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Davi Alcolumbre ganhou mais uma. O Palácio do Planalto já sinalizou ao presidente do Senado que Hermano Studart Lins de Albuquerque será nomeado para a presidência da Telebras. O parlamentar é o principal fiador da indicação de Albuquerque para o cargo. Às vésperas da sabatina de Jorge Messias para o STF, a última coisa que o governo quer neste momento é criar uma nova zona de fricção com Alcolumbre. Com a escolha de Albuquerque, o presidente do Senado mantém sua primazia sobre a Telebras, seu antigo feudo político. Foi o próprio Alcolumbre quem indicou o atual presidente da empresa, André Magalhães, que deverá ser destituído do cargo ainda nesta semana – conforme informou o site Capital Digital.
A Yduqs mantém conversações para a compra da Descomplica, startup de aulas online com faturamento próximo de R$ 100 milhões. A operação é vista dentro do grupo como uma oportunidade para alavancar a Quest.Edu, sua recém-criada vertical de cursinhos. A montagem da nova unidade de negócios tem sido acompanhada de uma agressiva política de aquisições. Em outubro, por exemplo, a Yduqs fechou de uma só vez a aquisição dos cursinhos ProMedicina, ProEnem e EuMilitar. O guarda-chuva reúne ainda as marcas Qconcursos, Folha Dirigida e Damasio. A Descomplica tem entre seus acionistas nomes de peso como Softbank, a família Zuckerberg e Península, além de Marco Fisbhen, fundador e CEO da empresa. Em 2021, a edtech recebeu um aporte de US$ 85 milhões. No entanto, o negócio tem custado a engrenar. O que se diz no mercado é que a Descomplica segue operando no vermelho e já queimou praticamente todo o capital recebido. Procuradas pelo RR, Yduqs e Descomplica não se pronunciaram.
A chinesa Ningxia Eppen, uma das maiores produtoras globais de aminoácidos para nutrição animal, humana e vegetal, está provocando uma disputa federativa no Centro-Oeste. Os governos de Goiás e do Mato Grosso do Sul duelam para aninhar a fábrica que os asiáticos planejam instalar no Brasil. O investimento é da ordem de US$ 300 milhões. Representantes da companhia têm mantido conversas simultâneas com autoridades dos dois estados. Emissários da Ningxian Eppen já teriam, inclusive, realizado uma visita técnica em Goiás em áreas com potencial para receber o empreendimento. Um dos pré-requisitos é a abundância de milho, um insumo central para a fábrica.
A consagração de “O Agente Secreto” no Globo de Ouro reforça uma certeza: o Brasil não apenas pegou o jeito de fazer filmes com temáticas e roteiros sob medida para o escrutínio internacional como aprendeu que por trás de toda película premiada há um bem-sucedido script de lobby. Além da sua qualidade, a produção de Kleber Mendonça Filho chegou ao Beverly Hilton, em Los Angeles, amparada por uma grande e custosa engrenagem de representação institucional, relações estratégicas e presença estratégica junto à indústria e a formadores de opinião. Um Globo de Ouro “custa” caro. Vamos a algumas ordens de grandeza, apenas a título de ilustração. O primeiro item da conta é a contratação de uma agência de awards em Los Angeles. Não são assessorias comuns, mas casas especializadas em premiações, com acesso direto à imprensa internacional, associações de críticos e aos próprios votantes da Golden Globe Foundation. Segundo o RR apurou, o fee de uma campanha costuma variar entre US$ 150 mil e US$ 250 mil, dependendo do escopo e da agressividade. A isso se soma a assessoria de imprensa internacional premium, responsável por entrevistas exclusivas, capas, perfis, reportagens de bastidor e narrativas favoráveis. Aqui entram veículos como Variety, Hollywood Reporter, Deadline e Vanity Fair. O custo adicional gira em torno de US$ 120 mil por temporada. Outro capítulo relevante é o circuito de exibições privadas e eventos. São sessões fechadas para votantes, jornalistas e formadores de opinião, geralmente seguidas de Q&As com diretor, elenco e produtores. De acordo com fontes da indústria ouvidas pelo RR, aluguel de salas, recepção, logística, equipe local e convites facilmente consomem mais de US$ 140 mil ao longo da campanha. Há ainda o custo da presença física. A campanha exige viagens frequentes dos produtores, do diretor e de integrantes do cast a Los Angeles e Nova York. Esses deslocamentos jogam, por baixo, mais US$ 100 mil na conta. Não menos importante é o trabalho de relacionamento institucional contínuo: almoços, encontros discretos, convites estratégicos, manutenção de vínculos com associações e jornalistas-chave, algo que Hollywood lê como sinal de relevância. Em um cálculo conservador, esse esforço não saiu por menos de US$ 100 mil. Ou seja: pegando-se apenas as etapas chave, uma campanha de representação básica para o Globo de Ouro consome ao menos US$ 700 mil. Ou algo como R$ 3,7 milhões. No caso de “O Agente Secreto”, esse valor é maior do que os produtores do filme desembolsaram com promoção e marketing no Brasil.
O Brasil está se tornando um campo minado para a Enel. Como se não bastasse a ofensiva do governador Tarcísio de Freitas e do prefeito Ricardo Nunes por conta dos seguidos apagões em São Paulo, agora são políticos cearenses que atiram contra a empresa. O governo e a bancada do estado têm feito pressão junto à Aneel contra a renovação antecipada da concessão da Enel Ceará. O processo chegou a ser incluído na reunião da agência reguladora em dezembro, mas foi tirado de pauta após um pedido de vista do ministro Gentil Cardoso. Ressalte-se que o relator, Fernando Mosna, já votou contra a extensão do contrato, que vence em 2028. Guardadas as devidas proporções, a Enel Ceará segue uma trilha similar à distribuidora do grupo italiano em São Paulo. Por conta de falhas na prestação do serviço, a empresa acumula mais de R$ 70 milhões em multas aplicadas pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Estado do Ceará (Arce) ao longo dos últimos sete anos. Até o momento não pagou um centavo – todas as sanções são contestadas na Justiça. Se, em São Paulo, o risco da Enel é perder sua maior operação no Brasil, no Ceará o que está em jogo é a venda ou não da distribuidora. Os italianos querem negociar a Enel Ceará, mas a transferência do controle depende da renovação antecipada do contrato. Quem vai comprar uma distribuidora de energia cuja concessão vence em dois anos?
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