Redação RR - Relatório Reservado

Artigos: Redação RR

Pressão política ameaça renovação do contrato e venda da Enel Ceará

12/01/2026
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O Brasil está se tornando um campo minado para a Enel. Como se não bastasse a ofensiva do governador Tarcísio de Freitas e do prefeito Ricardo Nunes por conta dos seguidos apagões em São Paulo, agora são políticos cearenses que atiram contra a empresa. O governo e a bancada do estado têm feito pressão junto à Aneel contra a renovação antecipada da concessão da Enel Ceará. O processo chegou a ser incluído na reunião da agência reguladora em dezembro, mas foi tirado de pauta após um pedido de vista do ministro Gentil Cardoso. Ressalte-se que o relator, Fernando Mosna, já votou contra a extensão do contrato, que vence em 2028. Guardadas as devidas proporções, a Enel Ceará segue uma trilha similar à distribuidora do grupo italiano em São Paulo. Por conta de falhas na prestação do serviço, a empresa acumula mais de R$ 70 milhões em multas aplicadas pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Estado do Ceará (Arce) ao longo dos últimos sete anos. Até o momento não pagou um centavo – todas as sanções são contestadas na Justiça. Se, em São Paulo, o risco da Enel é perder sua maior operação no Brasil, no Ceará o que está em jogo é a venda ou não da distribuidora. Os italianos querem negociar a Enel Ceará, mas a transferência do controle depende da renovação antecipada do contrato. Quem vai comprar uma distribuidora de energia cuja concessão vence em dois anos?

#Enel

Bolsonaristas puro-sangue empurram dois bodes para a porta do STF

12/01/2026
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A base bolsonarista promete retomar os trabalhos no Congresso, em fevereiro, cutucando, simultaneamente, dois vespeiros contra o STF. Parlamentares da oposição, à frente o senador Rogério Marinho (PL-RN), têm se articulado com o objetivo de retomar a tramitação da PEC que autoriza qualquer cidadão a pedir o impeachment de ministros do Supremo e do projeto de lei que restringe as decisões monocráticas da Corte. Esta última já foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara no fim do ano passado. É pouco provável que qualquer uma das duas pautas seja levada adiante. No próprio STF, a leitura é que a oposição está colocando um bode na sala para pressionar o presidente do Senado, David Alcolumbre, a modificar o PL do Impeachment, que estabelece novas regras para o afastamento de autoridades, incluindo os próprios ministros da Corte, alvo principal da ofensiva bolsonarista.

#bolsonarista

O xadrez trilateral em torno da importação de energia da Venezuela

9/01/2026
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A deposição de Nicolás Maduro acendeu um sinal de alerta no Ministério de Minas e Energia (MME) e em influentes players do setor elétrico, a começar pela Âmbar Energia, dos irmãos Batista, e pelo BTG Pactual. O governo brasileiro e investidores privados já se movimentam nos bastidores com o objetivo de assegurar a continuidade do acordo de importação de energia da Venezuela. Por ora, é tudo um grande breu. A parceria bilateral se tornou uma insondável relação trilateral após a intervenção norte-americana. A derrubada de Maduro e a ascensão de um governo cujos condões serão movimentados pela Casa Branca lançam incertezas sobre a manutenção dos contratos. Ainda que o foco maior esteja no petróleo, a questão da energia como um todo ocupa uma posição de centralidade na captura da Venezuela pela gestão Trump. O país tem um enorme gap de investimentos em infraestrutura e sofre com a sua insegurança energética, não raramente com cortes no fornecimento de eletricidade. Sob a ótica trumpista, a exemplo da exploração e produção de petróleo, talvez o negócio de geração e distribuição de energia venha a ser um terreno fértil para a entrada de empresas norte-americanas, provocando mudanças na estratégia de gestão do insumo. Nesse contexto, Caracas, ou melhor, Washington até pode ter interesse em manter o acordo comercial com o Brasil, mas talvez o faça em outros termos. Hoje, a energia gerada pela hidrelétrica de Guri e importada por empresas brasileiras é bem mais barata do que a produzida dentro de nossas fronteiras.
Nesse tabuleiro, uma peça importante, só para não variar, é a onipresente dupla Joesley e Wesley Batista. Basta ligar os pontos. A Âmbar Energia, de propriedade dos irmãos Batista, é uma das dez empresas autorizadas pelo MME a importar energia da Venezuela. Ao mesmo tempo Washington-Caracas é uma rota na qual Joesley trafega com notória desenvoltura. Em setembro, o empresário foi recebido por Donald Trump na Casa Branca. Dois meses depois, reuniu-se, na capital venezuelana, com Nicolás Maduro com o objetivo de negociar sua renúncia. Some-se o fato de que a J&F, a holding dos irmãos Batista, é dona de poços de petróleo na Venezuela. Diante de tal quebra-cabeças, de encaixes perfeitos, difícil imaginar que qualquer assunto relacionado à compra de energia do país vizinho passe ao largo da mesa de Joesley e Wesley Batista. O RR encaminhou uma série de perguntas à Âmbar Energia, mas a empresa limitou-se a dizer que “nunca importou energia da Venezuela”. O que não diminuiu a sua importância em toda esta engrenagem. É sabido, com notícias publicadas à época (final de 2023), que o clã Batista participou das negociações em torno do acordo firmado entre os governos do Brasil e da Venezuela. No ano passado, inclusive, o governo chegou a destinar R$ 17 milhões da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) para a Âmbar comprar o insumo venezuelano, mas a operação não seguiu adiante.
A aquisição de energia da Venezuela se deu ininterruptamente durante 18 anos – entre 2001 e 2019, quando foi interrompida logo no primeiro ano de mandato de Jair Bolsonaro. A importação foi retomada em fevereiro do ano passado a partir de uma engenharia geoenergética na qual se cruzam – e se embolam – fios soberanos e privados. A operação foi costurada diretamente entre os governos Lula e Maduro. Na prática, no entanto, a União não compra um megawatt sequer. A importação é feita exclusivamente por tradings e grupos do setor elétrico. Posteriormente, o insumo é revendido com subsídio por meio da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC). Entre as empresas autorizadas pelo Ministério merece destaque também a tríplice presença do BTG. Além do BTG Pactual Energia, estão na lista a Engelhart, trading controlada pelo banco, e Eneva, da qual a instituição financeira de André Esteves é um dos principais acionistas. Procurado, o BTG não quis comentar o assunto.
Há muito em jogo. A compra de energia da Venezuela é um negócio que pode ser duplamente precificado, a valor presente e a valor futuro. Hoje, a importação tem como objetivo exclusivo o suprimento de Roraima. Para todos os efeitos, em setembro do ano passado, o estado, até então um “eremita energético” dado o seu isolamento, foi finalmente conectado ao Sistema Interligado Nacional de Energia (SIN) com a energização da Linha de Transmissão Manaus-Boa Vista. Na prática, no entanto, a integração à vera ainda vai demorar. Há uma série de ajustes técnicos e adequações contratuais a serem feitas até que Roraima esteja acoplada ao SIN. Até lá, a energia venezuelana segue sendo vital para evitar o risco de desabastecimento no estado. É um negócio razoavelmente rentável para as empresas importadoras do insumo, dado o seu menor custo de produção na Venezuela, as margens impostas pela necessidade de suprimento de Roraima e os subsídios da CCC. Olhando-se para o porvir, a importação de energia da Venezuela pode vir a ser uma operação ainda mais lucrativa, justamente devido à integração do estado com o SIN. O próprio ministro Alexandre da Silveira já declarou que, com a nova linha de transmissão, o insumo venezuelano poderá ser despachado para outras regiões do país. Roraima precisa de apenas 250 MW ao passo que a rede de transmissão, quando estiver funcionando a plena capacidade, poderá transportar até 1 GW. Esse excedente seria jogado no SIN para abastecer outros estados. Mas, para que esse plano se materialize, é necessário esperar o que vem de Caracas. Ou melhor, de Washington.

Advent prepara venda do controle da Allied

9/01/2026
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Circula à boca miúda no mercado que o Advent abriu conversações com potenciais candidatos à compra da Allied, empresa de distribuição de eletrônicos, como smartphones e notebooks, com faturamento anual superior a R$ 4 bilhões. Do outro lado da mesa estão fundos de private equity. Um deles seria o Vinci Partners. O Advent detém uma participação de 65%. O desafio é realizar o desinvestimento sem consumar um prejuízo. Há 11 anos, a gestora norte-americana pagou aproximadamente R$ 1 bilhão pelo controle da Allied. Hoje, o valor de mercado da companhia é de aproximadamente R$ 800 milhões.

Leilão do saneamento em Goiás entra no radar da Aegea

9/01/2026
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A Aegea sinalizou ao governo de Goiás a disposição de disputar o leilão da Saneago, marcado para 25 de março. Em disputa a operação de água e esgoto em 216 município do estado, um pacote de investimentos estimado em mais de R$ 6 bilhões. A empresa, controlada por Equipav, Itaúsa e GIC, fundo soberano de Cingapura, tem sido um player assíduo dos principais certames do setor. No ano passado, por exemplo, arrematou todos os quatro blocos de concessão de saneamento leiloados pelo governo do Pará. Seguidos investimentos cobram seu preço, vide o aumento da alavancagem – hoje a relação dívida líquida/Ebitda é de três vezes. Não por acaso, a Aegea estuda abrir o capital em bolsa, com o objetivo de reduzir o peso do seu endividamento e ganhar fôlego para os próximos leilões. Em dezembro, contratou BTG Pactual, Itaú BBA e Morgan Stanley para estruturar a oferta de ações.

Eduardo Bolsonaro deixa PF falando sozinha

9/01/2026
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Eduardo Bolsonaro não está nem aí para a Polícia Federal – seja como investigado, seja como servidor concursado. Até o momento, segundo informações filtradas pelo RR, o ex-parlamentar não se manifestou formalmente à PF acerca da convocação para retomar seu cargo de escrivão. No último dia 2, a corporação determinou que o “03” retorne ao Brasil para reassumir suas funções. Eduardo ingressou na Polícia Federal por concurso público em 2010 e se licenciou cinco anos depois, quando tomou posse para o seu primeiro mandato como deputado federal. Com a sua cassação pela Câmara, no mês passado, a licença automaticamente perdeu efeito. Em suas redes sociais, o ex-parlamentar já deixou claro que não cumprirá a determinação: “Que a Gestapo faça o que bem entender com meu concurso público, jamais trocaria minha honra por um emprego na burocracia pública”, Consultada pelo RR sobre o prazo concedido a Eduardo Bolsonaro para a sua representação ao serviço e sobre eventuais punições, a PF não se pronunciou. Em situações de abandono de função, o rito prevê a instauração de um processo administrativo disciplinar e, em último caso, a demissão do servidor. É o que deve ocorrer com o ex-deputado e, ao que tudo indica, futuro ex-escrivão.

Usineiros do Nordeste cobram ajuda do governo contra tarifaço dos EUA

8/01/2026
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Usineiros do Nordeste cobram do governo federal medidas emergenciais para mitigar o impacto do tarifaço norte-americano sobre o açúcar brasileiro. Entre os pleitos estão uma linha de crédito especial do Banco do Nordeste e a renegociação de dívidas junto a instituições financeiras públicas, a começar pelo Banco do Brasil. O açúcar segue no índex do governo Trump, com uma sobretaxa de 50%. Historicamente, as usinas do Nordeste, assim como do Norte, são as principais beneficiadas dentro do sistema de cotas a que o Brasil tem direito para a exportação da commodity aos Estados Unidos – as duas regiões respondem por quase todos os embarques dentro do regime especial. No entanto, com o tarifaço, a vantagem se evaporou, e os produtores do Nordeste e do Norte perderam competitividade. Ressalte-se que ainda há um outro fator de risco: a possibilidade de o Brasil ceder aos Estados Unidos uma cota maior para a compra de etanol norte-americano, pleito antigo dos norte-americanos. Por uma conjunção de fatores, a medida prejudicaria, em uma proporção maior, as usinas sucroalcooleiras do Nordeste – ver RR (https://relatorioreservado.com.br/noticias/quimica-entre-lula-e-trump-vira-ameaca-para-usineiros-do-nordeste/). Por questões de ordem logística, a maior parte do combustível importado dos Estados Unidos entra no Brasil exatamente pela região, mais especificamente por Suape (PE) e de Itaqui (MA). Com isso, já na partida o etanol made in USA chega no Nordeste a preços mais baixos do que em outras áreas do país, deslocando mercado dos produtores locais.

Crise na Venezuela aumenta pressão por verbas fora do Orçamento para as Forças Armadas

8/01/2026
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A invasão norte-americana a Caracas dá um senso de urgência ainda maior à necessidade de reaparelhamento das Forças Armadas brasileiras. Segundo o RR apurou, o ministro da Defesa, José Múcio, tem feito pressão junto ao Palácio do Planalto e ao Ministério da Fazenda por uma suplementação extraorçamentária para o Exército, Aeronáutica e Marinha. Esta pode ser, inclusive, a última missão de Múcio, que já manifestou a intenção de deixar a Pasta. O ministro fala por si e também pelos Altos-Comandos, apreensivos, como não poderia deixar de ser, com o atual contexto geopolítico na região. A ofensiva militar dos Estados Unidos nas franjas do território brasileiro – a pouco mais de mil quilômetros da fronteira – apenas reforçou o óbvio: o Brasil precisa aumentar sua força bélica e, consequentemente, seu poder dissuasório. Até porque são muitos os interesses norte-americanos nas cercanias: petróleo, minerais críticos para transição energética, influência sobre estruturas estratégicas, como portos, usinas e data centers, combate ao crime organizado/’narcoterrorismo” etc. Todas essas variáveis altamente sensíveis se cruzam nas esquinas da América do Sul, área de influência – ou ao menos deveria ser – do Brasil.
Com alertam os embaixadores Jorio Dauster e Rubens Barbosa em artigo publicado na edição de dezembro da revista Insight Inteligência (https://insightinteligencia.com.br/por-uma-agenda-positiva-para-a-defesa-nacional/), o Brasil é hoje um país indefeso: “As vulnerabilidades ficam evidentes quando se pensa na inexistência de meios adequados para assegurar a soberania nacional na defesa das fronteiras, para proteger as plataformas de petróleo no pré-sal do mar territorial, para derrotar eventuais ambições externas sobre os grandes recursos biológicos, minerais e hídricos na Amazônia, para defender o país de ataques cibernéticos e para preservar as comunicações privadas e governamentais (inclusive militares) dependentes de satélites operados por companhias estrangeiras”. No contexto atual, como ressaltam os dois diplomatas, a proteção do mar se torna tão importante quanto a defesa das fronteiras terrestres.  O que está em jogo é a segurança em torno de um descomunal e cobiçado ecossistema de ativos no litoral brasileiro. Entram nesse rol agricultura marinha, biotecnologia, extração de matérias-primas para fármacos, exploração de minerais críticos e produção de fertilizantes a partir de macroalgas.
Nas conversas dentro do governo, José Múcio tem defendido que a dotação extraorçamentária das Forças Armadas seja atrelada a um programa de fortalecimento da própria indústria brasileira de defesa, exatamente como pregam Dauster e Barbosa no mencionado artigo: “Torna-se necessário estabelecer uma agenda positiva para a Defesa de curto, médio e longo prazos, que a inclua como uma das vertentes da reindustrialização do país. A agenda de curto prazo deveria contemplar, entre outros aspectos, o fortalecimento da Base Industrial da Defesa por meio de sua crescente nacionalização mediante a atuação do BNDES e do Banco do Brasil com vistas à criação de novas empresas e fortalecimento das já existentes”. Há segmentos em que os fabricantes nacionais são notoriamente competitivos, caso da produção de armamentos e munição.
Múcio enxerga as circunstâncias não pela mira de uma metralhadora, mas por uma grande angular. O reaparelhamento das Forças Armadas abriria espaço para eventuais arranjos comerciais com os próprios Estados Unidos, justo no momento que o Brasil coloca sobre a mesa as suas moedas de troca para a renegociação das sobretaxas impostas pelo governo Trump. Essa articulação poderia envolver a aquisição de equipamentos mais pesados e sofisticados. Já existem, por exemplo, tratativas em curso para a compra pela FAB de 11 helicópteros militares modelo Black Hawk, por meio do programa Blackhawk Exchange Sales Team, mantido pelo Exército dos Estados Unidos. Conjuntamente, a Aeronáutica avalia encomendar 24 radares BRIFD G5000H, utilizados nesse tipo de aeronave. Segundo uma fonte da área militar consultada pelo RR, o Exército brasileiro teria interesse ainda na compra de sistemas de sensoriamento, comunicações seguras, radares e integração C2, compatíveis com o Sisfron (Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras). Não custa lembrar que, no ano passado, o Brasil fechou a aquisição junto aos Estados Unidos de 222 mísseis Javelin, produzidos pela Raytheon e Lockheed Martin – um contrato da ordem de US$ 74 milhões.
No entorno do ministro José Múcio, há um consenso de que o asfixiado orçamento da União não tem o calibre necessário para suprir as necessidades de aparelhamento das Forças Armadas. Dali não sai mais nada além do montante quase que inteiramente tomado pelo custeio do Exército, Aeronáutica e Marinha – apenas 10% estão liberados para investimentos. Ou seja: qualquer programa de modernização na área de Defesa depende do aumento do volume de recursos extraorçamentários. Ressalte-se que o Artigo 167 da Constituição prevê a abertura de crédito extraordinário “para atender a despesas imprevisíveis e urgentes, como as decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública”. O Brasil não está em guerra ao pé da letra, mas enfrenta uma luta permanente para proteger suas fronteiras da migração e dos “narcoterroristas” – expressão cunhada por Trump com outro objetivo: impor seu neoimperialismo.
No ano passado, o Congresso aprovou um projeto de lei assegurando a destinação para as Forças Armadas de R$ 30 bilhões nos próximos cinco anos fora do arcabouço fiscal. Não deixa de ser um começo, mas a cifra ainda é insuficiente dado o crescente gap de investimentos do Brasil com Defesa. Entre 2000 e 2010, os desembolsos mantiveram-se em um média de 1,5% do PIB. Desde então, o índice tem reduzido sucessivamente. Em 2025, não passou de 1% do PIB, segundo dados do Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI). Na comparação com a vizinhança, o Brasil está atrás da Colômbia (3,4% do PIB), Uruguai (2,3%), Equador (2,2%) e Bolívia (1,4%). Como enfatizam Jorio Dauster e Rubens Barbosa, segundo dados do próprio Ministério da Defesa, “a falta de recursos deixa parte da frota da Marinha parada, sem navios de escolta necessários, por exemplo, para dar proteção às plataformas do pré-sal. No Exército, os frequentes contingenciamentos exigiram a redução drástica da linha de produção do carro blindado Guarani, que poderá levar a empresa construtora do equipamento a suspender sua fabricação por falta de pagamento. Na Aeronáutica, quase metade da frota aérea está parada. A construção do avião cargueiro KC 390 só foi possível porque a Embraer, mesmo sem receber mais de R$ 1,5 bilhão devido pelo governo federal, bancou o projeto sozinha, ao custo de um atraso de vários anos”.

#Forças Armadas brasileiras #José Múcio

A conta não fecha: Yoki vale menos do que General Mills quer

8/01/2026
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A General Mills tem encontrado dificuldade para atingir o preço desejado na venda da marca de alimentos Yoki. O que se diz nos bastidores é que o valor de referência perseguido pelos norte-americanos gira em torno de R$ 2 bilhões, cifra que, na avaliação de investidores e potenciais compradores, está descolada dos fundamentos atuais do negócio. O principal obstáculo é a rentabilidade da operação. A Yoki gera margem bruta de aproximadamente R$ 200 milhões — o equivalente a apenas 10% da receita. Trata-se de um patamar considerado baixo para um ativo de marcas consolidadas no segmento de alimentos, especialmente quando se leva em conta o elevado custo comercial, logístico e promocional dessas categorias. No mercado, costuma-se precificar esse tipo de operação em algo como seis a sete vezes a margem bruta anual, o que colocaria o valor da Yoki perto de R$ 1,4 bilhão. É essa cifra que tem servido de balizador informal nas conversas mais recentes. Entre os candidatos ao negócio estão a 3Corações, a M. Dias Branco e a Camil, segundo informou o Pipeline, do Valor Econômico, no último dia 22 de dezembro.

#General Mills #Yoki

Flavio busca apoio de empresários do “bolsonarismo-raiz”

8/01/2026
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Em sua peregrinação junto ao andar de cima, Flavio Bolsonaro tem buscado se (re)aproximar de empresários que apoiaram seu pai nas eleições de 2018 e 2022. É o caso de Meyer Nigri, fundador da Tecnisa, Rubens Menin, dono da MRV e do Banco Inter, e José Isaac Peres, controlador da Multiplan. Todos são – ou foram – bolsonaristas puro-sangue. As articulações têm sido conduzidas, sobretudo, por Flavio Rocha, do Grupo Guararapes/Lojas Riachuelo. Foi Rocha quem costurou o almoço entre o “01” e cerca de 50 líderes empresariais no último dia 17 de dezembro em São Paulo – o convescote se deu na residência de Gabriel Rocha Kanner, sobrinho do dono da Guararapes. O desafio de Flavio Bolsonaro é trazer novamente para a arena eleitoral, ainda que no backstage, nomes importantes do empresariado que saíram com a reputação arranhada nas últimas eleições. Nigri e Peres, por exemplo, chegaram a ser investigados pelo STF por supostamente defenderem um golpe de Estado em mensagens de WhatsApp.

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