Arquivos José Múcio - Relatório Reservado

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Crise na Venezuela aumenta pressão por verbas fora do Orçamento para as Forças Armadas

8/01/2026
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A invasão norte-americana a Caracas dá um senso de urgência ainda maior à necessidade de reaparelhamento das Forças Armadas brasileiras. Segundo o RR apurou, o ministro da Defesa, José Múcio, tem feito pressão junto ao Palácio do Planalto e ao Ministério da Fazenda por uma suplementação extraorçamentária para o Exército, Aeronáutica e Marinha. Esta pode ser, inclusive, a última missão de Múcio, que já manifestou a intenção de deixar a Pasta. O ministro fala por si e também pelos Altos-Comandos, apreensivos, como não poderia deixar de ser, com o atual contexto geopolítico na região. A ofensiva militar dos Estados Unidos nas franjas do território brasileiro – a pouco mais de mil quilômetros da fronteira – apenas reforçou o óbvio: o Brasil precisa aumentar sua força bélica e, consequentemente, seu poder dissuasório. Até porque são muitos os interesses norte-americanos nas cercanias: petróleo, minerais críticos para transição energética, influência sobre estruturas estratégicas, como portos, usinas e data centers, combate ao crime organizado/’narcoterrorismo” etc. Todas essas variáveis altamente sensíveis se cruzam nas esquinas da América do Sul, área de influência – ou ao menos deveria ser – do Brasil.
Com alertam os embaixadores Jorio Dauster e Rubens Barbosa em artigo publicado na edição de dezembro da revista Insight Inteligência (https://insightinteligencia.com.br/por-uma-agenda-positiva-para-a-defesa-nacional/), o Brasil é hoje um país indefeso: “As vulnerabilidades ficam evidentes quando se pensa na inexistência de meios adequados para assegurar a soberania nacional na defesa das fronteiras, para proteger as plataformas de petróleo no pré-sal do mar territorial, para derrotar eventuais ambições externas sobre os grandes recursos biológicos, minerais e hídricos na Amazônia, para defender o país de ataques cibernéticos e para preservar as comunicações privadas e governamentais (inclusive militares) dependentes de satélites operados por companhias estrangeiras”. No contexto atual, como ressaltam os dois diplomatas, a proteção do mar se torna tão importante quanto a defesa das fronteiras terrestres.  O que está em jogo é a segurança em torno de um descomunal e cobiçado ecossistema de ativos no litoral brasileiro. Entram nesse rol agricultura marinha, biotecnologia, extração de matérias-primas para fármacos, exploração de minerais críticos e produção de fertilizantes a partir de macroalgas.
Nas conversas dentro do governo, José Múcio tem defendido que a dotação extraorçamentária das Forças Armadas seja atrelada a um programa de fortalecimento da própria indústria brasileira de defesa, exatamente como pregam Dauster e Barbosa no mencionado artigo: “Torna-se necessário estabelecer uma agenda positiva para a Defesa de curto, médio e longo prazos, que a inclua como uma das vertentes da reindustrialização do país. A agenda de curto prazo deveria contemplar, entre outros aspectos, o fortalecimento da Base Industrial da Defesa por meio de sua crescente nacionalização mediante a atuação do BNDES e do Banco do Brasil com vistas à criação de novas empresas e fortalecimento das já existentes”. Há segmentos em que os fabricantes nacionais são notoriamente competitivos, caso da produção de armamentos e munição.
Múcio enxerga as circunstâncias não pela mira de uma metralhadora, mas por uma grande angular. O reaparelhamento das Forças Armadas abriria espaço para eventuais arranjos comerciais com os próprios Estados Unidos, justo no momento que o Brasil coloca sobre a mesa as suas moedas de troca para a renegociação das sobretaxas impostas pelo governo Trump. Essa articulação poderia envolver a aquisição de equipamentos mais pesados e sofisticados. Já existem, por exemplo, tratativas em curso para a compra pela FAB de 11 helicópteros militares modelo Black Hawk, por meio do programa Blackhawk Exchange Sales Team, mantido pelo Exército dos Estados Unidos. Conjuntamente, a Aeronáutica avalia encomendar 24 radares BRIFD G5000H, utilizados nesse tipo de aeronave. Segundo uma fonte da área militar consultada pelo RR, o Exército brasileiro teria interesse ainda na compra de sistemas de sensoriamento, comunicações seguras, radares e integração C2, compatíveis com o Sisfron (Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras). Não custa lembrar que, no ano passado, o Brasil fechou a aquisição junto aos Estados Unidos de 222 mísseis Javelin, produzidos pela Raytheon e Lockheed Martin – um contrato da ordem de US$ 74 milhões.
No entorno do ministro José Múcio, há um consenso de que o asfixiado orçamento da União não tem o calibre necessário para suprir as necessidades de aparelhamento das Forças Armadas. Dali não sai mais nada além do montante quase que inteiramente tomado pelo custeio do Exército, Aeronáutica e Marinha – apenas 10% estão liberados para investimentos. Ou seja: qualquer programa de modernização na área de Defesa depende do aumento do volume de recursos extraorçamentários. Ressalte-se que o Artigo 167 da Constituição prevê a abertura de crédito extraordinário “para atender a despesas imprevisíveis e urgentes, como as decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública”. O Brasil não está em guerra ao pé da letra, mas enfrenta uma luta permanente para proteger suas fronteiras da migração e dos “narcoterroristas” – expressão cunhada por Trump com outro objetivo: impor seu neoimperialismo.
No ano passado, o Congresso aprovou um projeto de lei assegurando a destinação para as Forças Armadas de R$ 30 bilhões nos próximos cinco anos fora do arcabouço fiscal. Não deixa de ser um começo, mas a cifra ainda é insuficiente dado o crescente gap de investimentos do Brasil com Defesa. Entre 2000 e 2010, os desembolsos mantiveram-se em um média de 1,5% do PIB. Desde então, o índice tem reduzido sucessivamente. Em 2025, não passou de 1% do PIB, segundo dados do Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI). Na comparação com a vizinhança, o Brasil está atrás da Colômbia (3,4% do PIB), Uruguai (2,3%), Equador (2,2%) e Bolívia (1,4%). Como enfatizam Jorio Dauster e Rubens Barbosa, segundo dados do próprio Ministério da Defesa, “a falta de recursos deixa parte da frota da Marinha parada, sem navios de escolta necessários, por exemplo, para dar proteção às plataformas do pré-sal. No Exército, os frequentes contingenciamentos exigiram a redução drástica da linha de produção do carro blindado Guarani, que poderá levar a empresa construtora do equipamento a suspender sua fabricação por falta de pagamento. Na Aeronáutica, quase metade da frota aérea está parada. A construção do avião cargueiro KC 390 só foi possível porque a Embraer, mesmo sem receber mais de R$ 1,5 bilhão devido pelo governo federal, bancou o projeto sozinha, ao custo de um atraso de vários anos”.

#Forças Armadas brasileiras #José Múcio

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Os muitos contras que separam Alckmin do Ministério da Defesa

14/01/2025
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O nome do vice-presidente, Geraldo Alckmin, que está no centro das especulações para ocupar o cargo do ministro da Defesa, Jose Mucio, provoca um sentimento de que “não é bem isso” no comandante do Exército, Tomás Ribeiro Paiva. Não que tenham ocorrido com Alckmin animosidades no passado ou desgastes no presente. O vice nunca ergueu a voz para criticar os militares.

Pelo contrário! Prestigia o estamento sempre que cabe na situação. Há ainda outras aproximações não transparentes. O vice-presidente é membro da Opus Dei, da qual fazem parte vários generais. Mas o momento não é bom para a indicação de Alckmin devido ao efeito de comparação.

O ministro José Múcio está no topo da aprovação pelos comandantes militares.  Durante todo o período recente de extrema fricção entre os Poderes e a corporação, Múcio foi um algodão entre os cristais. Alckmin é igualmente discreto e maleável. No entanto, não tem o mesmo aval conquistado junto às Forças Armadas por Múcio graças a um trabalho diuturno de esfriamento dos ânimos.

O atual ministro da Defesa já foi testado. Alckmin, por sua vez, assumiria em uma conjuntura mais tensa, com o risco de antecipação da campanha eleitoral, recrudescimento da polarização do país e mesmo uma pontinha de dúvida se a saúde de Lula é a mesma de antes.

A questão do orçamento também provoca coceiras no ouvido do general Tomás. Com José Múcio, aos trancos e barrancos, os recursos para as Forças aumentaram. Pouco, mas aumentaram. O vice não tem tido muito êxito em arrancar dinheiro para a sua pasta do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. O Ministério funciona mais como uma embaixada do que um efetivo órgão de Executivo. E o momento, por si só, já é um convite à austeridade.

Não faltam tecnoburocratas e políticos propondo tirar das FAs um quinhão para o ajuste fiscal. Dependendo do timing da Justiça, é provável também que Alckmin assumisse em meio a julgamentos, sentenciamentos e prisões de oficiais de alta patente. Um ambiente tenso por definição. Múcio já mapeou o caminho das pedras.

O atual ministro da Defesa é considerado entre os comandantes como o melhor “carteiro” que já passou pela Pasta. Tudo que falam chega ao conhecimento do presidente Lula. É uma linha direta que atropela qualquer outra instância, seja o Gabinete Civil, o GSI, o órgão que for. O comparecimento dos três comandantes das Forças Armadas mais o chefe do Estado Maior das FAs no evento do 8 de janeiro, ocasião em que os Poderes civis demonstraram descaso com a convocação de Lula – nenhum dos seus altos representantes esteve presente, – foi interpretado nas internas não somente como uma demonstração da liderança pacificadora do general Tomás, mas como uma condecoração ao ministro da Defesa.

Lula, com seu poder de convencimento, tentará atar e desatar todos os nós para que Múcio estenda o prazo de três meses que estipulou para deixar a Pasta. Ele parece irredutível. Se não houver lábia capaz de dissuadir o ministro da Defesa, no íntimo Lula gostaria que o próprio general Tomás fosse alçado ao cargo. Seria um justo prêmio para quem teve um notável papel de contenção dos comandos durante a fase golpista no fim do governo Bolsonaro.

Mas apenas gostaria. E olhe lá. Colocar novamente um militar no comando da Defesa, ainda mais com o episódio recente do general Braga Neto no posto, seria um tiro político no pé.

#Geraldo Alckmin #José Múcio #Ministério da Defesa

Destaque

Múcio ou Amorim na Defesa? Eis uma questão ainda sem resposta

19/01/2024
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O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, confidenciou a uma fonte próxima que ficará no cargo somente durante o ano de 2024. Múcio disse ser difícil a permanência. E os motivos para a decisão? O ministro afirma que são de ordem pessoal e que o presidente Lula está a par. E mais nada revela. Múcio é muito respeitado nas Forças Armadas. Teve um importante papel no episódio golpista de 8 de janeiro do ano passado. Foi um algodão entre cristais.

O RR fuçou o assunto e apurou que o nome de Celso Amorim seria a primeira opção para o cargo. Amorim já foi ministro da Defesa no governo do PT. É um conciliador por natureza. Hoje é secretário especial de Lula para assuntos externos. Um poderoso “ministro sem Pasta”.

Uma eventual indicação de Celso Amorim para o cargo poderia representar uma inflexão na estratégia de fortalecimento das Forças Armadas. Amorim é talhado para a “diplomacia dos militares” brasileiros no exterior e, quem sabe, até para angariar recursos e acordos internacionais lá fora.

#Celso Amorim #José Múcio #Ministério da Defesa

Finanças

O complexo project finance da nova Escola de Sargentos do Exército

3/01/2024
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O ministro da Defesa, José Mucio, está correndo de lá para cá dentro do governo, notadamente junto a Fernando Haddad e Simone Tebet, em busca de recursos para a construção da nova Escola de Sargentos do Exército, na Grande Recife. O custo estimado é da ordem de R$ 1,6 bilhão. Até o momento, não se sabe de onde virá a maior parte dessa cifra.

Por ora, o project finance é uma colagem de apoios dos mais diversos agentes envolvidos com o empreendimento. O governo de Pernambuco vai entrar com R$ 110 milhões, notadamente com contrapartidas em infraestrutura. O Exército financiará parte do investimento “por meio da alienação por permuta de terrenos de sua propriedade, localizados próximos ao antigo Pátio Rodoferroviário de Brasília”, conforme a própria Força informou ao RR por intermédio de sua assessoria de comunicação.

Este é um projeto relevante para a instituição. A Escola permitirá centralizar a formação de sargentos, hoje distribuída entre 16 organizações militares. Em seu contato com o RR, a corporação ressaltou ainda que a nova unidade “incrementará o recrutamento de profissionais para o Exército, oriundos das Regiões Norte e Nordeste”. 

#Exército #Fernando Haddad #José Múcio #Simone Tebet

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Ministério da Justiça trabalha pelo fim do Fundo Constitucional do Distrito Federal

13/01/2023
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Entre os diversos desdobramentos da barbárie, os atos de vandalismo em Brasília no último domingo têm alimentado discussões dentro do governo sobre a redução ou mesmo a extinção do Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF). Entre os defensores do fim do Fundo estão o próprio ministro da Justiça, Flavio Dino, e o secretário executivo da pasta, Ricardo Cappelli, nomeado interventor federal na segurança do DF. Criado originalmente em 2002 para subsidiar o pagamento do funcionalismo público do Distrito Federal como um todo, o FCDF foi sofrendo distorções ao longo do tempo. Hoje, tornou-se praticamente um fundo da segurança pública na capital federal. No ano passado, o volume de recursos destinado às polícias militar e civil do DF somou R$ 8,7 bilhões, mais da metade do orçamento total do Fundo (R$ 16,3 bilhões).  

Na equipe de Flavio Dino, o entendimento é que essas verbas não têm revertido em melhora da estrutura da segurança no Distrito Federal. Há queixas ainda em relação à falta de transparência sobre a gestão e aplicação dos recursos, também verbalizadas dentro do governo por José Múcio, ministro da Defesa. Múcio fala com conhecimento de causa. Enquanto ministro do TCU, ele foi responsável por analisar as contas do FCDF ao longo de vários anos. Ressalte-se que já existe uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) em tramitação no Senado, de autoria de Randolfe Rodrigues, propondo a extinção do Fundo. A tendência é que o governo, a partir de agora, trabalhe pela aprovação da PEC. Uma das hipóteses já cogitadas no Ministério da Justiça é que parte das verbas hoje destinadas pela União ao FCDF sejam retidas e aplicadas na estrutura federal de segurança, como, por exemplo, na ampliação da Força Nacional de Segurança, como pretende Dino – ver RR (https://relatorioreservado.com.br/noticias/flavio-dino-quer-forca-nacional-de-seguranca-independente-dos-estados/). 

Muito provavelmente o governo federal encontrará apoio para extinguir o Fundo Constitucional do Distrito Federal. Os graves episódios do último domingo e a crise aberta na segurança pública do DF colocam mais foco sobre um instrumento que já é objeto de contestações de ordem política e jurídica. Não é de hoje que os governadores pedem o fim do FCDF, sob a alegação de que ele representa uma assimetria no repasse de verbas entre o Distrito Federal e os estados. Nenhuma outra unidade da federação goza de tal regalia exclusiva. Ao mesmo tempo, a excessiva vinculação do Fundo à segurança pública é objeto de questionamento por parte de vários juristas, que apontam desvio de finalidade.  

#Distrito Federal #José Múcio #Ricardo Cappelli

Análise dos Editores

Democracia em alerta

11/01/2023
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#José Múcio #Lula

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