Redação RR - Relatório Reservado

Artigos: Redação RR

Vale desponta como uma peça estratégica no liaison entre Brasil, Arábia e EUA

3/02/2026
  • Share

“O conflito global favorece o Brasil em minerais críticos”. A recente declaração do CEO da Vale, Gustavo Pimenta, parece ter sido cuidadosamente calculada, tanto em relação ao lócus, sob os holofotes de Davos, quanto ao timing. A companhia é vista dentro do próprio governo como peça fundamental para a materialização do acordo firmado, há cerca de duas semanas, entre Brasil e Arábia Saudita para projetos conjuntos em minérios estratégicos. Caberia à empresa encabeçar os investimentos na extração de minerais voltados à transição energética. Todos os caminhos levam à Vale. A começar pelo vínculo societário já existentes entre a mineradora e Riad. Os árabes são sócios da Vale Base Metals, o braço de não-ferrosos da companhia, com 13% do capital. Significa dizer que o PIF, o colossal fundo soberano com mais de US$ 1 trilhão em ativos, e a Ma’aden, mineradora pertencente à família real, já têm um pé não apenas na Vale, mas no subsolo brasileiro. Ou seja: o acordo bilateral assinado durante a visita do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, à Arábia em meados de janeiro não começaria do zero. Já teria como ponto de partida os ativos da mineradora brasileira em cobre (Salobo e Sossego) e níquel (Onça Puma). A partir daí, essa aliança tripartite poderia derivar para outros negócios, como terras raras, lítio e – por que não? – até mesmo minerais nucelares, como urânio e tório. Procurada pelo RR, a Vale não se pronunciou.

Não é de hoje, ressalte-se, que o próprio Palácio do Planalto enxerga na Vale o front para liderar projetos na produção de minérios estratégicos. Não só o Palácio do Planalto como investidores mais ariscos, que buscam frestas de entrada na companhia, como, por exemplo,  André Esteves – ver RR. Curiosamente, a Arábia Saudita surge como a alavanca capaz de empurrar a mineradora nessa direção. Mais do que isso: os sauditas entram em cena trazendo a reboque sua singular e valiosa posição no tabuleiro geopolítico. Onde está escrito Riad, leia-se também Washington. Onde está escrito Mohamed bin Salman, príncipe herdeiro e primeiro-ministro do país asiático, leia-se também Donald Trump. A Arábia Saudita é uma aliada histórico dos Estados Unidos, com relações estratégicas profundas, sobretudo, na área de Defesa. Nenhum movimento dos sauditas no âmbito internacional é feito de costas para os norte-americanos.

Ao entrar como investidor e parceiro em projetos de minerais críticos no Brasil, a Arábia ofereceria uma solução que tende a ser vista com bons olhos pela Casa Branca. É notório, sabido, declarado e propalado o interesse de Donald Trump por terras raras e pelos minerais nucleares do Brasil. O acesso preferencial dos norte-americanos a essas riquezas é um ponto central das tratativas bilaterais para o equacionamento definitivo do tarifaço imposto pelo governo Trump. Nesse cenário, a Arábia Saudita seria um elemento de equilíbrio, um vértice importante de um triângulo mineral. Washington tem acelerado iniciativas explícitas para ganhar terreno na sua disputa particular com a China por minerais críticos. Ontem, por sinal, Trump anunciou o “Project Vault”, um investimento de US$ 12 bilhões para montar uma reserva de minérios estratégicos. O plano norte-americano é financiar grandes estoques de minerais para montadoras, empresas de tecnologia e outros fabricantes.

Nesse ambiente, uma rota Brasil–Vale–Arábia pode soar palatável aos EUA: seria um antídoto a uma captura chinesa de suprimento. A própria associação já existente entre a Arábia e a mineradora brasileira seria um facilitador e um atalho para dar forma a esse arranjo mínero-geopolítico. A parceria soberana firmada entre os dois países poderia se dar, por exemplo, mediante um aumento de capital do FIP e da Ma’aden na Vale Base Metals.

#Vale do Rio Doce

Em meio à recuperação judicial, 2W entra no radar da Lumina

3/02/2026
  • Share

Corre à boca miúda no setor elétrico que a Lumina Capital Management mantém conversas com a 2W Ecobank. Em pauta um possível aporte de capital na empresa de energia. Trata-se de uma special situation bem ao gosto da gestora de Daniel Goldberg, Fernando Chica e cia. A 2W enfrenta uma recuperação judicial, com dúvidas superiores a R$ 2 bilhões. Entre os maiores credores estão Credit Suisse, BTG e Sumitomo. A empresa nasceu como uma comercializadora de energia e posteriormente montou um portfólio de projetos em geração eólica. A Lumina, ressalte-se, está capitalizadíssima para fazer o que faz de melhor: buscar ativos estressados. No fim do ano, a gestora conclui a captação de seu terceiro fundo, levantando US$ 1,5 bilhão. O setor de energia renovável é um prato cheio: está povoado de empresas que sofrem os efeitos perversos do curtailment, os cortes obrigatórios de geração de energia impostos pelo ONS.

#2W #Lumina

Fávaro mira Japão e Coreia com um olho na balança comercial e outro nas urnas

3/02/2026
  • Share

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, tem mantido uma intensa rotina de conversas com autoridades diplomáticas do Japão e da Coreia do Sul em Brasília. O objetivo é fechar até o fim de fevereiro um acordo para a retomada dos embarques de carne bovina para os dois países. Trata-se de um tema que pesa em duas balanças: na comercial e na eleitoral. Para o agronegócio brasileiro, a abertura dos mercados japonês e sul-coreano é tida como fundamental para mitigar o impacto das restrições impostas por Pequim à carne bovina brasileira. Estima-se que a queda das exportações para a China em 2026 será da ordem de 600 mil toneladas, ou seja, o equivalente a mais de um terço dos embarques realizados no ano passado. É um osso duro de roer que precisará ser compensando mediante acordos comerciais em outras latitudes. Ao mesmo tempo, Fávaro trata o assunto como uma última grande missão à frente da Pasta e um ativo eleitoral – o ministro será candidato ao Senado pelo Mato Grosso.

No Japão, onde o Brasil busca autorização para exportar carne bovina há mais de duas décadas, o ministro tem articulado avanços técnicos e sanitários com autoridades japonesas e importadores, apoiado na certificação de que o país inteiro é livre de febre aftosa sem vacinação, condição essencial para a abertura definitiva do mercado. Paralelamente, interlocutores do governo apontam que a pauta com a Coreia do Sul também tem avançado em conversas técnicas, inclusive com foco não apenas em carne bovina, mas no fortalecimento de protocolos sanitários e cooperação técnica que podem abrir espaço para proteínas brasileiras em Seul.

#Carlos Fávaro

Saída de nº 2 do Ministério embaralha sucessão de Alexandre Silveira

3/02/2026
  • Share

O pedido de exoneração do cargo do secretário-executivo da Pasta de Minas e Energia, Arthur Valério, embaralhou a sucessão do próprio ministro Alexandre Silveira. Valério, que decidiu sair do governo para atuar na advocacia privada, era tido como pule de dez para assumir o lugar de Silveira. O ministro deverá deixar a função em abril para disputar a eleição ao Senado. Braço direito de Silveira, o então nº 2 do Ministério sempre se notabilizou-se pelo bom trânsito junto ao Congresso e às empresas de energia. Deixa uma lacuna que terá de ser preenchida, talvez com um forasteiro, ou seja, um nome de fora da Pasta. A avaliação no governo é que o secretário-executivo adjunto, Fernando Colli, substituto provisório de Silveira, não tem peso político para ser alçado à cadeira de ministro.

#Alexandre Silveira

Crise da Postal Saúde vira foco de enfermidade para o governo Lula

2/02/2026
  • Share

Dentro da crise dos Correios há outra crise que mobiliza o governo. O Palácio do Planalto pressiona a direção da empresa a equacionar a desordem financeira e operacional da Postal Saúde. Os servidores e aposentados da estatal não têm conseguido atendimento nos principais hospitais e clínicas credenciados no plano. Grupos como Rede D’Or e Dasa vêm se recusando a agendar consultas e exames devido à falta de pagamento por parte da Postal Saúde. A inadimplência é resultado direto dos atrasos no repasse dos recursos dos Correios. Relatórios apontam que a dívida da estatal com a empresa de medicina de grupo já ultrapassa os R$ 740, mais que o dobro do registrado em 2024. Os índices de reclamação junto à Agência Nacional de Saúde Suplementar também duplicaram ao longo de 2025. Auxiliares do presidente Lula enxergam as enfermidades financeiras da Postal Saúde como um foco de desgaste político tão ou até mesmo maior do que o próprio rombo financeiro dos Correios. São funcionários públicos e dependentes – em outras palavras, eleitores – que não estão sendo devidamente assistidos pela má gestão da estatal e consequentemente do plano de saúde.

#Correios #Postal Saúde

“Estiagem” da Mosaic acentua fragilidade do Brasil em fertilizantes

2/02/2026
  • Share

Como se não bastasse a notória dificuldade de viabilizar novos projetos e reduzir a dramática dependência de fertilizantes importados, o Brasil enfrenta agora a ameaça de desinvestimento de grandes players do setor. É o caso da Mosaic. Segundo o RR apurou, após suspender temporariamente a produção de superfosfatados (SSP) no Paraná e em Minas Gerais, a companhia norte-americana discute medidas contracionistas mais drásticas. De acordo com uma fonte próxima à empresa, as hipóteses sobre a mesa incluem da descontinuidade de linhas específicas até mesmo ao fechamento definitivo de uma das duas fábricas afetadas pela paralisação – Paranaguá (PR) e Araxá (MG). Em Minas Gerais, há, desde já, forte tensão entre os funcionários. Segundo informações filtradas junto a lideranças sindicais, correm rumores sobre demissões na unidade de Araxá. Ressalte-se que, no ano passado, a companhia já havia negociado sua única mina de potássio no Brasil, a Taquari-Vassouras, localizada em Rosário do Catete (SE), para a VL Mineração. Procurada pelo RR, a Mosaic não quis se pronunciar.

O redimensionamento da capacidade industrial da Mosaic no Brasil seria a saída encontrada para reduzir a ociosidade e preservar rentabilidade. O pano de fundo da entressafra no Brasil é uma deterioração mais ampla do mercado, um choque simultâneo de demanda e competitividade. Entre outros fatores, a empresa sofre os efeitos da escalada de preços do enxofre, uma de suas principais matérias-primas: o valor para a entrega da commodity nos portos brasileiros subiu para a faixa de US$ 540–550/t (CFR) em janeiro, ante cerca de US$ 510–515/t no começo de dezembro, em um movimento que pressiona diretamente o custo de produção do SSP. Nesse cenário, mesmo para um gigante global da indústria de adubos, está cada vez mais difícil competir com a crescente entrada no país de produtos fosfatados provenientes da China. No ano passado, as vendas da Mosaic no mercado brasileiro ficaram estagnadas na casa dos nove milhões de toneladas, frustrando as projeções de aumento do volume de até 10%. Some-se a isso as taxas de juros nas alturas e a torrente de recuperações judiciais no setor agrícola no Brasil. Grandes distribuidores de insumos agrícolas, como a Agrogalaxy, e produtores rurais sofrem com dívidas impagáveis e acesso a crédito restrito.

Além dos problemas do mercado interno, a retração da Mosaic no Brasil reflete também o período conturbado da própria matriz. Nos Estados Unidos e no Canadá, a companhia reportou uma queda acentuada da demanda por fertilizantes no quarto trimestre de 2025. Em resposta, a empresa se viu forçada a reduzir seu plano de produção de fosfatados na América do Norte e redirecionar volumes para mercados com consumo mais resiliente. Como consequência, a Mosaic decidiu alienar ativos para recompor caixa. Em dezembro, vendeu sua operação de potássio em Carlsbad, Novo México, para a International Minerals Carlsbad. Uma coisa está diretamente ligada à outra: o desempenho cadente na América de cima pressiona ainda mais o grupo a enxugar suas operações na América de baixo.

#Mosaic

Polarização à vista na comunicação de Flavio de Bolsonaro

2/02/2026
  • Share

No entorno de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), já se dá como certa a contratação do marqueteiro Daniel Braga para a sua campanha presidencial. Braga, que atua na comunicação do PL, é bastante próximo do senador Rogério Marinho (PL-RN). O parlamentar é o mais cotado para ser o coordenador da candidatura de Flavio. No entanto, há um ponto ainda em aberto: entre os próprios assessores do ‘01” não está muito claro como se dará a divisão de tarefas com o também publicitário Marcello Lopes. Este último chegou primeiro e já ocupa um razoável espaço de influência na pré-campanha de Flavio, inclusive acompanhando-o pessoalmente em diversos eventos. Um potencial campo de fricção é a gestão da comunicação digital. Como se sabe, trata-se de um território estratégico para o clã Bolsonaro. Para o bem e para o mal.

#Flavio de Bolsonaro

Azimut avança na gestão de recursos com novas aquisições no Brasil

2/02/2026
  • Share

O RR apurou que a italiana Azimut está negociando novas aquisições na área de wealth management no Brasil. Há duas operações no pipeline, ambas envolvendo portfólios superiores a R$ 10 bilhões, segundo uma fonte que a companha a movimentação da instituição. Em dezembro, a Azimut comprou o controle da Knox Capital, vinculada à XP e com uma carteira de aproximadamente R$ 7 bilhões sob gestão. No ano passado, a empresa chegou a R$ 50 bilhões sob gestão no Brasil. Nos bastidores, os italianos falam em duplicar essa cifra em até dois anos. O Brasil já é a terceira maior operação global da Azimut, que administra mais de US$ 100 bilhões em 20 países.

#Azimut

Grupo indiano deve aumentar voltagem judicial no setor elétrico brasileiro

2/02/2026
  • Share

A judicialização do setor elétrico brasileiro – uma bola de neve que envolve mais de R$ 150 bilhões, nas estimativas mais conservadoras – está prestes a ganhar um novo capítulo. A indiana Two Square (antiga Sterlite) avalia entrar na Justiça contra a Aneel. Na semana passada, a agência confirmou os pedidos de caducidade antecipada das concessões da Serra Negra e Tangará, empresas de transmissão controlada pelo grupo asiático. A alegação é que ambas não cumpriram obrigações contratuais e acumulam atrasos no cronograma de seus respectivos projetos, incluindo a falta de licenças ambientais, o que é rechaçado pelos indianos.  Na queda de braço com a Aneel, a Two Square sustenta que houve mudança de entendimento regulatório ao longo da execução dos projetos, além de entraves exógenos — ambientais, fundiários e financeiros — que teriam comprometido os cronogramas originais. A estratégia jurídica questionaria tanto o mérito da caducidade quanto o rito adotado pela Aneel, com pedidos de tutela para suspender os efeitos da decisão. Seja com o nome de Sterlite, seja rebatizada como Two Square, a história do grupo indiano no Brasil pode ser dividida em duas etapas. A primeira, de bonança, ao arrematar concessões de transmissão com investimentos somados da ordem de R$ 4 bilhões; a segunda, de tempestade: no ano passado, a empresa entrou em recuperação extrajudicial no Brasil na tentativa de repactuar dívidas de R$ 1,4 bilhão.

#Energia

Capital One assume a Brex com o desafio de frear erosão de caixa

30/01/2026
  • Share

Há informações no mercado de que a Capital One fará significativos ajustes na estrutura da brasileira Brex, adquirida na semana passada por US$ 5,1 bilhões. Em pauta, cortes de custos, revisão de incentivos comerciais, recalibragem da política de crédito e, sobretudo, maior seletividade na concessão de limites a clientes corporativos. A Brex, fintech de pagamentos fundada pelos investidores Pedro Franceschi e Henrique Dubugras, é uma máquina de movimentar dinheiro, mas não exatamente de gerar lucro. Criada em 2017, ainda não teria atingido seu breakeven. O que se diz é que a empresa opera seguidamente no vermelho e se tornou uma insaciável consumidora de caixa. Caberá aos norte-americanos da Capital One frear essa corrosão de capital. Se, por um lado, a aquisição da Brex causou um frenesi por se tratar de uma das maiores operações de venture capital neste início de 2026 em todo mundo; por outro, despertou certa frustração nos investidores por conta da precificação da fintech brasileira. As cifras não chegaram nem à metade do valuation máximo atingido pela Brex, em 2022: US$ 12,3 bilhões.

#Brex #Capital One

Todos os direitos reservados 1966-2026.

Rolar para cima