, Memórias do Instituto Oswaldo Cruz e Biotechnology Research and Innovation (Biori). Embora o Brasil não seja o principal motor da tecnologia mundial, muitos cientistas brasileiros atuam como editores em periódicos da Elsevier, Springer, e Wiley, portanto, fortalecendo empresas do estrangeiro.

O estabelecimento recente do consórcio nacional (FAPESP+CNPQ+CAPES) mantem toda a infraestrutura central da rede SciELO Brasil (que engloba o servidor de preprints, o desenvolvimento de ferramentas indexadoras, a plataforma de submissão e a equipe técnica). A entrada do CNPQ e da CAPES também sinaliza que poderão ser desenvolvidos novos mecanismos avaliativos para o segmento de artigos científicos pre-prints (ou seja, sem processo de revisão por pares).

Embora exista discussão sobre a consistência de publicações científicas pre-prints, por conta de problemas no Brasil e no mundo, tais como, o caso das retratações pelo pesquisador francês Didier Raoult sobre uso da cloroquina, os pre-prints asseguram primazia, livre acesso, a agilidade na publicação. É neste contexto, que muitos indagam se seria pertinente que parte da verba investida em estrangeiras poderia ser empregada para promover periódicos nacionais selecionados?

 

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