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O Brasil está se tornando um campo minado para a Enel. Como se não bastasse a ofensiva do governador Tarcísio de Freitas e do prefeito Ricardo Nunes por conta dos seguidos apagões em São Paulo, agora são políticos cearenses que atiram contra a empresa. O governo e a bancada do estado têm feito pressão junto à Aneel contra a renovação antecipada da concessão da Enel Ceará. O processo chegou a ser incluído na reunião da agência reguladora em dezembro, mas foi tirado de pauta após um pedido de vista do ministro Gentil Cardoso. Ressalte-se que o relator, Fernando Mosna, já votou contra a extensão do contrato, que vence em 2028. Guardadas as devidas proporções, a Enel Ceará segue uma trilha similar à distribuidora do grupo italiano em São Paulo. Por conta de falhas na prestação do serviço, a empresa acumula mais de R$ 70 milhões em multas aplicadas pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Estado do Ceará (Arce) ao longo dos últimos sete anos. Até o momento não pagou um centavo – todas as sanções são contestadas na Justiça. Se, em São Paulo, o risco da Enel é perder sua maior operação no Brasil, no Ceará o que está em jogo é a venda ou não da distribuidora. Os italianos querem negociar a Enel Ceará, mas a transferência do controle depende da renovação antecipada do contrato. Quem vai comprar uma distribuidora de energia cuja concessão vence em dois anos?
A base bolsonarista promete retomar os trabalhos no Congresso, em fevereiro, cutucando, simultaneamente, dois vespeiros contra o STF. Parlamentares da oposição, à frente o senador Rogério Marinho (PL-RN), têm se articulado com o objetivo de retomar a tramitação da PEC que autoriza qualquer cidadão a pedir o impeachment de ministros do Supremo e do projeto de lei que restringe as decisões monocráticas da Corte. Esta última já foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara no fim do ano passado. É pouco provável que qualquer uma das duas pautas seja levada adiante. No próprio STF, a leitura é que a oposição está colocando um bode na sala para pressionar o presidente do Senado, David Alcolumbre, a modificar o PL do Impeachment, que estabelece novas regras para o afastamento de autoridades, incluindo os próprios ministros da Corte, alvo principal da ofensiva bolsonarista.
Circula à boca miúda no mercado que o Advent abriu conversações com potenciais candidatos à compra da Allied, empresa de distribuição de eletrônicos, como smartphones e notebooks, com faturamento anual superior a R$ 4 bilhões. Do outro lado da mesa estão fundos de private equity. Um deles seria o Vinci Partners. O Advent detém uma participação de 65%. O desafio é realizar o desinvestimento sem consumar um prejuízo. Há 11 anos, a gestora norte-americana pagou aproximadamente R$ 1 bilhão pelo controle da Allied. Hoje, o valor de mercado da companhia é de aproximadamente R$ 800 milhões.
A Aegea sinalizou ao governo de Goiás a disposição de disputar o leilão da Saneago, marcado para 25 de março. Em disputa a operação de água e esgoto em 216 município do estado, um pacote de investimentos estimado em mais de R$ 6 bilhões. A empresa, controlada por Equipav, Itaúsa e GIC, fundo soberano de Cingapura, tem sido um player assíduo dos principais certames do setor. No ano passado, por exemplo, arrematou todos os quatro blocos de concessão de saneamento leiloados pelo governo do Pará. Seguidos investimentos cobram seu preço, vide o aumento da alavancagem – hoje a relação dívida líquida/Ebitda é de três vezes. Não por acaso, a Aegea estuda abrir o capital em bolsa, com o objetivo de reduzir o peso do seu endividamento e ganhar fôlego para os próximos leilões. Em dezembro, contratou BTG Pactual, Itaú BBA e Morgan Stanley para estruturar a oferta de ações.
Eduardo Bolsonaro não está nem aí para a Polícia Federal – seja como investigado, seja como servidor concursado. Até o momento, segundo informações filtradas pelo RR, o ex-parlamentar não se manifestou formalmente à PF acerca da convocação para retomar seu cargo de escrivão. No último dia 2, a corporação determinou que o “03” retorne ao Brasil para reassumir suas funções. Eduardo ingressou na Polícia Federal por concurso público em 2010 e se licenciou cinco anos depois, quando tomou posse para o seu primeiro mandato como deputado federal. Com a sua cassação pela Câmara, no mês passado, a licença automaticamente perdeu efeito. Em suas redes sociais, o ex-parlamentar já deixou claro que não cumprirá a determinação: “Que a Gestapo faça o que bem entender com meu concurso público, jamais trocaria minha honra por um emprego na burocracia pública”, Consultada pelo RR sobre o prazo concedido a Eduardo Bolsonaro para a sua representação ao serviço e sobre eventuais punições, a PF não se pronunciou. Em situações de abandono de função, o rito prevê a instauração de um processo administrativo disciplinar e, em último caso, a demissão do servidor. É o que deve ocorrer com o ex-deputado e, ao que tudo indica, futuro ex-escrivão.
A General Mills tem encontrado dificuldade para atingir o preço desejado na venda da marca de alimentos Yoki. O que se diz nos bastidores é que o valor de referência perseguido pelos norte-americanos gira em torno de R$ 2 bilhões, cifra que, na avaliação de investidores e potenciais compradores, está descolada dos fundamentos atuais do negócio. O principal obstáculo é a rentabilidade da operação. A Yoki gera margem bruta de aproximadamente R$ 200 milhões — o equivalente a apenas 10% da receita. Trata-se de um patamar considerado baixo para um ativo de marcas consolidadas no segmento de alimentos, especialmente quando se leva em conta o elevado custo comercial, logístico e promocional dessas categorias. No mercado, costuma-se precificar esse tipo de operação em algo como seis a sete vezes a margem bruta anual, o que colocaria o valor da Yoki perto de R$ 1,4 bilhão. É essa cifra que tem servido de balizador informal nas conversas mais recentes. Entre os candidatos ao negócio estão a 3Corações, a M. Dias Branco e a Camil, segundo informou o Pipeline, do Valor Econômico, no último dia 22 de dezembro.
Em sua peregrinação junto ao andar de cima, Flavio Bolsonaro tem buscado se (re)aproximar de empresários que apoiaram seu pai nas eleições de 2018 e 2022. É o caso de Meyer Nigri, fundador da Tecnisa, Rubens Menin, dono da MRV e do Banco Inter, e José Isaac Peres, controlador da Multiplan. Todos são – ou foram – bolsonaristas puro-sangue. As articulações têm sido conduzidas, sobretudo, por Flavio Rocha, do Grupo Guararapes/Lojas Riachuelo. Foi Rocha quem costurou o almoço entre o “01” e cerca de 50 líderes empresariais no último dia 17 de dezembro em São Paulo – o convescote se deu na residência de Gabriel Rocha Kanner, sobrinho do dono da Guararapes. O desafio de Flavio Bolsonaro é trazer novamente para a arena eleitoral, ainda que no backstage, nomes importantes do empresariado que saíram com a reputação arranhada nas últimas eleições. Nigri e Peres, por exemplo, chegaram a ser investigados pelo STF por supostamente defenderem um golpe de Estado em mensagens de WhatsApp.
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