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Dentro do próprio PT cresce a percepção de que o futuro eleitoral da ministra Gleisi Hoffmann, principal liderança do partido no Paraná, está imbricado ao de Ratinho Jr. Se o atual governador lançar sua candidatura à Presidência da República pelo PSD, abre-se uma larga estrada para Gleisi concorrer ao Senado. Este seria o caminho de preferência do próprio presidente Lula, uma vez que permitiria construir um palanque mais forte no estado – a tendência é que o PT não tenha candidato próprio ao governo e apoie Requião Filho (PDT). No entanto, se Ratinho Junior desistir da disputa presidencial e se lançar ao Senado, seu Plano B, tudo muda de figura. O atual governador é tido como imbatível. Restaria apenas a segunda vaga do Paraná ao Senado. Nesse caso, Gleisi certamente terá de bater de frente com um candidato apoiado pelo clã Bolsonaro. Hoje, três postulantes disputam o apoio do bolsonarismo: Cristina Graeml (União), Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL). Trata-se sabidamente de um estado em que Bolsonaro tem expressiva força eleitoral: no segundo turno de 2022, por exemplo, derrotou Lula por 62% a 37%. Ou seja: nesse cenário, Gleisi trocaria uma reeleição líquida e certa à Câmara dos Deputados por uma duvidosa corrida ao Senado
A Copersucar discute uma série de cenários estratégicos após assumir o controle integral da Evolua Etanol, com a compra dos 49,99% que pertenciam à Vibra. Segundo fontes próximas à cooperativa, o consenso é que a mudança abre espaço para uma redefinição mais ambiciosa do seu posicionamento no mercado de biocombustíveis. Um dos cenários em debate é a verticalização comercial plena, com maior integração entre a originação do etanol nas usinas cooperadas e a venda ao mercado, elevando margens e reduzindo intermediários. Outro caminho analisado é o fortalecimento da Evolua como plataforma independente de trading, capaz de atender diversas distribuidoras e clientes industriais, sem vínculos preferenciais. Sem um sócio distribuidor, a Evolua pode se posicionar como fornecedora neutra para múltiplos players — inclusive concorrentes da Vibra — ampliando a base de clientes e reduzindo dependências comerciais específicas. Também está na mesa a expansão internacional, com foco em exportações para a Ásia e a Europa, aproveitando a crescente demanda por combustíveis de baixo carbono. Internamente, discute-se ainda a diversificação do portfólio, incluindo etanol premium, CBIOs e possíveis conexões com o mercado de SAF.
O Claifund (China-LAC Industrial Cooperation Investment), que se associou ao Pátria Investimentos na termelétrica Marlim Azul, em Macaé, tem sondado empresas da área de geração renovável no Brasil. Os chineses miram oportunidades na fronteira entre energia e infraestrutura digital. No setor, corre à boca miúda que uma das companhias com quem o fundo mantém conversas é a Casa dos Ventos. Nesse caso, todas as pontas parecem se unir. A Casa dos Ventos está envolvida em um dos maiores investimentos em curso no Brasil: a instalação de um data center no Ceará, orçado em aproximadamente R$ 200 bilhões. Seu parceiro no projeto é a Omnia, o braço de infraestrutura digital do Pátria. E quem enfeixa esse empreendimento imobiliário é a chinesa TikTok – será o seu primeiro data center na América Latina. Ou seja: trata-se de um investimento estratégico para Pequim. O Claifund se encaixaria nesse ou em outros projetos de data centers/energia no Brasil, funcionando como mais um braço de apoio para os interesses chineses.
Na última sexta-feira, circularam em Brasília rumores sobre a possível saída de Manoel Carlos de Almeida Neto do cargo de secretário-executivo do Ministério da Justiça. O que se diz nos corredores da Pasta é que, intramuros, Almeida Neto não esconde o descontentamento por ter sido preterido na sucessão de Ricardo Lewandowski – o Palácio do Planalto escolheu para o posto Wellington Cesar Lima e Silva, até então advogado-geral da Petrobras. Almeida Neto é ligado ao próprio Lewandowski, que trabalhou pela sua efetivação como ministro, mas acabou sendo voto vencido. A percepção é que a decisão não apenas teve forte componente político como abrirá espaço para maior influência do PT na Justiça.
Clientes. Essa é a resposta para a pergunta do título. A australiana Fortescue tem peregrinado em busca de compradores para o hidrogênio verde e amônia que pretende produzir em Pecém, no Ceará. Segundo informações que circulam no mercado, já bateu à porta de grandes grupos como Shell, Basf e TotalEnergies. O objetivo da companhia é fechar um colar de contratos de longo prazo que viabilizem o megaprojeto no Nordeste. O empreendimento é considerado hoje o mais avançado do país na área. A Fortescue planeja investir cerca de R$ 18 bilhões para implantar uma planta integrada de produção de hidrogênio e amônia verdes, com início de operação estimado para 2030 e foco prioritário na exportação. A empresa já concluiu a engenharia conceitual, obteve licença ambiental prévia e firmou um pré-contrato com o Porto do Pecém, assegurando acesso à infraestrutura logística necessária para embarque em larga escala.
A Valsoft Corporation fechou seu segundo deal no Brasil. Os canadenses acertaram a compra da Fast Medic, especializada em sistemas de gestão para a saúde pública. A operação marca a entrada da Valsoft no segmento de tecnologia voltada ao SUS. Com sede em Curitiba, a Fast Medic fornece soluções consideradas “mission-critical” para prefeituras e secretarias municipais de saúde, com sistemas usados no controle de atendimentos, gestão de estoques de medicamentos, regulação de consultas e produção de dados para tomada de decisão. Em 2025, a Valsoft já havia comprado a VHL Sistemas, empresa catarinense de softwares para a gestão de cartórios. Os canadenses não atuam como um fundo de private equity tradicional. O grupo adota uma estratégia de “buy and hold”, mantendo as empresas adquiridas sob gestão local, mas oferecendo suporte operacional, capital e governança para expansão.
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