Redação RR - Relatório Reservado

Artigos: Redação RR

Plano de concessões hidroviárias deve encolher para um único leilão

16/01/2026
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O plano do governo Lula de realizar até quatro licitações de hidrovias em 2026, com potencial de movimentar R$ 5 bilhões em investimentos, dificilmente vai sair do papel. No Ministério dos Portos e Aeroportos, as estimativas mais otimistas apontam para a conclusão de apenas um certame: da Hidrovia do Rio Paraguai, previsto para o segundo semestre. E olhe lá! Diversos fatores têm dificultado a concretização do cronograma inicial do Ministério, a começar por desafios logísticos e ambientais — como o prolongado período de estiagem que reduz níveis de água e torna a navegação irregular. Além disso, a complexidade regulatória de criar um marco para hidrovias no Brasil, um modal historicamente marginalizado e politicamente sensível, tem gerado debates prolongados entre ministérios, agências reguladoras e entes subnacionais. A negociação de revisões em normas ambientais e de dragagem também permanece aberta, sem consenso. Finalmente, a agenda legislativa concorrente em 2026 — ano eleitoral — tende a reduzir o foco do Congresso em aprovar marcos legais.

#Hidrovias

VL Fund dá a largada em seus primeiros aportes

15/01/2026
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Há um zunzunzum no mercado que o VL Fund, de Victor Lazarte, já tem suas duas primeiras aquisições engatilhadas, ambas na área de tecnologia. Nos dois casos, o processo de due diligence já estaria avançado. Criado há cerca de três meses, o VL Fund levantou aproximadamente US$ 200 milhões – acima da meta fixada, de US$ 180 milhões. Seus planos preveem cheques de até US$ 40 milhões. Lazarte notabilizou-se como cofundador da Wildlife Studios, startup de games que chegou a ser avaliada em mais de US$ 3 bilhões.

Falta de verbas na ANM ameaça leilões minerais de 2026

15/01/2026
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O Brasil e seus paradoxos: o país que pretende se credenciar como um dos protagonistas na corrida global por minerais críticos para transição energética é o mesmo que pode ficar um ano inteiro sem colocar novos direitos minerários em disputa por uma razão prosaica — falta de orçamento para fazer o básico. Nos bastidores, a diretoria da Agência Nacional de Mineração (ANM) trabalha com um cenário extremo: atravessar todo 2026 sem realizar um único leilão, dada a aridez orçamentária e a compressão de despesas discricionárias, justamente aquelas que financiam o “chão de fábrica” da regulação. O problema deixou de ser uma abstração e ganhou forma em dezembro, quando a agência travou a aprovação do edital da 9ª Rodada de Disponibilidade de Áreas, pacote com mais de sete mil áreas para pesquisa e lavra. O que se diz à boca miúda no setor é que a decisão se deu exatamente pela falta de recursos para seguir adiante com o certame. Em contato com o RR, a ANM saiu pela tangente. Disse que a suspensão do edital foi “uma decisão difícil, tomada após avaliação técnica e jurídica, orientada por um princípio central: a previsibilidade regulatória e a segurança jurídica do processo são condições inegociáveis para a correta destinação de áreas em disponibilidade e para a proteção do interesse público, do mercado e dos próprios proponentes”. A agência afirma ainda que “a suspensão do edital e do leilão não representam recuo do instrumento, mas uma medida de responsabilidade institucional para que a próxima rodada seja conduzida com robustez técnica, integridade de dados, estabilidade sistêmica e segurança jurídica — condições essenciais para proteger o interesse público, o ambiente de investimentos e o próprio mercado minerário brasileiro”. Perguntada especificamente sobre suas restrições orçamentárias, o impacto sobre os leilões e o risco de suspensão das licitações previstas para 2026, a ANM não se manifestou.
Esse episódio é apenas a ponta do iceberg. O estoque de áreas represadas é muito mais amplo: há um backlog com mais de cem mil blocos a serem ofertados, refletindo anos de acúmulo e incapacidade operacional de transformar áreas disponíveis em oportunidades efetivas para a iniciativa privada. Segundo informações filtradas pelo RR, sem recursos, a ANM não tem conseguido sequer custear as ações preparatórias — análises, saneamento de base de dados, diligências, instrução processual, modelagem, publicidade, sistemas e suporte técnico — todo o rito que antecede a licitação e dá segurança jurídica ao certame. O resultado é um contrassenso adicional: enquanto o discurso público fala em “estratégia de minerais críticos”, o Estado não garante a engrenagem mínima que materializa essa estratégia em títulos, cronogramas e leilões.
O represamento dos leilões afeta igualmente as pequenas e médias mineradoras e os grandes grupos do setor, ainda que por mecanismos distintos. As primeiras dependem de acesso a novas áreas para ganhar escala. Sem terrenos para pesquisa, não há como montar portfólio, atrair sócios, levantar capital e amadurecer projetos até o ponto de virarem mina. Já os big players, sem as novas licenças, se veem obrigados a disputar ativos já titulados no mercado secundário, inflando preços e concentrando oportunidades. Esse movimento cria um incentivo perverso: em vez de avançar em novas fronteiras geológicas, o setor passa a reciclar ativos existentes, elevando valuations e reforçando a concentração.
Os efeitos colaterais vão além do mercado. Municípios mineradores pressionam por novos projetos, empregos e arrecadação, mas a oferta de áreas — o gatilho inicial de todo o ciclo econômico mineral — permanece travada em Brasília por uma crise de custeio. Há também um risco reputacional: em um ambiente global em que cadeias de suprimento exigem rastreabilidade, compliance e previsibilidade regulatória, a incapacidade de licitar áreas por falta de orçamento transmite um sinal de fragilidade institucional justamente quando o mundo, notadamente Estados Unidos e China, trava uma disputa acirrada por minérios estratégicos. Cada rodada de leilões que não ocorre pode representar um ciclo de investimento perdido.

#Agência Nacional de Mineração

Farallon tenta se desfazer da FMU entre dívidas e litígios

15/01/2026
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Tal qual Diógenes, os gestores da norte-americana Farallon têm vagado com uma lanterna na mão à procura não exatamente de um “homem honesto”, mas de um comprador para o Centro Universitário FMU. Segundo informações que circulam no mercado, a empresa já foi oferecida à Cogna e à Yduqs. Houve contatos também com fundos de private equity, caso do Advent, que já tem investimentos no setor no Brasil – é acionista da própria Yduqs e da Inspira. A Farallon enfrenta pressões de seus próprios investidores para se livrar do negócio, comprado em 2020 junto à também norte-americana Laureate. Trata-se, no entanto, de um deal dos mais complicados. A FMU tem uma parte boa: cerca de 65 mil alunos e faturamento da ordem de R$ 300 milhões. Mas carrega também uma parte “podre”: dívidas de R4 240 milhões e um turbulento processo de recuperação judicial, que inclui um litígio com as famílias Alves da Silva e Fioravante, fundadoras da universidade. Ambas cobram mais de R$ 135 milhões referentes ao aluguel de imóveis de sua propriedade.

#Farallon #FMU

Ofensiva de Trump contra o Irã ameaça produtores de milho de MT e GO

15/01/2026
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A ameaça do presidente Donald Trump de impor um tarifaço a países que mantenham relações comerciais com o Irã acendeu um sinal de alerta sobretudo entre produtores rurais do Mato Grosso e de Goiás. São os dois principais polos de produção e exportação de milho excedente do país — aquele volume que supera com folga a capacidade de consumo interno e precisa, necessariamente, encontrar destino no mercado externo. O Mato Grosso responde por quase 45% dos embarques brasileiros do cereal; Goiás, por algo em torno de 12%. Juntos, concentram mais da metade das exportações nacionais e, portanto, seriam os primeiros a sentir os efeitos de uma eventual interrupção das vendas ao Irã, hoje um dos três maiores compradores de milho do Brasil, responsável por mais de 8% das encomendas.
O risco vai além da simples perda de mercado. Nos bastidores do setor, tradings e cooperativas já avaliam que uma retração iraniana teria impacto direto na formação de preços na origem, sobretudo durante o pico da comercialização da safrinha. Sem o Irã, parte relevante do milho do Centro-Oeste teria de ser redirecionada a outros destinos, possivelmente com deságio, ou permanecer estocada por mais tempo, elevando custos financeiros e logísticos. Há ainda o temor de um efeito cascata sobre contratos futuros e operações de hedge, num momento em que o produtor já convive com margens mais apertadas. Outro ponto sensível é o calendário. A ameaça surge às vésperas do período em que tradings costumam intensificar a negociação de volumes para o segundo semestre, quando o milho do Mato Grosso e de Goiás domina a pauta exportadora.

#Donald Trump #exportação #Irã

Aliados pressionam por uma mulher no comando da AGU

15/01/2026
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Nos últimos dias, o nome de Isadora Cartaxo subiu na bolsa de apostas para a sucessão de Jorge Messias na Advocacia Geral da União. Há pressões de juristas ligados ao governo, notadamente do Grupo Prerrogativas, e de setores do próprio PT para a escolha de uma mulher. Seria uma forma de compensar a falta de representação feminina no Judiciário durante o Lula III, especialmente nas indicações para o Supremo. Isadora já tem uma posição de proeminência na estrutura da AGU: ocupa atualmente a Secretária Geral de Contencioso e é uma das colaboradoras mais próximas de Messias, a caminho do Supremo.

#AGU #Isadora Cartaxo #Jorge Messias

Nióbio brasileiro impulsiona nova captação da St George

14/01/2026
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Corre no setor que a St George Mining prepara o terreno para uma nova rodada de captação no mercado internacional. O objetivo é buscar funding para acelerar a implantação do Projeto Araxá, que envolve a exploração e produção de terras raras e nióbio em Minas Gerais. Trata-se do maior e mais promissor ativo no portfólio da mineradora australiana. A operação ganhou um quilate ainda maior após recentes estudos geológicos, que apontaram a existência de nióbio de alta qualidade (teor de até 7,2%) em área próxima à jazida da companhia em Araxá. A descoberta fortalece a tese da St George para levantar capital adicional. A mineradora, que tem como acionistas a australiana Hancock Prospecting e as chinesas Fangda e Shandong Xinhai Mining, já captou algo em torno de US$ 50 milhões para o projeto. Consultada, a empresa não se manifestou.

#Nióbio #St George Mining

Crise na Venezuela ameaça abastecimento de fertilizantes para o Brasil

14/01/2026
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O Ministério da Agricultura monitora, com razoável preocupação, os desdobramentos da crise venezuelana sobre o suprimento de fertilizantes no Brasil, notadamente no que diz respeito à compra de ureia. O ministro Carlos Fávaro e seus assessores têm discutido medidas de proteção para o caso de redução ou, no pior cenário, de interrupção dos embarques de adubo vindos do país vizinho. A Pasta está mapeando estoques em portos e armazéns no Brasil. Há um fator adicional de atenção: a partir de março, inicia-se a janela de compra de adubo para a próxima safra de verão. Ou seja: há um pico de demanda logo ali na próxima esquina. Some-se o fato de que outro importante fornecedor de ureia para o Brasil é o Irã, que se encontra no meio de uma convulsão institucional. Tudo junto e misturado.
Por conta dessa perversa combinação, no Ministério já se debate a possibilidade de uma atuação diplomática para abrir rotas de fornecimento alternativo. Curiosamente, ou talvez nem tanto, um desses caminhos aponta na direção exatamente dos Estados Unidos, o algoz do governo de Nicolás Maduro. A indústria norte-americana já fornece algo como 7% dos fertilizantes nitrogenados consumidos pelo agronegócio brasileiro. E, nesse caso, desponta como uma potencial beneficiária caso o Brasil precise repor uma eventual queda na importação de fertilizantes da Venezuela. São os ganhos para a América da fumegante política externa de Donald Trump.
A Venezuela responde por cerca de 6% da demanda brasileira por ureia. Visto isoladamente, o número pode parecer relativamente pequeno. Mas há todo um efeito casca em jogo. A ureia representa mais de 60% do consumo de fertilizantes nitrogenados no país. Estes, por sua vez, correspondem a aproximadamente um terço do adubo usado nas lavouras brasileiras. Dada a brutal dependência do agronegócio em relação às importações, qualquer engasgo no fluxo comercial de adubo para o Brasil traz uma dose de risco ao mercado interno. O receio no Ministério da Agricultura é que a ruptura institucional em Caracas tenha impacto sobre a cadeia de produção de fertilizantes na Venezuela e consequentemente sobre os embarques para o lado de cá da fronteira. Para não falar de efeitos colaterais, como ruídos logísticos, encarecimento do frete e volatilidade de preços, isso em um mercado global já sensível a fatores geopolíticos, notadamente em razão da guerra entre Ucrânia e Rússia.

#Carlos Fávaro #Venezuela

Agibank busca Plano B diante de obstáculos para IPO em Nova York

14/01/2026
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O Agibank avalia alternativas para a captação de recursos diante do iminente adiamento do seu IPO em Nova York, segundo informações filtradas pelo RR. Entre as hipóteses sobre a mesa, estaria um aumento de capital por parte dos atuais acionistas. Ou a entrada de um novo investidor, por meio de um aporte primário, com a consequente diluição das participações dos sócios. O controle do Agibank está nas mãos do fundador da instituição, Marciano Testa, com 70%. Os 30% restantes são divididos entre a Vinci Partners, de Gilberto Sayão, e a Lumina, de Daniel Goldberg. O plano do banco era protocolar o seu pedido de IPO nos Estados Unidos ainda neste mês, mas a operação deve ser postergada – conforme informou a Bloomberg no último dia 9. O pano de fundo é o abalo reputacional da instituição financeira a partir das suspeições levantadas pelo INSS. No fim do ano passado, a autarquia suspendeu a concessão de novos empréstimos consignados a aposentados pelo Agibank. Uma auditoria da CGU identificou supostas irregularidades em operações realizadas pelo banco. Conforme o RR antecipou, investidores internacionais já haviam sinalizado sua resistência a participar da oferta de ações por questões de compliance. O RR entrou em contato com o Agibank, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

#Agibank

PT pressiona governo por troca no comando do INSS

14/01/2026
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O INSS virou um campo minado para o governo Lula. Como se não bastassem as fraudes que levaram a uma CPI, há forte pressão política do PT pela troca do presidente da autarquia, Gilberto Waller Júnior. O partido defende que o governo deve dar alguma resposta à crescente fila de espera na autarquia, que atingiu o recorde de três milhões de pedidos de aposentadoria represados. Trata-se de um calcanhar de Aquiles da gestão Lula, que pode inflamar ainda mais tratando-se de um ano de eleição. Procurador federal, Waller foi nomeado há menos de um ano, mais precisamente em abril de 2025. Tem a favor de si o fato de que já assumiu o comando do INSS com uma herança maldita – cerca de 2,7 milhões de pedidos não atendidos. Mas também tem contra si um dado concreto: sua gestão não conseguiu reduzir a fila. Muito pelo contrário.

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