Buscar
O enxofre virou o novo ponto de combustão da dependência externa brasileira em fertilizantes. Segundo apurou o RR, o Ministério da Agricultura discute com a Fazenda um pacote emergencial para amortecer a disparada do insumo. As medidas incluiriam crédito subsidiado para importadoras e misturadoras, equalização de juros em linhas específicas do Plano Safra 2026/27 e diferimento tributário na importação. Outra proposta em debate é uma subvenção temporária, caso o preço internacional siga fora de controle. Uma das hipóteses sobre a mesa é acionar bancos públicos para financiar a formação de estoques estratégicos de enxofre e fosfatados, permitindo compras antecipadas antes do pico de demanda. A preocupação do governo é evitar que o choque do enxofre — indispensável à fabricação de fosfatados — se transforme em gargalo físico na formulação e na entrega de adubos às vésperas do próximo ciclo agrícola. O quadro ficou mais grave nas últimas semanas. Em algumas praças, o preço do enxofre saiu da faixa de US$ 180 por tonelada para patamares próximos de US$ 1.000, reflexo direto da combinação entre restrição de oferta, guerra no Oriente Médio, aumento de fretes e incerteza logística. A região responde por parcela decisiva do enxofre comercializado por via marítima, e o Estreito de Ormuz virou o principal gargalo do mercado global de energia e fertilizantes. No limite, o risco já não é “apenas” a indústria e, consequentemente, os produtores rurais pagarem mais caro. É não existir produto na quantidade e no prazo necessários.
O Brasil está particularmente exposto. O país importa mais de 90% dos fertilizantes que consome e é quase que integralmente dependente do exterior para o enxofre usado na produção de fosfatados. Em 2025, o Oriente Médio respondeu por 42% das 2,3 milhões de toneladas de enxofre importadas pelo Brasil. Ou seja: qualquer interrupção relevante na região chega quase diretamente ao custo de produção agrícola brasileiro. O efeito-avalanche sobre a indústria já apareceu. A Mosaic reduziu parte de sua produção de fertilizantes fosfatados no Brasil diante da dificuldade de aquisição e do encarecimento do enxofre. A empresa anunciou corte de cerca de um milhão de toneladas na produção anual de fosfato, movimento que acendeu o alerta entre misturadoras, distribuidores e produtores rurais.
A Belo Sun retomou os estudos técnicos do Projeto Volta Grande, para a extração de ouro às margens do Xingu, no Pará. Em jogo, um investimento da ordem de R$ 1 bilhão em uma das maiores jazidas auríferas ainda não exploradas do Brasil. São 116 milhões de toneladas e uma vida útil estimada de 17 anos. A intenção da mineradora canadense é iniciar a instalação da infraestrutura física no primeiro trimestre de 2027. A produção em escala comercial viria a partir de 2029. Tudo muito bom, tudo muito bem, mas todos esses prazos dependem da capacidade da companhia de conseguir superar os obstáculos judiciais, ambientais e políticos que cercam o investimento. Executivos da Belo Sun têm mantido interlocução com a governadora do Pará, Hana Ghassan Tuma, sucessora de Helder Barbalho, e com assessores do ministro de Minas e Energia Alexandre Silveira na tentativa de destravar o empreendimento. Volta Grande é um dos projetos minerários mais controversos do Brasil. A Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará já emitiu e reemitiu a Licença de Instalação, válida até 2029. Tamanha presteza, no entanto, tem esbarrado no Ministério Público Federal. O MPF questiona a competência do governo do Pará para conduzir o licenciamento, defendendo que o processo deveria ficar sob responsabilidade do Ibama devido aos impactos sobre terras indígenas e sobre o rio Xingu, de responsabilidade federal. Organizações indígenas e ambientalistas também acusam a Belo Sun de não ter realizado consultas prévias adequadas às comunidades afetadas. Denunciam uso de cianeto, riscos associados à barragem de rejeitos e os impactos cumulativos com a Usina de Belo Monte – a mina está localizada a apenas 20 km da hidrelétrica.
O governo do Rio Grande do Norte e o BNDES já trabalham com a possibilidade de empurrar para 2027 o leilão da PPP de esgotamento sanitário da Caern, inicialmente previsto para este ano. Nos bastidores, cresce a avaliação de que o projeto pode enfrentar o mesmo problema que já assombra outras operações de saneamento: excesso de oferta de ativos e fadiga dos investidores. O mercado ainda absorve o impacto do megaleilão de Pernambuco, realizado no fim de 2025, que sozinho movimentou R$ 18,3 bilhões em investimentos previstos, além do tumultuado processo de privatização da Copasa, que ontem sofreu um duro revés. O governo mineiro decidiu suspender a etapa de escolha de um sócio de referência depois que os interessados não se dispuseram a pagar o preço mínimo estipulado. Se a Copasa, considerada a joia da coroa do setor, tem dificuldade de levar adiante sua desestatização, o que dizer, então, do leilão da Caern?
Há ainda percalços internos no cronograma. O projeto do Rio Grande do Norte continua em fase de estruturação e consulta pública, em um estágio mais incipiente do que PPPs de Ceará e Goiás. A modelagem prevê investimentos entre R$ 3,2 bilhões e R$ 4,1 bilhões para coleta e tratamento de esgoto em 48 municípios, alcançando cerca de 1,8 milhão de pessoas. O objetivo é universalizar o esgotamento sanitário até 2033. O problema é que, no ambiente atual, grupos privados passaram a selecionar com muito mais rigor onde vão alocar capital e capacidade operacional. Para parte do mercado, o risco é o RN acabar entrando no pipeline em um momento de saturação de projetos
Parafraseando Hemingway, o Rio de Janeiro é uma festa. Entre os mimos de Daniel Vorcaro a Claudio Castro, a Polícia Federal tem indícios de que o Master ajudou a bancar a celebração dos 45 anos do então governador em março de 2024. O evento entrou no radar da PF por seu tamanho e pelo grau de ostentação. A comemoração ocorreu no condomínio Porto Frade, em Angra dos Reis. Entre outras atrações, os convidados assistiram a um show privado de Gusttavo Lima, cujo cachê gira em torno de R$ 1,2 milhão. Castro chegou à efeméride em grande estilo, pousando de helicóptero no heliponto do Fasano. Por falar em festa, entre setembro de 2023 e julho de 2024, o Rioprevidência fez aportes de R$ 970 milhões em letras financeiras do Master. O valor equivale e praticamente um terço da cifra total que o fundo de previdência dos servidores do Rio de Janeiro torrou em papéis do banco.
Se existe um profissional do staff da área econômica que caiu nas graças de Lula, ele se chama Gabriel Galípolo. O presidente do BC não pertence ao grupo palaciano, mas tem sido mais ouvido por Lula do que os seus satélites no Planalto. São muitos os telefonemas. Na semana passada, o presidente assistiu, ao vivo, à boa parte do depoimento de Galípolo na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), presidida pelo senador Renan Calheiros, demonstrando entusiástica aprovação. Na visão do presidente da República, Galípolo enfrentou um Renan com faca entre os dentes como se estivesse relaxando no sofá. Não faltaram cascas de banana jogadas pela audiência. Mas o presidente do Banco Central não escorregou em nenhuma. Desarmou com argumentos técnicos um auditório sanguinolento. Tirou de letra o escândalo do Master, empurrando o caso para bem longe do governo. Ele bancou, textualmente, a recusa de “transformar o BC em uma tribuna punitiva”. Até o ex-presidente do BC Roberto Campos Netto acabou sendo defendido das suspeitas levantadas de que ele seria responsável por não identificar o crescimento patrimonial do Master. Galípolo limpou a barra de Campos Neto afirmando que seu comportamento foi técnico e irrepreensível. Pelo que vem mostrando, o atual presidente do BC é um tigre disfarçado de bom menino.
O fato é que cada vez menos se fala na ausência do protagonismo de Fernando Haddad no campo de batalha da economia política. “Não está fazendo falta”, disse uma fonte palaciana do RR. Gabriel Galípolo é hoje o que Haddad foi ontem, com a vantagem de ter mais viço e contar com afagos do mercado. Foi uma vitória pessoal. Galípolo é um quadro que vem do PT, o que causava calafrios entre os agentes financeiros. Essa desconfiança já se dissipou. Galípolo conquistou o espaço deixado por Haddad e, pode-se dizer, foi além. Até porque o atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, é considerado “anódino” no entorno de Lula, É o chamado “tanto faz quanto tanto fez”. Ou, para ser mais preciso, desempenha o papel de um cumpridor das ordens de gastos eleitoreiros emanados do Palácio.
Nesse contexto, os olhares já se voltam para 2027. Haddad faz uma campanha meia-bomba e espera o desígnio da sua derrota pré-anunciada. Em caso da reeleição de Lula, já sabe a cadeira em que vai se sentar no próximo governo: a chefia da Casa Civil. Tem 99% de probabilidade de ocupar o cargo. E Durigan, que já teve passagem pela Casa Civil no governo de Dilma Rousseff, repetiria os 99% de probabilidade de se tornar secretário executivo de Haddad, em um quarto mandato de Lula, bisando a dobradinha na Fazenda. E Gabriel Galípolo? Se nada mudar, e tudo indica que não mudará, o presidente do BC pode ser apontado desde já como futuro ministro da Fazenda no Lula IV, se o petista vencer a eleição. Pode ser. Mas, para Galípolo, talvez nem seja um bom negócio. Assim como os ministros do STF, ele é indestituível, blindado que está pelo seu mandato em um BC independente. Já como ministro da Fazenda, pode rodar a qualquer momento.
Enquanto Palácio do Planalto e Congresso batem cabeça em relação ao marco regulatório dos minerais críticos, o Brasil corre o risco de assistir a uma evasão de investimentos na área de lítio para a Argentina. No setor, circula em petit comité a informação de que mineradoras de médio porte, a exemplo das chinesas Ganfeng Lithium e Zijin Mining, estão recalibrando seus planos de explorar o minério em território brasileiro. Qualquer semelhança com a Rio Tinto não é mera coincidência. No início do mês, o grupo anunciou a venda do chamado Brazil Lithium Project no Vale do Jequitinhonha (MG) para a australiana Solis. O motivo do possível êxodo para o país vizinho é o pacote de incentivos fiscais, cambiais e regulatórios lançado pelo presidente Javier Milei. O RIGI, regime de incentivo a grandes investimentos, é a principal isca de Milei. O governo argentino passou a garantir estabilidade fiscal, aduaneira e cambial por 30 anos para projetos, além de benefícios tributários e maior liberdade para as empresas acessarem e manterem dólares gerados por exportações. Some-se o fato de que a Argentina joga com uma vantagem geológica de alto teor: concentra cerca de 23 milhões de toneladas em recursos de lítio, algo em torno de 20% das reservas mundiais comprovadas do mineral.
Os incentivos empacotados pelo governo da Argentina têm o potencial de atingir Bolívia, Chile e Brasil, que disputam recursos internacionais para a produção de lítio. E, nesse quádruplo cabo de guerra geoeconômico, a ponta mais fraca está nas mãos brasileiras. Assim como a Argentina, Bolívia e Chile têm a escala a seu favor. Juntas, as três nações formam o denominado “triângulo do lítio”, que soma mais de 50% das jazidas globais. Estima-se que o Brasil concentre aproximadamente 8% do lítio do mundo. É um volume relevante, ainda que inferior ao dos vizinhos. Mas, para além da diferença de escala, há outro fator que reduz a competitividade brasileira: uma cadeia de produção ainda embrionária. Em sua maioria, os projetos em curso no Brasil são de pequeno e médio porte e ainda se encontram na etapa de estudos geológicos ou fase exploratória – há atualmente no país pouco mais de 700 alvarás para pesquisa e lavra de lítio.
Nesse contexto, recursos começam a atravessar a fronteira. A Rio Tinto se desfez de uma posição exploratória de cerca de 93 mil hectares em Minas Gerais ao mesmo tempo em que acelera uma plataforma bilionária de lítio na Argentina. O projeto Rincon, em Salta, recebeu aval dentro do regime especial de grandes investimentos e prevê desembolsos de US$ 2,5 bilhões. A companhia também pagou US$ 6,7 bilhões pela Arcadium Lithium, reforçando sua aposta em ativos de lítio na Argentina e no Canadá. A Ganfeng Lithium, por sua vez, concentra investimentos nos projetos Mariana e Cauchari-Olaroz, ambos no norte do país. O Mariana, em Salta, entrou em produção em 2025 após investimentos de aproximadamente US$ 790 milhões e tem capacidade inicial para 20 mil toneladas anuais de cloreto de lítio. Já a Zijin Mining joga suas fichas no projeto Tres Quebradas (3Q), em Catamarca. A primeira fase do empreendimento exigiu investimentos superiores a US$ 600 milhões e prevê produção de 20 mil toneladas anuais de carbonato de lítio. A fase seguinte já está em construção e deve elevar a capacidade total para algo entre 40 mil e 60 mil toneladas anuais de LCE, consolidando o projeto entre os maiores da América do Sul.
A Polícia Federal mantém uma segunda frente de investigação sobre a exposição do Rioprevidência ao ecossistema do Banco Master, segundo informações filtradas da corporação. Além dos R$ 3,7 bilhões aplicados diretamente em títulos e fundos do banco, no centro da operação de busca e apreensão contra o ex-governador Claudio Castro, a PF tem indícios de que a entidade de previdência dos servidores do Rio de Janeiro também direcionou recursos para fundos e gestoras indicados pelo Master. A suspeita é que essas estruturas tenham funcionado como instituições-satélites, usadas para pulverizar formalmente os aportes e reduzir a aparência de concentração em um único grupo financeiro. Na prática, o dinheiro continuaria exposto ao mesmo núcleo de risco, ainda que distribuído por diferentes veículos, emissores e administradores. A nova linha da PF tenta mapear quais fundos receberam recursos do Rioprevidência, quem estruturou as operações, quais gestores atuaram como intermediários e se havia orientação deliberada para contornar limites internos de concentração.
O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, entrou em campo com a missão de assegurar a ampliação do quadro de servidores da ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados), designada pelo governo para regular e fiscalizar as big techs. Lima e Silva vem fazendo gestões junto aos Ministérios da Fazenda e do Planejamento em busca de suplementação orçamentária para garantir a realização de concurso público e o preenchimento de uma só vez dos 200 novos cargos aprovados pelo Senado em fevereiro. Na última sexta-feira, a ANPD encaminhou ao Ministério da Gestão e da Inovação o pedido formal para abertura do certame. Conforme o RR informou (Leia aqui), a agência vive uma penúria que não condiz com a atribuição que lhe foi imposta pelo governo, de ser o ente do Estado responsável por enquadraras big techs. A ANPD tem um gap orçamentário de quase R$ 40 milhões e um déficit de pessoal que beira 300 funcionários.
Vamos analisar a semiótica (ciência que estuda como palavras, imagens, gestos, posições produzem significado além do que está explícito) dessa foto?
Existe um protocolo rígido no Oval Office americano. Chefes de Estado sentam de frente para o presidente. Ministros ficam nas cadeiras laterais. Quem fica de pé atrás é visita protocolar, sem peso político.
Trump não se levantou. O gesto de levantar é reservado para os iguais. Flávio não é um igual. A posição dos corpos fala muito. Trump centralizado, sentado, cotovelos apoiados na mesa mais famosa do mundo. Flávio em pé, deslocado para o canto, mãos postas na frente do corpo.
Em qualquer foto de poder, quem senta manda. Quem fica de pé atrás serve. É a linguagem visual que qualquer curso básico de comunicação política ensina no primeiro semestre. É constrangedor para quem sonha em ser presidente de um país.
O Oval Office é um palco calculado para projetar poder. Cada detalhe ali existe para isso.Flávio aparenta estar nesse palco como elemento decorativo, não como protagonista.
A foto não registrou uma reunião política. Registrou uma visita, que todos sabemos foi articulada às pressas para tentar salvar a candidatura de Flávio.
A imagem conta, com precisão técnica, o que o protocolo confirma: Trump recebeu mais um visitante. Flávio achou que era outra coisa, mas é apenas o fã que conseguiu entrar no camarim do seu ídolo. Sem dúvida, não sei levantou da cadeira, não deu aperto de mãos nem ao menos protocolar. Tratou como sufitos de vaixo nível. súditos de baixo nível
Todos os direitos reservados 1966-2026.