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O novo chanceler, Mauro Vieira, pretende anunciar até março o regresso do Brasil ao Unasul (União de Nações Sul-Americanas). Mais do que um mero retorno, o futuro governo Lula vai trabalhar pelo revigoramento da organização intragovernamental, que praticamente entrou em hibernação desde 2019, quando Jair Bolsonaro determinou a saída do Brasil do bloco. A Unasul chegou a ter 12 nações; hoje, são apenas quatro, não por acaso países de menor representatividade internacional – Bolívia, Venezuela, Guiana e Suriname. Vieira defende a tese de que a refundação da Unasul dará mais voz à América do Sul em pautas multilaterais, a começar pela discussão ambiental.
A decisão do governo Bolsonaro de encerrar os trabalhos da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) foi interpretada por assessores de Lula para a área militar como uma armadilha. Se deixar tudo como está, o futuro presidente será pressionado por entidades de direitos humanos e mesmo pela comunidade internacional a revogar a medida; se recriar a Comissão, Lula muito provavelmente vai criar mais uma área de indisposição com os militares.
Nos estertores do governo Bolsonaro, o Ministério do Desenvolvimento Regional solicitou à Pasta da Economia uma verba extra de R$ 21 milhões, em caráter de urgência. O dinheiro é para manter ativa, até o fim do mês, a Operação Carro-Pipa, que atende as populações rurais atingidas pela seca e estiagem. O caixa secou. Sem a liberação das novas verbas, o Ministério não conseguirá contratar novos carros pipas e sequer pagar dívidas pendentes. Desde o início deste mês, o serviço funciona precariamente, com o cancelamento do serviço em várias cidades por falta de pagamento.
O RR apurou que a norte-americana General Atlantic planeja expandir seus negócios na área de saúde do Brasil. A estratégia da gestora é usar a Conexa Saúde como ponta de lança para a aquisição ou mesmo o desenvolvimento de novas healthtechs no país. O dinheiro para isso já está na conta. No ano passado, a General Atlantic aportou cerca de R$ 200 milhões na Conexa, maior empresa de telemedicina do país.
Se Lula anunciar mais uma leva de ministros hoje e não indicar Marina Silva e Simone Tebet entre eles, vai fortalecer as versões malévolas que circulam nos bastidores: que está cedendo à pressão do Centrão e do PT por mais cargos; que vai apresentar para as duas somente a xepa das pastas para que elas recusem; que é um traíra mesmo; ou, então, que Janja brecou as duas por ciúme ou alguma marra. Lembrai-vos que há precedentes de bullying feito pelo futuro presidente com a própria Marina em mandato pretérito. Mas o RR se recusa a acreditar que Lula vá fazer uma bobajada dessas. De qualquer forma, o simples fato de não ter indicado as duas moças a quem deve uma parte da sua eleição antes ou pelo menos junto aos marmanjos do PT é um péssimo sinal.
Depois de muitas sondagens, conforme o RR informou pela manhã, Fernando Haddad achou o seu secretário do Tesouro. Trata-se de um nome experiente, com um baita conhecimento da área fiscal, sabe dizer “não”, tem passagem por cargo em governo do PT – e de governos de outros partidos também -, com uma formação acadêmica consistente, trânsito nas mais diversas direções e morador do Rio de Janeiro. Mais o RR não pode dizer. É a melhor escolha da área econômica até agora. Façam suas apostas.
O governo do Rio Grande do Sul está montando uma operação de guerra na tentativa de garantir a privatização da Corsan, marcada para amanhã. A Procuradoria Geral do Estado cogita entrar com um recurso ainda hoje no STF. O objetivo é derrubar as ações impetradas por trabalhadores da própria companhia de saneamento. Na última quinta-feira, o desembargador Marcos Fagundes Salomão, do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-4), suspendeu o leilão a pedido do Sindiágua, sindicato que representa os funcionários da estatal.
O final de semana de Fernando Haddad foi reservado a perscrutar que pode ser o secretário do Tesouro Nacional. Não está nada fácil. A ideia inicial foi de que o Secretário da STN tocasse de ouvido com o secretário da Reforma Tributária, Bernard Appy. Haddad foi, então, convencido de que fazer uma dupla de ataque nesta área acabaria gerando mais concordância do que um frutuoso debate. O Tesouro e toda a parte tributária afunilam em algum momento. O futuro ministro não quer montar patota. Surgiu, então, o nome de Felipe Salto, atual secretário da Fazenda de São Paulo. Aliás, um nome que vai e volta. Salto é um craque, mas esbarra em alguns próceres do PT. Como alternativa, foi soprado no ouvido de Haddad o nome do economista chefe do Banco Safra, Joaquim Levy, que já pilotou a STN em governo pretérito do PT. Levy já teria, inclusive, acenado com algo mais ou menos assim: “Olha, estou aqui para colaborar em qualquer coisa”. Só que não colou. Falta empatia com Haddad. E as informações que o futuro ministro colheu são de que Levy é dificílimo de relacionamento.
Surgiu, então, o nome de Vilma Pinto, economista, mulher, negra, e uma fera em finança públicas, analista do Congresso para questões fiscais. Por pouco o ministro não bateu o martelo. No final, depois de visitas variadas na sua casa, preferiu dar um tempo e abrir novas conversas. De qualquer forma, a busca continua. Haddad prossegue, com uma lanterna na mão, como o filósofo Diógenes, procurando não somente um homem íntegro, mas que entenda profundamente das contas públicas e seja um sujeito de equipe, de bom trato e que não tenha um histórico de brigão.
Luiz Marinho, futuro ministro do Trabalho, levou a Lula uma proposta para fortalecer o Ministério do Trabalho, transformando-o em uma espécie de “Ministério do Emprego”. A ideia é a migração para a Pasta do Economia Solidária, hoje administrado pelo Ministério da Cidadania, no âmbito do projeto Inclusão Produtiva Urbana. Marinho quer transformar o Economia Solidária em um vetor para a geração de postos de trabalho, notadamente do primeiro emprego. Para isso, pretende, inclusive, recriar a Secretaria Nacional de Economia Solidária, instituída pelo próprio governo Lula em seu primeiro mandato – à época, o órgão foi comandado pelo professor Paul Singer. Marinho quer também acelerar os trâmites para adesão de pequenos empreendimentos ao programa. Hoje, segundo números obtidos pelo Comitê de Transição para a área do trabalho, há mais de cinco mil pedidos represados no Ministério da Cidadania.
A intenção do novo ministro é fortalecer ações de estímulo à criação de pequenos empreendimentos voltados à comercialização de bens e de serviços. No ano passado, de acordo com o Cadastro Nacional de Empreendimentos Econômicos Solidários (CadSol), foram cadastrados 20.634 Empreendimentos Econômicos Solidários (EES), beneficiando cerca de 1,423 milhão de pessoas.
A Auren Energia, joint venture entre o Grupo Votorantim e a canadense CPP Investments, vai abrir novas frentes na geração renovável. A empresa tem feito estudos para entrar no segmento de eólicas offshore. Planeja também investir na produção de hidrogênio verde. Neste caso, a estratégia deverá incluir parcerias com institutos de pesquisa e startups voltadas ao desenvolvimento de tecnologia para a fabricação do insumo. A Auren já tem uma carteira de ativos de alta voltagem, com hidrelétricas e usinas solares e eólicas. Em tempo: ainda que por vias indiretas, o financiamento para os novos projetos virá da própria União. Como se não bastasse a saúde financeira de seus sócios, a Auren vai receber cerca de R$ 4 bilhões da União ao longo de 84 meses. Trata-se de uma indenização por investimentos feitos na hidrelétrica de Três Irmãos que pertencia à Cesp, arrematada pela Auren em 2018.
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