Redação RR - Relatório Reservado

Artigos: Redação RR

O duplo crachá de Gleisi Hoffmann nas eleições

2/04/2026
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Gleisi Hoffmann deverá acumular um duplo papel nas eleições: candidata ao Senado pelo Paraná e responsável pela coordenação da campanha de Lula na Região Sul. Trata-se de um pedaço de Brasil notoriamente resistente ao petista. Nas pesquisas mais recentes, Lula aparece em empate técnico com Flavio Bolsonaro no Rio Grande do Sul e perde no Paraná e em Santa Catarina. A rigor, a escolha de Gleisi passa menos por desempenho eleitoral e mais por fatores internos de poder. A ex-ministra da Relações Institucionais mantém uma posição de alinhamento absoluto, para não dizer subserviência, com Lula. Some-se a isso a proximidade com Janja, que ampliou sua influência dentro do núcleo mais próximo do presidente.

#Gleise Hoffmann

Bancada ruralista vê como inócuas regras do CNJ para recuperações judiciais

1/04/2026
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As medidas do Conselho Nacional de Justiça para disciplinar as recuperações judiciais no agronegócio foram recebidas com descrédito pela bancada ruralista. Na cúpula da Frente Parlamentar da Agricultura (FPA), segundo informações filtradas pelo RR, a iniciativa é vista como uma irrigação superficial que não alcança a raiz do problema. No entendimento dos parlamentares, que verbalizam pleitos e dores do agronegócio, o CNJ não enfrentou o conflito central do sistema: a disputa entre credores e produtores sobre quem absorve as perdas. Ao preservar instrumentos como CPRs e operações de barter fora do alcance da recuperação, a norma protege o crédito estruturado, mas limita a capacidade real de reestruturação do devedor. Em muitos casos, o produtor entra no processo já sem margem financeira para se reorganizar.

Na prática, o CNJ editou um provimento estabelecendo parâmetros mínimos de documentação, exigência de regularidade fiscal e contábil, realização de perícia prévia e critérios para definição de competência territorial. Uma boa intenção sem efeito prático. Na prática, trata-se de uma norma de “soft law”, que orienta, mas não vincula. Em um ambiente já marcado por decisões heterogêneas, a consequência é previsível: a insegurança jurídica tende a persistir, com interpretações divergentes entre varas e tribunais.

Aos olhos da bancada do agro, na prática, as novas exigências elevam o custo de entrada na recuperação. A obrigatoriedade de documentação mais robusta, contabilidade formal e perícia prévia restringe o acesso ao instrumento, especialmente para pequenos e médios produtores. O processo pode ganhar rigor técnico, mas perde alcance. Há ainda um desalinhamento estrutural. O regime de recuperação judicial foi concebido para empresas urbanas, com fluxo de caixa previsível. O agro opera sob outra lógica: ciclos longos, dependência climática e exposição a preços internacionais. Ao não adaptar o modelo à natureza do setor, a norma tenta impor linearidade a um sistema essencialmente volátil.

Minoritários querem um velho conhecido no comando da Tupy

1/04/2026
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A repentina saída de Rafael Lucchesi da presidência da Tupy traz de volta ao centro do tabuleiro o nome de Fernando Rizzo, ex-CEO da companhia. No que depender de um grupo de minoritários da empresa, liderados pela gestora Charles River, Rizzo é o preferido para comandar a metalúrgica. Nesse caso, substituiria exatamente aquele que o substituiu no ano passado. A campanha dos fundos pelo retorno do executivo é mais um round na disputa societária da Tupy. Os minoritários questionam a governança ou o que eles consideram a falta de governança imposta por Previ e BNDESPar, que, juntos, detêm 57% do capital. Os investidores discutem, inclusive, a possibilidade de entrar na Justiça, sob o argumento de que o fundo de pensão e o braço do BNDES têm extrapolado limites do exercício regular do poder de controle – conforme informou o RR. Para os fundos, os dois principais acionistas têm funcionado como instrumentos de interferência do governo Lula na administração da Tupy. O eventual regresso de Rizzo teria o condão de distensionar o ambiente societário e até mesmo frear um contencioso.

Fernando Rizzo acumulou uma trajetória de mais de três décadas na Tupy, estando na presidência entre 2018 e 2025. Sob sua gestão, a empresa avançou na estratégia de internacionalização e diversificação do portfólio, incluindo aquisições e expansão para novos segmentos ligados à transição energética. Rizzo sempre foi visto como um anteparo para conter eventuais ingerências políticas na companhia. Se ele vai voltar ao cargo, como querem os principais minoritários, são outros quinhentos. Mas o fato é que o mercado não fez a menor cerimônia em celebrar a queda de Lucchesi, ex-presidente do Conselho do BNDES. Desde a sua saída do cargo de CEO, na última sexta-feira, a ação da Tupy acumula alta superior a 10%.

#Tupy

Aporte de capital e grupamento de ações entram no radar da Marisa

1/04/2026
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A família Goldfarb, controladora da Lojas Marisa, discute um redesenho emergencial da estrutura de capital da empresa. O que se ouve no mercado é que o clã avalia uma nova injeção de capital, com a possibilidade de combinar recursos próprios com a entrada de um novo investidor. Consta que, no passado recente, o BTG, um dos principais credores da companhia, demonstrou interesse em ficar com uma fatia do negócio. Ressalte-se que os Goldfarb têm margem de manobra de sobra para reduzir sua participação e manter o controle com folga. A família detém 92% do capital da rede varejista. Antes de uma eventualcapitalização, os acionistas consideram praticamente inevitável um grupamento de ações da Marisa, na tentativa de conter o esfarelamento do papel. Os títulos da rede varejista são negociados desde o fim de janeiro abaixo de R$ 1, ou seja, muito além dos 30 pregões de limite permitidos pela B3. A companhia já foi notificada formalmente pela Bolsa.

#Marisa

O que deu errado? Governo de Goiás e BNDES repensam PPPs após leilão fracassado

1/04/2026
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O governo de Goiás e o BNDES já discutem mudanças no modelo de licitação das PPPs de saneamento no estado. Um dos pontos centrais é a reavaliação da matriz de riscos, com possibilidade de maior compartilhamento pelo poder concedente — especialmente em itens como demanda, inadimplência e variações regulatórias. Também entra no radar a revisão das metas de investimento e dos cronogramas de universalização, que podem ter sido considerados agressivos para o perfil de retorno esperado pelos investidores. Outra potencial revisão envolve a estrutura financeira do projeto. Há avaliação sobre aumento de garantias públicas, reforço de mecanismos de mitigação de risco de crédito e até a possibilidade de participação mais ativa de bancos públicos no funding inicial. A possível cirurgia na modelagem das PPPs se deve à fracassada tentativa de licitação, no último dia 25. O governo de Goiás cancelou o leilão após a desclassificação do Consórcio Águas do Cerrado, único candidato que havia apresentado proposta. E, ainda assim, apenas por um dos três blocos ofertados.

#BNDES

As várias disputas em torno do espólio de João Carlos Di Gênio

31/03/2026
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A operação policial deflagrada nesta terça-feira, para apurar uma tentativa de fraude de R$ 900 milhões contra o espólio de João Carlos Di Genio, joga luz sobre uma das maiores batalhas sucessórias do país. A disputa em torno da herança do empresário, que inclui duas das mais tradicionais marcas da área de educação – a Unip e o Colégio Objetivo -, é quase novelesca, dado o sem fim de tramas cruzadas. A linha sucessória formal envolve a viúva, Sandra Miessa Di Genio, com quem o empresário teve três filhos. Passa pelo sobrinho do empresário, Fernando Di Genio Barbosa, que também buscou participação na herança, mas acabou sendo afastado judicialmente após questionamentos liderados pela viúva. E ainda há um forasteiro: Bruno Augusto de Mello Pará, que tenta ser reconhecido como filho de Di Gênio – o exame de DNA já provou que Pará não é filho biológico do fundador do Grupo Objetivo. O patrimônio deixado pelo empresário é estimado em cifras que podem chegar a R$ 100 bilhões, considerando ativos no Brasil e no exterior — incluindo universidades, colégios, rádios, imóveis e fazendas. E a “disputa” pelos ativos de Di Gênio não fica restrita a herdeiros e supostos postulantes: o mercado também duela pelo espólio do empresário. A Unip, com mais de 240 mil alunos, é uma das joias mais cobiçadas do setor educacional brasileiro. Grandes grupos privados enxergam na eventual reorganização do espólio Di Gênio de uma oportunidade de acesso a um ativo de escala nacional, com forte geração de caixa e base consolidada de alunos. No mercado, Chaim Zaher, fundador do Grupo SEB e maior acionista da Yduqs, é apontado como o pretendente no 1 à compra da universidade.

#Colégio Objetivo #João Carlos Di Gênio #Unip

TCU põe em xeque concessões de infraestrutura em parceria entre União e estados

31/03/2026
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Os investimentos em infraestrutura no Brasil estão batendo em mais um muro, desta vez erguido pelo TCU. A proibição a novos aportes da União na construção do túnel Santos-Guarujá, imposta pela Corte no último dia 18, lança incertezas que vão muito além do empreendimento no litoral paulista. A determinação do Tribunal de Contas cria um risco jurisdicional que se estende a outras concessões com modelagem similar, ou seja, PPPs estruturadas em cima de financiamento público compartilhado entre o governo federal e estados. Um dos projetos na linha de tiro é a licitação do metrô de Recife, em fase de consulta pública no BNDES desde fevereiro. O modelo prevê a transferência de ativos da CBTU ao estado de Pernambuco e a posterior concessão por 30 anos, com um pacote de investimentos da ordem de R$ 4 bilhões. Outro empreendimento que pode vir a ser afetado é a concessão da Trensurb, que opera o sistema de trens urbanos de Porto Alegre. A proposta em estudo também envolve aportes conjuntos do governo gaúcho e da União, além da transferência de ativos federais. O investimento estimado na esteira da desestatização é da ordem de R$ 3,5 bilhões. No limite, a resolução do TCU ameaça também empreendimentos no âmbito do Novo PAC que preveem aportes públicos divididos entre Brasília e entes subnacionais. Só na área de mobilidade urbana, os projetos com essa roupagem totalizam quase R$ 10 bilhões.  

O Ministério dos Portos e Aeroportos e o governo paulista tentam, nos bastidores, convencer o TCU a recuar nas restrições impostas ao modelo de construção do túnel Santos-Guarujá. Segundo informações filtradas pelo RR, o próprio Tarcísio de Freitas tem feito diretamente gestões junto à Corte. Trata-se de um dos maiores projetos já licitados no seu governo – o investimento previsto é de quase R$ 7 bilhões. De maneira emergencial, o estado remanejou às pressas R$ 2,6 bilhões. É um hedge, até para garantir os pagamentos e o cronograma das obras. Mas Tarcísio ainda tenta evitar que essa conta caia definitivamente nos cofres do estado, o que alteraria consideravelmente o project finance. De toda a forma, não é apenas o orçamento que está em jogo. Qualquer solavanco no empreendimento terá, inevitavelmente, um custo político para Tarcísio em meio a uma campanha de reeleição – muitíssimo bem encaminhada, por sinal.

Como quase tudo que diz respeito ao setor de infraestrutura no Brasil, o caso é intrincado. O TCU enumera uma série de razões para fundamentar a proibição ao repasse federal de aproximadamente R$ 2,6 bilhões para as obras do túnel ao menos até nova deliberação. No entendimento da Corte, há uma grave deficiência na arquitetura jurídica e de governança do aporte federal. Na visão dos ministros, a Autoridade Portuária de Santos, que responde por metade da contrapartida pública da PPP, não pode ser compelida a transferir recursos sem que exista um instrumento formal, assinado pelas partes, definindo cronograma, marcos de controle, regras de fiscalização e prestação de contas. Foi justamente essa ausência que levou o relator, ministro Bruno Dantas, a afirmar que o repasse, nos moldes atuais, cria risco de dano ao erário e de perda de controle sobre a aplicação dos recursos da União.  O tribunal também ancorou sua decisão em falhas já apontadas no acompanhamento do projeto: fragilidades na matriz de riscos, na governança interfederativa e nas regras de titularidade e reversão do ativo. A APS tem até 18 de abril para apresentar um instrumento formal de governança que regule a participação da União e seja capaz de convencer o TCU a liberar os aportes e consequentemente manter a parceria entre os governos federal e de São Paulo. Dessa decisão, depende não apenas a ligação subaquática entre Santos e Guarujá, mas outros projetos de infraestrutura semelhantes.

#TCU

Raízen encontra resistências à conversão de dívida em ações

31/03/2026
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A julgar por uma primeira rodada de tratativas com os principais credores, os acionistas da Raízen terão de subir uma ladeira íngreme em seu processo de recuperação extrajudicial. Os detentores de títulos de dívida da companhia têm manifestado forte objeção às condições apresentadas pela companhia. A portas fechadas, classificam a proposta de conversão de ao menos 45% do passivo em participação acionária de um haircut travestido de reestruturação de capital. Do outro lado da mesa estão bancos como Santander, Itaú, JP Morgan, Rabobank e BNP Paribas, entre outros. O passivo total em renegociação é de R$ 65 bilhões. A eventual conversão de 45%, por exemplo, representaria a transformação de aproximadamente R$ 30 bilhões de debt em equity. A reação contrária tem razões objetivas. Para esses investidores, a proposta altera de forma abrupta a natureza do risco originalmente contratado. Títulos de crédito — com fluxo definido, prioridade de pagamento e proteção jurídica — seriam convertidos em ações de uma companhia que enfrenta deterioração operacional e elevada incerteza sobre geração de caixa. Em outras palavras, os credores seriam empurrados para uma posição subordinada, sem garantias equivalentes e expostos à volatilidade de mercado.

Outro ponto sensível é a precificação implícita da conversão. Interlocutores próximos às negociações afirmam que o valuation embutido na proposta não reflete adequadamente o risco atual da companhia. Ao aceitar a troca, os investidores cristalizariam perdas relevantes em um momento em que ainda enxergam espaço para negociação de melhores termos — seja via alongamento de prazos, reforço de garantias ou ajustes no percentual de conversão. Ou seja: os controladores da Raízen, Cosan e Shell, ainda têm muita ladeira para escalar.

#Raízen

A virada da São Carlos: menos prédios e mais capital

31/03/2026
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A São Carlos Empreendimentos, o braço de real estate de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, está passando por uma espécie de refundação estratégica. A venda de R$ 735 milhões em prédios de escritórios em São Paulo e no Rio não é apenas uma reciclagem de portfólio, mas uma mudança profunda no modelo de negócio. O movimento indica uma transição do modelo clássico de proprietário para uma lógica mais próxima à de gestor de ativos. Ao manter vínculo com os imóveis via fundos e serviços de gestão, a São Carlos troca a previsibilidade do aluguel pela flexibilidade do capital. É uma aposta em liquidez e eficiência, ainda que ao custo de abrir mão de controle direto sobre o portfólio. Não se pode ter tudo, mesmo tratando-se de Lemann, Telles e Sicupira. Por trás da operação, há também uma leitura implícita sobre o mercado de escritórios. A venda com desconto relevante em relação ao valor patrimonial sugere que o preço contábil pode não refletir plenamente as condições reais de demanda e liquidez do segmento. Nesse contexto, antecipar a saída — mesmo com haircut — pode ser visto como decisão racional.

O movimento ocorre em um contexto em que a própria São Carlos já vinha reduzindo sua exposição direta a imóveis: a companhia encerrou 2024 com um portfólio avaliado em cerca de R$ 4 bilhões, com taxa de vacância ainda pressionada em determinados ativos corporativos e receita líquida impactada pela renegociação de contratos. No mercado, os indicadores reforçam essa leitura. Em São Paulo, a vacância de escritórios de alto padrão (classe A/A+) gira em torno de 18% a 20%, enquanto no Rio de Janeiro esse índice segue ainda mais elevado, frequentemente acima de 25%. Ao mesmo tempo, o ritmo de absorção líquida tem sido irregular, refletindo mudanças estruturais na demanda, como o avanço do trabalho híbrido.

#São Carlos Empreendimentos

Caiado tem um gostinho do “Gabinete do ódio III, a missão”

31/03/2026
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O “gabinete do ódio” versão 3.0 já está esquentando as baterias para a eleição deste ano. Ontem, poucas horas após o anúncio da pré-candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência da República, a área de comunicação digital do PSD identificou uma ofensiva contra o governador de Goiás. Mensagens praticamente uníssonas começaram a se espalhar por redes sociais, grupos de WhatsApp e canais de Telegram. Em tom de ironia, milhares de usuários passaram a apostar quanto tempo Caiado levará para desistir da corrida eleitoral. A maior parte dos comentários fazia menção à efêmera passagem de Ratinho Jr., também do PSD, pela disputa eleitoral. A repetição da narrativa e a padronização dos argumentos chamaram atenção: tudo leva a crer que houve método e coreografia por trás da profusão de postagens. Acontecerá com Caiado e com qualquer outro candidato que entre em cena para dividir votos no campo da direita, ao menos no primeiro turno.

#Ronaldo Caiado

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