Redação RR - Relatório Reservado

Artigos: Redação RR

Dexco é a nota dissonante entre os negócios dos Setúbal

22/01/2026
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A Dexco, antiga Duratex, tornou-se um piso escorregadio para os Setúbal. A queda de rentabilidade e, sobretudo, a crescente alavancagem têm forçado o clã a discutir medidas mais agudas para a reestruturação financeira da companhia. Segundo informações obtidas pelo RR, uma das hipóteses que ganha força é a venda de uma das divisões de revestimentos cerâmicos da companhia – Portinari, Castelatto e Ceusa. Sob certo aspecto, funcionaria como uma confissão de fracasso do modelo de negócio concebido pela Itaúsa em 2018, quando a então Duratex deixou de ser uma empresa concentrada em madeira, celulose e painéis para se tornar uma holding integrada de soluções para construção, reforma e acabamento. Na prática, seria o segundo passo atrás em relação a essa estratégia. O primeiro se deu em outubro de 2024, ocasião em que a Dexco se desfez da sua operação de chuveiros e torneiras elétricas, leia-se as marcas Corona e Thermosystem, negociada para a Zagonel.

Paralelamente à venda de ativos, há relatos no mercado sobre a possibilidade de um aporte de capital na Dexco. Seria mais uma medida com o objetivo de reduzir o endividamento da empresa. De certa forma, ainda que de maneira oblíqua – ou camuflada -, esse movimento já começou a ser feito pelos Setúbal – levando junto os Moreira Salles. Há cerca de duas semanas, a Dexco vendeu R$ 200 milhões em ativos florestais por meio da emissão de ações da controlada Jatobá Florestal. O comprador dos papéis? O Itaú Unibanco. Ficou tudo em casa. Na prática, os próprios acionistas controladores tiraram de uma mão para colocar na outra, injetando recursos na companhia. Consultada pelo RR, a Dexco limitou-se a dizer que “o que pode falar é o que está no comunicado ao mercado”, referente à venda de recursos florestais. Sobre a possibilidade de negociação de ativos e de um aumento de capital, nenhuma palavra.

A Dexco é hoje um negócio fora de sintonia na partitura empresarial dos Setúbal. O elevado nível de alavancagem não condiz com o padrão das demais companhias do clã. Nos últimos três anos, o passivo da empresa aumento consideravelmente. Em 2022, a relação dívida líquida/Ebitda fechou em 2,33 vezes. No terceiro trimestre de 2025, chegou a 3,48 vezes. Na Itaúsa há um senso de urgência em equacionar o endividamento, até porque ele tem ajudado a corroer a rentabilidade da Dexco. Entre janeiro e setembro de 2025, o lucro da companhia caiu 26% em relação a igual período no ano anterior (R$ 111 milhões, contra R$ 152 milhões). Na comparação entre os terceiros trimestres, a fotografia é ainda pior: queda de 84% (R$ 14 milhões, contra R$ 92 milhões).

#Dexco

PicPay, dos irmãos Batista, chega à Nasdaq com demanda cheia

22/01/2026
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Informação que circula à boca miúda no mercado: a J&F, dos irmãos Batista, já tem demanda garantida para a totalidade dos papéis do PicPay que serão colocados na Nasdaq. Mais do que isso: a procura pelas ações já teria superado em aproximadamente 20% o valor da oferta. Ao todo, a J&F planeja levantar US$ 434 milhões, o que significa um valuation de US$ 2,6 bilhões para a fintech. Um personagem importante da operação é Marcelo Claure, híbrido de megainvestidor e principal executivo da chinesa Shein na América Latina. Além da Bicycle, sua gestora, ter se comprometido a aportar US$ 75 milhões no IPO do PicPay, o próprio Claure se envolveu diretamente nas sondagens junto a fundos internacionais, ajudando a construir o book antes mesmo da fase final de precificação.

#Picpay

Vivo sobe a aposta para disputar startups de inteligência artificial

22/01/2026
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A Vivo planeja expansões progressivas de seu fundo de venture capital ao longo de 2026. A meta é elevar o quinhão do Vivo Ventures para a casa dos R$ 700 milhões até o fim do ano. Ressalte-se que, em dezembro, a companhia já havia anunciado um aporte de R$ 150 milhões, aumentando o volume de recursos do fundo para R$ 470 milhões. A direção da Vivo avalia que, com o atual portfólio de startups investidas e oportunidades em pauta, haverá necessidade de novas injeções de capital para manter o ritmo de aportes e garantir presença em rodadas cada vez mais competitivas. Significa dizer que o Vivo Ventures vai assinar cheques cada vez mais elevados. É o preço a ser pago para entrar, por exemplo, em negócios vinculados a inteligência artificial.

#Vivo

Orçamento da Educação turbina possível candidatura de Camilo Santana

22/01/2026
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A recomposição do orçamento das instituições federais de ensino, anunciada na última terça-feira, deve ser interpretada como mais um sinal do peso de Camilo Santana no tabuleiro eleitoral do PT no Nordeste. O esforço do governo em devolver R$ 977 milhões em verbas que haviam sido suprimidos teve um forte cálculo político, a ser capitalizado não apenas pelo presidente Lula, mas por Santana. Para todos os efeitos, o ministro da Educação vai deixar o cargo em abril para trabalhar pela reeleição do atual governador do Ceará, Elmano Freitas. No entanto, dentro do próprio PT ganha corpo a tese de que o próprio Santana deve ser o candidato do partido ao governo cearense. O receio é perder o comando do estado para Ciro Gomes. Nas últimas pesquisas, Freitas tem aparecido atrás de Ciro nas intenções de voto – no levantamento Ipsos-Ipec, por exemplo, a distância chegou a dez pontos percentuais. Desde já, portanto, a ordem no partido é fortalecer Santana, já vislumbrando a possibilidade dele sair do banco de reservas para entrar em campo na disputa contra Ciro.

#Camilo Santana

Atvos prepara novo ciclo de investimentos no Brasil

21/01/2026
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Nos bastidores do setor sucroenergético, corre a informação de que a Atvos, leia-se Mubadala, está embalando um novo e aditivado programa de investimentos para o Brasil. As cifras sobre a mesa chegariam a R$ 12 bilhões, acima dos R$ 10 bilhões planejados anteriormente. O principal eixo no plano estratégico da empresa envolve a entrada mais robusta no etanol de milho, com foco no Mato Grosso do Sul. A Atvos estuda a implantação de ao menos duas plantas industriais no Estado, com investimentos que, somados, podem ultrapassar a casa dos R$ 2 bilhões. A lógica é aproveitar a abundância de grãos na região e reduzir a dependência do ciclo da cana, criando uma operação mais perene ao longo do ano. Outro vetor relevante é o biometano. Internamente, o projeto já anunciado em Nova Alvorada do Sul é tratado como piloto de uma estratégia mais ampla de monetização de resíduos industriais e agrícolas. A ideia seria replicar o modelo em outras unidades, com dupla finalidade: reduzir custos energéticos próprios e criar um novo fluxo de receita com a venda do combustível renovável. Há ainda estudos preliminares envolvendo rotas avançadas de biocombustíveis, incluindo etanol voltado à aviação sustentável (SAF) e derivados de maior valor agregado. Procurada pelo RR, a Atvos não se manifestou até o fechamento desta matéria.

#Atvos #Mubadala

Tarcísio pressiona por inauguração da Linha-17 do Metrô até março

21/01/2026
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Talvez Tarcísio de Freitas queira “apenas” mais uma obra para exibir na sua campanha à reeleição; talvez ele saiba, desde já, que não estará na cadeira de governador em abril, prazo limite para a sua eventual desincompatibilização. O fato é que o governador tem feito forte pressão sobre a Agis Construção, responsável pelo projeto, para que a inauguração da Linha 17-Ouro do Metrô seja realizada até o fim de março. Vai ter de se tudo a toque de caixa. O cronograma está atrasado. A empresa não conseguiu entregar as oito estações e o pátio de manobra até dezembro, conforme estabelecido em contrato.
A obra é uma das meninas dos olhos de Tarcísio, seja pelo seu impacto em termos de mobilidade urbana, seja pelo simbolismo político. Trata-se de um monotrilho elevado de cerca de 6,7 quilômetros que vai ligar o Aeroporto de Congonhas às linhas 5-Lilás do metrô e 9-Esmeralda da CPTM, atendendo uma demanda estimada de até 100 mil passageiros por dia. Mais do que isso: ao cortar a fita de inauguração, Tarcísio concluirá um projeto que, entre idas e vindas, já leva mais de uma década de atraso. O cronograma original previa a entrega da linha 17 para a Copa do Mundo no Brasil, no já longínquo ano de 2014. Ou seja: em maior ou menor medida, a entrada em operação será um troféu, seja para um candidato à reeleição ao governo de São Paulo, seja para um postulante à Presidência da República.

#Tarcísio de Freitas

Capitalizada, Isa mira aquisições para montar ecossistema próprio em saúde

21/01/2026
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Há um zunzunzum no mercado de que a Isa Saúde, dos irmãos Fernando e David Pares, pretende se tornar uma consolidadora de healthcares. Nos bastidores, a leitura é que a startup, que atua no modelo de “hospital em casa”, busca montar um ecossistema próprio. Estariam no radar clínicas especializadas, serviços de atenção domiciliar, empresas de enfermagem, plataformas de monitoramento remoto e operações de cuidado a pacientes crônicos. Haveria também interesse em diagnósticos ambulatoriais e serviços de reabilitação, peças-chave para reduzir internações e controlar custos. Ressalte-se que a empresa está capitalizada. Em outubro do ano passado, recebeu um aporte de R$ 160 milhões liderado pelo IFC, braço de investimento do Banco Mundial.

#ISA

CloudWalk mira IPO em Nova York e testa apetite de investidores internacionais

20/01/2026
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A CloudWalk planeja realizar seu IPO em Nova York, possivelmente ainda neste semestre. Segundo informações colhidas pelo RR, a fintech de pagamentos fundada por Luis Silva tem feito sondagens junto a investidores internacionais para medir a temperatura do mercado e avaliar a demanda pelos papéis. Leva como principal chamariz a crescente operação nos Estados Unidos, por meio do aplicativo JIM.com, lançado em 2024 e voltado para pequenos empreendedores e microcomércios. Entre outros serviços, a startup vem se notabilizando no mercado norte-americano pelo uso de ferramentas de IA vinculadas, por exemplo, ao FedNow, equivalente ao Pix nos EUA. A CloudWalk, que tem entre seus acionistas fundos globais – Coatue, DST Global e Valor Capital – virou uma máquina de fazer dinheiro. No terceiro trimestre, sua receita anualizada chegou a US$ 1,2 bilhão. Por sua vez, o lucro projetado para 12 meses bateu nos US$ 128 milhões. Além disso, a fintech mantém hoje mais de R$ 13 bilhões em FIDCs. É com esses números vistosos que Luis Silva tem se sentado frente a frente com os potenciais investidores para o IPO.

#CloudWalk #IPO

Invepar é a nova presa na mira do irrefreável André Esteves

20/01/2026
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O BTG prepara o bote sobre a Invepar. Segundo o RR apurou, a instituição financeira mantém tratativas com o Banco do Brasil e o Itaú para adquirir seus créditos contra a holding de infraestrutura – cerca de R$ 446 milhões no total. Ressalte-se que o BTG já comprou R$ 200 milhões em recebíveis junto ao Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG). Significa dizer que, caso feche a aquisição dos títulos em poder do BB e do Itaú, o banco de André Esteves se tornará o maior credor individual da Invepar, concentrando o equivalente a 45% da dívida total da empresa (R$ 1,5 bilhão).

Essa consolidação de créditos coloca o BTG em uma posição privilegiada e potencialmente dominante à mesa de negociação. O banco terá o poder de ditar os termos de qualquer plano de reestruturação da companhia. E, como sempre, quando mexe uma peça no tabuleiro, Esteves já mapeou todos os movimentos até o xeque-mate. Nesse caso, a jogada final pode vir de duas maneiras. Uma delas é a troca da dívida por ativos do portfólio da Invepar. Não é de hoje que há especulações sobre o interesse do BTG em assumir a concessão do aeroporto de Guarulhos. Outra possibilidade é a conversão de debt em equity, com a diluição da participação dos atuais acionistas – Previ, Petros, Funcef e fundo Yosemite – e a transferência do controle para o banco. O RR fez seguidos contatos com o BTG, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. Também consultados, Banco do Brasil e Itaú não quiseram se pronunciar.

Já há algum tempo o BTG ensaia uma investida mais firme em concessões de infraestrutura. De outubro de 2024 para cá, participou dos leilões da Rota do Zebu (BR-262/MG), da Rota Verde (BRs-060/452/GO) e da Rota da Celulose (MS-040, MS-338, MS-395, BR-262 e BR-267). Foi derrotado em todas – o que, diga-se de passagem, até causou certa estranheza no setor, tratando-se de quem se trata. O fato é que a Invepar se apresenta como uma porta entreaberta para os interesses de André Esteves na área de infraestrutura. É mais um dos tantos territórios sobre os quais o banqueiro avança. Ao lado dos irmãos Batista, Joesley e Wesley, Esteves compõe o que existe de mais poderoso e agressivo no capitalismo brasileiro contemporâneo. Por vezes, pode-se questionar o modus operandi, mas jamais os resultados, vide a sequência e a diversidade de negócios bem-sucedidos comandados por Esteves.

No wealth management, o BTG consolidou sua liderança ao comprar o Julius Baer Brasil por cerca de R$ 615 milhões, incorporando uma base de mais de R$ 60 bilhões em ativos sob gestão e milhares de clientes de altíssima renda. Em seguida, avançou sobre a JGP Wealth, trazendo para dentro do banco aproximadamente R$ 18 bilhões adicionais em recursos administrados. Antes disso, a aquisição da Necton, anunciada em 2020, já havia agregado cerca de R$ 16 bilhões em ativos sob custódia, reforçando a musculatura do BTG na distribuição de investimentos para o público de renda média-alta e alta.

Na área de equity, um dos movimentos mais agudos de Esteves foi a recente entrada no capital da Cosan, praticamente no âmbito de uma operação de salvação do grupo. O BTG aportou R$ 4,5 bilhões no conglomerado de energia de Rubens Ometto. E, pelos termos do acordo, Esteves pode vir a se tornar controlador em seis anos, assumindo o lugar de Ometto. Não é só. O BTG tem interesse também em esticar seus tentáculos sobre a Raízen, joint venture entre a Cosan e a Shell, em uma operação bastante similar que envolveria uma injeção de capital para reduzir a alavancagem da companhia – conforme antecipou o RR. Ainda no setor de energia, a atuação na Eneva virou um caso clássico de engenharia financeira: o banco estruturou conversões de dívida em ações, comprou ativos térmicos, reorganizou o balanço e ajudou a viabilizar operações de mercado que somaram mais de R$ 10 bilhões entre aquisições de ativos, follow-ons e emissões. Hoje, o BTG figura como maior acionista individual da Eneva.

Em special situations, o banco montou uma frenética linha de montagem. O BTG é comprador recorrente de carteiras de crédito estressado, precatórios, recebíveis inadimplentes e títulos podres, operações que frequentemente envolvem cifras de centenas de milhões ou bilhões de reais por transação. Apenas nos últimos anos, participou de aquisições de carteiras bancárias e ativos problemáticos que, somados, ultrapassam R$ 20 bilhões, seja por meio de FIDCs, fundos exclusivos ou compras diretas de crédito. A Invepar é mais um tijolinho nessa épica construção de André Esteves.

#Invepar

Ferri amplia ofensiva e lidera bloco de minoritários no Pão de Açúcar

20/01/2026
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Para todos os efeitos, o novo pedido de assembleia do Grupo Pão de Açúcar (GPA), divulgado ontem, leva a assinatura do investidor Hugo Shoiti Fujisawa. No mercado, porém, é voz corrente que a caligrafia pertence a outro acionista: Rafael Ferri. Passo a passo, Ferri tem conseguido reunir ao seu lado um bloco de minoritários com o objetivo de se contrapor ao principal acionista do GPA, a família Coelho Diniz. O burburinho é que seu mais novo aliado seria Silvio Tini, um dos maiores investidores ativistas do mercado brasileiro. Desde o fim do ano passado, Tini tem comprado ações da rede varejista na Bolsa. Já teria algo em torno de 4%. Somando-se à participação conjunta de Ferri e de Fujisawa, o trio conta com 8% do capital. E há outros “minoritários-satélite” que têm se engajado à ofensiva. Ou seja: aos poucos vai se formando uma coalização capaz de, no mínimo, dar alguma dor de cabeça aos Coelho Diniz, donos de 24,5%. Ferri já havia solicitado anteriormente uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE), mas o pedido foi negado pelo Pão de Açúcar na semana passada. Agora, volta à carga tendo ao seu lado um vozerio maior de acionistas. O que está em jogo é a indicação de dois nomes para o Conselho de Administração da GPA e, consequentemente, uma participação mais ativa na gestão da rede varejista. Entre outros pontos de atrito que têm se acumulado nos últimos meses, Ferri e Fujisawa foram contrários à mudança de CEO da companhia – conforme informou o RR. Partiu dos Coelho Diniz a decisão de contratar Alexandre Santoro para o cargo, até então ocupado interinamente pelo CFO da empresa, Rafael Sirotsky.

#Pão de Açúcar

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