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O plano do governo Lula de realizar até quatro licitações de hidrovias em 2026, com potencial de movimentar R$ 5 bilhões em investimentos, dificilmente vai sair do papel. No Ministério dos Portos e Aeroportos, as estimativas mais otimistas apontam para a conclusão de apenas um certame: da Hidrovia do Rio Paraguai, previsto para o segundo semestre. E olhe lá! Diversos fatores têm dificultado a concretização do cronograma inicial do Ministério, a começar por desafios logísticos e ambientais — como o prolongado período de estiagem que reduz níveis de água e torna a navegação irregular. Além disso, a complexidade regulatória de criar um marco para hidrovias no Brasil, um modal historicamente marginalizado e politicamente sensível, tem gerado debates prolongados entre ministérios, agências reguladoras e entes subnacionais. A negociação de revisões em normas ambientais e de dragagem também permanece aberta, sem consenso. Finalmente, a agenda legislativa concorrente em 2026 — ano eleitoral — tende a reduzir o foco do Congresso em aprovar marcos legais.
Tal qual Diógenes, os gestores da norte-americana Farallon têm vagado com uma lanterna na mão à procura não exatamente de um “homem honesto”, mas de um comprador para o Centro Universitário FMU. Segundo informações que circulam no mercado, a empresa já foi oferecida à Cogna e à Yduqs. Houve contatos também com fundos de private equity, caso do Advent, que já tem investimentos no setor no Brasil – é acionista da própria Yduqs e da Inspira. A Farallon enfrenta pressões de seus próprios investidores para se livrar do negócio, comprado em 2020 junto à também norte-americana Laureate. Trata-se, no entanto, de um deal dos mais complicados. A FMU tem uma parte boa: cerca de 65 mil alunos e faturamento da ordem de R$ 300 milhões. Mas carrega também uma parte “podre”: dívidas de R4 240 milhões e um turbulento processo de recuperação judicial, que inclui um litígio com as famílias Alves da Silva e Fioravante, fundadoras da universidade. Ambas cobram mais de R$ 135 milhões referentes ao aluguel de imóveis de sua propriedade.
Nos últimos dias, o nome de Isadora Cartaxo subiu na bolsa de apostas para a sucessão de Jorge Messias na Advocacia Geral da União. Há pressões de juristas ligados ao governo, notadamente do Grupo Prerrogativas, e de setores do próprio PT para a escolha de uma mulher. Seria uma forma de compensar a falta de representação feminina no Judiciário durante o Lula III, especialmente nas indicações para o Supremo. Isadora já tem uma posição de proeminência na estrutura da AGU: ocupa atualmente a Secretária Geral de Contencioso e é uma das colaboradoras mais próximas de Messias, a caminho do Supremo.
Corre no setor que a St George Mining prepara o terreno para uma nova rodada de captação no mercado internacional. O objetivo é buscar funding para acelerar a implantação do Projeto Araxá, que envolve a exploração e produção de terras raras e nióbio em Minas Gerais. Trata-se do maior e mais promissor ativo no portfólio da mineradora australiana. A operação ganhou um quilate ainda maior após recentes estudos geológicos, que apontaram a existência de nióbio de alta qualidade (teor de até 7,2%) em área próxima à jazida da companhia em Araxá. A descoberta fortalece a tese da St George para levantar capital adicional. A mineradora, que tem como acionistas a australiana Hancock Prospecting e as chinesas Fangda e Shandong Xinhai Mining, já captou algo em torno de US$ 50 milhões para o projeto. Consultada, a empresa não se manifestou.
O Agibank avalia alternativas para a captação de recursos diante do iminente adiamento do seu IPO em Nova York, segundo informações filtradas pelo RR. Entre as hipóteses sobre a mesa, estaria um aumento de capital por parte dos atuais acionistas. Ou a entrada de um novo investidor, por meio de um aporte primário, com a consequente diluição das participações dos sócios. O controle do Agibank está nas mãos do fundador da instituição, Marciano Testa, com 70%. Os 30% restantes são divididos entre a Vinci Partners, de Gilberto Sayão, e a Lumina, de Daniel Goldberg. O plano do banco era protocolar o seu pedido de IPO nos Estados Unidos ainda neste mês, mas a operação deve ser postergada – conforme informou a Bloomberg no último dia 9. O pano de fundo é o abalo reputacional da instituição financeira a partir das suspeições levantadas pelo INSS. No fim do ano passado, a autarquia suspendeu a concessão de novos empréstimos consignados a aposentados pelo Agibank. Uma auditoria da CGU identificou supostas irregularidades em operações realizadas pelo banco. Conforme o RR antecipou, investidores internacionais já haviam sinalizado sua resistência a participar da oferta de ações por questões de compliance. O RR entrou em contato com o Agibank, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
O INSS virou um campo minado para o governo Lula. Como se não bastassem as fraudes que levaram a uma CPI, há forte pressão política do PT pela troca do presidente da autarquia, Gilberto Waller Júnior. O partido defende que o governo deve dar alguma resposta à crescente fila de espera na autarquia, que atingiu o recorde de três milhões de pedidos de aposentadoria represados. Trata-se de um calcanhar de Aquiles da gestão Lula, que pode inflamar ainda mais tratando-se de um ano de eleição. Procurador federal, Waller foi nomeado há menos de um ano, mais precisamente em abril de 2025. Tem a favor de si o fato de que já assumiu o comando do INSS com uma herança maldita – cerca de 2,7 milhões de pedidos não atendidos. Mas também tem contra si um dado concreto: sua gestão não conseguiu reduzir a fila. Muito pelo contrário.
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