Redação RR - Relatório Reservado

Artigos: Redação RR

Grupos da área de educação vão à Justiça contra punições a cursos de medicina

30/03/2026
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Prestes a sair do cargo, o ministro da Educação, Camilo Santana, deverá deixar como legado para o seu sucessor uma crise com alguns dos grandes grupos privados do setor. Segundo o RR apurou, conglomerados como Yduqs, Ânima e Afya pretendem contestar tanto no âmbito administrativo quanto judicial as punições impostas pelo MEC aos cursos de medicina. O colar de medidas discutidas pelas empresas é amplo, de acordo com a fonte do RR. As empresas planejam recorrer ao próprio Ministério com o objetivo de forçar uma revisão do Enamed, a prova aplicada pela Pasta para medir o desempenho dos formandos de faculdades medicina e que resultou em penalidades a 54 cursos reprovados no exame. As universidades questionam critérios de proficiência, a comparação entre cursos com realidades distintas e, sobretudo, a utilização de uma única avaliação como base para decisões com impacto econômico direto. A leitura é que há fragilidades metodológicas suficientes para sustentar pedidos de recalibração ou mesmo de suspensão parcial das penalidades. Essa é parte da pressão que aguarda pelo próximo ministro da Educação. No entanto, a reação mais incisiva e de curto prazo deverá vir pelos tribunais. Yduqs, Ânima e Afya avaliam o ingresso de mandados de segurança e ações anulatórias com pedidos de liminar para barrar os efeitos imediatos das punições. A eventual suspensão das sanções abriria caminho para outras faculdades punidas também acionarem a Justiça, formando um efeito-cascata. Os argumentos das empresas de educação giram em torno da desproporcionalidade das penalidades, da ausência de base normativa clara para parte das medidas e das supostas falhas metodológicas do Enamed. Procuradas pelo RR, Yduqs, Ânima e Afya não comentaram o assunto.

O pano de fundo dessa reação coordenada é uma mudança relevante de postura regulatória. O caso das punições do MEC aos cursos de medicina marca uma inflexão: o Enamed deixou de ser apenas um termômetro de qualidade e passou a funcionar como instrumento de intervenção econômica direta no setor. Em março, o MEC abriu processos e aplicou sanções a 53 instituições privadas e uma federal (a UFPA, do Pará) com desempenho insuficiente, incluindo suspensão de ingresso de novos alunos em parte deles e proibição de aumento de vagas. As penalidades impostas às universidades particulares incluíram ainda restrições ao Fies e ao Prouni e, em alguns casos, redução de vagas.

O estrago feito pelo Enamed deve reduzir em aproximadamente 2,5 mil vagas a oferta nos cursos de medicina, com perdas estimadas em R$ 300 milhões já a partir deste ano. A Yduqs foi, de longe, a mais afetada. O grupo terá de cortar 317 vagas, o equivalente a 15,4% da sua oferta de medicina, a vertical que gerou R$ 643 milhões de Ebitda em 2025 — ou 34% do resultado operacional da companhia. Na Ânima, que atua no segmento por meio da Inspirali, as sanções atingem cerca de 5,3% das vagas. Ressalte-se que os cursos de medicina responderam por 67% da geração de caixa da empresa em 2025. Na Afya, 5,6% das vagas foram impactadas.

 

 

#Educação

Cimed acelera entrada em canetas após lucros mais magros

30/03/2026
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A pressão está alta dentro da Cimed. O empresário João Adibe Marques, acionista controladora, quer dar uma rápida resposta ao mercado após os decepcionantes resultados de 2025. Há uma forte cobrança interna para a empresa acelerar a entrada em novos segmentos. O alvo principal é o ingresso no mercado de canetas emagrecedoras, a coqueluche entre os laboratórios farmacêuticos. Originalmente, a meta da empresa era lançar sua caneta em 2027, mas, no setor, já se fala que a Cimed corre para antecipar esse movimento para este ano. A quebra da patente da semaglutida (princípio ativo do Ozempic), no último dia 20 de março, disparou uma corrida desenfreada da indústria farmacêutica brasileira. A partir de agora, a disputa de todos é para ocupar espaço nas prateleiras antes do concorrente. No caso da Cimed, a ansiedade é aumentada exatamente pelo desempenho frustrante do ano passado: seu lucro caiu 30% em relação a 2024, de R$ 280 milhões para R$ 169 milhões. Além disso, por conta de investimentos e de custo financeiro, a empresa teve uma redução de caixa de R$ 263 milhões. Às canetas emagrecedoras caberá a missão de engordar os resultados da Cimed.

#Cimed

Nem o rombo do BRB diminui o amor de Ibaneis Rocha pelo Flamengo

30/03/2026
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A gestão dos recursos do BRB no governo Ibaneis Rocha tem sido realmente inusitada, para se dizer o mínimo. O próprio governador do Distrito Federal teria costurado diretamente com o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o BAP, a renovação do contrato de patrocínio do banco ao clube carioca. O acordo renderá ao Flamengo R$ 42,6 milhões até março de 2027. O acerto chama a atenção pelo timing. Tragado pelo escândalo do Banco Master, o BRB enfrenta a maior crise financeira da sua história. Na última sexta-feira, o próprio governador solicitou um empréstimo de R$ 4 bilhões ao FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para reforçar emergencialmente o caixa do banco estatal. O presidente do BRB, Nelson Antonio de Souza, já disse publicamente que o rombo nas contas da instituição é estimado em R$ 8 bilhões. Mas Ibaneis Rocha deve ter alguma boa justificativa para o BRB seguir pagando uma fortuna para ter sua marca estampada na camisa do Flamengo. Ou não. De fato, é tudo muito estranho.

#Flamengo

Com disparada do diesel, governo estuda subsidiar fretes de programa da Conab

30/03/2026
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O governo discute alguma forma de subvenção ao frete no âmbito do Programa de Venda em Balcão (ProVB), iniciativa da Conab voltada ao fornecimento de milho a preços subsidiados para pequenos produtores rurais. A medida seria uma resposta à escalada do preço do diesel na esteira dos conflitos no Oriente Médio. Os estudos feitos pelos Ministérios da Fazenda e da Agricultura ocorrem em meio à forte pressão dos transportadores, que alegam inviabilidade econômica em manter os frentes com a disparada do custo do combustível. Sem algum tipo de auxílio, há um crescente risco de paralisação das entregas de milho a pequenos e médios criadores de animais atendidos pelo ProVB. Paralelamente, a própria Conab avalia algumas medidas de apoio aos caminhoneiros, como flexibilização de prazos, suspensão de multas e eventual reestruturação dos leilões de frete.

#Conab

Supermercados Sonda entra na lista de compras do Pátria Investimentos

27/03/2026
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A Plurix, braço de varejo do Pátria Investimentos, tem interesse na aquisição dos Supermercados Sonda. Há conversas em andamento com a família Sonda, acionista controladora da empresa, segundo informações que circulam em petit comité no setor. A companhia é avaliada em torno de R$ 3,5 bilhões. Com um faturamento anual superior a R$ 6 bilhões, o Sonda é um dos ativos mais cobiçados do setor supermercadista. Todas as suas 45 lojas, cinco delas com a bandeira Cobal, estão encravadas no maior PIB do país, o estado de São Paulo. No fim do ano passado, a rede esteve perto de ser negociada para o Advent, mas as negociações foram colocadas em banho-maria. O que se ouve no mercado é que a própria família Sonda não chegou a um entendimento sobre a venda da companhia. O capital é dividido entre os irmãos Delcir (50%) e Irani Sonda (25%), além dos dois filhos deste último. Procurados pelo RR, Plurix e Sonda não se manifestaram até o fechamento desta matéria.

Criada em berço esplêndido, o Pátria Investimentos, com seus mais de US$ 50 bilhões sob gestão, a Plurix tem feito M&As em série. O maior deles, em 2024, foi a compra do Grupo Amigão, à época com faturamento na casa dos R$ 4 bilhões. A aquisição permitiu ao braço varejista do Pátria praticamente duplicar seu tamanho. Hoje são aproximadamente 180 lojas e uma receita anual acima de R$ 10 bilhões. A disposição consolidadora da Plurix vai além das prateleiras do Sonda. Até porque o momento é particularmente oportuno para grupos varejistas com liquidez de sobra, como é o seu caso. Os juros elevados e o aumento da inadimplência das famílias têm levado o setor supermercadista a uma situação de estresse financeiro. Os exemplos estão sobre as gôndolas, à vista de todos. O Grupo Pão de Açúcar entrou em recuperação extrajudicial, com dívida de R$ 4,5 bilhões; o St Marche foi pelo mesmo caminho, com um passivo de R$ 530 milhões.  

 

N.R. Após a publicação da matéria, o Sonda Supermercados entrou em contato com o RR, por meio de sua assessoria, para afirmar “de forma categórica que não mantém, neste momento, negociação com a Plurix, do Pátria Investimentos, nem com outro investidor. Não há tratativas em curso envolvendo a venda de participação ou controle da companhia. A empresa permanece concentrada em fortalecer suas operações e ampliar sua presença no varejo alimentar, sempre avaliando oportunidades que estejam alinhadas à sua estratégia de longo prazo.”
O RR mantém a informação publicada.

#Pátria Investimentos

Afinal, o que a MAK Capital quer da Oncoclínicas?

27/03/2026
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A pergunta acima é repetida pelos próprios acionistas da empresa de medicina. O súbito movimento da MAK Capital, que pediu a convocação de uma assembleia para destituir todo o conselho da Oncoclínicas, colocou uma pulga atrás da orelha dos demais investidores. Entre os acionistas, a leitura é que se trata de uma manobra da gestora com o objetivo de aumentar o prêmio para a sua saída do capital – os norte-americanos detêm 6% da rede de clínicas oncológicas. Nesse caso, o roteiro estaria mais ou menos ensaiado: o fundo questiona a governança, critica os termos da operação e ameaça reorganizar o conselho. Com isso, aumenta-se o risco percebido: a transação fica mais complexa, o cronograma se estica e o acionista insurreto ganha um poder de barganha superior ao tamanho da sua participação. Ou seja: a MAK estaria criando dificuldades para vender facilidade mais à frente.
O que mais chama a atenção na ofensiva da gestora contra o board é o timing. Ela se dá justamente no momento em que a Oncoclínicas costura uma associação com a Porto e a Fleury. Soma-se o fato de que a MAK acena com um aporte de R$ 500 milhões na empresa, que estaria condicionada à destituição do conselho. Formalmente os norte-americanos dizem que não é uma proposta antagônica à tríplice fusão que vem sendo negociada pela Oncoclínicas. Não é que o pensam outros acionistas da empresa e muito menos Porto e Fleury.

#MAK Capital

Raiar segue os passos da Global Eggs e mira internacionalização

27/03/2026
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Na esteira da Global Eggs, outra grande produtora brasileira de ovos começa a quebrar a casca e a olhar para fora do país. A Raiar, dos empresários Marcus Menoita e Luis Barbieri, tem planos de adquirir ativos no exterior. Focada na produção de ovos orgânicos, mira em países com fragmentação de mercado, empresas regionais e demanda crescente por alimentos premium. Entram nesse rol, a título de exemplo, Portugal e Espanha. Até pela diferença de tamanho das duas companhias, é, portanto, um cardápio bem diferente do seguido pela Global Eggs, de Ricardo Faria, que busca comprar escala global – vide a aquisição da norte-americana Hillandale, por US$ 1,1 bilhão.
Além dos acionistas fundadores, a Raiar tem nomes de peso entre seus investidores, caso de Fabio Barbosa, chairman da Natura. Outro sócio importante era Otavio Castello Branco, o criador do braço de infraestrutura do Pátria Investimentos, que faleceu no início deste mês. A empresa já recebeu R$ 135 milhões em aportes. E agora tem ao seu lado o IFC, leia-se o Banco Mundial. Há cerca de duas semanas, a instituição de fomento aportou US$ 50 mil na Raiar. Não passou de uma pequena porção de ovos mexidos no café da manhã. A parte mais calórica ainda está por vir: uma captação de R$ 100 milhões também com a participação do IFC.

#Global Eggs

O intrincado xadrez eleitoral de Romeu Zema

27/03/2026
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Os encaixes e desencaixes estaduais estão influenciando consideravelmente as candidaturas presidenciais no campo da direita. Primeiro foi Ratinho, que deixou a corrida ao Palácio do Planalto em grande parte pelo receio de entregar de bandeja o comando da política no Paraná para Sergio Moro, com o risco adicional de fragmentação do seu grupo local.  Agora é Romeu Zema que enfrenta um dilema semelhante. Caso venha a concorrer à Presidência, Zema deixará o atual governador e seu ex-vice, Mateus Simões (PSD), em maus lençóis. Simões mantém uma relação de proximidade com o bolsonarismo. São milhões de votos que lhe interessam muito na campanha para a reeleição ao governo do estado. No entanto, se Zema lançar chapa própria para concorrer contra Lula e, principalmente, Flavio Bolsonaro, Simões ficará entre a cruz e a espada: como apoiar o ex-governador, seu aliado político, sem perder os votos do bolsonarismo? Como assegurar os votos do bolsonarismo sem cometer uma traição política a Zema? É uma equação difícil de ser resolvida. Na tentativa de colocar um pé em cada barco, não apenas Simões, mas o próprio Zema correm um risco político. Se o ex-governador disputar o Planalto, o clã Bolsonaro muito provavelmente despejará todo o seu apoio na campanha de Cleitinho Azevedo (Republicanos) ao comando de Minas Gerais. Nesse caso, Simões, que já está bem atrás nas pesquisas, não conseguiria mais virar o jogo. E Zema, a julgar pelas sondagens eleitorais, acumularia duas derrotas na mesma urna: a sua própria, na corrida à Presidência, e a do seu candidato no duelo pelo governo de Minas Gerais. Um dado que jamais pode ser ignorado: Minas é o grande espelho eleitoral do Brasil. Desde a redemocratização, todos os candidatos que venceram no estado foram eleitos presidente da República.

#Romeu Zema

Moelis é promessa de mais estresse na relação entre GPA e credores

26/03/2026
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A contratação da Moelis por credores do Grupo Pão de Açúcar (GPA) adiciona uma carga extra de tensão ao processo de recuperação extrajudicial da rede varejista. Por si só, a presença da boutique norte-americana é um recado de que os detentores de títulos do GPA não estão dispostos a ceder nas negociações com a companhia, espremida por uma dívida de R$ 4,5 bilhões. A Moelis tem um histórico de atuação no Brasil marcado por duros embates, na fronteira do contencioso. O caso mais emblemático é o da Oi. Credores internacionais assessorados pela instituição norte-americana se insurgiram contra o plano apresentado pela companhia. O grupo passou a atuar de forma coordenada para bloquear a proposta original, contestando formalmente seus termos em assembleias e no âmbito judicial. Mais do que isso: chegou a pressionar pela conversão de parte relevante da dívida em capital, com diluição significativa dos acionistas. Na Americanas, a lógica se repetiu. Diante de um rombo contábil que levou a uma recuperação judicial com dívida superior a R$ 40 bilhões, a Moelis entrou como um trator. Contratada por bondholders, foi um dos líderes das tratativas que obrigaram o trio de acionistas de referência – Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles – a aumentar o valor do aporte na companhia de R$ 10 bilhões para R$ 12 bilhões. A Light é outro exemplo representativo. Credores internacionais assessorados pela Moelis questionaram a capacidade da companhia de cumprir o plano apresentado e, sobretudo, a alocação de perdas entre acionistas e detentores de dívida. O ponto de maior tensão foi a discussão sobre o nível de haircut e a conversão de dívida em capital. Parte dos credores, inclusive, passou a defender alternativas mais agressivas, incluindo cenários de intervenção e redistribuição de ativos, caso não houvesse acordo. Maus prenúncios para o GPA.

#Beto Sicupira #GPA #Jorge Paulo Lemann #Marcel Telle

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