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O filme “Livre Pensar”, cinebiografia da professora Maria da Conceição Tavares, dirigida por José Mariani, com a primeira exibição prevista para hoje na Universidade Federal do Rio de Janeiro – locus acadêmico da mestra -, é motivo para rejúbilo do RR. Primeiramente, é uma homenagem à distinta aniversariante, que ontem completou 88 anos. Durante quase quatro décadas, Conceição prestigiou esta newsletter com análises afiadas e uma profunda indignação com os desatinos da política econômica.
A professora é uma força viva da natureza. Quem a assistiu nos anos 70 e início da década de 80 discursando solitária para grandiosas plateias nos eventos da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência sabe bem do que se trata o magnetismo e a fúria de Conceição. Ela era a única economista mulher em um setor dominado exclusivamente por homens, debatendo, discursando, brigando, em meio ao chauvinismo, ao preconceito e à ditadura.
Durante todo esse tempo, Conceição foi personagem invariável de uma disputa tola, mas, ao mesmo tempo, engrandecedora: quem é o maior economista do Brasil? “Ceiça” disputava no mesmo plano que seu mentor Celso Furtado e os adversários ideológicos Roberto Campos e Mario Henrique Simonsen. Todos eram igualmente geniais. Todos erraram e acertaram em diferentes momentos. Em recente conversa com o RR, Conceição encerrou um depoimento desapontada com o Brasil, mas mantendo a fibra de sempre: “Eu não me vergo. Eu não desisto”. Uma lição de garra e paixão.
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