Empresa
Será que um dia o Pão de Açúcar vai ter paz?
A contratação de Alexandre Santoro como novo CEO do Grupo Pão de Açúcar (GPA) acentuou fissuras societárias da empresa. No mercado, a ofensiva lançada por um grupo de investidores para promover mudanças no conselho é interpretada como um contra-ataque à chegada do executivo. Esses acionistas, à frente Rafael Ferri e Hugo Fujisawa, teriam se colocado contra a mudança no comando da companhia. Eles defendiam a efetivação no cargo do atual CFO do Pão de Açúcar, Rafael Sirotsky, que ocupava a função interinamente desde outubro. Como reação, esses investidores já solicitaram a convocação de uma assembleia geral para votar a indicação de dois nomes para o board, Daniel Vinicius Alberini Schrickte.
É um jogo de xadrez, tendo como disputa maior poder na gestão do GPA. O desafio de Ferri e Fujisawa é jogar com mais peças no tabuleiro, ou seja, buscar a adesão de outros investidores. Hoje, a dupla reúne menos de 4% do capital da GPA. É pouco para ganhar proeminência ante a família Coelho Diniz, hoje a maior acionista do Pão de Açúcar, com 24,6%. As divergências entre os atuais acionistas da companhia não chegam nem perto do explosivo embate entre Abílio Diniz e o Casino, que marcou época. De toda a forma, somam-se ao histórico de turbulências societárias do Pão de Açúcar. Em tempo: e o Casino, que ainda mantém 22,5% da rede varejista? Nesse momento, os franceses só têm olhos para a porta de saída do Brasil. Se ainda não partiram é porque não apareceu quem pague o que eles querem pelo seu quinhão no GPA.