Redação RR - Relatório Reservado

Artigos: Redação RR

No pôquer de Steinbruch, quais são as cartas que restam para a CSN?

30/01/2026
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Qual é o pôquer que Benjamin Steinbruch está jogando? Quais são realmente as cartas que ele tem na mão? São algumas das perguntas suscitadas pelo intenso tiroteio de informações envolvendo a CSN nos últimos dias. Duas fontes que conhecem muito bem o estilo de jogo do empresário apostam que os vazamentos sobre a entrada de um sócio ou mesmo de venda do controle da siderúrgica não passariam de blefe. Seriam uma sinalização ao mercado, um balão de ensaio lançado por Steinbruch com o intuito de buscar junto aos credores a repactuação do passivo da empresa. Esse é o grande problema que corrói o negócio por dentro. O grupo tem uma dívida líquida em torno de R$ 40 bilhões. De acordo com cálculos da Fitch, o balanço de 2025 da CSN mostrará uma alavancagem total de 5,4 vezes em relação ao Ebitda. Não há companhia que consiga ser saudável e competitiva com um endividamento dessa magnitude. A questão é que o alívio da asfixia financeira da CSN já não depende dos quereres de Steinbruch e, sim, de uma intrincada negociação com os credores. Na hipótese de não conseguir rolar a dívida da companhia, aí sim o empresário terá de fazer seu jogo com as cartas disponíveis. A partir de conversas com fontes do setor, o RR coloca alguns desses ases e coringas sobre a mesa, levantando as possíveis soluções que se apresentam para a CSN, umas mais e outras menos viáveis -, mas todas com seu respectivo grau de complexidade.

Uma das hipóteses tidas no setor como mais forte é a fusão entre a CSN e a Usiminas. A primeira, como se sabe, mantém uma participação acionária na segunda – essa fatia chegou a ser de 17% e hoje está em 4,99%. A associação daria origem a um grupo com capacidade instalada de 15 milhões de toneladas de aço/ano, receita em torno de R$ 50 bilhões e um Ebitda da ordem de R$ 4 bilhões (os números contabilizam apenas os resultados da CSN em siderurgia). O mais curioso é que hoje a Usiminas tem uma situação financeira muito mais equilibrada do que a empresa de Benjamin Steinbruch em termos de alavancagem. Sua relação dívida líquida/Ebitda é de apenas 0,16 vez. Trata-se de um indicador que joga a favor da empresa mineira – e de seus acionistas – no caso de um eventual M&A, notadamente no que diz respeito à relação de troca de ações. Se a CSN tem um valor de mercado superior (R$ 14 bilhões, contra R$ 8 bilhões), em contrapartida despejaria na nova empresa um volume de dívidas dezenas de vezes maior. Isso teria um custo para Benjamin no cálculo da estrutura societária da nova companhia.

É de se imaginar que a associação entre CSN e Usiminas não passasse de primeira pela agulha do Cade. O mais provável é que as duas empresas fossem obrigadas a deixar um ou outro ativo pelo caminho para que a operação tivesse o imprimatur do órgão antitruste. Paciência. Até porque talvez haja um entrave até maior do que esse: o historicamente belicoso relacionamento entre Benjamin Steinbruch e a Ternium, controladora da siderúrgica mineira. É uma convivência marcada por contenciosos e acusações cruzadas. No ano passado, o empresário teve uma importante vitória. O STJ decidiu que o grupo ítalo-argentino deve pagar uma indenização à CSN por não ter realizado uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) ao assumir o controle da Usiminas, em 2011 – o valor da sanção, inicialmente de R$ 5,5 bilhões, foi posteriormente recalibrado pela Corte para R$ 3,1 bilhões. Por sua vez, a siderúrgica de Benjamin Steinbruch foi multada pelo Cade em R$ 128 milhões por ter descumprido seguidamente a determinação de reduzir sua participação na Usiminas a menos de 5%. Ou seja, entre o empresário e a Ternium sempre foi assim: chumbo de lá, chumbo de cá. Mas cada tempo com suas vicissitudes. As circunstâncias recomendam que os dois contendores abaixem suas armas e sentem frente a frente de forma pragmática. CSN e Usiminas sofrem as dores de ter de concorrer com o aço chinês. A fusão seria uma forma de salvar o futuro e, de quebra, resolver as pendências do passado – a negociação poderia contemplar um encontro de contas para sanar obrigações financeiras cruzadas.

Trocando Belo Horizonte por Porto Alegre, outra possibilidade para a CSN seria uma fusão ou mesmo a venda do controle para a Gerdau. O grupo da família Gerdau é hoje um conglomerado com tamanho mais do que suficiente para engolir a siderúrgica de Benjamin Steinbruch em dois tempos – não obstante os medicamentos que precisaria tomar para não ter uma indigestão com o elevado passivo. A Gerdau tem um valor de mercado da ordem de R$ 44 bilhões (mais do que o triplo do market cap da CSN) e um faturamento anual próximo dos R$ 70 bilhões, mais da metade proveniente das suas operações na América do Norte. O conglomerado é o maior produtor de aços longos das Américas, praticamente sinônimo de vergalhões, arames e congêneres. A incorporação da CSN seria uma oportunidade de aumentar razoavelmente sua presença no segmento de aços planos.  E, de quebra, seria também uma solução para que a siderúrgica de Volta Redonda permanecesse sob controle do capital nacional. Esse pode vir a ser um ponto sensível desse jogo.

Assim como no caso da Usiminas/Ternium, as demais hipóteses levariam à desnacionalização da CSN. É o caso da ArcelorMittal, disparadamente o player do mercado brasileiro com maior capacidade para a absorver a empresa brasileira e seu mastodôntico endividamento. Trata-se de um potentado com usinas em mais de 20 países, faturamento global superior a US$ 65 bilhões e acesso a crédito internacional barato. Jogada nesse enorme alto-forno, a dívida da CSN, por exemplo, se diluiria com razoável facilidade. A questão é o Cade. Segundo executivos da área siderúrgica ouvidos pelo RR, uma eventual aquisição da CSN pela ArcelorMittal tenderia a enfrentar mais restrições do órgão antitruste do que no caso de uma operação com a Usiminas. Uma alternativa também cogitada no setor seria a venda de parte ou mesmo de toda a participação de Steinbruch para algum grupo chinês interessado em ter uma base de produção no Brasil. Nesse desenho, a CSN poderia ser usada para a laminação de placas importadas da China – o aço chinês já entra mesmo aos borbotões no Brasil. A usina de Volta Redonda passaria a ser um entreposto para acabamento e distribuição regional. Ressalte-se que Steinbruch dispõe de ativos valiosos que poderiam entrar nessa equação com investidores chineses. O empresário tem minério de ferro (CSN Mineração) e infraestrutura logística (dois terminais no Porto de Itaguaí, o de granéis sólidos (Tecar) e o de contêineres (Sepetiba Tecon), a participação acionaria na MRS e a Transnordestina (em eterna construção). O RR encaminhou uma série de perguntas à CSN, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

Nesse tabuleiro, há ainda um observador atento: o governo Lula. Fontes que acompanham de perto o tema afirmam que o Palácio do Planalto monitora a situação da CSN. A eventual desnacionalização da empresa não é um caminho visto como simpatia em Brasília. Ainda mais em ano eleitoral. A CSN e a usina de Volta Redonda carregam todo um simbolismo. São legados da era Vargas e distintivos históricos da força do trabalhismo, ao menos no passado. Em contextos como esse, governos do PT costumam reagir com a velha posologia do intervencionismo pragmático, sob a justificativa de preservar ativos considerados estratégicos sob controle nacional. Embora não seja o mais provável, não dá para descartar de todo a hipótese da gestão Lula querer colocar a colher na reestruturação da CSN. Até mesmo porque esse movimento seria guiado por uma lógica de que há algo maior em xeque: o futuro da própria indústria siderúrgica nacional. O conserto da CSN seria na verdade o pilar de uma lanternagem do setor. Amparado por esse discurso, o governo poderia, por exemplo, usar das ferramentas habituais, como Previ ou BNDES, para soldar a fusão da CSN e da Usiminas. Alguém poderá dizer, com toda razão, que nos últimos anos o fundo de pensão reduziu consideravelmente sua posição em renda variável, inclusive saindo de blocos de controle e do conselho de empresas. Pode ser. Mas situações excepcionais exigem soluções excepcionais. Há ainda um fato que não deve ser esquecido – e o RR faz questão de lembrar: o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e Benjamin Steinbruch têm uma relação de longa data, quase fraternal. Logo após a eleição, em 2022, Mercadante chegou a sondar Steinbruch para que ele assumisse o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

Fundo canadense prepara sua saída do capital da Allos

30/01/2026
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Corre no mercado que o Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB) pretende zerar sua posição na Allos, uma das maiores gestoras de shopping centers do Brasil. Os canadenses já iniciaram a contagem regressiva para se desfazer dos papéis em junho. É quando se encerra o lock-up firmado pelo CPPIB, acordo que o impede de vender ações da empresa por determinado período. O fundo de pensão canadense – um potentado previdenciário com mais de US$ 700 bilhões em ativos – chegou a ser um dos maiores acionistas da Allos, com 14%. No ano passado, reduziu sua fatia no capital para 9%. Com base na cotação do papel no fechamento de ontem, o quinhão societário dos canadenses vale aproximadamente R$ 1,3 bilhão.
A decisão do CPPIB se insere em um processo mais amplo de redução de exposição ao mercado brasileiro, intensificado ao longo dos últimos meses. O fundo canadense vem promovendo uma reciclagem de capital em ativos listados no país. Além da Allos, o CPPIB já zerou sua posição na Azzas 2154, também por meio de leilão em bolsa, e vem diminuindo participações relevantes em outras companhias brasileiras. Interlocutores atribuem o movimento a uma reavaliação do risco Brasil dentro do portfólio global do fundo, sem caracterizar uma saída abrupta do país, mas, sim, um redimensionamento seletivo da presença em ações listadas.

#Allos

Quem vai pagar a conta por passivo de duas décadas na Funcef?

30/01/2026
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A diretoria da Funcef está quebrando a cabeça para resolver um problema que se arrasta há quase duas décadas: o passivo previdenciário do Plano REG/Replan Não Saldado. O déficit tem origem em uma decisão tomada no processo de reorganização do plano REG/Replan, em meados dos anos 2000. Quando o plano foi saldado, ele permaneceu ancorado na estrutura remuneratória antiga da Caixa, baseada no PCS de 1989. Uma parcela dos empregados optou por não aderir ao saldamento e, com isso, ficou fora do novo modelo de cargos e salários implementado posteriormente pela Caixa Anos depois, esses trabalhadores recorreram à Justiça para obter o reconhecimento de parcelas salariais criadas após a mudança do PCS, formando um emaranhado de ações nos tribunais. Por sua vez, as seguidas decisões judiciais favoráveis aos beneficiários produziram um efeito colateral relevante e um efeito cascata nas contas atuariais da Funcef. Hoje, essa distorção atinge pouco mais de 600 participantes da fundação. Estima-se que sejam necessários cerca de R$ 300 milhões para o fundo de pensão equalizar integralmente a situação e permitir a incorporação das parcelas aos benefícios, encerrando as disputas na Justiça. E como esse nó será (tardiamente) desatado? Há três hipóteses de solução sendo discutidas no comando da Funcef. Uma delas seria a devolução integral de todas as contribuições recolhidas indevidamente sobre essas parcelas judiciais. Outra possibilidade é a recomposição dos recursos para que essas parcelas sejam incorporadas ao benefício de forma legítima. A fatura seria dividida meio a meio entre o participante e a patrocinadora, ou seja, a Caixa. A terceira via seria o banco arcar integralmente com o aporte. Não é a solução que mais agrada à Caixa.

#Funcef

Novo gabinete da Aneel é recebido com ceticismo pelo setor elétrico

30/01/2026
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A criação do Gabinete de Acompanhamento das Condições do Sistema Interligado Nacional (SIN) pela Aneel é vista no setor elétrico mais como um placebo da burocracia estatal do que como uma solução efetiva para problemas estruturais do sistema. Entre empresas de geração, transmissão e comercialização, a avaliação predominante é que a medida organiza o monitoramento, mas deixa intactas as principais lacunas operacionais e regulatórias. O gabinete amplia a coleta e a sistematização de dados, mas não altera a capacidade de resposta do Estado diante de eventos críticos, como estiagens prolongadas, picos abruptos de consumo ou falhas sistêmicas de grande porte.
Outro ponto sensível é que o novo arranjo não resolve o histórico problema de coordenação entre Aneel, ONS e Ministério de Minas e Energia. Na prática, a multiplicação de instâncias de acompanhamento pode até reforçar a fragmentação decisória, sem criar um comando claro em momentos de estresse do sistema. Empresas também apontam que o gabinete não dispõe de instrumentos executivos: ele observa, analisa e recomenda, mas não decide nem implementa medidas operacionais.
Há ainda críticas quanto à capacidade técnica e informacional. O gabinete depende de dados produzidos por terceiros e de sistemas que não operam plenamente em tempo real, o que limita sua função preditiva. Além disso, não há clareza sobre como alertas emitidos pelo grupo se traduzirão em ações concretas, como despacho antecipado de térmicas, contratação de reserva ou ajustes regulatórios emergenciais. Para o mercado, a iniciativa é um passo na direção certa, mas ainda distante de enfrentar pendências centrais do setor, como segurança energética, governança decisória e previsibilidade regulatória em cenários de risco.

#Aneel

O maior rival do Atlético-MG não é o Cruzeiro

29/01/2026
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O novo CEO da SAF do Atlético-MG, Pedro Daniel, assumiu o cargo com um duro confronto pela frente. Do outro lado do gramado, está um esquadrão de credores. Segundo informações filtradas pelo RR, Daniel iniciou uma peregrinação junto aos bancos com o objetivo de renegociar o passivo da empresa com generosos deságios. Um dos “adversários” a ser toureado é o BTG, a quem a SAF deve cerca de R$ 200 milhões. Não é de hoje que o risco de uma recuperação extrajudicial ou mesmo judicial ronda o Atlético-MG. O endividamento passa dos R$ 2 bilhões. É praticamente quatro vezes a receita – indicador mais usado entre clubes. Trata-se do maior índice de alavancagem do futebol brasileiro. Financistas que já se debruçaram sobre os balanços do Atlético-MG chegam a dizer que, se fosse uma empresa “comum”, os credores já teriam acionado covenants, executado garantias e colocado o negócio na lona. Ou seja: sem uma repactuação, o passivo é impagável e a situação do Galo tende a se tornar insustentável. O cenário atual só não é pior porque a SAF acaba de receber um novo aporte do empresário Rubem Menin, dono da MRV e do Banco Inter e um de seus maiores acionistas.

#Atlético-MG #Cruzeiro

Esther Dweck sobe na bolsa de apostas para o lugar de Haddad

29/01/2026
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Há uma peça nova no tabuleiro da sucessão de Fernando Haddad na Fazenda. A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, desponta como um nome forte dentro do governo para assumir o comando da economia. Dweck é vista como alguém capaz de quebrar resistências e formar consensos em torno da sua nomeação. É querida dentro do PT e carrega uma história de proximidade, sobretudo, com Dilma Rousseff e Gleisi Hoffmann. Da primeira, foi secretária do Orçamento Federal durante a gestão de Nelson Barbosa na Fazenda; da segunda, assessora especial no Senado. Dweck tem também ótima relação com o próprio Haddad. No início do governo, colaborou de forma relevante para a elaboração do novo arcabouço fiscal.

Em meio a toda pressão por ajustes nas contas públicas, ambos sempre procuraram calibrar de forma compartilhada a gestão orçamentária para reajustes de servidores e a realização de concursos públicos. Na avaliação do Palácio do Planalto, o afinamento com Dweck funcionaria como um amortecedor para a frustração de Haddad por não emplacar o seu candidato ao cargo, o atual secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan. Por fim, a Faria Lima. A eventual escolha de Dweck não seria recebida exatamente com euforia pelos agentes financeiros – afinal, Narciso acha feio o que não é espelho. Mas estaria longe de ser uma solução que causasse sobressaltos no mercado.

A ministra da Gestão e Inovação é vista como um quadro técnico com formação acadêmica e atuação consistente em gestão pública, orçamento e administração pública. Também joga a favor o seu alinhamento a Haddad em relação ao ajuste fiscal e à reestruturação do Estado. Faltando menos de um ano para o fim do governo, a Faria Lima já se dará por satisfeita com alguém que não represente uma ruptura abrupta e, sim, uma continuidade na gestão da economia.

Esther Dweck tem ainda outros atributos, a começar por uma trajetória olímpica, sem qualquer mácula curricular. Nesse caso, seria o oposto de um dos nomes defendidos dentro do PT para o lugar de Haddad: o ex-ministro, Guido Mantega – conforme o RR informou.

Mantega chegou a ser investigado no âmbito da Operação Zelotes que apurou a venda de sentenças no CARF. Também é sonegador confesso: em 2017, admitiu ter US$ 600 mil em uma conta não declarada na Suíça. Aliás, as diferenças entre Dweck e Mantega não se resumem a eventuais suspeições. A escolha de um ou de outro tem muito a dizer sobre o que será o Ministério da Fazenda nessas raspas e restos do Lula III. Uma vez no cargo, Mantega muito provavelmente seria uma espécie de fantoche – o que se diz em Brasília, inclusive, é que sua indicação viria acompanhada de um fortalecimento do próprio Dario Durigan, que viraria algo como um primeiro-ministro da Fazenda. Já o figurino de títere certamente não caberia em Esther Dweck. E muito menos em Durigan. O secretário-executivo do ainda ministro da Fazenda tem ideias que flertam com o neoliberalismo. Tem sido um pêndulo nas relações entre Haddad, a Faria Lima e os obcecados do PT. A questão é que Durigan pode até ter padrinho político, o próprio Haddad, mas não soma na campanha. Já Dweck é uma espécie de assemblage entre Luiz Gonzaga Belluzzo, Luciano Coutinho e Gabriel Galípolo. Juntando um pouquinho daqui e um pouquinho de lá, ela conseguiria agradar ao PT sem matar de ódio a Faria Lima.

#Fernando Haddad

Brasil e Arábia Saudita articulam parceria em bioinsumos agrícolas

29/01/2026
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A parceria bilateral para investimentos na recuperação de pastagens que vem sendo alinhavada entre Brasil e Arábia Saudita desponta como a proxy de um acordo maior no agronegócio. Segundo informações obtidas pelo RR, os dois países discutem uma cooperação para a produção de bioinsumos agrícolas. O diálogo envolve fertilizantes biológicos, bioestimulantes, inoculantes e tecnologias de agricultura de baixo carbono, projetos que dialogam com a própria iniciativa conjunta para a recuperação de pastagens degradadas. Uma das vantagens sobre a mesa seria a possibilidade de o Brasil reduzir a dependência na importação de fertilizantes sintéticos, hoje fortemente concentrados em poucos polos produtores e vulneráveis a choques geopolíticos. O Brasil entra com escala produtiva, conhecimento científico acumulado pela Embrapa e experiência em sistemas tropicais sustentáveis; a Arábia Saudita aportaria capital, capacidade de investimento de longo prazo e uma estratégia clara de garantia sua segurança alimentar doméstica. Do ponto de vista geoeconômico, a parceria cria um eixo Sul-Sul capaz de reposicionar os bioinsumos como ativo estratégico, abrindo caminho para exportação de tecnologia brasileira ao Oriente Médio e à África.

#Agronegócio

Nem tudo é o que parece ser no jogo societário do Pão de Açúcar

29/01/2026
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Na condição de minoritários ativistas do Grupo Pão de Açúcar (GPA), Hugo Fujisawa e Rafael Ferri falam por si ou são mímicos de terceiros? Essa é a pergunta que ricocheteia no mercado. A ofensiva da dupla, com a convocação da assembleia extraordinária de acionistas e a articulação para a indicação de até dois conselheiros, tem alimentado especulações de que ambos, na verdade, estão representando interesses alheios ainda não devidamente mapeados. Essa percepção ganhou ainda mais corpo com a proposta de derrubada da poison pill prevista no estatuto do GPA, formalmente apresentada por Fujisawa e defendida por Ferri. A extinção da pílula de veneno, que será levada à votação na assembleia prevista para 27 de março, permitirá que qualquer acionista tenha mais de 25% do GPA sem a necessidade de realizar uma oferta pública para a aquisição do restante do capital. Essa possibilidade tem suscitado uma segunda pergunta no mercado: Fujisawa e Ferri estariam dublando algum investidor ainda oculto na coxia ou personagens que já estão à vista de todos sobre o palco? Todos parecem estar dentro de uma sala de espelhos em que os reflexos mais confundem do que explicam. Por um lado, a retirada da poison pill possibilitará que qualquer player compre ações, monte uma posição relevante no capital e passe a disputar espaço com a família Coelho Diniz, hoje a principal acionista do Pão de Açúcar, com 24,6% do capital; por outro lado, o próprio clã pode ser o principal favorecido. O fim da cláusula de barreira permitiria aos Coelho Diniz aumentar sua fatia e consolidar sua posição hegemônica na gestão do grupo.

#Pão de Açúcar

Skyone prepara ofensiva de aquisições com apoio do Advent

29/01/2026
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A Skyone, provedora de serviços em nuvem, está prestes a tirar da nuvem um plano de aquisições. O que se diz no mercado é que a empresa tem duas presas no seu radar. Segundo informações filtradas pelo RR, a companhia mira em segmentos adjacentes à nuvem, como cybersecurity, DevOps e serviços de integração SaaS. Por trás do movimento expansionista está o Advent, que liderou a rodada C de capitalização da startup, no ano passado. A tese dos norte-americanos é que, com a maturação do mercado de nuvem no Brasil, a Skyone pode ganhar escala e complementaridade por meio de aquisições táticas, tanto no Brasil quanto no exterior. Com faturamento da ordem de R$ 400 milhões por ano, a empresa opera em mais de 30 países.

#Advent

União Química planeja uma dupla injeção de recursos

28/01/2026
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Em busca de um tonificante para o seu caixa, a União Química trabalha com dois princípios ativos, não necessariamente excludentes. Em paralelo às negociações para a venda de parte do seu capital, que se desenrolam há pelo menos quatro meses, o laboratório farmacêutico avalia uma nova emissão de dívida. Segundo informações filtradas pelo RR, a operação se daria mediante o lançamento de debêntures. O que se diz à boca miúda no mercado é queque potenciais investidores já vêm sendo sondados. Seria a sétima emissão de títulos dessa espécie. Na mais recente, em abril do ano passado, a União Química levantou R$ 750 milhões. Some-se a isso a cifra que o empresário Fernando Marques, controlador da companhia, pretende amealhar com a venda de uma participação minoritária. As conversas com fundos nacionais e internacionais giram em torno de R$ 1 bilhão. A combinação entre emissão de equity e de debt se justifica pelo apetite expansionista do laboratório. A União Química está no páreo para comprar o Medley, um dos maiores fabricantes de medicamentos genéticos do país, colocado à venda pela francesa Sanofi.

#recursos #União Química

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