Redação RR - Relatório Reservado

Artigos: Redação RR

Alcolumbre dá as cartas na troca de comando da Telebras

14/01/2026
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Davi Alcolumbre ganhou mais uma. O Palácio do Planalto já sinalizou ao presidente do Senado que Hermano Studart Lins de Albuquerque será nomeado para a presidência da Telebras. O parlamentar é o principal fiador da indicação de Albuquerque para o cargo. Às vésperas da sabatina de Jorge Messias para o STF, a última coisa que o governo quer neste momento é criar uma nova zona de fricção com Alcolumbre. Com a escolha de Albuquerque, o presidente do Senado mantém sua primazia sobre a Telebras, seu antigo feudo político. Foi o próprio Alcolumbre quem indicou o atual presidente da empresa, André Magalhães, que deverá ser destituído do cargo ainda nesta semana – conforme informou o site Capital Digital.

#Alcolumbre #Telebras

Serena busca parceiros para acelerar sua expansão nos Estados Unidos

13/01/2026
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A Serena Energia mantém conversas com empresas de energia e fundos de investimento norte-americanos com o objetivo de desenvolver novos parques eólicos nos Estados Unidos. A empresa enxerga um grande potencial de crescimento na América graças a uma combinação de fatores: alta demanda por energia por conta da proliferação de data centers, elevada procura por contratos offtake, políticas estaduais pró-renováveis etc. A Serena já tem um parque eólico no Texas, o Goodnight 1, e, na semana passada, levantou US$ 350 milhões junto ao Itaú para a construção da segunda fase do complexo. A estratégia da companhia é fechar contratos de longo prazo (PPAs) com grandes compradores de energia, justamente como o acordo firmado para fornecer eletricidade a um data center do Google, que viabilizou a implantação de Goodnight 2. O acesso a potenciais parceiros internacionais tem sido pavimentado pelos dois principais acionistas da Serena: a gestora Actis e o GIC, fundo soberano de Cingapura.

Efeito Lava Jato: a suspeição generalizada de indicados a cargos públicos

13/01/2026
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No limite, não existirá mais ninguém no Brasil apto a ocupar cada um dos quase 50 mil cargos da gestão federal. De ministros de Estado a assessores comissionados, passando por presidentes e diretores de estatais, autarquias, agências reguladoras etc, há um crescente e perigoso processo de estigmatização de nomes designados para postos na administração pública direta e indireta. O tema tem sido objeto de discussão na Casa Civil e na CGU, que se dividem nas atribuições técnicas e jurídicas relacionadas ao preenchimento de funções na esfera federal – da concentração das indicações à análise de antecedentes, passando pela definição das normas e orientações e pela fiscalização do cumprimento dos critérios legais e de integridade. O que se vê hoje, e que se pode denominar Efeito Lava Jato, é uma caça às bruxas institucionalizada que tem criado embaraços em sequência tanto para quem escolhe quanto para quem é escolhido. Trata-se de um estado permanente de suspeição. A pergunta que se apresenta, e para qual parece não haver resposta, é: Como encontrar nomes sem qualquer “impedimento” ou “conflito de interesses”?
O problema não é novo. Mas parece que, desde o regime militar, quando a indicação de cargos para a tecnocracia e a fiscalização da lisura dos escolhidos estavam entregues à lupa e ao tacape do SNI, a proliferação de associações de menções e fatos negativos aos nomes do Executivo parece estar virando norma. É bem verdade que a internet tem tido um papel fundamental no emporcalhamento de reputações. Ela incinera candidatos a cargos públicos antes mesmo de uma eventual indicação. Google e IA tornaram-se instrumentos de uso recorrente quando esse é o objetivo. A investigação isenta tem se restringido à mídia. Mesmo assim, a própria imprensa, baluarte do legítimo levantamento de dados, volta e meia se confunde com pesquisas feitas por robôs. Como separar o joio do trigo? Essa é a questão sem respostas na área de informações do governo, na Casa Civil e na CGU.
Há 83 milhões de ações em andamento no Judiciário brasileiro; 18 mil julgamentos em aberto no STF; o TCU soma por ano mais de cinco mil processos de controle apreciados de forma conclusiva; a CVM profere decisões sobre aproximadamente 800 processos administrativos sancionadores por ano; o CARF carrega mais de 70 mil recursos pendentes; a Aneel emite algo como de 1,5 mil decisões colegiadas anualmente; o BNDES tem um estoque de mais de 150 mil clientes, entre empresas e projetos com financiamentos ativos. Por trás dessa numeralha de trâmites, há sempre uma figura em comum: o servidor público, em seus mais variados níveis hierárquicos.
Nesse descomunal emaranhado de fios públicos e privados, como escolher para o STF um nome que, seja por prestação direta de serviços, seja por consanguinidade, vínculo familiar ou relação pessoal, jamais em tempo algum tenha sequer triscado em alguma parte com ação na Corte? Como achar para o CARF um tributarista que nunca tenha chegado perto de uma empresa com pendências tributárias e contestações ao órgão? Como indicar para o colegiado da CVM um advogado, economista ou qualquer outro profissional que jamais tenha tratado de qualquer tema de interesse de companhias abertas? Como peneirar para a ANAC alguém que não tenha na sua lista de contatos nenhum nome ligado ao setor aéreo? Como indicar um diretor para o Banco Central sem qualquer experiência junto ao setor financeiro? Levado ao extremo, esse patrulhamento excessivo já deixou há muito de ser instrumento de rigor, controle e salvaguarda para se tornar um óbice estrutural à montagem de quadros qualificados, com prejuízo para o próprio serviço público. O resultado é um paradoxo institucional: quanto mais notória a reputação e mais reconhecido o saber técnico de um profissional, maior a probabilidade de que ele seja descartado por já ter transitado — legitimamente — pelos mesmos ambientes que hoje se pretende regular, julgar ou administrar. Ao criminalizar a trajetória, o sistema empobrece suas próprias escolhas e acaba penalizando a coisa pública, que se vê privada justamente de quem reúne capital técnico, densidade intelectual e compreensão real dos setores sob sua responsabilidade.

#CGU #TCU

Yduqs negocia aquisição da Descomplica

13/01/2026
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A Yduqs mantém conversações para a compra da Descomplica, startup de aulas online com faturamento próximo de R$ 100 milhões. A operação é vista dentro do grupo como uma oportunidade para alavancar a Quest.Edu, sua recém-criada vertical de cursinhos. A montagem da nova unidade de negócios tem sido acompanhada de uma agressiva política de aquisições. Em outubro, por exemplo, a Yduqs fechou de uma só vez a aquisição dos cursinhos ProMedicina, ProEnem e EuMilitar. O guarda-chuva reúne ainda as marcas Qconcursos, Folha Dirigida e Damasio. A Descomplica tem entre seus acionistas nomes de peso como Softbank, a família Zuckerberg e Península, além de Marco Fisbhen, fundador e CEO da empresa. Em 2021, a edtech recebeu um aporte de US$ 85 milhões. No entanto, o negócio tem custado a engrenar. O que se diz no mercado é que a Descomplica segue operando no vermelho e já queimou praticamente todo o capital recebido. Procuradas pelo RR, Yduqs e Descomplica não se pronunciaram.

#Descomplica #Yduqs

Custo eleitoral surge como entrave ao enxugamento dos Correios

13/01/2026
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O plano de reestruturação dos Correios, que prevê o fechamento de cerca de mil agências e um amplo programa de demissão voluntária, enfrenta resistências dentro do PT. Em um ano eleitoral, alas do partido avaliam que o custo político do enxugamento da estatal pode ser mais elevado do que o desgaste provocado pelos prejuízos bilionários acumulados desde 2022. A leitura é pragmática: déficits contábeis não votam, mas fechamento de unidades e cortes de pessoal produzem efeitos imediatos sobre bases eleitorais, sobretudo em municípios médios e pequenos, onde as agências dos Correios cumprem papel simbólico e social relevante.
Nos bastidores, dirigentes petistas têm alertado o governo para o risco de transformar a reestruturação em munição para adversários. A avaliação é que imagens de portas fechadas e trabalhadores deixando a empresa tendem a repercutir mais do que números de balanço, ainda que superlativos – somente neste ano, os Correios acumulam prejuízos superior a R$ 6 bilhões. Esse cálculo político ajuda a explicar a cautela do Palácio do Planalto em acelerar o cronograma de cortes. Ainda que a direção dos Correios insista na necessidade de ajustes para garantir a sobrevivência da empresa, setores do PT defendem diluir ou postergar decisões mais impopulares.

#Correios #PT

Goiás e Mato Grosso do Sul disputam os aminoácidos chinesas

13/01/2026
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A chinesa Ningxia Eppen, uma das maiores produtoras globais de aminoácidos para nutrição animal, humana e vegetal, está provocando uma disputa federativa no Centro-Oeste. Os governos de Goiás e do Mato Grosso do Sul duelam para aninhar a fábrica que os asiáticos planejam instalar no Brasil. O investimento é da ordem de US$ 300 milhões. Representantes da companhia têm mantido conversas simultâneas com autoridades dos dois estados. Emissários da Ningxian Eppen já teriam, inclusive, realizado uma visita técnica em Goiás em áreas com potencial para receber o empreendimento. Um dos pré-requisitos é a abundância de milho, um insumo central para a fábrica.

Quanto “custa” ganhar um Globo de Ouro?

12/01/2026
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A consagração de “O Agente Secreto” no Globo de Ouro reforça uma certeza: o Brasil não apenas pegou o jeito de fazer filmes com temáticas e roteiros sob medida para o escrutínio internacional como aprendeu que por trás de toda película premiada há um bem-sucedido script de lobby. Além da sua qualidade, a produção de Kleber Mendonça Filho chegou ao Beverly Hilton, em Los Angeles, amparada por uma grande e custosa engrenagem de representação institucional, relações estratégicas e presença estratégica junto à indústria e a formadores de opinião. Um Globo de Ouro “custa” caro. Vamos a algumas ordens de grandeza, apenas a título de ilustração. O primeiro item da conta é a contratação de uma agência de awards em Los Angeles. Não são assessorias comuns, mas casas especializadas em premiações, com acesso direto à imprensa internacional, associações de críticos e aos próprios votantes da Golden Globe Foundation. Segundo o RR apurou, o fee de uma campanha costuma variar entre US$ 150 mil e US$ 250 mil, dependendo do escopo e da agressividade. A isso se soma a assessoria de imprensa internacional premium, responsável por entrevistas exclusivas, capas, perfis, reportagens de bastidor e narrativas favoráveis. Aqui entram veículos como Variety, Hollywood Reporter, Deadline e Vanity Fair. O custo adicional gira em torno de US$ 120 mil por temporada. Outro capítulo relevante é o circuito de exibições privadas e eventos. São sessões fechadas para votantes, jornalistas e formadores de opinião, geralmente seguidas de Q&As com diretor, elenco e produtores. De acordo com fontes da indústria ouvidas pelo RR, aluguel de salas, recepção, logística, equipe local e convites facilmente consomem mais de US$ 140 mil ao longo da campanha. Há ainda o custo da presença física. A campanha exige viagens frequentes dos produtores, do diretor e de integrantes do cast a Los Angeles e Nova York. Esses deslocamentos jogam, por baixo, mais US$ 100 mil na conta. Não menos importante é o trabalho de relacionamento institucional contínuo: almoços, encontros discretos, convites estratégicos, manutenção de vínculos com associações e jornalistas-chave, algo que Hollywood lê como sinal de relevância. Em um cálculo conservador, esse esforço não saiu por menos de US$ 100 mil. Ou seja: pegando-se apenas as etapas chave, uma campanha de representação básica para o Globo de Ouro consome ao menos US$ 700 mil. Ou algo como R$ 3,7 milhões. No caso de “O Agente Secreto”, esse valor é maior do que os produtores do filme desembolsaram com promoção e marketing no Brasil. 

#Cinema #Globo de Ouro

Governo usa Caixa Econômica para destravar até R$ 8 bi em projetos climáticos

12/01/2026
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O governo tem uma nova missão reservada para a Caixa Econômica. A ideia é que o banco assuma um papel no fomento de projetos vinculados a metas climáticas, funcionando como um hub de captação e redistribuição de recursos para estados e municípios. A estratégia vem sendo desenhada a várias mãos: Ministério da Fazenda, Casa Civil e Ministério do Meio Ambiente, além da própria direção da instituição financeira. Segundo informações filtradas pelo RR, a Caixa está preparando uma nova fornada de fundos ambientais a serem lançados no primeiro semestre de 2026. Estimativas internas indicam o potencial de levantar até R$ 2 bilhões. Em modelos desse tipo, a expectativa é operar com um fator multiplicador de até quatro vezes. Ou seja: esse valor pode gerar até R$ 8 bilhões em investimentos efetivos. O trabalho de captação começou durante a COP30. Dirigentes da Caixa cumpriram uma intensa agenda de encontros com agência de desenvolvimento, organismos multilaterais e fundos internacionais. O primeiro passo concreto foi o acordo com o Fundo Verde para o Clima (GCF, na sigla em inglês), instrumento da ONU para financiar ações contra as mudanças climáticas em países em desenvolvimento. A parceria com o GCF prevê a possibilidade de até US$ 250 milhões em aportes em fundos administrados pela Caixa.
O ponto central da iniciativa é que os recursos amealhados pela Caixa desaguem para programas atrelados a metas climáticas conduzidos por entes subnacionais. Na mira, projetos em áreas críticas, como drenagem urbana, contenção de encostas, segurança hídrica, resiliência de estruturas como pontes e túneis, entre outros. É o circuito da tragédia que ronda, sobretudo, cidades pequenas, potencializado pelos extremos climáticos. A Caixa já dispõe de um veículo com esta finalidade, o Fundo de Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (FIRECE). Como o nome sugere, ele foi criado para financiar a reconstrução de infraestruturas pós-desastres climáticos, notadamente no caso das enchentes do Rio Grande do Sul. O intuito é ampliar seu alcance para financiar projetos de prevenção e mitigação de riscos em municípios de pequeno e médio porte. No pano de fundo, há também um cálculo político e fiscal. Ao estruturar fundos e não apenas linhas tradicionais de crédito, o governo tenta avançar na agenda climática sem pressionar diretamente o orçamento federal, transferindo parte do risco e do financiamento para o mercado.

#Caixa Econômica Federal

Após BH Shopping, Multiplan coloca mais ativos na vitrine

12/01/2026
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A negociação de 10% do BH Shopping por R$ 285 milhões, anunciada na semana passada, está longe de ser um movimento isolado da Multiplan. A empresa da família Peres tem conversas engatilhadas para a venda de participações minoritárias em outros empreendimentos do seu portfólio. Segundo informações filtradas pelo RR, MorumbiShopping, ParkShopping Brasília e RibeirãoShopping, em Ribeirão Preto, figuram entre os ativos na vitrine. A Multiplan avalia ainda a possibilidade de se desfazer de ações do BarraShopping e do Village Mall, no Rio. A lógica é clara: monetizar shoppings maduros, altamente valorizados e líquidos. Ressalte-se: sem abrir mão do controle acionário e da gestão operacional, premissas que sempre permearam todos os negócios de José Isaac Peres. Cabe enfatizar que a Multiplan tem “gordura societária” de sobra em todos os seus shoppings, leia-se participações superiores a 80%, o que lhe dá margem para destravar valor dos ativos mantendo sua posição majoritária. Consultada pelo RR, a Multiplan não se manifestou.
O movimento sinaliza uma relevante mudança estratégica na Multiplan. Sob a liderança de Eduardo Peres, filho do Dr. Peres – como o fundador da empresa é chamado por todos os funcionários -, a empresa passa a privilegiar eficiência de capital e retorno ao acionista, em vez da expansão acelerada que marcou décadas anteriores. A revisão do portfólio caminha lado a lado com uma reavaliação criteriosa dos projetos greenfield, que tendem a ser postergados, redimensionados ou até descartados diante do custo de capital ainda elevado.

#Multiplan

Pressão política ameaça renovação do contrato e venda da Enel Ceará

12/01/2026
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O Brasil está se tornando um campo minado para a Enel. Como se não bastasse a ofensiva do governador Tarcísio de Freitas e do prefeito Ricardo Nunes por conta dos seguidos apagões em São Paulo, agora são políticos cearenses que atiram contra a empresa. O governo e a bancada do estado têm feito pressão junto à Aneel contra a renovação antecipada da concessão da Enel Ceará. O processo chegou a ser incluído na reunião da agência reguladora em dezembro, mas foi tirado de pauta após um pedido de vista do ministro Gentil Cardoso. Ressalte-se que o relator, Fernando Mosna, já votou contra a extensão do contrato, que vence em 2028. Guardadas as devidas proporções, a Enel Ceará segue uma trilha similar à distribuidora do grupo italiano em São Paulo. Por conta de falhas na prestação do serviço, a empresa acumula mais de R$ 70 milhões em multas aplicadas pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Estado do Ceará (Arce) ao longo dos últimos sete anos. Até o momento não pagou um centavo – todas as sanções são contestadas na Justiça. Se, em São Paulo, o risco da Enel é perder sua maior operação no Brasil, no Ceará o que está em jogo é a venda ou não da distribuidora. Os italianos querem negociar a Enel Ceará, mas a transferência do controle depende da renovação antecipada do contrato. Quem vai comprar uma distribuidora de energia cuja concessão vence em dois anos?

#Enel

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