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Pelo jeito, a Previ não está levando muita fé nos planos da Prefeitura do Rio de reurbanização e revitalização do Centro da cidade. O fundo de pensão colocou à venda seus principais imóveis na região. O pacote engloba 15 andares do Candelária Corporate, assim como três pavimentos no Edifício Rio Branco 1. A fundação procura comprador também para os dois andares que possui no Teleporto (Centro Empresarial Cidade Nova). Ao todo, o lote está avaliado em algo em torno de R$ 190 milhões. A debandada da Previ do Centro do Rio é mais um movimento na redução do portfólio imobiliário do fundo. Na semana passada, a entidade acertou a venda das torres A e B do WTorre Nações Unidas, na Marginal Pinheiros, em São Paulo, para o JS Renda Imobiliária, ligado ao Safra. Além disso, também negocia a venda de suas participações nos shoppings ABC e Metrô Tatuapé, em São Paulo.
A exigência de que o futuro operador da Malha Oeste construa o Ferroanel de São Paulo enfrenta resistência entre os potenciais investidores. A leitura no setor é que o governo está tentando empacotar dois problemas em um único leilão: a recuperação de uma ferrovia degradada, hoje operada pela Rumo, e uma obra bilionária que há anos ninguém consegue tirar do papel. O Ferroanel tem custo estimado em cerca de R$ 6 bilhões. É um estorvo dentro de um vagão já enferrujado, como é o caso da Malha Oeste. Esta última reúne mais de 1,6 mil quilômetros entre Corumbá e Mairinque, com trechos ociosos, demanda concentrada em poucos corredores e necessidade pesada de recuperação. A ANTT prevê aporte federal de até R$ 3,6 bilhões para viabilizar a concessão, mas investidores avaliam que jogar o Ferroanel dentro do pacote pode piorar a relação risco-retorno.
Entre os nomes citados no Ministério dos Transportes como possíveis interessados estão operadores ferroviários como MRS e VLI, além de grupos ligados à carga de celulose, como Suzano, Eldorado e Arauco. A região de Três Lagoas é o filé do projeto: só a carga de celulose projetada é estimada em 15 milhões de toneladas. O governo tenta vender a obra como solução logística ampla para São Paulo e para o acesso aos portos do Sudeste. Só que os investidores enxergam outra coisa: um edital que pode nascer carregando obra cara, demanda incerta e risco de reequilíbrio contratual.
A suspensão das medidas antidumping contra o leite em pó da Argentina e do Uruguai abriu uma nova frente de atrito entre o governo e a bancada ruralista. Na sexta-feira, congressistas da Frente Parlamentar da Agricultura (FPA) discutiam uma reação à abrupta decisão do Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex), incluindo a possibilidade de judicializar o caso. Na última quinta-feira, o órgão anunciou as medidas; no dia seguinte, “desanunciou”. O descontentamento é ainda maior pelo fato de que o próprio Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio reconheceu a prática de dumping, com margens de até 60% para a Argentina e 50% para o Uruguai. A investigação havia sido aberta em dezembro de 2024, a pedido da CNA, depois de produtores denunciarem a entrada de leite em pó a preços inferiores aos praticados nos mercados de origem. O pedido de congelamento das tarifas teria partido da própria equipe econômica, preocupada com o impacto das sobretaxas sobre a inflação de alimentos.
Corre no mercado que a Flying Rivers Capital conversa com investidores climáticos internacionais, family offices globais e mesmo fundos soberanos em busca de recursos para novos aportes. Seu pipeline está concentrado em três frentes: transição energética, segurança alimentar e minerais críticos. O mais recente FIP Climático da gestora, ressalte-se, já conta com um investidor de peso, o BNDES, que entrou com R$ 500 milhões. A meta é captar ao todo algo em torno de R$ 1,7 bilhão. A Flying Rivers Capital administra atualmente cerca de R$ 1 bilhão em ativos. Nascida a partir do spin-off da vertical climática da eB Capital, a casa de investimentos passou a ter como sócio Ricardo Mussa, ex-CEO da Raízen. Mussa chegou há dois meses com a missão de acelerar a originação de projetos e ampliar o acesso a investidores institucionais globais.
O presidente Lula e a cúpula do governo estão, nesse momento, discutindo no Palácio do Planalto as ações a serem tomadas no âmbito interno e externo depois da decisão do Departamento de Estado norte-americano enquadrar o Brasil no rol dos países narcoterroristas. Apesar do tema estar restrito a uma discussão de caráter civil, espera-se que Lula convoque os comandos das Forças Armadas para discutir o assunto nos próximos dias. Não custa lembrar que os americanos bombardearam navios venezuelanos sem nenhuma evidência de que eles estavam envolvidos no tráfico de drogas. A medida causou espanto geral. Passou ao largo do Itamarati e dos serviços de Inteligência. E ninguém esperava algo tão radical, que pode, inclusive, afetar o sistema financeiro nacional. Mas, a maior preocupação do governo, neste momento, é que a decisão do Departamento de Estado se espraie para a União Europeia, cujos países membros já manifestaram sua preocupação com o crescimento do tráfico de drogas na região, particularmente cocaína. O último relatório da European Union Drugs Agency, de 2025, informou que o ano de 2023 foi o sétimo ano consecutivo de recorde de apreensão da droga no continente. A maior parte do volume de apreensão continua sendo na Bélgica, na Espanha e nos Países Baixos.
Os assessores de Lula lembram que a União Europeia não é iniciante em ações internacionais contra o tráfico de drogas. Mas, diferentemente dos EUA, não usam a diplomacia do big stick norte-americano. A exemplo da experiência com a Colômbia, os europeus preferem ações cooperativas e de responsabilidade compartilhada. O problema maior não seria um “quase golpe” no estilo trumpista, mas a soma de vozes. Qualquer eco da medida dos EUA em outra parte do mundo reforça o que mais ameaça o Brasil: a repercussão direta na economia do país. Na verdade, qualquer afirmação que se faça sobre uma possível reação do governo brasileiro ao grave ataque a sua soberania é uma precipitação. Mas uma fonte do RR chamou a atenção para uma possibilidade, inclusive aventada pela publicação: o contra-ataque através de uma campanha internacional contra os paraísos fiscais. O dinheiro do tráfico tem que estar em algum lugar. E para coibir seriamente a circulação das drogas é preciso fechar os cofres onde o dinheiro está depositado. E todo mundo sabe onde eles estão localizados.
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