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O escândalo contábil da Americanas já não pertence apenas à Americanas. A “inconsistência” de R$ 20 bilhões no balanço da rede varejista desencadeia uma crise em cascata, de proporções ainda imensuráveis, colocando em xeque a lisura e a credibilidade das demais empresas pertencentes a Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles. É possível confiar na gestão e, mais especificamente, nas demonstrações contábeis dessas companhias? Esta é a pergunta que grandes investidores internacionais têm feito nas últimas horas, desde o anúncio do “desaparecimento” de um passivo descomunal no balanço da Americanas. As primeiras consequências mais graves já começam a despontar. Desde cedo, corre no mercado que a Altria, dona de 10% da AB Inbev, vai pedir uma auditoria especial na contabilidade do grupo.
Além de inevitavelmente lançar dúvidas e suspeições sobre os demais negócios de Lemann, Sicupira e Telles, o rombo da Americanas dispara uma série de questionamentos e alimenta ilações que só aumentam o nervosismo nos mercados. Recentemente, o trio de investidores vendeu oito escolas do Grupo Eleva para a inglesa Inspired Education por R$ 2 bilhões. A erupção da possível fraude fiscal da Americanas suscita as interpretações mais perturbadoras. Há relação entre um fato e outro? Não obstante sua notória capacidade financeira, Lemann e seus sócios teriam negociado os ativos para gerar liquidez? Ou haveria a intenção de criar uma reserva com o objetivo de cobrir o rombo em suas empresas? Outras vendas de ativos estariam engatilhadas?
O track records de Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles mais impulsiona do que aplaca a apreensão dos investidores e do mercado. Há estranhas coincidências ou aproximações entre o case Americanas e outros negócios do trio. Em 2021, a Kraft Heinz – também pertencente a Lemann e seus sócios – e dois ex-executivos da companhia aceitaram pagar US$ 62 milhões para encerrar uma investigação na SEC, a Comissão de Valores Mobiliários norte-americana. A gigante mundial da área de alimentos foi acusada de irregularidades contábeis por três anos seguidos, envolvendo a falsificação de contratos com fornecedores. Curiosamente, o possível rombo fiscal da Americanas também passa pela conta de fornecedores.
Bem antes disso, o Banco Garantia, que ajudou a construir a fama de Lemann, Sicupira e Telles, foi para o vinagre devido a operações perigosas. A instituição foi investigada e multada pela CVM devido à prática de fraude cambial e remessa ilegal de dinheiro para o exterior. Uma sucessão de operações heterodoxas levou à debacle do Garantia, vendido na bacia das almas para o Credit Suisse em 1998. Quase 25 anos depois, Lemann, Sicupira e Telles estão novamente na berlinda, como protagonistas do que pode vir a ser a maior fraude contábil de uma companhia aberta na história do mercado de capitais brasileiro. O festejado trio de investidores, tal como Midas, toca com uma mão os ativos e eles viram ouro. Com a outra, faz com que eles se tornem escândalos financeiros. Quem paga o pato são os acionistas, a credibilidade dos auditores independentes e a fé pública no mercado de capitais. O poder destrutivo dos “Lemann´s Brothers” é incalculável.
Além do pedido de prisão, o RR apurou que o ministro Alexandre de Moraes vai determinar a quebra de sigilo telefônico e de mensagens do ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres. A decisão se estenderá também ao governador afastado Ibaneis Rocha e ao ex-comandante da Polícia Militar do DF, coronel Fabio Augusto. Moraes mira exatamente nas conversas mantidas entre os três na véspera e no dia dos ataques criminosos a prédios públicos em Brasília.
O Palácio do Planalto tem aconselhado Lula a convocar o Conselho de Defesa Nacional. A iniciativa é defendida por alguns dos mais próximos assessores do presidente da República. A ideia seria manter o Conselho permanentemente reunido até a debelação de movimentos golpistas e a identificação e responsabilização de seus articuladores e financiadores. A medida permitiria a Lula levar para dentro do colegiado todas as discussões sobre a crise institucional e, sobretudo, as ações de enfrentamento dos ataques antidemocráticos e seus autores. Ou seja: em última instância, o presidente da República dividiria a responsabilidade com os demais integrantes do Conselho de Defesa em relação a decisões sensíveis.
A convocação do órgão teria uma miríade de serventias, tais como reafirmar a posição de Lula como comandante-em-chefe das Forças Armadas; trazer para perto do governo os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco, e, principalmente, da Câmara, Arthur Lira, que têm agendas a latere do Palácio do Planalto; e, ainda que uma iniciativa singela frente às demais, fortalecer o ministro da Defesa, José Mucio. De acordo com o Artigo 91 da Constituição, todas essas autoridades, mais o ministro da Justiça, Flávio Dino, participam do Conselho de Defesa Nacional. A medida permitiria ainda mitigar a proeminência das Forças Armadas no caso de decretação de um eventual estado de defesa ou estado de sítio, prerrogativa constitucional do Conselho, que atende à convocação do presidente da República.
O convívio permanente com os três comandantes militares, que, pela Constituição, também integram o colegiado, seria uma forma de endossar o poder civil sobre as Forças Armadas, aplacando os oficiais recalcitrantes em relação a Lula. Como se sabe, mesmo que escrito nas pedras sagradas da lei, o poder institucional se afirma na prática dos governantes nas situações mais críticas. Até porque não é época para alimentar fantasias anacrônicas de ordem ideológica e vitaminar as expectativas golpistas de uma horda de vândalos. O problema nacional é muito maior e mais grave.
O grupo hospitalar Mater Dei estaria preparando uma nova oferta de ações. A injeção de capital ajudaria a financiar o agressivo plano de aquisições da companhia – desde 2021, a empresa já desembolsou mais de R$ 2 bilhões na compra de hospitais. Ressalte-se que a disputa por ativos no setor tende a ficar ainda mais acirrada justamente por conta de uma epidemia de aportes. O Fleury aprovou recentemente um aumento de capital de até R$ 1,2 bilhão. A Dasa, por sua vez, pretende levantar cerca de R$ 2 bilhões com a entrada de um novo investidor em seu capital – as negociações são conduzidas pelo BTG.
A petroleira chinesa Sinopec iniciou estudos para investir em hidrogênio verde no Brasil. A empresa responde por alguns dos principais projetos do segmento na China. Um dos mais recentes é a instalação de um complexo de geração em Xinjiang, um investimento de meio bilhão de dólares.
Ecos do último domingo: os ministros do STJ pretendem reforçar sua segurança pessoal, com o aumento do atual efetivo. A cargo de empresa privada, o contingente que faz a escolta armada dos magistrados soma atualmente cerca de 180 agentes.
O chanceler Mauro Vieira pretende viajar a Caracas para participar da reabertura da embaixada brasileira na Venezuela. Seria um gesto eivado de simbolismo: o governo Bolsonaro fechou a representação diplomática na capital venezuelana e praticamente rompeu relações com o país vizinho.
Os atos criminosos do último domingo mobilizam entidades internacionais. Segundo o RR apurou, a OEA vai enviar à Brasília uma delegação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Entre outras autoridades, os comissários vão se reunir com o ministro da Justiça, Flavio Dino, além de encontros com organizações da sociedade civil. A CIDH deverá ainda divulgar um manifesto endossando o pleno funcionamento das instituições democráticas no Brasil.
Há um burburinho no mercado de que a dupla BR Malls/Aliansce, que acaba de concluir seu processo de fusão, estaria em conversações para a compra de ativos da General Shopping. A companhia, controlada pela família Veronezi, atravessa notórias dificuldades financeiras por conta do seu elevado endividamento.
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